domingo, 10 de junho de 2012
Cartas do meu Sanctum - Segredos
O segredo é uma coisa inerente ao ser humano, pelo menos desde que a história humana é conhecida. Mas há diversas espécies de segredo.
Há aqueles pequenos segredos individuais que revelam um pequeno vício, algo que se procura esconder do conhecimento dos outros, porque isso seria constrangedor. Há os segredos de alcova, alguma coisa que se procura esconder da mulher ou do marido, normalmente envolvendo algum relacionamento exterior o qual, quando descoberto, pode acarretar sérias consequências para a permanência do casal. Há os segredos de família, algo incómodo que permanece apenas no seio de uma família, vulgarmente ligado a posses materiais ou na taras genéticas.
O segredo tem sido também uma forma de protecção das pessoas envolvidas em alguma actividade não permitida pela sociedade da altura. Estão neste caso organizações como a Maçonaria e as ordens iniciáticas, cujos membros corriam sérios riscos de vida, podiam cair sob a alçada da Inquisição, (activa na Europa até pelo menos o início do século 19 e só foi abolida pelo Vaticano em 1965) ou desagradar de alguma maneira às autoridades da região. Hoje, apesar da abertura que existe no ocidente, há ainda países e regiões onde a prática que não esteja de acordo com a religião vigente conduz geralmente à morte dos envolvidos.
As próprias religiões têm os seus segredos que revelam apenas a uma elite, presumivelmente constituída por aqueles mais preparados para os compreender e não deixar que os segredos possam ameaçar a estrutura religiosa. Como exemplo claro desta situação temos a Biblioteca do Vaticano, cujo acesso a áreas mais restritas só é permitido a alguns privilegiados.
Depois temos os chamados segredos de estado, que muitas vezes passam de governo para governo sem nunca termos a possibilidade de os conhecer. Este tipo de segredo, para além de outras consequências, tem provocado sérios embaraços a historiadores que, procurando compreender determinados acontecimentos, esbarram em situações para as quais não encontram motivo. A história desta humanidade está cheia de segredos deste tipo.
Só para dar alguns exemplos, o papa João XXIII era ou não era rosacruz? E Napoleão Bonaparte era rosacruz? Se não era, porque é que existe um colar rosacruz cuja posse lhe é atribuída? Qual foi o motivo real que deu origem à primeira grande guerra? Nos tempos mais recentes, quem foi que assassinou Kennedy?
Nos tempos actuais e graças especialmente à Internet, tem vindo a desenvolver-se uma forte campanha de informação (ou desinformação) relacionada com a Terra sobre as nossas possibilidades de sobrevivência num universo que se revela extremamente perigoso. Por um lado a poluição que causamos e que tem provocado o chamado “aquecimento global”, por outro lado a aproximação de uma grande catástrofe anunciada pelo famoso calendário maia e confirmada pelo “I-Ching” e até por programas de computador. Como previsões desta natureza atraem sempre muitos alucinados, as receitas são inúmeras acerca de como poderemos sobreviver e das modificações que iremos sofrer no nosso ADN (DNA).
Não participando da “loucura” dos profetas da Nova Era anunciando o fim do mundo das e nas mais diversas formas, há no entanto algo que foge ao nosso entendimento. Apesar dos sucessivos desmentidos por parte de governos e de instituições governamentais, como por exemplo a NASA, temos a estranha sensação de que alguma coisa se passa, inexplicada, e que parece contradizer esses desmentidos. Parece-nos que estamos a lidar com segredos que ultrapassam o nível de estado, parece-nos que os segredos agora são de nível planetário.
Se não é assim, porque é que se insiste no “aquecimento global” quando a ciência já demonstrou que o que está a acontecer é um “arrefecimento global” que nos pode conduzir para uma nova “idade do gelo”?
Se não está prevista nenhuma catástrofe global a curto ou médio prazo, porque é que foi construída a nova “Arca de Noé”, enterrada sob o gelo do norte da Noruega e destinada a preservar as espécies vegetais terrestres?
Se não existe nenhuma aproximação de um planeta intruso chamado Nibiru ou outro nome qualquer, porque é que se mandou construir dois ou três observatórios no pólo sul, na Antártida, cujas antenas estão viradas também para sul? Será porque as tabuinhas de argila da Mesopotâmia em escrita cuneiforme nos contam que esse planeta intruso invade o nosso sistema solar pelo sul?
Porque é que os EUA da era Obama cancelaram todo o seu programa de viagens espaciais? Foi só por uma questão de poupança financeira?
Estes são alguns casos que nos perturbam pois são sintomas de que algo grave vive escondido e não é do conhecimento geral. Parece que só agora, e mercê do progresso científico que atingimos nos últimos tempos desta humanidade, tomámos consciência de que a Terra gira sobre si e à volta do Sol a velocidades vertiginosas, de que o Universo em que estamos inseridos é muito perigoso. Tão perigoso que já por diversas vezes a vida na Terra foi praticamente eliminada, e não falo apenas dos dinossauros. Podemos estar à beira de uma situação semelhante, mas também não sei se a divulgação de algo que esteja para acontecer em breve ao planeta seria benéfica, gerando o pânico a nível global com trágicas consequências.
Pessoalmente não estou nada preocupado, pois sei que a lei cósmica se cumprirá sempre, que poderei viver novamente neste planeta se houver condições para a vida, ou em outro qualquer planeta onde o Cósmico me permitir continuar a minha senda evolutiva.
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h10 de 5 de Junho de 2012)
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Cartas do meu Sanctum - Recomeços
Alguém disse e escreveu que a vida é uma sequência de recomeços, e assim é, de facto. Todos os dias, quando acordamos, recomeçamos a nossa vida, depois de uma noite em que estivemos ausentes, no sono. Quando digo ausentes, quero dizer isso mesmo, pois ninguém sabe, exactamente, por onde andamos quando dormimos e sonhamos – a teoria dos universos paralelos está cada vez mais presente nas nossas conjecturas.
