quarta-feira, 27 de março de 2013

Cartas do meu Sanctum O PASSADO DO FUTURO Há quem diga que o tempo não existe, que não é mais do que uma sucessão de percepções da nossa consciência. É bastante difícil compreender isto quando nos deparamos a todo o momento com variações da escala do tempo. Se um dia tem vinte e quatro horas é porque o nosso planeta leva esse tempo a fazer uma rotação completa; se o ano tem mais ou menos trezentos e sessenta e cinco dias é porque a Terra leva esses dias todos a rodear o Sol. Tudo se passa a velocidades vertiginosas das quais não temos a menor consciência. Se o tempo não existe, como compreender a vida desde o seu nascimento até à sua morte, como ocorre com todos os animais e vegetais? Como compreender aquelas fotos de família que nos mostram como éramos quando crianças? Como compreender o desenrolar da História ao longo dos séculos e dos milénios? Para alguns cientistas menos comprometidos com concepções conservadoras, o tempo é uma das dimensões em que vivemos. Assim, não vivemos em três dimensões, mas em quatro. Cientistas mais arrojados nas suas projecções dizem que podemos estar a viver, pasme-se, não em três ou quatro, mas em dezanove ou vinte e uma dimensões. Considerando esta última hipótese, as várias teorias de que estamos a sair da terceira para entrar na quarta ou quinta dimensão estão ultrapassadas. De acordo com alguns elementos da Tradição Primordial que a Teosofia adoptou, o tempo é constituído por uma imensa tela onde tudo é registado. Essa tela é o “eterno presente”, não existindo portanto, nem passado, nem futuro. Então, não existindo passado quer dizer que vivemos sempre nesse “eterno presente”, o que torna a compreensão sobre o tempo um pouco mais complicada. Se o tempo é uma das quatro dimensões em que vivemos, parece-me ser a dimensão da percepção, da mesma forma que só temos a percepção das outras três dimensões através da dualidade de luz e sombra, dos vários cambiantes da luz. Se não houvesse sombras, apenas luz, não conseguiríamos distinguir nenhum objecto. Para aumentar ainda mais a dificuldade de compreensão da natureza do tempo, as recentes teorias das cordas e das supercordas vêm dizer-nos que vivemos simultaneamente em vários universos, que o nosso universo não é único, que existem muitos universos que seriam como bolhas de sabão em contacto umas com as outras. Esta teoria parece disparatada, mas talvez nos ajude a começar a compreender muitos fenómenos para os quais não conseguimos ainda explicações definitivas ou satisfatórias. Refiro fenómenos como os sonhos, a paranormalidade, a mediunidade, as projecções psíquicas para fora do corpo, as memórias que nos chegam sem sabermos de onde. Tal como a teoria de Einstein sobre os buracos de minhoca, que nos permitiriam cortar muito caminho em eventuais viagens espaciais, também esta uma teoria muito difícil de compreender, a dos universos paralelos peca pela mesma dificuldade. No entanto, talvez estejamos no limiar de descobertas espantosas nunca antes imaginadas. Resta saber se a actual humanidade estará preparada para esse verdadeiro novo mundo, ou se terá de haver uma purga, conforme rezam inúmeras mensagens canalizadas por médiuns, assim como também acreditam os espíritas. Acredito sinceramente que depois da imersão, do mergulho na matéria que está a acontecer com a grande maioria dos seres humanos, uma aurora inovadora nos iluminará e transformará a Terra num lugar muito mais aprazível para se viver. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h03 de 26 de Março de 2013)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Cartas do meu Sanctum O PAPA HUMILDE Mais uma vez uma profecia saiu “furada”, quero dizer, não se realizou, apesar das eventuais interpretações simbólicas que se possam fazer. De acordo com a profecia dos papas cuja autoria se atribui a São Malaquias, um bispo irlandês do século XII, este papa, Francisco, será o último e a Igreja terminará em grande tribulação. Mas a profecia diz também que o nome dele seria Pedro, o Romano, que tomaria o nome de Pedro II, dado que o primeiro é São Pedro, o apóstolo que, segundo a