quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cartas do meu Sanctum - Em Busca da Perfeição

O ouro já foi chumbo em tempos recuados. Os diamantes e as pedras preciosas já foram pedaços de árvore, sujeitos a tremendas pressões durante milénios até se transformarem em carbono mais ou menos puro. Não sei se isto é bem assim, cientificamente talvez haja alguma incorrecção aqui, mas a ideia está correcta, na Natureza tudo parece conspirar para a perfeição. Um isótopo radioactivo é extremamente instável, mas todo o seu processo tende para a estabilidade. Se observarmos bem, tudo parece perfeito. A plumagem dos pássaros, o pelo dos animais, a imensa variedade floral, mineral, tudo nos parece em estado de perfeição, e parece existir um segredo para essa perfeição. O segredo parece estar numa sequência numérica ou matemática, conhecida como sequência de Fibonacci. A formação de uma folha, de uma flor, de uma árvore, de um mineral, parece seguir um padrão dessa sequência, que até podemos encontrar na casca de alguns moluscos. Não sei se a sequência também se aplica ao mundo animal, mas não ficaria surpreendido se alguém a encontrasse em animais ou em seres humanos. Além da sequência de Fibonacci, mas relacionado com ela, existe um outro segredo que os artistas pintores e “pedreiros” (mestres construtores) da Idade Média conheciam e aplicavam nos seus trabalhos: o número de ouro, ou a proporção áurea, produzindo uma harmonia dificilmente conseguida sem a sua aplicação. Em termos simples, o número de ouro corresponde a mais ou menos ao quociente 1,618 de uma dada divisão. Por exemplo num quadro poderá ser o resultado da divisão da altura pela largura, mas a sua aplicação toma formas bem mais complexas. A famosa “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci está de acordo com esse número de ouro. As catedrais góticas da Idade Média foram construídas também de acordo com a proporcionalidade desse número, por isso nos sentimos bem dentro delas, não é por se tratar de um templo, mas porque as suas proporções originam uma energia que nos faz sentir em harmonia. Por um lado temos a sequência de Fibonacci, que está presente em variadíssimas formas na Natureza, por outro o número de ouro, que permite ao ser humano aproximar-se da perfeição e da harmonia da Natureza. Independentemente da religião que professemos, ou não professemos nenhuma, sentimo-nos geralmente bem, em harmonia, dentro de uma catedral gótica, ou mesmo românica. O motivo está no padrão que presidiu à sua construção, o número de ouro. Infelizmente este conhecimento (ou a sua aplicação) parece ter desaparecido com os antigos “pedreiros livres”, porque hoje se constrói a esmo, sem respeito por nenhuma regra, excepto as referentes aos materiais aplicados e à segurança da construção. E o ser humano como é que fica no meio disto? Estará ele também em busca da perfeição? Claro que está, mas não da forma que muitos podem pensar ao ver o notável desenvolvimento tecnológico que a nossa época conhece. Não sei se o ser humano também está formado de acordo com a sequência de Fibonacci, mas estando ou não, a sua busca da perfeição realiza-se em outro plano, que não o físico. É no seu interior, no diálogo que puder ou souber manter consigo mesmo, que ele busca a perfeição. Pode ser que seja no seu nível psíquico, ou na sua alma, como agrada a alguns, ou até na procura de domínio do seu ego, mas sempre será no seu campo espiritual que o processo acontece. Nunca é do exterior para o interior, do mundo físico para o mundo espiritual. O mundo espiritual manifesta-se no mundo físico pelas acções, palavras e comportamentos de cada um, reflexo de todo um trabalho interior em busca da perfeição. À velha regra de ouro que nos diz que “o que está em cima é como o que está em baixo”, podemos acrescentar “o que está de fora é como o que está dentro, e vice-versa.” Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h58 de 4 de Setembro de 2012)

sábado, 1 de setembro de 2012

Cartas do meu Sanctum - O Bem e o Mal