Mas quando despertamos o nosso corpo ganha vigor, encaramos as coisas de cabeça um pouco mais fresca, mas não eliminamos nada do que constitui a nossa vida, tudo permanece na nossa memória, os problemas, as preocupações, as alegrias, porque o novio dia é apenas a continuação de tudo. Carregamos sempre connosco o “fardo” que constitui a nossa vida. O termo “fardo” aqui não tem sentido pejorativo, significa apenas o conjunto que constitui a nossa vida, conjunto esse que pode ser mais ou menos pesado, ou até bem leve, dependendo do que fazemos no tempo em que nos é permitido viver.
É assim também o renascimento ou reencarnação. Quando nascemos de novo, é um recomeço das vidas que deixámos para trás e, tal como quando acordamos de manhã, carregamos o “fardo” dessas nossas vidas passadas. Pesado ou leve, esse “fardo” irá condicionar os eventos da nossa vida. Mas ao contrário do que acontece quando despertamos de uma noite de sono, a memória parece ter desaparecido, não conseguimos lembrar-nos de nada das nossas vidas passadas. Ou lembramo-nos?
Não nos lembramos de forma objectiva, mas algo nos diz que existe uma memória que reside no íntimo do nosso ser, de que não temos consciência, mas que, afinal, acaba por presidir ao nosso destino. Não é por acaso que tomamos uns caminhos em vez de outros; não é por acaso que determinadas acções nos repugnam ou seduzem; não é por acaso que escolhemos o bem e repudiamos o mal, ou o contrário. Porque somos o resultado acumulado de um infindável número de experiências de vida que expressamos na actualidade, contribuindo para a construção de uma humanidade mais fraterna, ou exercendo actividades prejudiciais ao ser humano e ao planeta, ou ainda permanecendo inerte e alienado de tudo o que se passa à volta.
Quando recomeçamos a vida de manhã, quando acordamos, podemos lembrar-nos de algo bom que fizemos ontem, ou há dias, ou podemos continuar a alimentar o ódio que trazemos de conflitos absolutamente desnecessários e inapropriados. Podemos decidir-nos a fazer o possível por estabelecer a paz e a concórdia com quem se julga nosso inimigo, ou podemos acrescentar “achas à fogueira”, alimentando o conflito. Tudo isto depende de nós, depende do que o nosso mestre interior nos sugerir.
De igual modo, quando nascemos, trazemos connosco o que os orientais nos ensinaram a chamar “carma”. Esse carma irá pontuar a nossa vida, ainda que disso não tenhamos consciência. Podemos dedicar-nos a construir uma vida equilibrada onde resida essencialmente o bem ou o amor, ou podemos divergir para actos menos correctos, para expressões e demonstrações de egoísmo, para pouca caridade e pouco amor. Em muitos casos podemos cair na atracção sedutora das trevas.
Há quem se preocupe permanentemente com o carma, como se este fosse uma espécie de “espada de Dâmocles” sobre a cabeça, fazendo o possível por não agravar esse carma, temendo talvez uma espécie de julgamento final.
Acho exagerada e desnecessária essa preocupação. A únikca preocupação que deve existir é a das nossas escolhas, se optamos ou não pelo bem. Depois, o carma se ajustará por si mesmo.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 22h17 de 31 de Maio de 2012)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Cartas do meu Sanctum - Sem Tema
Nem sempre temos um tema que possamos desenvolver, talvez por falta de inspiração, ou porque os temas mais conhecidos já estejam demasiado vulgarizados que, falar outra vez sobre eles não acrescenta nada nem estimula o interesse de quem lê.
Desta vez parece que não tenho tema, ou então, porque não, desenvolver várias ideias que, por sua vez, se transformem num tema mais abrangente?
Poderia falar sobre sonhos, por exemplo, uma coisa que interessa bastante às pessoas apegadas a tentar decifrá-los ou a tentar ver neles algo de profético, de previsão do futuro. Escrevi na última carta que o futuro não existe, assim como o passado, que tudo é eterno presente, ou a duração permanente, uma ideia que nos foi transmitida pela brilhante Helena Blavatsky. Mas a ideia da inexistência do futuro e do passado confunde-nos, porque não conseguimos abstrairmo-nos da sequência lógica do tempo.
Actualmente, segundo as pesquisas sobre universos paralelos, há quem defenda a teoria de que vivemos simultaneamente em vários universos, o que serviria para explicar alguns sonhos, viagens astrais, mediunidade, canalizações, todos esses fenómenos que somos habitualmente levados a considerar como objectos de crença, por não conseguirmos compreender e explicar como se manifestam, e porque é que se manifestam. Por outro lado esta teoria de universos paralelos ajudaria talvez a compreender melhor a sucessão de reencarnações ou renascimentos. Mas enquanto teoria nada ainda foi demonstrado, estando apenas na mente de alguns cientistas.
Carl Jung dedicou grande parte da sua vida aos sonhos, que ele considerava serem muito importantes na vida das pessoas. Jung via nos sonhos a projecção do subconsciente ou do inconsciente, esse “poço” que reside no nosso interior e nos faz, muitas vezes, tomar atitudes impensadas, que nos faz agir por instinto ou intuição.
Obras recentemente publicadas falam-nos da sombra e das projecções da sombra, querendo dizer que muitas atitudes agressivas ou pensamentos menos bondosos em relação aos outros, não são mais do que projecções da nossa sombra, daquilo que não gostamos em nós. Neste sentido, os sonhos como projecções da sombra ajudam a resgatar o inconsciente.
Os sonhos chamados de premonitórios ou proféticos são algo muito discutível, pois essa ideia coloca problemas à nossa capacidade de gerir a nossa própria vida. Acreditar em algo profético significa abdicarmos do nosso livre arbítrio, uma vez que independentemente do que fizermos, algo vai acontecer. Esses sonhos proféticos podem ser avisos que recebemos dessa forma e nos permitem tomar medidas para evitar que aconteçam. Conheço alguém que há muitos anos sonhou com a data da sua transição (morte), que aconteceria em meados de 2010. Já lá vão cerca de dois anos e não aconteceu essa transição, provavelmente porque a pessoa soube tomar as medidas adequadas em relação à sua saúde.