Igreja de Roma terá sido o seu fundador. O papa agora eleito não tem Pedro no seu nome e não é romano, mas argentino, o que constituiu uma notável surpresa, boa ou má conforme os interesses em jogo, para todo o mundo católico. O papa Francisco (ainda não entendi porque é que não é Francisco I) foi eleito numa altura em que a Igreja atravessa uma crise mais séria do que vulgarmente se pode conceber. A renúncia de Bento XVI, apesar das piedosas explicações de vários integrantes da hierarquia católica, tem razões que o mundo desconhece. Não sou normalmente partidário de teorias de conspiração mas, os sucessivos escândalos que têm abalado o Vaticano, envolvendo muitos daquela hierarquia, fazem-nos pensar que haverá poderosas razões ocultas que obrigaram Bento XVI a desistir de lutar e assim renunciar. Este papa Francisco tem surpreendido pelas várias quebras de protocolo e por actos de humildade pouco comuns na pessoa do Sumo Pontífice da Igreja Católica. Estas atitudes têm entusiasmado o mundo católico, como se isso fosse realmente importante para a missão reservada a Francisco. Era talvez importante quando arcebispo de Buenos Aires e que gostava de ter uma vida simples e de contacto com os pobres, mas não como papa, pois não se pode esquecer que ele agora é um chefe de estado, o chefe de estado do Vaticano. Portanto, recusar o uso de insígnias e a utilização do carro de luxo parece-me mais um processo de “marketing” tentando fazer passar uma imagem de humildade e despojo. O que importa saber é como é que ele vai enfrentar a crise que se vem agudizando nas últimas décadas, como é que vai enfrentar o poder de alguns cardeais e como é que vai agir em relação aos problemas sempre pendentes e que nenhum papa até hoje conseguiu resolver. O único papa que tentou renovar de facto a Igreja foi João XXIII, que conseguiu convocar e iniciar o Concílio Vaticano II, mas morreu antes de ver a sua obra terminada. Logo os sectores mais conservadores tomaram as rédeas e reduziram drasticamente as conquistas desse Concílio. Será que este papa irá aceitar uma maior participação da mulher na Igreja? Será que terá coragem de resolver de uma vez por todas, dado que não se trata de um dogma, a questão do celibato dos sacerdotes? Será que terá uma atitude mais compreensiva em relação à homossexualidade? Será que vai aceitar os processos contraceptivos, como o uso de preservativos, evitando a continuada contaminação pelo vírus da sida (aids), como tem acontecido em várias regiões de grande influência católica? Será que vai conseguir sanar a corrupção financeira que grassa no Vaticano, afastando os seus responsáveis, ou levando-os a julgamento? Será que irá aceitar a “Teologia da Libertação” nascida no continente de onde é natural e condenada por duas vezes pela inquisição moderna e pelo anterior papa, Bento XVI? Será que irá conseguir que a Igreja se volte para os pobres, quando tradicionalmente tem estado sempre ao lado dos ricos, poderosos e opressores, se não de forma explícita, pelo menos implicitamente. É uma enorme e árdua tarefa que espera o papa Francisco. Espero que consiga, realmente, transformar os actuais actos de humildade e quebras de protocolo numa verdadeira revolução dentro da Igreja. Assim o Cósmico o ajude. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h58 de 19 de Março de 2013)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cartas do meu Sanctum

DA RENÚNCIA DO PAPA AO METEORITO DOS URAIS Há quem veja nestes acontecimentos sinais do final dos tempos. Se entendermos que final dos tempos é o final desta civilização, essas pessoas devem estar certas ou muito próximas de uma verdade que nos escapa, pois de facto, tudo aponta para um certo ocaso desta humanidade. Há algo de caricato na renúncia do papa, habituados a ver essa figura cimeira da Igreja de Roma resistir até os seus actos e aparições em público se transformarem num verdadeiro martírio, num enorme sofrimento, tão do agrado do mundo católico conservador. Há algo de caricato num papa que escolheu vestir-se como o faziam os seus antecessores na Idade Média. Há algo de caricato na figura de um papa que