Muito se tem dito e escrito sobre o bem e o mal, atribuindo-se determinadas definições a um e a outro Há os arautos do bem, porque ninguém assume que é do mal, ou seja, todos temos uma noção do que é o bem e do que é o mal, seja por influência de costumes, de educação ou por um apelo interior, que leva cada um, geralmente, a fazer o bem em vez do mal. Mas… será que o bem existe? O mal existe? Ou trata-se apenas de concepções humanas? Sem dúvida que ambos existem, mesmo que parcialmente ou no todo sejam concepções humanas. Na Natureza não existe nem bem, nem mal, tudo decorre como resultado das próprias leis naturais. Há quem defina o mal como a ausência do bem, numa correlação óbvia com a definição de trevas como ausência da luz. Mas atenção, toda a tradição nos fala que a luz despontou das trevas, basta ler, por exemplo, os primeiros versículos do Evangelho de João. As definições pecam por defeito pois não consideram um imenso leque de variantes. Ninguém é completamente bom, como ninguém é completamente mau, a condição humana é muito complexa, as variações de carácter são imensas, embora haja padrões de aproximação. Uma outra definição que me deixou um pouco perplexo foi a de que “o bem é conhecimento e o mal é ignorância”. Evidentemente que estamos perante um excesso de simplificação, quando nada na vida e especialmente essas concepções de bem e de mal podem ser assim simplificadas. A simplicidade não resulta da simplificação, as coisas mais simples podem ser muito complexas. E a propósito de coisas li recentemente uma frase que contém uma enorme sabedoria: “as coisas importantes da vida não são coisas”. Para podermos afirmar que o bem é conhecimento, temos, antes de mais, de saber o que entendemos por conhecimento. Conhecimento de quê? Conhecimento da vida resultante de experiências da mesma? Conhecimento científico? Conhecimento das leis que regem a Natureza? Conhecimento das leis divinas? Conhecimento do conjunto disto tudo ou de alguma especialidade? Considerando que isto tudo faz parte do conhecimento, não é também sabido que a diferenciação entre o bem e o mal num sábio é muito ténue? Quantos magos e bruxos escolheram o lado da sombra ao atingirem um profundo conhecimento das suas artes? Não se diz que forem eles os responsáveis pela destruição da Atlântida? Os sacerdotes de Amon no antigo Egipto tinham um enorme conhecimento, o que não impediu que muitos se tivessem dedicado à magia negra. Todos conhecemos pessoas com conhecimentos muito precários, mas que se dedicam de alma e coração a fazer o bem, a tratar dos idosos, dos doentes, dos dependentes da droga, e por aí fora. Essas pessoas, à falta de conhecimento que lhes é atribuída, parecem agir por simples impulso do coração. Tenho a felicidade de conhecer algumas pessoas assim. Por outro lado também conhecemos pessoas que se dizem muito espiritualizadas, presumivelmente dedicadas a fazer o bem, mas que vivem presas de um profundo egoísmo e são incapazes de estender uma mão para ajudar os seus irmãos mais desvalidos. Também tenho a infelicidade de conhecer pessoas assim. E por falar em mal, que tal a hipocrisia que regula a nossa sociedade profana e se estende a religiões e organizações místicas e esotéricas? As fáceis definições de bem e de mal escondem uma profunda hipocrisia. Nesta sociedade aceita-se o mal de forma hipocritamente passiva, fazendo lembrar uma frase célebre, julgo que de Luther King, que quando não se combate o mal está-se a colaborar com ele. Digo mais: está-se a fortalecê-lo. Foi assim que chegámos aos níveis de corrupção que envenenam a sociedade de hoje, não só a nível político (não esquecer que os políticos são resultado desta sociedade), mas abrangendo todos os sectores da incrível civilização que ajudámos a construir. O bem e o mal são encontrados em todos os níveis, basta estarmos atentos (e despertos) ao que acontece diariamente e não nos deixarmos alienar por receitas fáceis que pretendem explicar tudo. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h12 de 30 de Agosto de 2012)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cartas do meu Sanctum - A Lei da Atracção