Em termos de profecias sabemos quanta especulação tem havido com o ano corrente de 1012, encontrando-se muita gente convencida de que não veremos o próximo ano. No entanto, a maior parte da população do planeta que já ultrapassou os 7 mil milhões (7 bilhões), não quer saber disso para nada, ou não sabe mesmo, preocupada apenas com a sua sobrevivência, como conseguir sustentar a família, ou até como conseguir ter água e alimento todos os dias. As especulações ficam para quem não tem mais preocupações ou tem pouco que fazer, e distrai-se morbidamente a tentar aterrorizar os outros.
O fim do mundo tem sido tema predominante na história humana. Desde o Cristo que terá anunciado que estaria connosco até ao fim dos tempos, à psicose colectiva de viradas de milénio, primeiro no ano 1000, depois em 2000. Quando os manifestos rosacruzes apareceram afixados nas paredes de Paris, no início do século XVII, grande parte da população e principalmente pessoas ligadas a religião ou esoterismo, estavam convencidas do fim do mundo próximo, pois o céu havia mostrado sinais inequívocos de que uma grande calamidade ia acontecer, devido à configuração especial de alguns planetas.
Para quem não tinha nenhum tema para desenvolver, parece acabei por tocar alguns.
Ad rosen!
(Birigui, São Paulo, 21h50 de 10 de Abril de 1012)
Desta vez parece que não tenho tema, ou então, porque não, desenvolver várias ideias que, por sua vez, se transformem num tema mais abrangente?
Poderia falar sobre sonhos, por exemplo, uma coisa que interessa bastante às pessoas apegadas a tentar decifrá-los ou a tentar ver neles algo de profético, de previsão do futuro. Escrevi na última carta que o futuro não existe, assim como o passado, que tudo é eterno presente, ou a duração permanente, uma ideia que nos foi transmitida pela brilhante Helena Blavatsky. Mas a ideia da inexistência do futuro e do passado confunde-nos, porque não conseguimos abstrairmo-nos da sequência lógica do tempo.
Actualmente, segundo as pesquisas sobre universos paralelos, há quem defenda a teoria de que vivemos simultaneamente em vários universos, o que serviria para explicar alguns sonhos, viagens astrais, mediunidade, canalizações, todos esses fenómenos que somos habitualmente levados a considerar como objectos de crença, por não conseguirmos compreender e explicar como se manifestam, e porque é que se manifestam. Por outro lado esta teoria de universos paralelos ajudaria talvez a compreender melhor a sucessão de reencarnações ou renascimentos. Mas enquanto teoria nada ainda foi demonstrado, estando apenas na mente de alguns cientistas.
Carl Jung dedicou grande parte da sua vida aos sonhos, que ele considerava serem muito importantes na vida das pessoas. Jung via nos sonhos a projecção do subconsciente ou do inconsciente, esse “poço” que reside no nosso interior e nos faz, muitas vezes, tomar atitudes impensadas, que nos faz agir por instinto ou intuição.
Obras recentemente publicadas falam-nos da sombra e das projecções da sombra, querendo dizer que muitas atitudes agressivas ou pensamentos menos bondosos em relação aos outros, não são mais do que projecções da nossa sombra, daquilo que não gostamos em nós. Neste sentido, os sonhos como projecções da sombra ajudam a resgatar o inconsciente.
Os sonhos chamados de premonitórios ou proféticos são algo muito discutível, pois essa ideia coloca problemas à nossa capacidade de gerir a nossa própria vida. Acreditar em algo profético significa abdicarmos do nosso livre arbítrio, uma vez que independentemente do que fizermos, algo vai acontecer. Esses sonhos proféticos podem ser avisos que recebemos dessa forma e nos permitem tomar medidas para evitar que aconteçam. Conheço alguém que há muitos anos sonhou com a data da sua transição (morte), que aconteceria em meados de 2010. Já lá vão cerca de dois anos e não aconteceu essa transição, provavelmente porque a pessoa soube tomar as medidas adequadas em relação à sua saúde.
Em termos de profecias sabemos quanta especulação tem havido com o ano corrente de 1012, encontrando-se muita gente convencida de que não veremos o próximo ano. No entanto, a maior parte da população do planeta que já ultrapassou os 7 mil milhões (7 bilhões), não quer saber disso para nada, ou não sabe mesmo, preocupada apenas com a sua sobrevivência, como conseguir sustentar a família, ou até como conseguir ter água e alimento todos os dias. As especulações ficam para quem não tem mais preocupações ou tem pouco que fazer, e distrai-se morbidamente a tentar aterrorizar os outros.
O fim do mundo tem sido tema predominante na história humana. Desde o Cristo que terá anunciado que estaria connosco até ao fim dos tempos, à psicose colectiva de viradas de milénio, primeiro no ano 1000, depois em 2000. Quando os manifestos rosacruzes apareceram afixados nas paredes de Paris, no início do século XVII, grande parte da população e principalmente pessoas ligadas a religião ou esoterismo, estavam convencidas do fim do mundo próximo, pois o céu havia mostrado sinais inequívocos de que uma grande calamidade ia acontecer, devido à configuração especial de alguns planetas.
Para quem não tinha nenhum tema para desenvolver, parece acabei por tocar alguns.
Ad rosen!
(Birigui, São Paulo, 21h50 de 10 de Abril de 1012)
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Cartas do meu Sanctum - Os Registos Acásicos ou Akasha
Já muito se escreveu sobre este assunto e muitas teorias foram desenvolvidas, levando por vezes a alguns pequenos equívocos.
