<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623</id><updated>2012-01-16T01:15:50.530-02:00</updated><category term='Santiago de Compostela'/><title type='text'>Crónicas Avulsas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>102</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-8210785621277336862</id><published>2012-01-16T01:15:00.002-02:00</published><updated>2012-01-16T01:15:50.538-02:00</updated><title type='text'>Em Busca de um Propósito</title><content type='html'>Crónicas Avulsas&lt;br /&gt;    por: Manuel Pina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DE UM PROPÓSITO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filósofo zen do século XX, Bhagwan Shree Rajneesh, mais conhecido no mundo ocidental como Osho, ainda que este não seja um nome, mas um título equivalente a “mestre” dentro da filosofia zen, dizia que a vida não tem propósito, que a vida é alegria, contentamento, diversão, riso – sem qualquer propósito. Que a vida é a própria meta de cada um, que não há mais nenhuma meta.&lt;br /&gt;Entendido no sentido literal, significa que para ele, Osho, as pessoas deviam portar-se como crianças, deviam sentir-se com a inocência das crianças, ou seja, sem qualquer sentido de responsabilidade que advém do facto de entendermos a vida com um propósito. Porque sem um propósito, e enquanto seres humanos, a vida deixaria de ter qualquer sentido. Sem um propósito não teríamos civilização, viveríamos ainda como simples animais, como era, aparentemente, a situação da Eva (ou das Evas) e do Adão (ou dos Adãos) descrita no Génesis da Bíblia, tendo assumido a liberdade e a condução do seu destino após comerem do fruto proibido.  Na verdade, Adão e Eva, quando no Paraíso, deviam ser mais uma espécie de “flores de estufa”, ou os melhores espécimes de um jardim zoológico para distracção dos “deuses”, do que seres inteligentes e responsáveis.&lt;br /&gt;Na Natureza e no Universo parece que tudo conspira para desacreditar a teoria das crianças inocentes, parece que existe sempre um propósito em todo o movimento permanente que faz com que tudo seja impermanente. O ouro já foi chumbo num passado remoto; o diamante já foi um pedaço de árvore; muitos isótopos radioactivos se vão transformando, perdendo a sua instabilidade e adquirindo cada vez mais a estabilidade de uma matéria qualquer.&lt;br /&gt;A natureza humana precisa de um propósito para sobreviver, sem o qual deixaria de ser humana. Da natureza humana fazem parte as emoções, os sentimentos, os sonhos, a inteligência, a força de vontade, muitas virtudes, mas também muitos defeitos, e o propósito, se não houver mais nenhum, é o de equilibrar na vida essas duas forças antagónicas, essa dualidade que muitos chamam de luz e sombra. Ao contrário de algumas ideias acerca da transformação da sombra em luz, ou de superação da sombra, o que temos de fazer é aprender a lidar com a nossa sombra, trazê-la para o consciente e compreendê-la, para a podermos dominar, já que não a podemos eliminar. A sombra é necessária para o nosso equilíbrio psíquico.&lt;br /&gt;A necessidade de um propósito constitui também a essência das religiões, pois elas oferecem sempre um caminho, um objectivo a alcançar, justificando assim as duras penas a que estamos sujeitos na vida. Ganhar o céu, ou pelo menos o purgatório, é o grande propósito do cristianismo e islamismo, já que ninguém quer ganhar o inferno. As religiões orientais propõem o renascimento ou reencarnação sendo o propósito a evolução através das inúmeras vidas. Para a tradição esotérica o propósito será o retorno à origem através de várias encarnações, um retorno ao nosso estado primordial.&lt;br /&gt;Podemos não saber qual o propósito da vida, o que não quer dizer que, pelo facto de não o sabermos, possamos concluir que a vida é sem propósito. Por intuição, e não por inteligência, ainda que esta faça também parte daquela, sabemos que esse propósito existe. No coração de alguns de nós, talvez dos mais sensíveis ou sensitivos, como agora se usa dizer, bate de quando em vez uma espécie de saudade, uma ânsia de voltar a um estado que não sabemos explicar mas que representa a casa, o “Nosso Lar” como diz uma obra de Francisco Xavier, um lugar a que sabemos pertencer, sem contudo sabermos explicar esse sentimento. Talvez seja por não pertencermos a esta Terra, por estarmos aqui de passagem, de visita ou, para resgatar os nossos pecados acontecidos em outros mundos. De facto, como já vi escrito algures, o ser humano é o único animal que não se encontra adaptado aos vários climas da Terra: enrola-se em peles e agasalhos nos climas frios e despe-se quase totalmente nos climas quentes; procura aquecer-se no inverno e refrescar-se no verão. Será essa “Volta a Casa”, como tão bem está demonstrado na parábola do “Filho Pródigo” do Novo Testamento o propósito da nossa vida, ou das inúmeras vidas por que temos de passar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-8210785621277336862?