terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Cartas do meu Sanctum
DA RENÚNCIA DO PAPA AO METEORITO DOS URAIS
Há quem veja nestes acontecimentos sinais do final dos tempos. Se entendermos que final dos tempos é o final desta civilização, essas pessoas devem estar certas ou muito próximas de uma verdade que nos escapa, pois de facto, tudo aponta para um certo ocaso desta humanidade.
Há algo de caricato na renúncia do papa, habituados a ver essa figura cimeira da Igreja de Roma resistir até os seus actos e aparições em público se transformarem num verdadeiro martírio, num enorme sofrimento, tão do agrado do mundo católico conservador. Há algo de caricato num papa que escolheu vestir-se como o faziam os seus antecessores na Idade Média. Há algo de caricato na figura de um papa que pretende passar uma imagem de bondade, depois de ter sido o cardeal responsável por um dos sectores mais sinistros do Vaticano, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, outrora e não há muito tempo conhecido como Inquisição de muito má memória.
Nunca entendi o fascínio de João Paulo II junto da população, especialmente das mulheres. Foi ele um papa também muito conservador e reaccionário, que recusou sempre, para além de outras atitudes do mesmo género, um papel mais efectivo da mulher dentro de Igreja.
Ele, como o seu sucessor que agora abdicou, tiveram que enfrentar os escândalos sucessivos que fustigaram a Igreja de Roma, desde os escândalos financeiros com alguns homicídios e suicídios à mistura, até às centenas ou milhares de acusações de pedofilia de padres e bispos. Esquecendo-se que a Igreja não é mais tão poderosa como o foi na Idade Média, estes dois pontífices foram acobertando os escândalos, transferindo para outras paróquias os visados por essas acusações pedófilas. Só muito recentemente Bento XVI aceitou que os padres envolvidos fossem sujeitos às leis civis dos países que habitam.
Considerando as fortes e graves divisões que grassam no Vaticano, a Igreja parece ter entrado numa via descendente, cujas consequências ninguém consegue prever. Evidentemente que a crise que se instalou tem nefastos efeitos sobre a sociedade, já muito parca de valores.
Para alguns esta situação foi prevista por São Malaquias nas suas profecias, que indicam que o próximo papa, Pedro Romano, será o último. Não sei se Pedro será o nome adoptado pelo próximo papa, como Pedro II, ou se o Pedro Romano tem a ver com o seu nome de baptismo. De notar que dois dos cardeais apontados como possíveis sucessores de Bento XVI, têm Pedro no seu nome. Portanto, estamos às portas do fim dos tempos, para quem acredita nisso.
Entretanto o espaço exterior do nosso mundo trouxe-nos algumas surpresas. Por um lado, um asteroide com cerca de 45 metros de diâmetro iria passar numa verdadeira razante à Terra, a cerca de 28 mil quilómetros de distância, um décimo da distância até à Lua. Por outro lado, um meteorito entrou vertiginosamente na nosssa atmosfera e foi despenhar-se na Rússia, nos montes Urais.
Não sei quando é que um meteorito passa à condição de asteroide, deve ser uma questão de tamanho, mas esse que caiu na Rússia tinha 17 metros de diâmetro. Não me lembro de ver nenhuma previsão sobre a sua queda, pois talvez o monitoramento que é feito abranja apenas as “pedras” maiores. Esta “pedra” que caiu num lago dos montes Urais, atravessou a nossa atmosfera a uma velocidade de 30 qulómetros por segundo, o que nos leva à fantástica velocidade de mais de 100.000 quilómetros por hora.
Não consigo imaginar o que teria acontecido se esse meteorito tivesse caído numa área mais povoada, ou numa cidade. O que fez com que essa “pedra” fosse cair nos montes Urais, evitando uma catástrofe de terríveis dimensões?
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h54 de 19 de Fevereiro de 2013)
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Cartas do meu Sanctum
MITOLOGIA MODERNA
Ou deveria dizer pós-moderna, uma vez que se refere aos tempos actuais?