Todos podemos equivocar-nos acerca de qualquer assunto, ninguém está livre de incorrer nesse erro. Assim, apesar do que escrevo ser o resultado de profunda reflexão, não tenho a menor pretensão de estar dentro da verdade. Estar dentro da verdade significa, para mim, estar próximo da verdade, na assunção de que esta, a verdade, ou a verdade absoluta, pode ser que exista, mas muito dificilmente temos acesso a ela. Quando muito conseguimos atingir a nossa verdade, que não é necessariamente a mesma verdade para os outros – cada um tem a sua verdade.
Acerca dos famosos arquivos ou registos acásicos, a que alguns dizem ter acesso, onde está realmente a verdade? Há também quem confunda arquivos acásicos com a aura ou o campo energético das pessoas, quando na realidade o que estes campos mostram é a saúde física e psíquica das pessoas, nada mais do que isso.
Mas há quem leia os arquivos acásicos, tenha acesso a eles e depois nos conte o que ali leu. Há alguns livros que foram assim escritos, segundo os seus autores. Paremos um pouco por aqui para poder explicar o que, no meu entender, são os arquivos ou registos acásicos: são registos feitos no Cósmico (ou no astral para algumas escolas), de tudo quanto aconteceu e acontece na Terra, de todos os pensamentos criados, de amor, ódio ou de qualquer outra natureza.
Para Helena Blavatsky, que disse ter tido acesso ao livro mais antigo do mundo, o “Livro de Dzyan”, o tempo e o espaço estão contidos numa imensa tela onde tudo é registado, desde o carma, com os seus débitos e créditos, a tudo quanto se pensa e acontece. Essa tela imensa é a “duração eterna”.
De acordo com essa tradição antiga, o tempo é uma ilusão que se produz pela sucessão dos nossos estados de consciência na nossa viagem através da duração eterna, e só existe onde há consciência, em que esta possa produzir a ilusão. O presente é uma linha matemática que separa a eternidade em duas partes, uma chamamos de passado e outra de futuro, mas trata-se da mesma duração eterna. O futuro e o passado são uma e a mesma realidade, se lhe podemos chamar assim. É o “Eterno Presente” dos místicos. Na nossa consciência, o tempo corre do futuro para o passado porque, à medida que vamos tomando consciência do «vir a ser» (futuro), passamos a ter consciência do «foi» (passado). Isto quer dizer que nem o futuro nem o passado existem, pois são ambos a duração eterna onde tudo permanece imóvel. Eles, o passado e o futuro, assim como o tempo, só existem como uma ilusão que é percebida pelos nossos sentidos.
Por muito difícil que seja a compreensão disto, algo nos diz que podemos estar dentro ou a rondar a verdade. A própria ciência encaminha-se a passos largos para essa compreensão, senão não faria sentido a teoria da relatividade de Einstein, a teoria das cordas ou super cordas, a nanotecnologia (já em aplicações práticas) e a percepção, cada vez mais presente de que o tempo não existe, que resulta apenas dos nossos estados sucessivos de consciência.
Tudo o que pensarmos e fizermos fica registado nessa tela da “duração eterna” a que chamam arquivos ou registos acásicos. Estes registos vão-se reforçando à medida em que mais pessoas forem elaborando formas-pensamento semelhantes, ou seja, quando muitas pessoas acreditam em determinado acontecimento, esse acontecimento passa a ser considerado verdadeiro, passa a ser verdade – está neste caso, como exemplo, a génese, o desenvolvimento e a solidificação de conceitos de algumas das principais religiões.
A possibilidade de consulta dos registos acásicos não nos garante a sua natureza, e deve haver o maior cuidado de não tirar conclusões precipitadas da sua leitura. Porque quando se diz que ali fica tudo registado, quer dizer tudo, a verdade e a mentira, o verdadeiro e o falso, as criações mentais mais elaboradas, os sentimentos de raiva, de ódio, de prazer e de amor, enfim tudo. Numa qualquer biblioteca podemos encontrar livros com os temas mais diversos, podemos encontrar romances criados pela imaginação dos seus autores, biografias geralmente muito subjectivas, livros técnicos e de ciências. Podemos encontrar também documentos ali depositados, nem sempre verdadeiros, podemos encontrar falsificações, fraudes várias, descrições mentirosas. Como exemplo bem esclarecedor, temos as cartas de Paulo incluídas no Novo Testamento da Bíblia, em que praticamente todos os teólogos concordam que, pelo menos metades delas são falsas, que foram escritas tardiamente por padres da Igreja.
Assim são os arquivos acásicos, tudo ali está registado, o bem e o mal, a verdade e a mentira, pensamentos construtivos e destrutivos, tudo, por isso deve haver o maior cuidado na interpretação dos factos que nos são relatados provenientes da sua consulta.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 23h00 horas de 3 de Abril de 2012)
Todos podemos equivocar-nos acerca de qualquer assunto, ninguém está livre de incorrer nesse erro. Assim, apesar do que escrevo ser o resultado de profunda reflexão, não tenho a menor pretensão de estar dentro da verdade. Estar dentro da verdade significa, para mim, estar próximo da verdade, na assunção de que esta, a verdade, ou a verdade absoluta, pode ser que exista, mas muito dificilmente temos acesso a ela. Quando muito conseguimos atingir a nossa verdade, que não é necessariamente a mesma verdade para os outros – cada um tem a sua verdade.
Acerca dos famosos arquivos ou registos acásicos, a que alguns dizem ter acesso, onde está realmente a verdade? Há também quem confunda arquivos acásicos com a aura ou o campo energético das pessoas, quando na realidade o que estes campos mostram é a saúde física e psíquica das pessoas, nada mais do que isso.
Mas há quem leia os arquivos acásicos, tenha acesso a eles e depois nos conte o que ali leu. Há alguns livros que foram assim escritos, segundo os seus autores. Paremos um pouco por aqui para poder explicar o que, no meu entender, são os arquivos ou registos acásicos: são registos feitos no Cósmico (ou no astral para algumas escolas), de tudo quanto aconteceu e acontece na Terra, de todos os pensamentos criados, de amor, ódio ou de qualquer outra natureza.