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/8210785621277336862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=8210785621277336862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8210785621277336862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8210785621277336862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2012/01/em-busca-de-um-proposito.html' title='Em Busca de um Propósito'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-4179778783299383997</id><published>2011-12-17T00:38:00.002-02:00</published><updated>2011-12-17T00:38:19.632-02:00</updated><title type='text'>A IMPERMANÊNCIA E O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO</title><content type='html'>É conhecido o axioma atribuído ao químico francês Lavoisier de que, “na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Apesar das experiências com bombas nucleares terem dado indícios de que uma parte minúscula de matéria se perde durante uma explosão atómica, a regra continua válida, em meu entender, para todas as situações envolvendo a matéria. Até porque essa perda de matéria em explosões nucleares precisa de ser comprovada, coisa que parece não ter acontecido ainda. Se houver perda de matéria, ela vai para onde? Simplesmente desaparece? Vai para outra dimensão? Vai para um universo paralelo, como muitas das teorias actuais falam?&lt;br /&gt;A pouco e pouco a ciência tem vindo a comprovar, cada vez com maiores evidências, o que os Antigos sabiam e que foi sendo transmitido de boca a ouvido ao longo dos séculos: tudo é vibração, tudo é energia. Depois da Física Quântica ter demonstrado que a matéria é um vastíssimo campo de energia onde acontecem as coisas mais extraordinárias, veio agora a “Teoria das Cordas” defender que a origem da matéria está justamente nessas pequeníssimas fontes de energia. Assim, parece já não haver nenhuma dúvida hoje de que tudo está em permanente transformação. Mesmo os materiais mais duros e que nos parecem indestrutíveis, estão em transformação resultante da vibração dos seus átomos, os quais vibram em frequências originadas pela sua constituição atómica. Isto aplica-se a toda a matéria e a todos os seres vivos, inclusive aos seres humanos, cujo corpo sofre também essa permanente transformação.&lt;br /&gt;Devido a essa permanente vibração, tendo como consequência a permanente transformação, a impermanência surge como o estado natural de toda a Criação, seja no macrocosmos ou no microcosmos. Nada permanece igual por mais de um milionésimo de segundo. Esta é uma lei universal que temos muita dificuldade em compreender e aceitar – vejam-se os esforços desesperados contra o envelhecimento através de cirurgias e outras aplicações plásticas.&lt;br /&gt;As religiões têm tido um papel importante no sentido de trazer algum conforto a essa angústia prometendo várias coisas depois da morte, situação que a generalidade das pessoas teme acima de tudo. A ressurreição dos mortos, a reencarnação (em termos espíritas), a entrada no “reino dos céus” ou no paraíso como recompensa para actos praticados em vida (cristianismo e islamismo), são algumas das promessas em que as pessoas tendem em acreditar. No entanto, apesar de tudo, o medo da morte persiste. &lt;br /&gt;O medo da morte é um sentimento que garante a sobrevivência da espécie, pois se não houvesse esse medo não sei como seria o comportamento geral das pessoas. Há quem não tenha medo da morte, nomeadamente os iniciados, pois sabem que a morte é apenas a passagem de um estado para outro estado, por isso lhe chamam transição. Em termos actuais, de acordo com as últimas teorias científicas de que já falámos acima, será a passagem para uma outra dimensão, onde não sabemos se a impermanência permanece.&lt;br /&gt;Um sentimento que procura atenuar essa angústia da morte é a esperança. Esperança em dias melhores que façam esquecer a incapacidade de aceitar a impermanência; esperança numa outra vida onde não haja sofrimento; esperança de que afinal, as coisas vão sempre melhorar. Sabemos que nem sempre acontece assim, ou quase nunca acontece assim – a esperança acaba por se revelar uma grande e enganadora ilusão. Para os gregos da antiguidade a esperança era algo de ruim, pois a esperança fora a única coisa que ficara no fundo da “Caixa de Pandora” quando esta a abriu e espalhou todos os males pelo mundo. Se a “Caixa” continha todos os males e não há ideia de que contivesse outras coisas além dos males, então a esperança também era um mal. Porque a esperança induz à ilusão de um futuro melhor, quando na verdade esse futuro será sempre o resultado do que fizermos agora.&lt;br /&gt;A impermanência é a única permanência a que estamos sujeitos. Será que não existe nada permanente? Ignorando uma eventual resposta de que Deus é permanente, esta pergunta é um desafio que aqui deixo para quem quiser responder e comentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-4179778783299383997?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/4179778783299383997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=4179778783299383997' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4179778783299383997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4179778783299383997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2011/12/impermanencia-e-o-processo-de.html' title='A IMPERMANÊNCIA E O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-3396534621610264331</id><published>2011-10-02T01:40:00.001-03:00</published><updated>2011-10-12T16:05:16.139-03:00</updated><title type='text'>Cadernos Esotéricos</title><content type='html'>Conversas com Samuel Dalatando&lt;br /&gt;II – Maria Madalena – 2ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samuel estava sentado numa das escadas, chapéu na cabeça por causa do Sol e olhava a pequena multidão que passava em grande algazarra com um sorriso onde se notava uma certa ironia.