pretende passar uma imagem de bondade, depois de ter sido o cardeal responsável por um dos sectores mais sinistros do Vaticano, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, outrora e não há muito tempo conhecido como Inquisição de muito má memória. Nunca entendi o fascínio de João Paulo II junto da população, especialmente das mulheres. Foi ele um papa também muito conservador e reaccionário, que recusou sempre, para além de outras atitudes do mesmo género, um papel mais efectivo da mulher dentro de Igreja. Ele, como o seu sucessor que agora abdicou, tiveram que enfrentar os escândalos sucessivos que fustigaram a Igreja de Roma, desde os escândalos financeiros com alguns homicídios e suicídios à mistura, até às centenas ou milhares de acusações de pedofilia de padres e bispos. Esquecendo-se que a Igreja não é mais tão poderosa como o foi na Idade Média, estes dois pontífices foram acobertando os escândalos, transferindo para outras paróquias os visados por essas acusações pedófilas. Só muito recentemente Bento XVI aceitou que os padres envolvidos fossem sujeitos às leis civis dos países que habitam. Considerando as fortes e graves divisões que grassam no Vaticano, a Igreja parece ter entrado numa via descendente, cujas consequências ninguém consegue prever. Evidentemente que a crise que se instalou tem nefastos efeitos sobre a sociedade, já muito parca de valores. Para alguns esta situação foi prevista por São Malaquias nas suas profecias, que indicam que o próximo papa, Pedro Romano, será o último. Não sei se Pedro será o nome adoptado pelo próximo papa, como Pedro II, ou se o Pedro Romano tem a ver com o seu nome de baptismo. De notar que dois dos cardeais apontados como possíveis sucessores de Bento XVI, têm Pedro no seu nome. Portanto, estamos às portas do fim dos tempos, para quem acredita nisso. Entretanto o espaço exterior do nosso mundo trouxe-nos algumas surpresas. Por um lado, um asteroide com cerca de 45 metros de diâmetro iria passar numa verdadeira razante à Terra, a cerca de 28 mil quilómetros de distância, um décimo da distância até à Lua. Por outro lado, um meteorito entrou vertiginosamente na nosssa atmosfera e foi despenhar-se na Rússia, nos montes Urais. Não sei quando é que um meteorito passa à condição de asteroide, deve ser uma questão de tamanho, mas esse que caiu na Rússia tinha 17 metros de diâmetro. Não me lembro de ver nenhuma previsão sobre a sua queda, pois talvez o monitoramento que é feito abranja apenas as “pedras” maiores. Esta “pedra” que caiu num lago dos montes Urais, atravessou a nossa atmosfera a uma velocidade de 30 qulómetros por segundo, o que nos leva à fantástica velocidade de mais de 100.000 quilómetros por hora. Não consigo imaginar o que teria acontecido se esse meteorito tivesse caído numa área mais povoada, ou numa cidade. O que fez com que essa “pedra” fosse cair nos montes Urais, evitando uma catástrofe de terríveis dimensões? Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h54 de 19 de Fevereiro de 2013)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cartas do meu Sanctum

MITOLOGIA MODERNA Ou deveria dizer pós-moderna, uma vez que se refere aos tempos actuais? Há quem tenha afirmado que a nossa história, a história desta humanidade, é feita de mitos, em que não se sabe onde acaba a fantasia e começa a verdade. Quando falamos em verdade queremos dizer algo mais próximo daquilo que sucedeu, pois não existe verdade, existe apenas a percepção individual de algum acontecimento. Escusado será aqui enunciar as experiências que têm sido feitas para demonstrar que a verdade é uma coisa muito relativa, que cada um tem a sua verdade. Quando falamos desta humanidade significa que já houve outras, que desapareceram sabe-se lá porquê e em que condições. Para os que não acreditam e acham que somos únicos e fomos criados do pó ou do barro há uns seis mil anos, olhem para o que essas outras humanidades nos deixaram como testemunho espalhado por todo o globo, na forma de monumentos e construções gigantescas de pedra, que continuam a desafiar a nossa imaginação e a nossa capacidade de explicar para que é