Há quem tenha afirmado que a nossa história, a história desta humanidade, é feita de mitos, em que não se sabe onde acaba a fantasia e começa a verdade. Quando falamos em verdade queremos dizer algo mais próximo daquilo que sucedeu, pois não existe verdade, existe apenas a percepção individual de algum acontecimento. Escusado será aqui enunciar as experiências que têm sido feitas para demonstrar que a verdade é uma coisa muito relativa, que cada um tem a sua verdade.
Quando falamos desta humanidade significa que já houve outras, que desapareceram sabe-se lá porquê e em que condições. Para os que não acreditam e acham que somos únicos e fomos criados do pó ou do barro há uns seis mil anos, olhem para o que essas outras humanidades nos deixaram como testemunho espalhado por todo o globo, na forma de monumentos e construções gigantescas de pedra, que continuam a desafiar a nossa imaginação e a nossa capacidade de explicar para que é que serviam.
O racionalismo que invadiu as mentes europeias pouco antes da Revolução Francesa, que chamaram de “Iluminismo”, levou-nos a considerar que as histórias de antigas civilizações como a grega, a egípcia e as da região da Mesopotâmia, pricipalmente as suas histórias que envolviam deuses, como mitos, querendo com isto dizer que não eram mais do que resultados da fértil imaginação do povo. Mas sempre suspeitei que a mitologia devia corresponder a algo que se passou e que terá chegado aos nossos dias completamente deturpado, aqui sim, pela imaginação de cada um e pelo controlo e influência religiosa.
Os mitos sempre fizeram parte do imaginário popular, aproveitados muitas vezes para se atingir algum objectivo, umas vezes como forma de instrução, outras para reforçar a religiosidade, outras ainda para tentar modificar a sociedade. O melhor exemplo é a saga arturiana e a busca do Graal, que na altura em que foi elaborada pretendia melhorar as condições morais em que se vivia na Europa. Foi uma lenda elaborada com precisão para atingir determinado objectivo, para nós aquele que já referimos, pois não é possível acreditar numa história escrita cerca de quinhentos anos após a presumível existência, nunca confirmada, do rei Artur.
O final do século XX e o início do século XXI tem sido uma época pródiga na produção de novos mitos, alimentada por muitas fantasias, alucinações e aproveitamentos abusivos da facilidade e liberdade que a Internet oferece para a difusão das suas ideias. Alguém me disse um dia que o papel aceita tudo quanto lá queira escrever. A Internet também, com a agravante de se arregimentar logo um grupo mais ou menos numeroso de fieis seguidores.
Não vamos falar do mais que famoso calendário maia como mito moderno ou pós-moderno, porque já se falou dele exaustivamente, já excitou demasiadas mentes sedentas de que algo de muito grave aconteça com esta humanidade, para que as suas almas descansem, finalmente, em paz. Como não tem acontecido nada do que profetizaram, não conseguem sossegar.
A actual crise que grassa na Europa, principalmente nos seus países classificados como periféricos, constitui talvez o mito mais importante com que lidamos neste tempo. Como se pretende escamotear o que realmente está a acontecer, para isso a colaboração dos média (mídia no Brasil), da comunicação social, tem sido excelente, quase ninguém vê que, na verdade, não existe crise nenhuma, existe apenas um processo político e económico que corresponde ao estertor do capitalismo como forma de sociedade, que não me atrevo a chamar de justa. A democracia não existe ou nunca existiu, pois dela temos apenas na liberdade de ir a votos eleger algo já cozinhado anteriormente e com resultados mais do que previsíveis. O capitalismo (selvagem?) usa a democracia, ou a ideia de democracia, para se impor como a única alternativa para esta humanidade, mas está ferido de morte, pois não é possível continuar por muito mais tempo a exploração, conhecida como consumismo, em que esta sociedade foi mergulhada.
Alguns espíritos que se julgam a si mesmos de mais esclarecidos, tentam explicar o que se passa no planeta como a consequência da acção de grupos demoníacos, cujo único objectivo será a exploração do ser humano. Falam de uma “Nova Ordem Mundial”, do grupo de Bildelberg, do “Clube de Roma”, da “Comissão Trilateral” e, finalmente, dos “Illuminati”, um grupo satânico interessado em subverter a moral e dominar as nações através daqueles organismos.