&lt;br /&gt;- Divertindo-se com o que vê? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Um pouco. Estava tentando imaginar o que trouxe a maior parte desta gente aqui a Compostela.&lt;br /&gt;- Fé! – Respondi.&lt;br /&gt;- Fé? Pode ser que haja alguma. Existe muita curiosidade, talvez alguma crença e muita esperança de que algo de extraordinário aconteça. Talvez esperem ver, por alguma espécie de milagre, o Santiago passeando-se por estas bandas.&lt;br /&gt;- Não foi por aqui que ele andou? – Perguntei sorrindo.&lt;br /&gt;- Não sei. Parece que o Tiago que aqui é venerado nunca saiu de Jerusalém.&lt;br /&gt;- Mas toda essa história do cadáver ter aparecido na ria coberto de vieiras, junto de um barco que teria aqui chegado à deriva…&lt;br /&gt;- Pois é. O cadáver devia ser daquele bispo herege, como se chamava ele?&lt;br /&gt;- Não me lembro do nome, mas sei de quem está a falar. Então esta história toda do Santiago é uma fraude…&lt;br /&gt;- Sim. A história como é contada é sem dúvida falsa. Este “Caminho” é muito anterior à chegada do cristianismo a estas paragens. Mas você sabe isto.&lt;br /&gt;- É verdade. Figo imaginando o que esses “peregrinos”, se lhes podemos chamar assim, procuravam no “Caminho”, e o que eles buscavam no cabo Finisterra.&lt;br /&gt;- Mistérios, meu amigo. Mistérios.&lt;br /&gt;Sentei-me junto dele olhando as pessoas que passavam e pareciam divertir-se tirando fotos uns aos outros.&lt;br /&gt;- Santiago é um nome estranho – disse eu, – parece que é a contracção de Santo com Iago ou Yago, mas esse nome não tem correspondência nas outras línguas e muito menos no hebraico, de onde suponho ele tenha sido originado. Por exemplo, segundo alguns linguistas, Tiago e Jaime têm origem indirecta no latim “Iacobus”, que é o Jacob em hebraico e o nosso Jacó. Como é que Jacó deu Tiago? Em inglês é James, que é o mesmo que o nosso Jaime, mas em francês, outra coisa estranha, é Jacques.&lt;br /&gt;- De facto é estranho, concordo. Mas não é Santiago o patrono dos alquimistas? Portanto, em alquimia tudo se transforma, não é verdade?&lt;br /&gt;Percebi que ele estava a brincar, mas era verdade, Santiago é o patrono dos alquimistas, entre outras coisas. &lt;br /&gt;- Ele é geralmente mostrado em estátuas e pinturas com um livro nas mãos, o que quer dizer que, além de ser o patrono dos alquimistas, é o símbolo do conhecimento, não é verdade? – Disse eu.&lt;br /&gt;- Assim parece. – Concordou Samuel. – Por isso este “Caminho” foi percorrido por peregrinos desde a mais remota antiguidade. Antes da cristianização, o que é que os caminhantes buscavam? Conhecimento? Se era isso, quem eram os mestres? Os Iago? Aqueles que foram chamados para construir o Templo de Salomão, segundo a lenda maçónica? Os hebreus eram um povo nómada, viviam em tendas, pastoreavam rebanhos, não sabiam trabalhar a pedra. Mas os Iago sabiam, eram mestres no tratamento da pedra.&lt;br /&gt;Ficámos ali sentados durante algum tempo olhando o vaivém das pessoas que não paravam de caminhar nas ruas ao redor da catedral, como se de um ritual mágico inconsciente se tratasse. Olhei aquelas lajes da calçada, onde não era permitido o trânsito de carros, apenas para cargas e descargas, e pensei em quanto de história aquelas velhas pedras não teriam sido testemunhas. Quantos bruxos e bruxas não teriam sido perseguidos pela Igreja omnipotente, de cujo poder ressaltava o esplendor da catedral. Gostava de passear naquelas ruas estreitas olhando as velhas pedras e as lojas de recordações com as suas bruxas montadas em vassouras voando sobre fios de corda e rostos amigáveis atrás dos balcões, espreitar para o interior escuro das tabernas e ouvir o som das gaitas de foles, da música tradicional galega, herança celta presente nas tradições pagãs ainda vivas, apesar da hegemonia de séculos da Igreja Católica.&lt;br /&gt;Eu não sabia na altura que bem próximo da catedral havia uma igreja dedicada a Maria Madalena, só o soube bem mais tarde. Não sei se estaria aberta ao público ou se conteria no seu interior alguma coisa interessante, julgo que não. Seria uma das quarenta e seis igrejas existentes em Santiago de Compostela.&lt;br /&gt;Samuel propôs irmos petiscar o polvo à galega num local que ele conhecia e que não era longe, umas ruas adiante e que, segundo ele, servia o melhor polvo da Galiza. Exagero dele, mas na verdade o polvo estava delicioso. Foi nessa altura, depois de também saborearmos um vinho tinto da casa, que encetei a conversa sobre Maria Madalena.&lt;br /&gt;- Você acha que há alguma verdade nessa história de Maria Madalena e do grupo que a acompanhava desde Jerusalém e que terá desembarcado no sul de França? Haverá alguma verdade dela ter sido casada com Jesus e ter dado origem à chamada “Linhagem Sagrada”, a dinastia Merovíngia?