que serviam. O racionalismo que invadiu as mentes europeias pouco antes da Revolução Francesa, que chamaram de “Iluminismo”, levou-nos a considerar que as histórias de antigas civilizações como a grega, a egípcia e as da região da Mesopotâmia, pricipalmente as suas histórias que envolviam deuses, como mitos, querendo com isto dizer que não eram mais do que resultados da fértil imaginação do povo. Mas sempre suspeitei que a mitologia devia corresponder a algo que se passou e que terá chegado aos nossos dias completamente deturpado, aqui sim, pela imaginação de cada um e pelo controlo e influência religiosa. Os mitos sempre fizeram parte do imaginário popular, aproveitados muitas vezes para se atingir algum objectivo, umas vezes como forma de instrução, outras para reforçar a religiosidade, outras ainda para tentar modificar a sociedade. O melhor exemplo é a saga arturiana e a busca do Graal, que na altura em que foi elaborada pretendia melhorar as condições morais em que se vivia na Europa. Foi uma lenda elaborada com precisão para atingir determinado objectivo, para nós aquele que já referimos, pois não é possível acreditar numa história escrita cerca de quinhentos anos após a presumível existência, nunca confirmada, do rei Artur. O final do século XX e o início do século XXI tem sido uma época pródiga na produção de novos mitos, alimentada por muitas fantasias, alucinações e aproveitamentos abusivos da facilidade e liberdade que a Internet oferece para a difusão das suas ideias. Alguém me disse um dia que o papel aceita tudo quanto lá queira escrever. A Internet também, com a agravante de se arregimentar logo um grupo mais ou menos numeroso de fieis seguidores. Não vamos falar do mais que famoso calendário maia como mito moderno ou pós-moderno, porque já se falou dele exaustivamente, já excitou demasiadas mentes sedentas de que algo de muito grave aconteça com esta humanidade, para que as suas almas descansem, finalmente, em paz. Como não tem acontecido nada do que profetizaram, não conseguem sossegar. A actual crise que grassa na Europa, principalmente nos seus países classificados como periféricos, constitui talvez o mito mais importante com que lidamos neste tempo. Como se pretende escamotear o que realmente está a acontecer, para isso a colaboração dos média (mídia no Brasil), da comunicação social, tem sido excelente, quase ninguém vê que, na verdade, não existe crise nenhuma, existe apenas um processo político e económico que corresponde ao estertor do capitalismo como forma de sociedade, que não me atrevo a chamar de justa. A democracia não existe ou nunca existiu, pois dela temos apenas na liberdade de ir a votos eleger algo já cozinhado anteriormente e com resultados mais do que previsíveis. O capitalismo (selvagem?) usa a democracia, ou a ideia de democracia, para se impor como a única alternativa para esta humanidade, mas está ferido de morte, pois não é possível continuar por muito mais tempo a exploração, conhecida como consumismo, em que esta sociedade foi mergulhada. Alguns espíritos que se julgam a si mesmos de mais esclarecidos, tentam explicar o que se passa no planeta como a consequência da acção de grupos demoníacos, cujo único objectivo será a exploração do ser humano. Falam de uma “Nova Ordem Mundial”, do grupo de Bildelberg, do “Clube de Roma”, da “Comissão Trilateral” e, finalmente, dos “Illuminati”, um grupo satânico interessado em subverter a moral e dominar as nações através daqueles organismos. Mas exerçamos um pouco de lucidez: alguém pode acreditar que aqueles cuja fortuna é muitas vezes superior ao produto interno de alguns países, que dispôem de um poder inimaginável que o dinheiro lhes faculta, estão interessados em fazer parte de uma qualquer associação para dominar o mundo? Uma coisa que já fazem sem terem necessidade de se associarem a ninguém. São “animais” predadores que têm o lucro e a destruição da concorrência como única finalidade, pois não é por acaso que a riqueza está cada vez mais concentrada num reduzido número de indivíduos. Parece-me também que o actual mito dos “illuminati” foi inventado pelo senhor Dan Brown, que os incluiu nas suas obras como figuras do mal. Parece que existiu um grupo assim intitulado no final da Idade Média, durante a época do “Iluminismo” que já referimos, que era chamado de “Iluminados da Baviera” (Bavária no Brasil). A sua existência actual como força para dominar o mundo, acho que é pura fantasia. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h59 de 15 de Janeiro de 2013)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cartas do meu Sanctum - Mudanças