Mas exerçamos um pouco de lucidez: alguém pode acreditar que aqueles cuja fortuna é muitas vezes superior ao produto interno de alguns países, que dispôem de um poder inimaginável que o dinheiro lhes faculta, estão interessados em fazer parte de uma qualquer associação para dominar o mundo? Uma coisa que já fazem sem terem necessidade de se associarem a ninguém. São “animais” predadores que têm o lucro e a destruição da concorrência como única finalidade, pois não é por acaso que a riqueza está cada vez mais concentrada num reduzido número de indivíduos.
Parece-me também que o actual mito dos “illuminati” foi inventado pelo senhor Dan Brown, que os incluiu nas suas obras como figuras do mal. Parece que existiu um grupo assim intitulado no final da Idade Média, durante a época do “Iluminismo” que já referimos, que era chamado de “Iluminados da Baviera” (Bavária no Brasil). A sua existência actual como força para dominar o mundo, acho que é pura fantasia.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h59 de 15 de Janeiro de 2013)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Cartas do meu Sanctum - Mudanças
Estamos a três dias da fatídica data em que, de acordo com um calendário de origem maia e outros oráculos, o mundo vai acabar no meio do estertor de inomináveis cataclismos. Mas como escrevi na última carta, é muito provável que nada de estranho ou maravilhoso vá acontecer, o que não quer dizer que não haja uma mudança em processamento. Na verdade, tudo o que existe está sujeito à lei da impermanência, portanto, em permanente mudança. Isto acontece desde o princípio dos tempos, desde o celebrado “Fiat Lux” que terá dado origem a toda a coisa criada.
Como a Natureza foi infiel e não fez a vontade dos oráculos (pelo menos até agora), não estando assim previsto qualquer tipo de cataclismo de colossais dimensões, os mentores do 21/12 dizem agora que haverá uma mudança sim, mas no interior de cada um. Acho que têm razão, só não estou de acordo em que isso vá acontecer de repente, no dia 21 e que atinja todos os seres humanos viventes no planeta.
É provável, e eu quero acreditar nisso, que estejamos no fim de um ciclo cósmico e no início de outro, mas estas coisas não cessam de um lado e começam de outro. Quero dizer que talvez estejamos a vivenciar há muito tempo esse final de um ciclo cósmico e, ao mesmo tempo, a vivenciar o início de outro. Isto pode levar muito tempo, várias gerações, apesar de em termos cósmicos o tempo não existir.
Trata-se de uma transição onde o fim e o início acontecem em simultâneo. O fim e o início dos ciclos não são eventos separados, interpenetram-se – a Era de Peixes não terminou abruptamente em determinada data, assim como a Era de Aquário não começou numa data específica (ainda não sei se já começou).
As mudanças no interior de cada um vêm se processando há muito tempo. O ser humano de hoje não é o mesmo de há cinquenta ou cem anos, ou da Idade Média. O ser humano hoje é um ser completamente diferente por causa das mudanças que se têm operado no seu interior ao longo do tempo. Mas atenção, essas mudanças não têm sido, geralmente, no melhor sentido, basta olharmos para a humanidade actual e ver a prevalência dos apegos à matéria, e a busca do “ter” em detrimento do “ser”.
Apesar disso, cresceu bastante a busca por um caminho mais espiritual, ainda que em muitos casos as pessoas sejam levadas a autênticos equívocos. Essa busca existe e esta humanidade tem vindo da ser beneficiada pela elevação espiritual que muitos seres humanos têm conseguido atingir, pois como se sabe e já demonstrado, quando alguém se eleva ajuda a elevar, por pouco que seja, o resto da humanidade.
No entanto, o egoismo da maioria prevalece e por isso estamos a viver uma verdadeira época de caos. Não é por acaso que as intituições (criações nossas) estão a falir ou faliram, que não existe confiança em ninguém, que só podemos confiar em nós próprios e no nosso mestre interior.