A lei da atracção existe? Ou é apenas mais uma das inúmeras teorias “new age” que nos têm invadido e que não correspondem a nada sério e concreto? É facto que esta lei tem sido profusamente divulgada sob a forma de livros e filmes difundidos na Internet e fazendo a felicidade material (leia-se financeira) dos seus autores. Esta lei existe de facto, mas os autores da sua divulgação, muitas vezes feita como se tratasse de um grande segredo numa aplicação de “marketing” quase perfeita, ter-se-ão esquecido de mencionar que há outras leis cósmicas além dela. Porque efectivamente se trata de uma lei cósmica, não uma lei da física como aquelas descobertas por Sir Isaac Newton e outros. Em termos gerais a lei da atracção tem sido divulgada como uma forma de atingir sucesso material e felicidade, coisas que os milhões de leitores e de crentes não terão conseguido atingir sem saberem porquê. A lei da atracção funciona em dupla polaridade, isto é, tanto pode atrair o bem como o mal, melhor dizendo, tanto pode atrair o aspecto positivo como o negativo. Como mal entendam-se os nossos medos, as nossas angústias, inseguranças, a sombra que faz parte intrínseca da nossa vida. Desejar o bem com fervor e convicção não é eliminar os medos que vivem dentro de cada um de nós. É por este motivo, essencialmente, que a tão propalada lei da atracção muito raramente funciona, pois ao mesmo tempo que desejamos o bem, os nossos receios mais profundos emergem, colocando como que um travão ao sucesso e à felicidade. Por outro lado há também uma lei cósmica que nos diz que, inexoravelmente, cada um irá ter o que merece, ainda que este merecimento possa não ter nada a ver com a vida actual. Aqui entra a questão cármica, a que muito poucos dão atenção e outros poucos dão atenção excessiva. Esta lei do merecimento, se é que podemos assim chamá-la, provoca muitas incompreensões, principalmente porque muitas vezes assistimos ou temos conhecimento de coisas que nos fazem descrer seja do que for. Por exemplo, porque é que uma criança nasce defeituosa, tem uma doença grave e morre, ou é envolvida numa luta fratricida, numa guerra, sofrendo as maiores privações e sendo ferida ou morta. Esta criança fez alguma coisa para merecer aquilo? Obviamente que só o entendimento cármico e de reencarnações poderá dar uma explicação razoável, o que não deixa de ser um sério argumento em favor dos que não crêem em nada, dos ateus, se é que existe algum ateu… Outra lei que não é mencionada é a lei de compensação. Tudo no universo tem que ser compensado, voluntária ou involuntariamente. O universo, tal como todos os seres vivos, manifesta-se permanentemente em dualidade. Por isso aquele que é rico deve compensar a sua riqueza com acções a favor dos pobres e necessitados. Por muito cruel que esta lei possa parecer, não há como fugir dela. A uma grande riqueza corresponde, na outra polaridade, uma grande pobreza. De um lado há os países ricos, do outro os pobres, tudo se completa num equilíbrio perfeito. Dito isto, alguém me perguntou um dia se a humanidade não teria hipóteses de atingir a harmonia, a paz e a felicidade colectiva. Respondi que não, que esta humanidade estava condenada a viver em dualidade e que a superação dessa dualidade nos faria passar a outra dimensão da existência. Mas esta superação seria individual e não colectiva, como alguns apregoam. Embora façamos parte do Todo, contribuindo para o bem colectivo, o caminho de ascensão é individual, tal como quando nascemos ou morremos. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h52 de 7 de Agosto de 2012)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Cartas do meu Sanctum - O CAMINHO DO MEIO

Todos nós já ouvimos falar e vimos escrito em textos e livros de várias tendências, do “caminho do meio”. O que é de facto esse “caminho do meio” e será que existe realmente? Em termos cabalísticos esse caminho seria representado pela coluna central da “árvore sefirótica”, também denominada por alguns como “árvore da vida”. Essa coluna central será o encontro ou união das energias emanadas das várias “sefiras” confluindo para a realização material ou o “Reino” em “Malkuth”. Visto assim, o caminho do meio está perfeitamente representado, desde a “Kether” (Coroa) até “Yesod” cuja ideia se manifestará em “Malkuth”, passando antes por uma “sefira” bem especial denominada “Tiphareth” à qual se atribui o simbolismo do coração. Mas se repararmos bem na representação da “árvore sefirótica”, excluindo pretensas