Para Helena Blavatsky, que disse ter tido acesso ao livro mais antigo do mundo, o “Livro de Dzyan”, o tempo e o espaço estão contidos numa imensa tela onde tudo é registado, desde o carma, com os seus débitos e créditos, a tudo quanto se pensa e acontece. Essa tela imensa é a “duração eterna”.
De acordo com essa tradição antiga, o tempo é uma ilusão que se produz pela sucessão dos nossos estados de consciência na nossa viagem através da duração eterna, e só existe onde há consciência, em que esta possa produzir a ilusão. O presente é uma linha matemática que separa a eternidade em duas partes, uma chamamos de passado e outra de futuro, mas trata-se da mesma duração eterna. O futuro e o passado são uma e a mesma realidade, se lhe podemos chamar assim. É o “Eterno Presente” dos místicos. Na nossa consciência, o tempo corre do futuro para o passado porque, à medida que vamos tomando consciência do «vir a ser» (futuro), passamos a ter consciência do «foi» (passado). Isto quer dizer que nem o futuro nem o passado existem, pois são ambos a duração eterna onde tudo permanece imóvel. Eles, o passado e o futuro, assim como o tempo, só existem como uma ilusão que é percebida pelos nossos sentidos.
Por muito difícil que seja a compreensão disto, algo nos diz que podemos estar dentro ou a rondar a verdade. A própria ciência encaminha-se a passos largos para essa compreensão, senão não faria sentido a teoria da relatividade de Einstein, a teoria das cordas ou super cordas, a nanotecnologia (já em aplicações práticas) e a percepção, cada vez mais presente de que o tempo não existe, que resulta apenas dos nossos estados sucessivos de consciência.
Tudo o que pensarmos e fizermos fica registado nessa tela da “duração eterna” a que chamam arquivos ou registos acásicos. Estes registos vão-se reforçando à medida em que mais pessoas forem elaborando formas-pensamento semelhantes, ou seja, quando muitas pessoas acreditam em determinado acontecimento, esse acontecimento passa a ser considerado verdadeiro, passa a ser verdade – está neste caso, como exemplo, a génese, o desenvolvimento e a solidificação de conceitos de algumas das principais religiões.
A possibilidade de consulta dos registos acásicos não nos garante a sua natureza, e deve haver o maior cuidado de não tirar conclusões precipitadas da sua leitura. Porque quando se diz que ali fica tudo registado, quer dizer tudo, a verdade e a mentira, o verdadeiro e o falso, as criações mentais mais elaboradas, os sentimentos de raiva, de ódio, de prazer e de amor, enfim tudo. Numa qualquer biblioteca podemos encontrar livros com os temas mais diversos, podemos encontrar romances criados pela imaginação dos seus autores, biografias geralmente muito subjectivas, livros técnicos e de ciências. Podemos encontrar também documentos ali depositados, nem sempre verdadeiros, podemos encontrar falsificações, fraudes várias, descrições mentirosas. Como exemplo bem esclarecedor, temos as cartas de Paulo incluídas no Novo Testamento da Bíblia, em que praticamente todos os teólogos concordam que, pelo menos metades delas são falsas, que foram escritas tardiamente por padres da Igreja.
Assim são os arquivos acásicos, tudo ali está registado, o bem e o mal, a verdade e a mentira, pensamentos construtivos e destrutivos, tudo, por isso deve haver o maior cuidado na interpretação dos factos que nos são relatados provenientes da sua consulta.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 23h00 horas de 3 de Abril de 2012)
quinta-feira, 22 de março de 2012
Cartas do meu sanctum - Peregrinação
- O que procuras, peregrino?
- Não sei, Mestre. Talvez a minha alma, que sinto perdida.
- Não procures fora o que não podes encontrar. Procura dentro de ti.
A peregrinação é uma prática, normalmente de natureza religiosa, que remonta aos primórdios da humanidade. Consiste essencialmente numa viagem a um local considerado sagrado. Essa viagem pode ser feita de vários modos, usando diferentes meios de transporte ou simplesmente a pé.
A verdadeira essência da peregrinação a um lugar sagrado implica um sacrifício, por isso as longas caminhadas a pé, exigindo do caminhante grande força de vontade para prosseguir através das dores do corpo e, quantas vezes, as da alma.
Existem no mundo numerosos locais de peregrinação, incluindo os centros marianos, sobre os quais falaremos em outra altura, quando abordarmos o culto de Ísis e das suas ramificações dentro do paganismo, até ao desembocar no culto mariano cristão.
No cristianismo os lugares de peregrinação mais conhecidos são Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. Neste último caso a tradição é anterior ao cristianismo, pois a região do cabo Finisterra foi sempre considerada um local sagrado desde a mais remota antiguidade. Jerusalém é simultaneamente um lugar sagrado para as três religiões do “Livro”, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo.
O local mais sagrado do islamismo é Meca, cidade procurada por milhões de muçulmanos na sua peregrinação anual. Outros locais, Jerusalém como já foi dito acima e Medina.
Outros lugares há no mundo que atraem essa vontade de os procurar, lugares sagrados por algum motivo, por uma lenda, pela força de uma aparição, por ser um lugar de suplício, por se acreditar que ali existe uma energia diferente, por se achar que ali existe uma porta para uma outra dimensão, enfim, os motivos são inúmeros e muitos desses lugares ganham de repente grande projecção por algum factor externo que os faz sair da obscuridade e serem procurados por autênticas multidões. A peregrinação a Santiago de Compostela ganhou um incremento extraordinário após a publicação do livro de Paulo Coelho, “O Diário de um Mago”. Neste caso, já não é apenas uma peregrinação religiosa, mas também mágica, onde acontecem coisas extraordinárias ao caminhante.
Mas essas coisas extraordinárias não acontecem somente ali, acontecem em todo o lado na nossa vida quotidiana, das quais mal nos apercebemos ou sequer lhes prestamos atenção. No entanto, se estivermos atentos, descobrimos que afinal a magia existe, que faz parte da nossa vida.