&lt;br /&gt;Samuel olhou-me com uma espécie de sorriso trocista, dando a entender que a minha pergunta trazia “água no bico”.&lt;br /&gt;- Você quer saber o que é que eu penso ou quer que eu confirme o que já sabe?&lt;br /&gt;- Depende do que disser… - respondi sorrindo também.&lt;br /&gt;- Sim, acho que há alguma verdade nessa história toda, e há ainda muita coisa oculta que ainda não conseguimos desvendar. Por outro lado, acho também que há muito de imaginário em livros que têm sido publicados a respeito deste assunto. Era isto que estava à espera que eu dissesse?&lt;br /&gt;- Sim, mais ou menos isso, porque sei que o Samuel se interessa há algum tempo por essa história. Mas disse que ainda há muita coisa oculta. O quê, por exemplo?&lt;br /&gt;- O quê? Ora vamos ver… Quem é que acha que era José de Arimateia?&lt;br /&gt;Fiquei surpreso com a pergunta. Ora quem é que seria José de Arimateia, uma figura algo enigmática, mas mesmo assim perfeitamente identificado no Novo Testamento.&lt;br /&gt;- Penso que era um membro do Sinédrio, discípulo oculto de Jesus, rico e proprietário do túmulo para onde terão levado o corpo de Jesus e de onde ressuscitou conforme os Evangelhos. – Respondi.&lt;br /&gt;- Muito bem. Ele chamar-se-ia José de Arimateia porque se supõe que era de Arimateia, talvez uma aldeia da Judeia da altura. Mas acho que ninguém sabe onde ficava essa tal de Arimateia. Por outro lado, como é que alguém podia ser um discípulo oculto de Jesus? Já pensou nisso?&lt;br /&gt;- De facto devia ser muito difícil na altura manter-se oculto, se é que era realmente um discípulo…&lt;br /&gt;- Pois bem, segundo algumas interpretações, José não era o nome de uma pessoa, mas uma espécie de título nobiliário.&lt;br /&gt;- Como? – Estranhei.&lt;br /&gt;- Parece que José era um título patriarcal que indicava o herdeiro directo da Casa de David.&lt;br /&gt;- Mas esse herdeiro não era Jesus?&lt;br /&gt;- Sim, e José seria o herdeiro directo dele.&lt;br /&gt;- Então quem era, na verdade, José de Arimateia? – Perguntei, não muito convencido desta teoria, inteiramente nova para mim.&lt;br /&gt;- José de Arimateia seria então Tiago, irmão de Jesus.&lt;br /&gt;- Qual Tiago? O Maior, o Menor ou o Justo?&lt;br /&gt;- Julgo que seria o Maior.&lt;br /&gt;- Então o Santiago daqui, de Compostela, seria o José de Arimateia, que teria levado o Santo Graal para Inglaterra, depois de ter passado pela Ibéria?&lt;br /&gt;- Pois é! Não é estranha toda esta história?&lt;br /&gt;- E há alguma confirmação dela?&lt;br /&gt;- É claro que não. Nós estamos aqui em Compostela, e no que é que esta gente toda acredita? Que o túmulo de Tiago está ali debaixo do altar-mor, que ele andou por aqui a doutrinar as gentes da Galiza e que o Caminho é uma criação da Igreja. Por outro lado, os cépticos dizem que nada disso é verdade, que Tiago foi decapitado em Jerusalém por Herodes.&lt;br /&gt;- Então onde é que está a verdade?&lt;br /&gt;- Você sabe que a verdade é algo muito difícil de estabelecer. Porque as visões mudam conforme os interesses em jogo. Para a Igreja, Tiago andou por aqui, e isso é o que importa; para os historiadores não há muitos documentos, e os que existem também não são muito fiáveis, pois passámos séculos a adulterar e a criar documentos falsos. Restam-nos os mitos, que muitas vezes, por incrível que pareça, podem conter mais verdade do que todas as outras situações, porque os mitos, geralmente, baseiam-se em factos verdadeiros.&lt;br /&gt;- De acordo. Mas também é verdade que os mitos foram muitas vezes utilizados para justificar determinadas situações, ou para apoiar outras.&lt;br /&gt;- Sem dúvida. Mas os mitos nunca são fraudes – são sempre relatos mais ou menos fantásticos de determinados eventos que efectivamente aconteceram. Podem ser modificados ao longo do tempo pelo imaginário de cada um, que lhe vai acrescentando mais do que retirando pormenores, e pode acontecer que fique completamente desvirtuado em relação à sua origem, mas nunca será uma fraude. Fraude á o que a arqueologia, a religião e a política têm criado ao longo dos séculos, para servir apenas interesses próprios.&lt;br /&gt;- A arqueologia também?&lt;br /&gt;- Sim, também a arqueologia. Basta olhar para o que a arqueologia criou acerca do Egipto Antigo. Os chamados “egiptólogos” especializaram-se em criar teorias cuja comprovação nunca conseguiram, no entanto são-lhes creditadas essas teorias como se fossem descobertas notáveis. Na verdade não passam de fraudes.&lt;br /&gt;- Voltando aos mitos… Esse mito de Maria Madalena…&lt;br /&gt;- Para mim há uma verdade fundamental em toda essa história. Há muita coisa que a Igreja tem tentado ocultar, às vezes com bastante sucesso, mas essa ocultação não resiste a um estudo sério e desapaixonado. Primeiro que tudo não é nada provável que Jesus não fosse casado, pois para as leis judaicas da altura um homem da idade dele não seria visto com bons olhos se se mantivesse solteiro. João informa-nos do seu casamento no episódio das “Bodas de Canaan”, em que Jesus transforma a água em vinho.&lt;br /&gt;- Mas o Evangelho de João diz que Jesus e sua mãe, Maria, eram convidados nesse casamento.