interpretações de quem dela tem um conhecimento reduzido, verificamos que não existe nenhuma coluna do meio, ou que a mesma se acha cortada por uma “sefira” fantasma chamada “Daat”, também conhecida como o “Abismo”. Realmente trata-se de uma interrupção do caminho entre “Kether” e “Tiphareth”, separando o mundo da criação do mundo da manifestação, grosso modo. A ausência da coluna do meio ou a interrupção dela parece encerrar um ensinamento a que poucos dão atenção: que esse caminho do meio, sendo o ponto de equilíbrio entre o da esquerda e da direita, só poderá ser atingido fora do mundo da matéria e que está guardado por esse guardião eterno chamado “Daat”. Em termos materiais, o caminho do meio não existe. Ele não existe na “árvore sefirótica” da Cabala, como não existe entre as colunas do Templo de Salomão, cuja simbologia foi transposta para muitos templos maçónicos e martinistas. São as colunas “Boaz” e Jachim” cujo significado faz parte dos seus ensinamentos. Esta ausência de representação do caminho do meio mostra-nos a dualidade do ser humano, pois todas estas representações e interpretações referem-se à nossa vida e à forma como a desenvolvemos. Para haver um caminho do meio circunscrito, quer dizer, com regras rígidas e delimitadas para ser seguido, teria que o caminho esquerdo e o direito se anularem mutuamente, originando o vazio, portanto, não haveria nada no meio. No Budismo esta situação corresponde ao estado de “nirvana”, que é o estado livre de todo o sofrimento e existência individual. É um estado que os budistas referem como iluminação. Dizem ainda que ao atingir-se o “nirvana” se quebra o ciclo interminável de reencarnações. Embora perfeitamente definidos na ´”árvore sefirótica” e nas colunas do Templo de Salomão, os caminhos esquerdo e direito também não podem ser delimitados, pois são apenas reflexos de comportamentos e tendências. Isto significa que vivemos permanentemente em dualidade, entre duas forças opostas que podemos chamar de esquerda e direita, de negativa e positiva, de sombra e luz. É entre estas duas polaridades que vamos vivendo, ainda que delas tenhamos pouco conhecimento ou medo de as conhecer. Precisamos de ambas, da sombra e da luz, sem as quais não poderíamos viver. O mundo em que estamos inseridos, toda a existência material, é feita de sombra e luz, pois se fosse apenas sombra, ou apenas luz, não conseguiríamos distinguir nada. O caminho do meio será então um equilíbrio dinâmico, pois nada existe estático na natureza, entre a sombra e a luz. Dependendo de um infindável número de factores, entre os quais a nossa natureza íntima, o nosso ser interno, a sociedade a que pertencemos, podemos ser atraídos por um ou outro lado, dependendo do momento, das circunstâncias e, principalmente, da nossa consciência. Um autor americano escreveu que os monstros existem e vivem dentro de nós (sombra), e que às vezes vencem. A sombra contém os nossos demónios, a luz a nossa natureza mais nobre e elevada. A nossa consciência determinará se somos mais sombra ou mais luz. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h45 de 3 de Julho de 2012)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cartas do meu Sanctum - O Medo da Morte

O medo da morte parece ser exclusivo dos seres humanos, pois enquanto animal é o único que tem consciência dela. Os animais possuem apenas o instinto de sobrevivência comum a toda a Criação e portanto, também comum ao ser humano através daquela parte do cérebro que herdámos dos dinossauros e que fica localizada na ligação da coluna com o cérebro. Este medo da morte tem provocado ao longo dos milénios em que esta sociedade tem existido, as mais diversas teorias acerca da continuação da vida para além da existência física terrena. Essas teorias têm formado um corpo a que poderíamos chamar de espiritualidade, dentro do qual vicejam as religiões, uma infinidade de seitas e muitos grupos de natureza ocultista, iniciática e esotérica. Na verdade a espiritualidade resulta da imensa preocupação do ser humano em relação ao propósito da vida física terrena e do medo enorme de que a morte seja o fim de tudo e que nada mais haja para além dela. Os não crentes e os ateus tentam ludibriar um