A verdadeira peregrinação, como diria o Mestre, é a peregrinação ao nosso interior. Para isso precisamos de nos centrar no nosso ser, sem influências externas que nos desviem o foco. O sacrifício que se exige ao caminhante de Santiago faz com que ele se centre em si mesmo, as dores do corpo e as feridas dos pés, mais o silêncio das longas estradas e das serranias, fazem com que ele se centre na sua pessoa, no verdadeiro ser que é.
Mas para a peregrinação ao nosso interior não precisamos das dores das grandes caminhadas. Pode ser conseguida, tranquilamente, através da meditação, no recolhimento num local tranquilo em algum lugar da nossa casa. Não deve ser uma meditação conduzida por outrem, mas uma meditação solitária, onde se possa, no segredo do coração, entrar em contacto com o nosso mestre interior, nosso verdadeiro guia ao longo da vida.
É difícil chegar lá. Às vezes são necessários anos de prática e muita coragem para ultrapassarmos os obstáculos que nos impedem de olharmos para o nosso verdadeiro “eu”, o principal dos quais é a nossa sombra, o lado mais obscuro do nosso ser, que temos de enfrentar e aprender a lidar com ele, porque ele faz parte intrínseca da nossa vida, é necessário à nossa vida assente na dualidade – não seria possível viver se fossemos só luz ou só sombra. Se não houvesse sombras os nossos olhos não conseguiriam distinguir nenhum objecto.
O verdadeiro peregrino é aquele que não precisa de locais externos mais ou menos sagrados. O verdadeiro peregrino é aquele que mergulha para dentro de si mesmo, em busca do anjo, do guia, do guardião, que eu prefiro chamar de mestre interior, com quem pode estabelecer um diálogo silencioso, aprendendo o que não pode aprender em nenhum manual, nem com nenhum auto-denominado mestre.
A vida é a grande peregrinação que nos foi sugerida no momento em que nascemos, queiramos nós aprender com os ensinamentos que ela nos oferece de graça.
Ad rosen!
- Não sei, Mestre. Talvez a minha alma, que sinto perdida.
- Não procures fora o que não podes encontrar. Procura dentro de ti.
A peregrinação é uma prática, normalmente de natureza religiosa, que remonta aos primórdios da humanidade. Consiste essencialmente numa viagem a um local considerado sagrado. Essa viagem pode ser feita de vários modos, usando diferentes meios de transporte ou simplesmente a pé.
A verdadeira essência da peregrinação a um lugar sagrado implica um sacrifício, por isso as longas caminhadas a pé, exigindo do caminhante grande força de vontade para prosseguir através das dores do corpo e, quantas vezes, as da alma.
Existem no mundo numerosos locais de peregrinação, incluindo os centros marianos, sobre os quais falaremos em outra altura, quando abordarmos o culto de Ísis e das suas ramificações dentro do paganismo, até ao desembocar no culto mariano cristão.
No cristianismo os lugares de peregrinação mais conhecidos são Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. Neste último caso a tradição é anterior ao cristianismo, pois a região do cabo Finisterra foi sempre considerada um local sagrado desde a mais remota antiguidade. Jerusalém é simultaneamente um lugar sagrado para as três religiões do “Livro”, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo.
O local mais sagrado do islamismo é Meca, cidade procurada por milhões de muçulmanos na sua peregrinação anual. Outros locais, Jerusalém como já foi dito acima e Medina.
Outros lugares há no mundo que atraem essa vontade de os procurar, lugares sagrados por algum motivo, por uma lenda, pela força de uma aparição, por ser um lugar de suplício, por se acreditar que ali existe uma energia diferente, por se achar que ali existe uma porta para uma outra dimensão, enfim, os motivos são inúmeros e muitos desses lugares ganham de repente grande projecção por algum factor externo que os faz sair da obscuridade e serem procurados por autênticas multidões. A peregrinação a Santiago de Compostela ganhou um incremento extraordinário após a publicação do livro de Paulo Coelho, “O Diário de um Mago”. Neste caso, já não é apenas uma peregrinação religiosa, mas também mágica, onde acontecem coisas extraordinárias ao caminhante.
Mas essas coisas extraordinárias não acontecem somente ali, acontecem em todo o lado na nossa vida quotidiana, das quais mal nos apercebemos ou sequer lhes prestamos atenção. No entanto, se estivermos atentos, descobrimos que afinal a magia existe, que faz parte da nossa vida.
A verdadeira peregrinação, como diria o Mestre, é a peregrinação ao nosso interior. Para isso precisamos de nos centrar no nosso ser, sem influências externas que nos desviem o foco. O sacrifício que se exige ao caminhante de Santiago faz com que ele se centre em si mesmo, as dores do corpo e as feridas dos pés, mais o silêncio das longas estradas e das serranias, fazem com que ele se centre na sua pessoa, no verdadeiro ser que é.
Mas para a peregrinação ao nosso interior não precisamos das dores das grandes caminhadas. Pode ser conseguida, tranquilamente, através da meditação, no recolhimento num local tranquilo em algum lugar da nossa casa. Não deve ser uma meditação conduzida por outrem, mas uma meditação solitária, onde se possa, no segredo do coração, entrar em contacto com o nosso mestre interior, nosso verdadeiro guia ao longo da vida.
É difícil chegar lá. Às vezes são necessários anos de prática e muita coragem para ultrapassarmos os obstáculos que nos impedem de olharmos para o nosso verdadeiro “eu”, o principal dos quais é a nossa sombra, o lado mais obscuro do nosso ser, que temos de enfrentar e aprender a lidar com ele, porque ele faz parte intrínseca da nossa vida, é necessário à nossa vida assente na dualidade – não seria possível viver se fossemos só luz ou só sombra. Se não houvesse sombras os nossos olhos não conseguiriam distinguir nenhum objecto.