Estamos a três dias da fatídica data em que, de acordo com um calendário de origem maia e outros oráculos, o mundo vai acabar no meio do estertor de inomináveis cataclismos. Mas como escrevi na última carta, é muito provável que nada de estranho ou maravilhoso vá acontecer, o que não quer dizer que não haja uma mudança em processamento. Na verdade, tudo o que existe está sujeito à lei da impermanência, portanto, em permanente mudança. Isto acontece desde o princípio dos tempos, desde o celebrado “Fiat Lux” que terá dado origem a toda a coisa criada. Como a Natureza foi infiel e não fez a vontade dos oráculos (pelo menos até agora), não estando assim previsto qualquer tipo de cataclismo de colossais dimensões, os mentores do 21/12 dizem agora que haverá uma mudança sim, mas no interior de cada um. Acho que têm razão, só não estou de acordo em que isso vá acontecer de repente, no dia 21 e que atinja todos os seres humanos viventes no planeta. É provável, e eu quero acreditar nisso, que estejamos no fim de um ciclo cósmico e no início de outro, mas estas coisas não cessam de um lado e começam de outro. Quero dizer que talvez estejamos a vivenciar há muito tempo esse final de um ciclo cósmico e, ao mesmo tempo, a vivenciar o início de outro. Isto pode levar muito tempo, várias gerações, apesar de em termos cósmicos o tempo não existir. Trata-se de uma transição onde o fim e o início acontecem em simultâneo. O fim e o início dos ciclos não são eventos separados, interpenetram-se – a Era de Peixes não terminou abruptamente em determinada data, assim como a Era de Aquário não começou numa data específica (ainda não sei se já começou). As mudanças no interior de cada um vêm se processando há muito tempo. O ser humano de hoje não é o mesmo de há cinquenta ou cem anos, ou da Idade Média. O ser humano hoje é um ser completamente diferente por causa das mudanças que se têm operado no seu interior ao longo do tempo. Mas atenção, essas mudanças não têm sido, geralmente, no melhor sentido, basta olharmos para a humanidade actual e ver a prevalência dos apegos à matéria, e a busca do “ter” em detrimento do “ser”. Apesar disso, cresceu bastante a busca por um caminho mais espiritual, ainda que em muitos casos as pessoas sejam levadas a autênticos equívocos. Essa busca existe e esta humanidade tem vindo da ser beneficiada pela elevação espiritual que muitos seres humanos têm conseguido atingir, pois como se sabe e já demonstrado, quando alguém se eleva ajuda a elevar, por pouco que seja, o resto da humanidade. No entanto, o egoismo da maioria prevalece e por isso estamos a viver uma verdadeira época de caos. Não é por acaso que as intituições (criações nossas) estão a falir ou faliram, que não existe confiança em ninguém, que só podemos confiar em nós próprios e no nosso mestre interior. Estamos todos envolvidos neste processo de mudança e talvez o caos em que somos obrigados a viver seja um bem, uma bênção, uma oportunidade cósmica de resgatarmos o “velho homem” e criarmos o “novo homem”, aproximando-nos talvez desse arquétipo chamada Adão, ou Adão Kadmon, que compartilhava com Deus as delícias do Paraíso. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h40 de 18 de Dezembro de 2012)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cartas do meu Sanctum - 2012