sentimento que é comum a todos, pois no fundo têm tanto medo como os outros. Assim surgiram as religiões que, ao contrário dos avatares sobre os quais elas foram criadas e que existiram para dar um sentido mais elevado à existência humana (Jesus, Buda, Khrisna, etc.), basearam os seus ensinamentos ou a sua doutrina na pretensão de responder à pergunta sempre presente – o que haverá depois que eu morrer – e construíram toda uma estrutura social e política sobre esse eterno questionamento. A resposta das religiões permanecerá sempre na crença, pois nada do que possam tentar ensinar a respeito pode ser demonstrado. As organizações iniciáticas, ocultistas e esotéricas procuram reservar os seus ensinamentos apenas para os seus membros os quais, após serem “preparados” durante algum tempo estarão em condições de os compreender. Embora nem todos os ensinamentos ministrados por essas organizações digam respeito a essa questão suprema, a questão da morte, ela também é parte importante da sua nomenclatura. Muitas dessas sociedades iniciáticas e esotéricas reportam a sua origem ao Antigo Egipto onde, aparentemente, tudo terá começado em termos de espiritualidade. No Antigo Egipto as pessoas mais esclarecidas e de maior cultura tinham um medo terrível de morrer antes de terem feito as pazes com os seus inimigos. O antigo egípcio acreditava que a morte era uma passagem para a “terra dos mil anos”, que seria atingida depois de uma viagem tormentosa na barca que os transportaria. Chegados a essa “terra” ali ficariam durante os mil anos para depois renascerem. Tinham um medo terrível de ficar esse tempo todo a olhar para a cara dos seus inimigos, e assim esforçavam-se por estabelecer a paz com todos antes de partirem para essa viagem. Esta ideia tinha implícita a noção de renascimento ou reencarnação, ainda que ao fim de um longo período de mil anos. O cristianismo primitivo herdou esta noção de renascimento, mas depois a Igreja transformou-a em ressurreição dos mortos o que, na opinião de muitos, passou a constituir uma autêntica aberração, pois a ideia de ressurreição trás consigo a ideia de que é realizada com o corpo físico que nos serviu em vida. O cristianismo tenta demonstrar que é assim mesmo, e dá o exemplo da ressurreição de Lázaro e do próprio Jesus, que mais tarde aparece aos apóstolos com o mesmo corpo que tinha em vida. Evidentemente que não pode tratar-se do mesmo corpo, apesar da tumba ter sido encontrada vazia. Esta ideia de ressurreição, assim como as ideias de renascimento e reencarnação, pretende que a morte não existe, que a vida continua para lá dessa passagem tão temida. Mas a morte existe, o corpo físico morre, desaparece com o tempo. Se a morte existe para o corpo físico, o que é que transita afinal para um plano a que, principalmente grupos espiritualistas chamam de continuação da vida? A consciência? Os vários corpos subtis de acordo com teorias orientais? A alma? Na verdade quando uma luz se apaga por a lâmpada se ter fundido, a energia eléctrica continua lá, na ponta dos fios. Se colocarmos uma lâmpada nova teremos luz novamente, não a mesma luz antiga, mas uma nova usando a mesma energia (alma, espírito). Esta forma de renascimento ou reencarnação é a que faz sentido para mim. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h00 de 26 de Junho de 2012)

domingo, 10 de junho de 2012

Cartas do meu Sanctum - Segredos

O segredo é uma coisa inerente ao ser humano, pelo menos desde que a história humana é conhecida. Mas há diversas espécies de segredo. Há aqueles pequenos segredos individuais que revelam um pequeno vício, algo que se procura esconder do conhecimento dos outros, porque isso seria constrangedor. Há os segredos de alcova, alguma coisa que se procura esconder da mulher ou do marido, normalmente envolvendo algum relacionamento exterior o qual, quando descoberto, pode acarretar sérias consequências para a permanência do casal. Há os segredos de família, algo incómodo que permanece apenas no seio de uma família, vulgarmente ligado a posses materiais ou na taras genéticas. O segredo tem sido também uma forma de protecção das pessoas envolvidas em alguma actividade não permitida pela sociedade da altura. Estão neste caso