O verdadeiro peregrino é aquele que não precisa de locais externos mais ou menos sagrados. O verdadeiro peregrino é aquele que mergulha para dentro de si mesmo, em busca do anjo, do guia, do guardião, que eu prefiro chamar de mestre interior, com quem pode estabelecer um diálogo silencioso, aprendendo o que não pode aprender em nenhum manual, nem com nenhum auto-denominado mestre.
A vida é a grande peregrinação que nos foi sugerida no momento em que nascemos, queiramos nós aprender com os ensinamentos que ela nos oferece de graça.
Ad rosen!
Cartas do meu Sanctum - Ano Novo R+C
Neste Equinócio da Primavera, no Hemisfério Norte, ou do Outono, no Hemisfério Sul, inicia-se mais um ano R+C, será o ano 3365. Este número pode ser reduzido a 8 ou 17 (3+3+6+5=17=8).
Ambos os números correspondem a cartas importantes no Tarot. O número 8 é o Arcano maior denominado “Ajustamento” ou “Justiça”. Representa, esotericamente, as forças de equilíbrio do Universo, o “Caminho do Meio” e também, em algumas leituras, a “Consciência Crística”
O número 17 é o Arcano Maior chamado “A Estrela”, e à semelhança do número 8, representa a visão cósmica e global. É o princípio de renovação e consciência de integração no Universo.
Sabemos assim, por esta pequena análise dos Arcanos do Tarot, que este será um ano muito especial para a Ordem, provavelmente o inicio de um tempo em que comece a prevalecer uma maior consciência universal, uma renovação da nossa forma de encarar a vida no seu contexto alargado, global e universal, talvez a caminho da aquisição de uma consciência cósmica.
Estas lâminas do Tarot falam-nos de renovação e elevação da nossa consciência. Que melhor projecto para darmos as boas-vindas a esse Ano Novo, para o recebermos com alegria e certeza de que estamos a caminhar para uma melhor humanidade?
Renovação não significa negar ou destruir o que foi feito, pois muito foi construído com muita força de vontade e muito sacrifício. A renovação não é fazer de novo, é continuar a “Obra” que já vem de alguns milénios, desde o tempo em que Tutmés III governava o Egipto. Renovação é dar-lhe uma roupagem nova mas não desmerecer dos nossos ancestrais, daqueles que através dos séculos souberam preservar o conhecimento antigo e doá-lo a quem o merecesse receber.
Neste início de Ano Novo, para além das comemorações que muito acertadamente devem ocorrer, recolho-me no meu sanctum e procuro sintonizar-me com os Mestres e com a Egrégora, pedindo a sua bênção (porque não a sua presença?) para todos os rosacruzes que fazem desta via a sua senda espiritual.
Que a harmonia do número 3365 (8, 17) se estabeleça em todo o universo rosacruz, nos seus organismos afiliados, nas suas Grandes Lojas, e que os seus responsáveis possam dirigir os destinos da Ordem com harmonia (caminho do meio), com rigor, justiça e visão cósmica.
A todos os “trabalhadores” místicos, oficiais e membros dos organismos afiliados, membros de sanctum, o desejo sincero de um excelente trabalho e que todos possam colher benefícios espirituais.
Ad rosen!
Ambos os números correspondem a cartas importantes no Tarot. O número 8 é o Arcano maior denominado “Ajustamento” ou “Justiça”. Representa, esotericamente, as forças de equilíbrio do Universo, o “Caminho do Meio” e também, em algumas leituras, a “Consciência Crística”
O número 17 é o Arcano Maior chamado “A Estrela”, e à semelhança do número 8, representa a visão cósmica e global. É o princípio de renovação e consciência de integração no Universo.
Sabemos assim, por esta pequena análise dos Arcanos do Tarot, que este será um ano muito especial para a Ordem, provavelmente o inicio de um tempo em que comece a prevalecer uma maior consciência universal, uma renovação da nossa forma de encarar a vida no seu contexto alargado, global e universal, talvez a caminho da aquisição de uma consciência cósmica.
Estas lâminas do Tarot falam-nos de renovação e elevação da nossa consciência. Que melhor projecto para darmos as boas-vindas a esse Ano Novo, para o recebermos com alegria e certeza de que estamos a caminhar para uma melhor humanidade?
Renovação não significa negar ou destruir o que foi feito, pois muito foi construído com muita força de vontade e muito sacrifício. A renovação não é fazer de novo, é continuar a “Obra” que já vem de alguns milénios, desde o tempo em que Tutmés III governava o Egipto. Renovação é dar-lhe uma roupagem nova mas não desmerecer dos nossos ancestrais, daqueles que através dos séculos souberam preservar o conhecimento antigo e doá-lo a quem o merecesse receber.
Neste início de Ano Novo, para além das comemorações que muito acertadamente devem ocorrer, recolho-me no meu sanctum e procuro sintonizar-me com os Mestres e com a Egrégora, pedindo a sua bênção (porque não a sua presença?) para todos os rosacruzes que fazem desta via a sua senda espiritual.
Que a harmonia do número 3365 (8, 17) se estabeleça em todo o universo rosacruz, nos seus organismos afiliados, nas suas Grandes Lojas, e que os seus responsáveis possam dirigir os destinos da Ordem com harmonia (caminho do meio), com rigor, justiça e visão cósmica.
A todos os “trabalhadores” místicos, oficiais e membros dos organismos afiliados, membros de sanctum, o desejo sincero de um excelente trabalho e que todos possam colher benefícios espirituais.
Ad rosen!
sexta-feira, 16 de março de 2012
Cartas do meu Sanctum - Pode haver uma religião sem Deus?
O mais interessante é que Deus, seja lá o que for que se entenda por este nome, não criou nenhuma religião. Da mesma forma, o cristianismo não foi criado por Cristo, o islamismo não foi criado por Muhammad (Maomé) e o budismo não foi criado por Buda. Foram os homens (em sentido literal) que criaram as religiões. O feminino não está presente, ou tem um papel diminuto, nas chamadas religiões reveladas. O mesmo não acontece com muitas das religiões pagãs.