Ora cá estamos todos na recta final do ano e todos somos testemunhas, se quisermos ser honestos, de que nada fora do normal aconteceu no mundo até este momento. Houve umas chuvadas, algumas inundações, um ou outro terramoto, pessoas que morreram de causas naturais (da Natureza...), uns tufões e ciclones, não me lembro se algum vulcão entrou em actividade, enfim, tudo dentro da mais estrita normalidade, inclusive com os seres humanos a continuarem a matar-se uns aos outros em guerras estúpidas, sem tomarem consciência de que colocam as suas vidas à disposição, muitas vezes, de interesses inconfessáveis. Os arautos da desgraça, como os costumo chamar, pois não conheço nenhuma profecia que não fale exclusivamente de desgraças, previram para ontem, dia 3, um alinhamento especial de alguns astros que iria trazer profundas alterações à pobre humanidade e alguns distúrbios ao planeta. Diziam ainda que tudo se passaria no signo de Escorpião (dia 3/12 não é no signo de Sagitário?) e que o oposto, o Touro, estaria com a cauda (??!) virada para as Pleiades. Alinhamentos desta natureza, como os astrónomos podem muito bem explicar, já aconteceram milhares de vezes na história desta humanidade, sem que a Terra ou os seres nela viventes tivessem sofrido algo fora do normal. Mas os delírios continuam. Agora é a data 12/12/12, que está aí à nossa frente e onde podem acontecer algumas coisas, pois só daqui a um século essa data se repetirá. Isto é apenas uma curiosidade matemática, ou de calendário, também tivemos 11/11/11, 10/10/10, e assim sucessivamente até ao 01/01/01. Estas datas acontecem nos primeiros doze anos de cada século. Entretanto aproxima-se a data maior, prevista pelos maias há uma porção de anos e, pasme-se, confirmada hoje até por programas de computador. Será no dia 21 deste mês de Natal que tudo acontecerá. Tenho uma certa desconfiança de que os maias não quiseram continuar o calendário por falta de material ou falta de paciência. Nestas coisas de previsões e profecias os arautos da desgraça não desarmam, têm uma enorme e fiel clientela ávida das coisas que eles anunciam e que se acha a viver momentos de grande espiritualidade. As alucinações aparecem sob a forma de mensagens (todas iguais) de anjos, arcanjos, e até de nomes de Deus segundo a Cabala, já que os espíritos mais humildes deixaram de render. Tudo serve para manter acesa a crença dessa enorme clientela maioritariamente feminina. Mas como até agora não aconteceu nada de especial ao mundo e ao ser humano, o discurso desses “profetas” da desgraça mudou: não, o mundo não vai explodir nem vai acontecer nenhuma das catátrofes anunciadas, o que vai acontecer é a humanidade passar a uma outra dimensão (4ª, 5ª?). Os bons vão poder renascer em outro planeta mais elevado espiritualmente, ou mais elevado na hierarquia (isto existe?) dos planetas, os maus irão para planetas de desterro para poderem reiniciar o seu processo evolutivo através de grandes dificuldades, e não será mais permitida a sua reencarnação na Terra. Isto suscita algumas questões interessantes. Desta forma, parece que não fica ninguém na Terra, dado que tanto os bons como os maus vão para outras paragens. Depois, quem ou o quê vai estabelecer essa separação? Deus? Jesus? Os Senhores do Carma? Quem é que vai definir quem é bom e quem é mau, pois em termos cósmicos o bem e o mal não existem? Os Senhores do Carma também não existem, a não ser que acreditemos numa pleiade de deuses, ou anjos, operando supercomputadores para analisarem a vida pessoal de cada uma dos largos bilhões das nossas almas. Será Jesus o encarregado da tarefa? Desconfio que não, pois o Mestre Jesus já deixou a sua mensagem na época em que por aqui passou e não me parece que esteja muito preocupado com o destino humano. Deus? Tem mais o que fazer, se é que existe como as religiões o pintam, do que tratar da vida pessoal de cada um. Obviamente que nada irá acontecer de extraordinário no dia 21 de Dezembro de 2012, excepto delírios e alucinações de alguns. Não iremos passar a outra dimensão, e é bom que comecemos a tomar um pouco mais de consciência do estado a que estamos a conduzir o mundo e colaborar, de alguma forma, para melhorar as condições de muitos milhões de seres humanos que mal têm possibilidades de sobrevivência. Que cada um possa fazer a sua parte para tornar o mundo um lugar melhor para se viver. Sinceramente, já estou muito cansado dos disparates em que transformámos a nossa vida, e muito cansado também desses pseudoprofetas, que não passam, na verdade, de oportunistas. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h53 de 04 de Dezembro de 2012)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cartas do meu Sanctum - Em Busca da Perfeição