organizações como a Maçonaria e as ordens iniciáticas, cujos membros corriam sérios riscos de vida, podiam cair sob a alçada da Inquisição, (activa na Europa até pelo menos o início do século 19 e só foi abolida pelo Vaticano em 1965) ou desagradar de alguma maneira às autoridades da região. Hoje, apesar da abertura que existe no ocidente, há ainda países e regiões onde a prática que não esteja de acordo com a religião vigente conduz geralmente à morte dos envolvidos. As próprias religiões têm os seus segredos que revelam apenas a uma elite, presumivelmente constituída por aqueles mais preparados para os compreender e não deixar que os segredos possam ameaçar a estrutura religiosa. Como exemplo claro desta situação temos a Biblioteca do Vaticano, cujo acesso a áreas mais restritas só é permitido a alguns privilegiados. Depois temos os chamados segredos de estado, que muitas vezes passam de governo para governo sem nunca termos a possibilidade de os conhecer. Este tipo de segredo, para além de outras consequências, tem provocado sérios embaraços a historiadores que, procurando compreender determinados acontecimentos, esbarram em situações para as quais não encontram motivo. A história desta humanidade está cheia de segredos deste tipo. Só para dar alguns exemplos, o papa João XXIII era ou não era rosacruz? E Napoleão Bonaparte era rosacruz? Se não era, porque é que existe um colar rosacruz cuja posse lhe é atribuída? Qual foi o motivo real que deu origem à primeira grande guerra? Nos tempos mais recentes, quem foi que assassinou Kennedy? Nos tempos actuais e graças especialmente à Internet, tem vindo a desenvolver-se uma forte campanha de informação (ou desinformação) relacionada com a Terra sobre as nossas possibilidades de sobrevivência num universo que se revela extremamente perigoso. Por um lado a poluição que causamos e que tem provocado o chamado “aquecimento global”, por outro lado a aproximação de uma grande catástrofe anunciada pelo famoso calendário maia e confirmada pelo “I-Ching” e até por programas de computador. Como previsões desta natureza atraem sempre muitos alucinados, as receitas são inúmeras acerca de como poderemos sobreviver e das modificações que iremos sofrer no nosso ADN (DNA). Não participando da “loucura” dos profetas da Nova Era anunciando o fim do mundo das e nas mais diversas formas, há no entanto algo que foge ao nosso entendimento. Apesar dos sucessivos desmentidos por parte de governos e de instituições governamentais, como por exemplo a NASA, temos a estranha sensação de que alguma coisa se passa, inexplicada, e que parece contradizer esses desmentidos. Parece-nos que estamos a lidar com segredos que ultrapassam o nível de estado, parece-nos que os segredos agora são de nível planetário. Se não é assim, porque é que se insiste no “aquecimento global” quando a ciência já demonstrou que o que está a acontecer é um “arrefecimento global” que nos pode conduzir para uma nova “idade do gelo”? Se não está prevista nenhuma catástrofe global a curto ou médio prazo, porque é que foi construída a nova “Arca de Noé”, enterrada sob o gelo do norte da Noruega e destinada a preservar as espécies vegetais terrestres? Se não existe nenhuma aproximação de um planeta intruso chamado Nibiru ou outro nome qualquer, porque é que se mandou construir dois ou três observatórios no pólo sul, na Antártida, cujas antenas estão viradas também para sul? Será porque as tabuinhas de argila da Mesopotâmia em escrita cuneiforme nos contam que esse planeta intruso invade o nosso sistema solar pelo sul? Porque é que os EUA da era Obama cancelaram todo o seu programa de viagens espaciais? Foi só por uma questão de poupança financeira? Estes são alguns casos que nos perturbam pois são sintomas de que algo grave vive escondido e não é do conhecimento geral. Parece que só agora, e mercê do progresso científico que atingimos nos últimos tempos desta humanidade, tomámos consciência de que a Terra gira sobre si e à volta do Sol a velocidades vertiginosas, de que o Universo em que estamos inseridos é muito perigoso. Tão perigoso que já por diversas vezes a vida na Terra foi praticamente eliminada, e não falo apenas dos dinossauros. Podemos estar à beira de uma situação semelhante, mas também não sei se a divulgação de algo que esteja para acontecer em breve ao planeta seria benéfica, gerando o pânico a nível global com trágicas consequências. Pessoalmente não estou nada preocupado, pois sei que a lei cósmica se cumprirá sempre, que poderei viver novamente neste planeta se houver condições para a vida, ou em outro qualquer planeta onde o Cósmico me permitir continuar a minha senda evolutiva. (Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h10 de 5 de Junho de 2012)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Cartas do meu Sanctum - Recomeços