&lt;br /&gt;- É verdade. Mas esse episódio é o primeiro milagre relatado por João. Ora bem, se Jesus era convidado porque é que Maria, sua mãe, lhe diz que faltou o vinho? Ela já sabia que ele podia fazer um milagre, ou Jesus era o anfitrião, portanto o noivo, e cabia a ele providenciar o vinho para os convidados?&lt;br /&gt;- Bem visto. Eu também já tinha pensado nisso.&lt;br /&gt;- Não tenho dúvidas de que esse casamento era o do próprio Jesus, e a noiva seria, como tudo leva a crer, Maria Madalena, uma vez que era a discípula mais próxima do Mestre, uma situação que nem a própria Igreja hoje se atreve a contestar.&lt;br /&gt;- De acordo, Jesus e Madalena eram casados. Julgo que a vinda para a Europa de vários membros ligados a ele se prende com todo um drama que se desenrolou em Jerusalém, cujo relato só conhecemos pelos Evangelhos, mas que na verdade não sabemos o que realmente aconteceu.&lt;br /&gt;- É bem provável que José de Arimateia fosse o irmão de Jesus, Tiago, que de acordo com a tradição terá ido para Inglaterra, onde teria fundado uma abadia em Glastonbury, onde estaria também escondido o Santo Graal.&lt;br /&gt;- Mas o Santo Graal não era o ventre grávido de Madalena?&lt;br /&gt;- Essa é uma das interpretações. Se era um cálice, é interessante verificar que no fresco “A Última Ceia” de Leonardo Da Vinci não se vê um único cálice sobre a mesa. Mas saber o que era realmente o Santo Graal não importa muito. Sei que Maria Madalena veio para a Europa e sei onde estão os seus restos mortais.&lt;br /&gt;- Quer dizer que o seu túmulo foi descoberto realmente pelo padre Saunière em Rennes-le-Château?&lt;br /&gt;- Sim. O padre Saunière foi obrigado a calar-se por imposição da Igreja e não correu mais riscos porque na época a Igreja e a classe política em França não se entendiam e eram mesmo inimigos. Os vários governos republicanos foram diminuindo drasticamente o poder da Igreja e isso talvez tenha salvo a vida de Saunière.&lt;br /&gt;Nesta altura já íamos no terceiro prato de polvo à galega e no segundo jarro de vinho. Samuel acabara de me dizer que sabia onde estavam os restos mortais de Madalena. Sei que Samuel mantinha relações de amizade com alguns dos mais proeminentes membros de governos franceses, principalmente do tempo de François Miterrand. O túmulo descoberto por Saunière fora guardado pelo governo francês e mantido algures como segredo de Estado, até que Miterrand resolvera dar-lhe um destino mais digno. Dan Brown, apesar da polémica gerada pelo livro, dá-nos uma clara pista da localização dos restos mortais de Madalena em “O Código Da Vinci”. Não é por acaso que ele termina esse livro dizendo: “A demanda do Santo Graal é literalmente uma demanda para ajoelhar diante dos ossos de Maria Madalena. Uma jornada para rezar aos pés da ostracizada”.&lt;br /&gt;Muito antes de Dan Brown, Samuel revelou-me em segredo a localização exacta do túmulo de Madalena. Faltava-me ainda falar de Pierre Plantard e de toda a história do Priorado do Sião, supostamente uma organização secreta para preservar e defender a descendência de Jesus e Madalena. Mas, para surpresa daqueles que queriam acreditar que o Priorado do Sião era uma organização secreta que vinha desde os primórdios de cristianismo defendendo a presumível descendência de Jesus e Madalena, eis que os documentos depositados na Biblioteca de Paris se revelaram falsos e Plantard acabou por confessar que inventara tudo, pois o próprio Priorado do Sião fora registado em França por alturas dos anos 50 do século passado.&lt;br /&gt;Mas teria existido, ou existiria ainda, esse Priorado do Sião, por este ou qualquer outro nome, Ordem secreta que teria dado origem à Ordem do Templo? Neste momento recordo as palavras de Raymond Bernard no seu livro “As Mansões Secretas da Rosacruz”: &lt;br /&gt;“É assim que, a mando das onze altas esferas e, em ocasiões de importância excepcional, a mando geral das onze altas esferas, missionados foram enviados ao mundo e a certas organizações para trazer os perdidos de volta ao bom caminho. Foi também das onze altas esferas secretas que partiram os grandes movimentos cujo fim era reunir o que estava disperso ou dar novamente corpo a um egrégoro  para o qual era chegado o momento de reviver, de ressurgir ao serviço da humanidade.&lt;br /&gt;Foi nesta alta esfera secreta onde agora estamos , nesta cripta ferrata, que foi decidida a constituição da Ordem do Templo. Vejo a vossa estupefacção, mas esta revelação tinha que ser feita, tinha que ser feita hoje, esta noite e aqui, pois os tempos são vindos”.&lt;br /&gt;Estas foram as palavras daquele que Bernard designa como “Cardeal Branco” e que para ele era o mais alto dignitário secreto da Ordem do Templo.&lt;br /&gt;A noite aproximava-se com o Sol a tombar para ocidente, para o lugar que os peregrinos de antanho buscavam, talvez na esperança de receber alguma luz desse conhecimento antigo que repousava há milénios no fundo do Atlântico. Para a tradição esotérica esse conhecimento tinha sido preservado e guardado nas Escolas de Mistérios do Egipto antigo, transmitido mais tarde para grupos gnósticos e destes, para a essência do cristianismo.&lt;br /&gt;Resolvemos pedir mais um jarro de vinho, enquanto eu pensava na forma de abordar a questão do Priorado do Sião.