O ouro já foi chumbo em tempos recuados. Os diamantes e as pedras preciosas já foram pedaços de árvore, sujeitos a tremendas pressões durante milénios até se transformarem em carbono mais ou menos puro. Não sei se isto é bem assim, cientificamente talvez haja alguma incorrecção aqui, mas a ideia está correcta, na Natureza tudo parece conspirar para a perfeição. Um isótopo radioactivo é extremamente instável, mas todo o seu processo tende para a estabilidade. Se observarmos bem, tudo parece perfeito. A plumagem dos pássaros, o pelo dos animais, a imensa variedade floral, mineral, tudo nos parece em estado de perfeição, e parece existir um segredo para essa perfeição. O segredo parece estar numa sequência numérica ou matemática, conhecida como sequência de Fibonacci. A formação de uma folha, de uma flor, de uma árvore, de um mineral, parece seguir um padrão dessa sequência, que até podemos encontrar na casca de alguns moluscos. Não sei se a sequência também se aplica ao mundo animal, mas não ficaria surpreendido se alguém a encontrasse em animais ou em seres humanos. Além da sequência de Fibonacci, mas relacionado com ela, existe um outro segredo que os artistas pintores e “pedreiros” (mestres construtores) da Idade Média conheciam e aplicavam nos seus trabalhos: o número de ouro, ou a proporção áurea, produzindo uma harmonia dificilmente conseguida sem a sua aplicação. Em termos simples, o número de ouro corresponde a mais ou menos ao quociente 1,618 de uma dada divisão. Por exemplo num quadro poderá ser o resultado da divisão da altura pela largura, mas a sua aplicação toma formas bem mais complexas. A famosa “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci está de acordo com esse número de ouro. As catedrais góticas da Idade Média foram construídas também de acordo com a proporcionalidade desse número, por isso nos sentimos bem dentro delas, não é por se tratar de um templo, mas porque as suas proporções originam uma energia que nos faz sentir em harmonia. Por um lado temos a sequência de Fibonacci, que está presente em variadíssimas formas na Natureza, por outro o número de ouro, que permite ao ser humano aproximar-se da perfeição e da harmonia da Natureza. Independentemente da religião que professemos, ou não professemos nenhuma, sentimo-nos geralmente bem, em harmonia, dentro de uma catedral gótica, ou mesmo românica. O motivo está no padrão que presidiu à sua construção, o número de ouro. Infelizmente este conhecimento (ou a sua aplicação) parece ter desaparecido com os antigos “pedreiros livres”, porque hoje se constrói a esmo, sem respeito por nenhuma regra, excepto as referentes aos materiais aplicados e à segurança da construção. E o ser humano como é que fica no meio disto? Estará ele também em busca da perfeição? Claro que está, mas não da forma que muitos podem pensar ao ver o notável desenvolvimento tecnológico que a nossa época conhece. Não sei se o ser humano também está formado de acordo com a sequência de Fibonacci, mas estando ou não, a sua busca da perfeição realiza-se em outro plano, que não o físico. É no seu interior, no diálogo que puder ou souber manter consigo mesmo, que ele busca a perfeição. Pode ser que seja no seu nível psíquico, ou na sua alma, como agrada a alguns, ou até na procura de domínio do seu ego, mas sempre será no seu campo espiritual que o processo acontece. Nunca é do exterior para o interior, do mundo físico para o mundo espiritual. O mundo espiritual manifesta-se no mundo físico pelas acções, palavras e comportamentos de cada um, reflexo de todo um trabalho interior em busca da perfeição. À velha regra de ouro que nos diz que “o que está em cima é como o que está em baixo”, podemos acrescentar “o que está de fora é como o que está dentro, e vice-versa.” Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h58 de 4 de Setembro de 2012)