Estamos todos envolvidos neste processo de mudança e talvez o caos em que somos obrigados a viver seja um bem, uma bênção, uma oportunidade cósmica de resgatarmos o “velho homem” e criarmos o “novo homem”, aproximando-nos talvez desse arquétipo chamada Adão, ou Adão Kadmon, que compartilhava com Deus as delícias do Paraíso.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h40 de 18 de Dezembro de 2012)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Cartas do meu Sanctum - 2012
Ora cá estamos todos na recta final do ano e todos somos testemunhas, se quisermos ser honestos, de que nada fora do normal aconteceu no mundo até este momento. Houve umas chuvadas, algumas inundações, um ou outro terramoto, pessoas que morreram de causas naturais (da Natureza...), uns tufões e ciclones, não me lembro se algum vulcão entrou em actividade, enfim, tudo dentro da mais estrita normalidade, inclusive com os seres humanos a continuarem a matar-se uns aos outros em guerras estúpidas, sem tomarem consciência de que colocam as suas vidas à disposição, muitas vezes, de interesses inconfessáveis.
Os arautos da desgraça, como os costumo chamar, pois não conheço nenhuma profecia que não fale exclusivamente de desgraças, previram para ontem, dia 3, um alinhamento especial de alguns astros que iria trazer profundas alterações à pobre humanidade e alguns distúrbios ao planeta. Diziam ainda que tudo se passaria no signo de Escorpião (dia 3/12 não é no signo de Sagitário?) e que o oposto, o Touro, estaria com a cauda (??!) virada para as Pleiades.
Alinhamentos desta natureza, como os astrónomos podem muito bem explicar, já aconteceram milhares de vezes na história desta humanidade, sem que a Terra ou os seres nela viventes tivessem sofrido algo fora do normal.
Mas os delírios continuam. Agora é a data 12/12/12, que está aí à nossa frente e onde podem acontecer algumas coisas, pois só daqui a um século essa data se repetirá. Isto é apenas uma curiosidade matemática, ou de calendário, também tivemos 11/11/11, 10/10/10, e assim sucessivamente até ao 01/01/01. Estas datas acontecem nos primeiros doze anos de cada século.
Entretanto aproxima-se a data maior, prevista pelos maias há uma porção de anos e, pasme-se, confirmada hoje até por programas de computador. Será no dia 21 deste mês de Natal que tudo acontecerá. Tenho uma certa desconfiança de que os maias não quiseram continuar o calendário por falta de material ou falta de paciência.
Nestas coisas de previsões e profecias os arautos da desgraça não desarmam, têm uma enorme e fiel clientela ávida das coisas que eles anunciam e que se acha a viver momentos de grande espiritualidade. As alucinações aparecem sob a forma de mensagens (todas iguais) de anjos, arcanjos, e até de nomes de Deus segundo a Cabala, já que os espíritos mais humildes deixaram de render. Tudo serve para manter acesa a crença dessa enorme clientela maioritariamente feminina.
Mas como até agora não aconteceu nada de especial ao mundo e ao ser humano, o discurso desses “profetas” da desgraça mudou: não, o mundo não vai explodir nem vai acontecer nenhuma das catátrofes anunciadas, o que vai acontecer é a humanidade passar a uma outra dimensão (4ª, 5ª?). Os bons vão poder renascer em outro planeta mais elevado espiritualmente, ou mais elevado na hierarquia (isto existe?) dos planetas, os maus irão para planetas de desterro para poderem reiniciar o seu processo evolutivo através de grandes dificuldades, e não será mais permitida a sua reencarnação na Terra.
Isto suscita algumas questões interessantes. Desta forma, parece que não fica ninguém na Terra, dado que tanto os bons como os maus vão para outras paragens. Depois, quem ou o quê vai estabelecer essa separação? Deus? Jesus? Os Senhores do Carma? Quem é que vai definir quem é bom e quem é mau, pois em termos cósmicos o bem e o mal não existem? Os Senhores do Carma também não existem, a não ser que acreditemos numa pleiade de deuses, ou anjos, operando supercomputadores para analisarem a vida pessoal de cada uma dos largos bilhões das nossas almas. Será Jesus o encarregado da tarefa? Desconfio que não, pois o Mestre Jesus já deixou a sua mensagem na época em que por aqui passou e não me parece que esteja muito preocupado com o destino humano. Deus? Tem mais o que fazer, se é que existe como as religiões o pintam, do que tratar da vida pessoal de cada um.