&lt;br /&gt;- O que é que acha da história do Priorado do Sião e de Pierre Plantard? – Perguntei por fim.&lt;br /&gt;Samuel olhou-me com curiosidade, tentando talvez adivinhar onde é que eu queria chegar.&lt;br /&gt;- Você sabe que tudo não passou de uma fraude. – Respondeu.&lt;br /&gt;- De acordo, mas será quer tudo se limitou a essa fraude perpetrada por Pierre Plantard?&lt;br /&gt;- É claro que não, só os ingénuos podem acreditar que tudo se limitou à expressão exacerbada do ego desse senhor, que se dizia herdeiro legítimo do trono da França pela linha merovíngia.&lt;br /&gt;- Eu tenho uma teoria sobre esse assunto, pois sempre achei que há qualquer coisa de errado com toda essa história.&lt;br /&gt;- Uma teoria? Vamos ouvi-la. – Disse Samuel.&lt;br /&gt;- Plantard era um homem inteligente, esteve sempre ligado à publicação de revistas, portanto era alguém também com bastante cultura. Sendo assim, não faz muito sentido que ele tenha falsificado todos aqueles documentos que depositou na Biblioteca de Paris, pois sabia que, mais cedo ou mais tarde, a falsificação iria ser descoberta.&lt;br /&gt;- Sim, concordo. Realmente não faz muito sentido.&lt;br /&gt;- Plantard era católico, ligado ao catolicismo mais conservador da França. Pela mesma razão era também simpatizante do nazismo, com que terá colaborado quando da invasão da França.&lt;br /&gt;- Hum… estou a ver onde quer chegar…&lt;br /&gt;- Qual a melhor maneira de denegrir e fazer cair no ridículo uma história?&lt;br /&gt;Os olhos de Samuel brilharam ao responder.&lt;br /&gt;- Criar uma história, cuja falsidade possa ser facilmente verificada. Faz todo o sentido. A Igreja era a grande interessada em fazer cair o assunto no ridículo, que foi o que aconteceu, pois houve logo uma montanha de críticas que se abateram sobre Plantard e sobre toda essa questão de Maria Madalena, mais o Priorado do Sião. Sim, meu amigo, acho que você não deverá estar muito longe da verdade.&lt;br /&gt;A noite tinha caído sobre as velhas ruas de Santiago de Compostela. Saímos do pequeno restaurante e mergulhámos na multidão que continuava a apinhar as cercanias da catedral. Caminhámos em direcção ao hotel em que ambos estávamos hospedados e que distava uns bons dois quilómetros. Uma brisa fresca batia-nos no rosto e era agradável senti-la para desanuviar um pouco os vapores do álcool ingerido na forma de vinho galego. Esta foi a última vez que encontrei Samuel em Santiago de Compostela.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-3396534621610264331?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/3396534621610264331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=3396534621610264331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3396534621610264331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3396534621610264331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2011/10/cadernos-esotericos.html' title='Cadernos Esotéricos'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-1209798623813330070</id><published>2011-06-20T01:05:00.001-03:00</published><updated>2011-06-20T01:06:31.490-03:00</updated><title type='text'>Cadernos Esotéricos</title><content type='html'>Conversas com Samuel Dalatando&lt;br /&gt;II – Maria Madalena – 1ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Samuel em Santiago de Compostela, numa tarde quente de Junho, aguardando-me sentado na escadaria da entrada lateral da Catedral, aquela entrada que dá para uma pequena praça cujo nome não me lembro. Não era a primeira vez que nos encontrávamos em Santiago, pois tanto ele como eu éramos visitantes assíduos. Durante anos fui assistindo a um certo esmorecimento da tradição de Santiago que, a pouco e pouco se foi transformando numa espécie de feira turística, em que o que mais contava eram as recordações que se compravam nas inúmeras lojas para esse fim, e as fotos que se tiravam fora e dentro da catedral. O “Caminho” era feito, na sua maioria, pelos entusiastas que tinham lido o livro do Paulo Coelho “Diário de um Mago”, e que julgavam encontrar por aquelas serranias alguma espécie de milagre que desse sentido às suas vidas.&lt;br /&gt;Pensava isto enquanto me dirigia ao encontro de Samuel, caminhando pela rua do Vilar, que desembocava quase na pequena praça onde combinara encontrar-me com ele. Pensava também que toda a história de Santiago não passava de um embuste, de uma tradição inventada sobre uma tradição mais antiga que levava o “Caminho” até bem mais além da catedral, até ao cabo Finisterra. A antiguidade do “Caminho” perdia-se no tempo, até uma época anterior aos celtas e talvez até anterior a esse povo misterioso que ocupava as altas terras de Ibéria chamado “lígure”.&lt;br /&gt;Mas não era a história de Santiago que me despertava a curiosidade nessa altura. Ainda não tinha sido publicado o livro do Dan Brown, “O Código Da Vinci”, mas eu tinha lido o livro “Maria Madalena e o Santo Graal” de Margaret Starbird, e “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”, de Michael Baigent, Richard Leigh Henry Lincoln. Teria, realmente, Maria Madalena, casado com Jesus e desse casamento ter nascido uma criança do sexo feminino chamada Sara?