Foram também os homens que criaram a imagem de Deus, algo parecido com eles, uma figura com que se pudessem identificar e pudessem usar para domínio dos outros homens. Portanto, este conceito de Deus é uma criação puramente humana e tem muito pouco a ver com a verdade. Isto já foi devidamente explicado à antiga Sociedade Teosófica que, apesar de toda a inspiração recebida, caiu no entendimento comum do conceito de Deus.
A ideia de alguma maçonaria e de algum martinismo de substituir o conceito de Deus pelo do Grande Arquitecto do Universo é mais correcta mas peca ainda por imperfeita. Procura-se aqui, com o abstracto, dar uma ideia mais inteligente do conceito, mas é em função dele que essa ideia é criada.
A ideia do budismo sobre Deus, ou a divindade, embora não reconhecendo Deus como tal, e a divindade como um ser, apesar do culto de numerosas divindades, é uma ideia semelhante à da Cabala, principalmente à da sua “Árvore Sefirótica” onde, acima de “Kether” (A Coroa) não existe nada, é o imanifestado, o incognoscível. Esta ideia cabalística coloca a questão sobre a existência de Deus em parâmetros mais correctos, quer dizer, que ninguém pode conceber Deus pois Ele é o inominável, o incognoscível.
O budismo fala do vazio, ou vacuidade, como origem de tudo o que foi e é criado. Embora parecida com a ideia do “Ein Soft”, onde nada é dito acerca de vazio, mas de imanifestado, no budismo diz-se que é vazio, e que do vazio tudo foi e é criado.
Mas o vazio ou vacuidade entende-se como ausência de tudo, inclusive de qualquer forma de energia. Ora se nada ali existe, como é que pode ser criada alguma coisa? Os rosacruzes sabem isto e conhecem muito bem a parte de um ritual em que é dito que das trevas nada pode ser criado, que é precisa a luz para que a criação aconteça.
Pode haver uma religião sem Deus? Claro que não, porque o conceito de religião, apesar do seu significado de “religar”, está intimamente associado ao da divindade, seja ela um deus único ou um panteão de deuses – a ideia é sempre a mesma.
Uma das coisas mais difíceis que existem na actualidade é fazer com que as pessoas, quando falam de Deus ou o imaginam, entendam que a ideia desse Deus é um arquétipo muito poderoso que domina as suas mentes e controla as suas vidas. Destruir esse arquétipo é uma tarefa impossível, uma vez que está tão arraigado na sociedade e cimentado em inúmeros séculos até um passado remoto. Tarefa tão impossível que, em algumas ordens iniciáticas, apesar de se afirmar que o entendimento de Deus está no interior de cada um, o arquétipo permanece ligado à imagem arquetípica. Aqueles que conseguem libertar-se dessa imagem, libertam-se de um peso que carregam há muitos milénios, desde a época em que os deuses e os homens habitavam a mesma Terra.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h45 de 15 de Março de 2012, sob a inspiração de Mestre K.)
Foram também os homens que criaram a imagem de Deus, algo parecido com eles, uma figura com que se pudessem identificar e pudessem usar para domínio dos outros homens. Portanto, este conceito de Deus é uma criação puramente humana e tem muito pouco a ver com a verdade. Isto já foi devidamente explicado à antiga Sociedade Teosófica que, apesar de toda a inspiração recebida, caiu no entendimento comum do conceito de Deus.
A ideia de alguma maçonaria e de algum martinismo de substituir o conceito de Deus pelo do Grande Arquitecto do Universo é mais correcta mas peca ainda por imperfeita. Procura-se aqui, com o abstracto, dar uma ideia mais inteligente do conceito, mas é em função dele que essa ideia é criada.
A ideia do budismo sobre Deus, ou a divindade, embora não reconhecendo Deus como tal, e a divindade como um ser, apesar do culto de numerosas divindades, é uma ideia semelhante à da Cabala, principalmente à da sua “Árvore Sefirótica” onde, acima de “Kether” (A Coroa) não existe nada, é o imanifestado, o incognoscível. Esta ideia cabalística coloca a questão sobre a existência de Deus em parâmetros mais correctos, quer dizer, que ninguém pode conceber Deus pois Ele é o inominável, o incognoscível.
O budismo fala do vazio, ou vacuidade, como origem de tudo o que foi e é criado. Embora parecida com a ideia do “Ein Soft”, onde nada é dito acerca de vazio, mas de imanifestado, no budismo diz-se que é vazio, e que do vazio tudo foi e é criado.
Mas o vazio ou vacuidade entende-se como ausência de tudo, inclusive de qualquer forma de energia. Ora se nada ali existe, como é que pode ser criada alguma coisa? Os rosacruzes sabem isto e conhecem muito bem a parte de um ritual em que é dito que das trevas nada pode ser criado, que é precisa a luz para que a criação aconteça.
Pode haver uma religião sem Deus? Claro que não, porque o conceito de religião, apesar do seu significado de “religar”, está intimamente associado ao da divindade, seja ela um deus único ou um panteão de deuses – a ideia é sempre a mesma.
Uma das coisas mais difíceis que existem na actualidade é fazer com que as pessoas, quando falam de Deus ou o imaginam, entendam que a ideia desse Deus é um arquétipo muito poderoso que domina as suas mentes e controla as suas vidas. Destruir esse arquétipo é uma tarefa impossível, uma vez que está tão arraigado na sociedade e cimentado em inúmeros séculos até um passado remoto. Tarefa tão impossível que, em algumas ordens iniciáticas, apesar de se afirmar que o entendimento de Deus está no interior de cada um, o arquétipo permanece ligado à imagem arquetípica. Aqueles que conseguem libertar-se dessa imagem, libertam-se de um peso que carregam há muitos milénios, desde a época em que os deuses e os homens habitavam a mesma Terra.
Ad rosen!
(Escrito em Birigui, São Paulo, às 21h45 de 15 de Março de 2012, sob a inspiração de Mestre K.)
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