Obviamente que nada irá acontecer de extraordinário no dia 21 de Dezembro de 2012, excepto delírios e alucinações de alguns. Não iremos passar a outra dimensão, e é bom que comecemos a tomar um pouco mais de consciência do estado a que estamos a conduzir o mundo e colaborar, de alguma forma, para melhorar as condições de muitos milhões de seres humanos que mal têm possibilidades de sobrevivência. Que cada um possa fazer a sua parte para tornar o mundo um lugar melhor para se viver.
Sinceramente, já estou muito cansado dos disparates em que transformámos a nossa vida, e muito cansado também desses pseudoprofetas, que não passam, na verdade, de oportunistas.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h53 de 04 de Dezembro de 2012)
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Cartas do meu Sanctum - Em Busca da Perfeição
O ouro já foi chumbo em tempos recuados. Os diamantes e as pedras preciosas já foram pedaços de árvore, sujeitos a tremendas pressões durante milénios até se transformarem em carbono mais ou menos puro. Não sei se isto é bem assim, cientificamente talvez haja alguma incorrecção aqui, mas a ideia está correcta, na Natureza tudo parece conspirar para a perfeição.
Um isótopo radioactivo é extremamente instável, mas todo o seu processo tende para a estabilidade.
Se observarmos bem, tudo parece perfeito. A plumagem dos pássaros, o pelo dos animais, a imensa variedade floral, mineral, tudo nos parece em estado de perfeição, e parece existir um segredo para essa perfeição.
O segredo parece estar numa sequência numérica ou matemática, conhecida como sequência de Fibonacci. A formação de uma folha, de uma flor, de uma árvore, de um mineral, parece seguir um padrão dessa sequência, que até podemos encontrar na casca de alguns moluscos. Não sei se a sequência também se aplica ao mundo animal, mas não ficaria surpreendido se alguém a encontrasse em animais ou em seres humanos.
Além da sequência de Fibonacci, mas relacionado com ela, existe um outro segredo que os artistas pintores e “pedreiros” (mestres construtores) da Idade Média conheciam e aplicavam nos seus trabalhos: o número de ouro, ou a proporção áurea, produzindo uma harmonia dificilmente conseguida sem a sua aplicação. Em termos simples, o número de ouro corresponde a mais ou menos ao quociente 1,618 de uma dada divisão. Por exemplo num quadro poderá ser o resultado da divisão da altura pela largura, mas a sua aplicação toma formas bem mais complexas. A famosa “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci está de acordo com esse número de ouro. As catedrais góticas da Idade Média foram construídas também de acordo com a proporcionalidade desse número, por isso nos sentimos bem dentro delas, não é por se tratar de um templo, mas porque as suas proporções originam uma energia que nos faz sentir em harmonia.
Por um lado temos a sequência de Fibonacci, que está presente em variadíssimas formas na Natureza, por outro o número de ouro, que permite ao ser humano aproximar-se da perfeição e da harmonia da Natureza. Independentemente da religião que professemos, ou não professemos nenhuma, sentimo-nos geralmente bem, em harmonia, dentro de uma catedral gótica, ou mesmo românica. O motivo está no padrão que presidiu à sua construção, o número de ouro. Infelizmente este conhecimento (ou a sua aplicação) parece ter desaparecido com os antigos “pedreiros livres”, porque hoje se constrói a esmo, sem respeito por nenhuma regra, excepto as referentes aos materiais aplicados e à segurança da construção.
E o ser humano como é que fica no meio disto? Estará ele também em busca da perfeição?
Claro que está, mas não da forma que muitos podem pensar ao ver o notável desenvolvimento tecnológico que a nossa época conhece. Não sei se o ser humano também está formado de acordo com a sequência de Fibonacci, mas estando ou não, a sua busca da perfeição realiza-se em outro plano, que não o físico. É no seu interior, no diálogo que puder ou souber manter consigo mesmo, que ele busca a perfeição. Pode ser que seja no seu nível psíquico, ou na sua alma, como agrada a alguns, ou até na procura de domínio do seu ego, mas sempre será no seu campo espiritual que o processo acontece.