&lt;br /&gt;Parece não haver dúvidas, pois as lendas não nascem do nada, de que após a presumível crucificação de Jesus, um barco transportando três Marias, Maria Madalena, Maria Jacobina, irmã de Maria, mãe de Jesus, e Maria Salomé, mãe de Tiago e João, teria aportado no sul de França, num local hoje conhecido como “Saintes-Maries de la Mer” (Santas Marias do Mar). Além da lenda, o nome desta localidade não pode ter aparecido por acaso. Sara estaria também nesse barco de fuga de Jerusalém e seria, segundo algumas lendas, uma escrava ao serviço de Jesus ou de Maria Madalena. Sara era negra e o seu culto insere-se na tradição das Virgens Negras. Este grupo teria sido recebido por ciganos e daí Sara ter-se tornado a sua padroeira.&lt;br /&gt;Não consta em nenhum documento da época, nem em nenhum dos Evangelhos oficiais e apócrifos, que Maria Madalena ou Jesus tivessem uma escrava ao seu serviço. E não é credível que assim fosse. O mais que poderia ter acontecido era que Sara fosse uma das seguidoras de Jesus.&lt;br /&gt;Mas se Sara era negra e filha de Jesus e Madalena, então, ou Jesus, ou Madalena, pelo menos um dos dois teria a cor negra, o que contraria em absoluto a crença de que ambos eram judeus. Mas será que eram mesmo judeus? De facto, as numerosas representações de Jesus ao longo dos últimos séculos, principalmente através de pintura, não mostram um homem com características judaicas.&lt;br /&gt;Toda esta história parecia ter permanecido oculta ao longo dos séculos até ao dia em que um padre de uma pequena vila do sul de França, Rennes-le-Château, ao fazer obras na sua igreja teria encontrado um tesouro ali escondido pelos templários. Esse tesouro parecia tratar-se de documentos ou de uma prova de que Jesus e Madalena teriam tido descendentes os quais, chegados a França nessa viagem das três Marias, teriam posteriormente dado origem à dinastia Merovíngia, considerada linhagem sagrada por ser descendência de Jesus. Este achado ter-se-á passado em 1891, e o padre Bérenger Saunière terá enriquecido em função dessa descoberta, recebendo grandes somas de dinheiro para se manter calado e não revelar ao mundo o segredo que tinha encontrado, pois isso poderia abalar seriamente os alicerces da Igreja Católica, e do próprio Cristianismo.&lt;br /&gt;Mas logo apareceu uma explicação para a súbita fortuna do padre Saunière: tratava-se de missas encomendadas de todo o mundo, pagas adiantadamente, tantas que o padre não teria nunca possibilidades de as realizar em vida. Estas encomendas de missas eram o resultado da publicidade que o padre Saunière fazia em jornais e revistas de todo o mundo.&lt;br /&gt;Esta explicação sempre me pareceu estranha, pois não consigo imaginar um padre de uma remota igreja no sul de França a fazer publicidade para rezar missas em muitos jornais e revistas de vários países, alguns deles bem distantes como os E.U.A. e alguns países da América do Sul. Então esses países não tinham padres locais para rezar essas missas? Mais estranho ainda é o facto de que, apesar da explicação e do padre ter sido acusado de traficar as missas, nenhum dos supostos anúncios foi alguma vez encontrado. Para isto também se arranjou uma explicação: os anúncios eram publicados em suplementos de revistas e jornais, que eram normalmente utilizados para acender fogos de lareiras ou simplesmente jogados fora (!?).&lt;br /&gt;Para provar que o dinheiro provinha realmente dessas missas encomendadas, encontrou-se um registo meticuloso das encomendas recebidas com o respectivo valor em dinheiro. O problema é que nada prova de que este registo foi de facto realizado pelo padre Saunière, ou se criado mais tarde para apoiar a tese de que o dinheiro provinha efectivamente dessas missas. Em toda esta situação de Rennes-le-Château, sempre me ficou a ideia de estar a lidar com algo fraudulento, em que se usaram vários meios para esconder algo que não interessava ser conhecido.&lt;br /&gt;As obras realizadas pelo padre Saunière na igreja incluíram a criação de uma biblioteca e de uma torre dedicada a Maria Madalena. Foram ali gastas grandes somas de dinheiro cuja procedência se procurou esconder. O padre Saunière foi obrigado a deixar a sua igreja de Rennes-le-Château e condenado a uma pena também estranha: devia recolher-se a um retiro ou a um convento da sua escolha, dedicar-se a exercícios espirituais durante dez dias e, passados dois meses, apresentar um certificado de que, efectivamente, tinha feito os exercícios. &lt;br /&gt;Na agenda pessoal do padre foi encontrada a seguinte nota com data de 21 de Setembro de 1891: “carta recebida de Granes, descoberta de um túmulo, chuva durante a noite.” Que túmulo seria esse encontrado durante as obras na igreja?&lt;br /&gt;O bispo de Carcassone, participante activo de toda a história, acabou por ficar doente numa cadeira de rodas e foi desonerado da sua condição de bispo com a alegação de má administração e de ter gasto dinheiro em excesso sem qualquer justificação. Será que esse dinheiro era aquele que Saunière recebeu?