Alguém disse e escreveu que a vida é uma sequência de recomeços, e assim é, de facto. Todos os dias, quando acordamos, recomeçamos a nossa vida, depois de uma noite em que estivemos ausentes, no sono. Quando digo ausentes, quero dizer isso mesmo, pois ninguém sabe, exactamente, por onde andamos quando dormimos e sonhamos – a teoria dos universos paralelos está cada vez mais presente nas nossas conjecturas. Mas quando despertamos o nosso corpo ganha vigor, encaramos as coisas de cabeça um pouco mais fresca, mas não eliminamos nada do que constitui a nossa vida, tudo permanece na nossa memória, os problemas, as preocupações, as alegrias, porque o novio dia é apenas a continuação de tudo. Carregamos sempre connosco o “fardo” que constitui a nossa vida. O termo “fardo” aqui não tem sentido pejorativo, significa apenas o conjunto que constitui a nossa vida, conjunto esse que pode ser mais ou menos pesado, ou até bem leve, dependendo do que fazemos no tempo em que nos é permitido viver. É assim também o renascimento ou reencarnação. Quando nascemos de novo, é um recomeço das vidas que deixámos para trás e, tal como quando acordamos de manhã, carregamos o “fardo” dessas nossas vidas passadas. Pesado ou leve, esse “fardo” irá condicionar os eventos da nossa vida. Mas ao contrário do que acontece quando despertamos de uma noite de sono, a memória parece ter desaparecido, não conseguimos lembrar-nos de nada das nossas vidas passadas. Ou lembramo-nos? Não nos lembramos de forma objectiva, mas algo nos diz que existe uma memória que reside no íntimo do nosso ser, de que não temos consciência, mas que, afinal, acaba por presidir ao nosso destino. Não é por acaso que tomamos uns caminhos em vez de outros; não é por acaso que determinadas acções nos repugnam ou seduzem; não é por acaso que escolhemos o bem e repudiamos o mal, ou o contrário. Porque somos o resultado acumulado de um infindável número de experiências de vida que expressamos na actualidade, contribuindo para a construção de uma humanidade mais fraterna, ou exercendo actividades prejudiciais ao ser humano e ao planeta, ou ainda permanecendo inerte e alienado de tudo o que se passa à volta. Quando recomeçamos a vida de manhã, quando acordamos, podemos lembrar-nos de algo bom que fizemos ontem, ou há dias, ou podemos continuar a alimentar o ódio que trazemos de conflitos absolutamente desnecessários e inapropriados. Podemos decidir-nos a fazer o possível por estabelecer a paz e a concórdia com quem se julga nosso inimigo, ou podemos acrescentar “achas à fogueira”, alimentando o conflito. Tudo isto depende de nós, depende do que o nosso mestre interior nos sugerir. De igual modo, quando nascemos, trazemos connosco o que os orientais nos ensinaram a chamar “carma”. Esse carma irá pontuar a nossa vida, ainda que disso não tenhamos consciência. Podemos dedicar-nos a construir uma vida equilibrada onde resida essencialmente o bem ou o amor, ou podemos divergir para actos menos correctos, para expressões e demonstrações de egoísmo, para pouca caridade e pouco amor. Em muitos casos podemos cair na atracção sedutora das trevas. Há quem se preocupe permanentemente com o carma, como se este fosse uma espécie de “espada de Dâmocles” sobre a cabeça, fazendo o possível por não agravar esse carma, temendo talvez uma espécie de julgamento final. Acho exagerada e desnecessária essa preocupação. A únikca preocupação que deve existir é a das nossas escolhas, se optamos ou não pelo bem. Depois, o carma se ajustará por si mesmo. Ad rosen! (Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h17 de 31 de Maio de 2012)