Nunca é do exterior para o interior, do mundo físico para o mundo espiritual. O mundo espiritual manifesta-se no mundo físico pelas acções, palavras e comportamentos de cada um, reflexo de todo um trabalho interior em busca da perfeição.
À velha regra de ouro que nos diz que “o que está em cima é como o que está em baixo”, podemos acrescentar “o que está de fora é como o que está dentro, e vice-versa.”
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h58 de 4 de Setembro de 2012)
sábado, 1 de setembro de 2012
Cartas do meu Sanctum - O Bem e o Mal
Muito se tem dito e escrito sobre o bem e o mal, atribuindo-se determinadas definições a um e a outro Há os arautos do bem, porque ninguém assume que é do mal, ou seja, todos temos uma noção do que é o bem e do que é o mal, seja por influência de costumes, de educação ou por um apelo interior, que leva cada um, geralmente, a fazer o bem em vez do mal.
Mas… será que o bem existe? O mal existe? Ou trata-se apenas de concepções humanas?
Sem dúvida que ambos existem, mesmo que parcialmente ou no todo sejam concepções humanas. Na Natureza não existe nem bem, nem mal, tudo decorre como resultado das próprias leis naturais.
Há quem defina o mal como a ausência do bem, numa correlação óbvia com a definição de trevas como ausência da luz. Mas atenção, toda a tradição nos fala que a luz despontou das trevas, basta ler, por exemplo, os primeiros versículos do Evangelho de João. As definições pecam por defeito pois não consideram um imenso leque de variantes. Ninguém é completamente bom, como ninguém é completamente mau, a condição humana é muito complexa, as variações de carácter são imensas, embora haja padrões de aproximação.
Uma outra definição que me deixou um pouco perplexo foi a de que “o bem é conhecimento e o mal é ignorância”. Evidentemente que estamos perante um excesso de simplificação, quando nada na vida e especialmente essas concepções de bem e de mal podem ser assim simplificadas. A simplicidade não resulta da simplificação, as coisas mais simples podem ser muito complexas. E a propósito de coisas li recentemente uma frase que contém uma enorme sabedoria: “as coisas importantes da vida não são coisas”.
Para podermos afirmar que o bem é conhecimento, temos, antes de mais, de saber o que entendemos por conhecimento. Conhecimento de quê? Conhecimento da vida resultante de experiências da mesma? Conhecimento científico? Conhecimento das leis que regem a Natureza? Conhecimento das leis divinas? Conhecimento do conjunto disto tudo ou de alguma especialidade?
Considerando que isto tudo faz parte do conhecimento, não é também sabido que a diferenciação entre o bem e o mal num sábio é muito ténue? Quantos magos e bruxos escolheram o lado da sombra ao atingirem um profundo conhecimento das suas artes? Não se diz que forem eles os responsáveis pela destruição da Atlântida? Os sacerdotes de Amon no antigo Egipto tinham um enorme conhecimento, o que não impediu que muitos se tivessem dedicado à magia negra.
Todos conhecemos pessoas com conhecimentos muito precários, mas que se dedicam de alma e coração a fazer o bem, a tratar dos idosos, dos doentes, dos dependentes da droga, e por aí fora. Essas pessoas, à falta de conhecimento que lhes é atribuída, parecem agir por simples impulso do coração. Tenho a felicidade de conhecer algumas pessoas assim.
Por outro lado também conhecemos pessoas que se dizem muito espiritualizadas, presumivelmente dedicadas a fazer o bem, mas que vivem presas de um profundo egoísmo e são incapazes de estender uma mão para ajudar os seus irmãos mais desvalidos. Também tenho a infelicidade de conhecer pessoas assim.
E por falar em mal, que tal a hipocrisia que regula a nossa sociedade profana e se estende a religiões e organizações místicas e esotéricas? As fáceis definições de bem e de mal escondem uma profunda hipocrisia. Nesta sociedade aceita-se o mal de forma hipocritamente passiva, fazendo lembrar uma frase célebre, julgo que de Luther King, que quando não se combate o mal está-se a colaborar com ele. Digo mais: está-se a fortalecê-lo. Foi assim que chegámos aos níveis de corrupção que envenenam a sociedade de hoje, não só a nível político (não esquecer que os políticos são resultado desta sociedade), mas abrangendo todos os sectores da incrível civilização que ajudámos a construir.
O bem e o mal são encontrados em todos os níveis, basta estarmos atentos (e despertos) ao que acontece diariamente e não nos deixarmos alienar por receitas fáceis que pretendem explicar tudo.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h12 de 30 de Agosto de 2012)
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Cartas do meu Sanctum - A Lei da Atracção
A lei da atracção existe? Ou é apenas mais uma das inúmeras teorias “new age” que nos têm invadido e que não correspondem a nada sério e concreto? É facto que esta lei tem sido profusamente divulgada sob a forma de livros e filmes difundidos na Internet e fazendo a felicidade material (leia-se financeira) dos seus autores.
Esta lei existe de facto, mas os autores da sua divulgação, muitas vezes feita como se tratasse de um grande segredo numa aplicação de “marketing” quase perfeita, ter-se-ão esquecido de mencionar que há outras leis cósmicas além dela. Porque efectivamente se trata de uma lei cósmica, não uma lei da física como aquelas descobertas por Sir Isaac Newton e outros.
Em termos gerais a lei da atracção tem sido divulgada como uma forma de atingir sucesso material e felicidade, coisas que os milhões de leitores e de crentes não terão conseguido atingir sem saberem porquê.
A lei da atracção funciona em dupla polaridade, isto é, tanto pode atrair o bem como o mal, melhor dizendo, tanto pode atrair o aspecto positivo como o negativo. Como mal entendam-se os nossos medos, as nossas angústias, inseguranças, a sombra que faz parte intrínseca da nossa vida. Desejar o bem com fervor e convicção não é eliminar os medos que vivem dentro de cada um de nós. É por este motivo, essencialmente, que a tão propalada lei da atracção muito raramente funciona, pois ao mesmo tempo que desejamos o bem, os nossos receios mais profundos emergem, colocando como que um travão ao sucesso e à felicidade.
Por outro lado há também uma lei cósmica que nos diz que, inexoravelmente, cada um irá ter o que merece, ainda que este merecimento possa não ter nada a ver com a vida actual. Aqui entra a questão cármica, a que muito poucos dão atenção e outros poucos dão atenção excessiva.
Esta lei do merecimento, se é que podemos assim chamá-la, provoca muitas incompreensões, principalmente porque muitas vezes assistimos ou temos conhecimento de coisas que nos fazem descrer seja do que for. Por exemplo, porque é que uma criança nasce defeituosa, tem uma doença grave e morre, ou é envolvida numa luta fratricida, numa guerra, sofrendo as maiores privações e sendo ferida ou morta. Esta criança fez alguma coisa para merecer aquilo? Obviamente que só o entendimento cármico e de reencarnações poderá dar uma explicação razoável, o que não deixa de ser um sério argumento em favor dos que não crêem em nada, dos ateus, se é que existe algum ateu…
Outra lei que não é mencionada é a lei de compensação. Tudo no universo tem que ser compensado, voluntária ou involuntariamente. O universo, tal como todos os seres vivos, manifesta-se permanentemente em dualidade. Por isso aquele que é rico deve compensar a sua riqueza com acções a favor dos pobres e necessitados.
Por muito cruel que esta lei possa parecer, não há como fugir dela. A uma grande riqueza corresponde, na outra polaridade, uma grande pobreza. De um lado há os países ricos, do outro os pobres, tudo se completa num equilíbrio perfeito.
Dito isto, alguém me perguntou um dia se a humanidade não teria hipóteses de atingir a harmonia, a paz e a felicidade colectiva. Respondi que não, que esta humanidade estava condenada a viver em dualidade e que a superação dessa dualidade nos faria passar a outra dimensão da existência. Mas esta superação seria individual e não colectiva, como alguns apregoam. Embora façamos parte do Todo, contribuindo para o bem colectivo, o caminho de ascensão é individual, tal como quando nascemos ou morremos.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h52 de 7 de Agosto de 2012)
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