&lt;br /&gt;Tenho consciência de que o tema de Maria Madalena é difícil e complexo, num universo de fraudes e documentos forjados, como aqueles de Pierre Plantard acerca dos mestres do Priorado de Sião, e que já muito se escreveu a respeito, principalmente tentando criar uma atmosfera de falsidade, em que nada da história ou lenda de Maria Madalena seja verdadeiro, uma conclusão em que apenas há um interessado: a Igreja Católica e todas as variedades e vertentes saídas dela, como as várias seitas protestantes, muitas das quais se denominam hoje de igrejas evangélicas. Não creio que a história de Maria Madalena, caso seja verdadeira, possa constituir qualquer embaraço para a essência do Cristianismo, essência da qual toda a religião baseada nele se afastou.&lt;br /&gt;Maria Madalena é pouco referida, ou claramente identificada, nos quatro Evangelhos do Novo Testamento, excepto na parte final, aquela que se refere à ressurreição de Jesus. Assim, em Mateus, é um anjo que vem anunciar a Maria Madalena e outra Maria, a ressurreição; em Marcos é um jovem vestido de branco que informa Madalena e Maria, mãe de Tiago e Salomé; em Lucas, são dois homens em roupas brilhantes que anunciam a ressurreição a Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; em João, Jesus aparece a Maria Madalena, somente a ela, que depois vai anunciar a ressurreição aos discípulos. Com algumas diferenças entre eles, todos os quatro Evangelhos indicam Maria Madalena como a principal testemunha da ressurreição, o que, segundo o pensamento de alguns, é uma clara indicação do destaque de Maria Madalena entre os discípulos e junto de Jesus. Isto veio a ser confirmado pelos documentos achados em 1945 numa aldeia do Egipto chamada Nag Hammadi, documentos esses erradamente classificados como Evangelhos Apócrifos ou Evangelhos Gnósticos, mas como se trata de documentos diversos, não somente evangelhos, a classificação correcta seria a de biblioteca de Nag Hammadi.&lt;br /&gt;Evidentemente que a preponderância da figura de Maria Madalena constituiu, desde o início do chamado “Cristianismo literalista”, aquele em que se baseou a religião, um grande embaraço para uma religião essencialmente patriarcal, em que a mulher tem um papel muito secundário, pois basta pensarmos que no início desse Cristianismo se discutia entre padres e bispos se a mulher tinha alma. E também não é por acaso que as ermidas, igrejas, capelas, grutas, dedicadas a Maria Madalena, foram aparecendo por toda a parte, principalmente no sul da Europa, na bacia mediterrânica, numa clara demonstração de culto por uma personagem que a Igreja se esforçou por tornar, pelo menos, controversa.&lt;br /&gt;E foi assim que, no ano 591, o papa Gregório I (Gregório Magno) num sermão de Páscoa, declarou que Maria Madalena e Maria de Betânia, a prostituta, eram a mesma pessoa, caracterizando desta forma a figura de Madalena como prostituta, não havendo nada nos Evangelhos que confirmem essa declaração. Só se pode entender uma declaração desta natureza como mais um meio para denegrir aquela que poderia ser um reflexo da face feminina de Deus. E o facto da Igreja a ter elevado a santa não veio melhorar as coisas, pois para a maioria é santa por ser uma prostituta arrependida salva do pecado por Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-1209798623813330070?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/1209798623813330070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=1209798623813330070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/1209798623813330070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/1209798623813330070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2011/06/cadernos-esotericos.html' title='Cadernos Esotéricos'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-2855558059439790391</id><published>2011-04-15T22:43:00.000-03:00</published><updated>2011-04-15T22:44:38.689-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>Conversas com Samuel Dalatando&lt;br /&gt;I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 7ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samuel voltou de Brasília e deixou-me um recado no hotel dizendo que ficaria no Rio mais alguns dias e que assim poderíamos encontrar-nos. Telefonei-lhe logo que recebi o recado e combinámos encontrar-nos num restaurante muito conhecido na Av. Vieira Souto, em Ipanema, junto da praia do Arpoador. Sabemos que hoje esse restaurante serve também um cozido à portuguesa de sabor carioca, na época não o servia, mas a sua comida era bem diversificada entre frutos do mar, que em Portugal tomam o nome genérico de marisco, e cozinha brasileira.&lt;br /&gt;Cheguei primeiro e escolhi uma mesa junto da calçada, em que se podia ver o mar e receber uma brisa fresca para tentar amenizar o calor carioca que, na altura, por volta das oito horas da noite, estava acima dos 35 graus centígrados. Samuel chegou poucos minutos depois, acompanhado de uma bela mulher, alta, loira e de olhos azuis. Samuel apresentou-a como uma jornalista inglesa que estava no Rio para fazer uma reportagem sobre os “pivetes”, gíria que designa as crianças de rua. Nesta crónica vou chamar-lhe Lara, pela sua semelhança com Julie Christie, a “Lara” do filme “Dr. Jivago”.&lt;br /&gt;Samuel disse que Lara era uma amiga muito especial, mas pareceu-me que entre os dois havia algo mais do que amizade. Disse-me também que era uma pessoa interessada nos temas que costumávamos discutir nos nossos encontros, além de gostar de pesquisar sobre assuntos esotéricos.&lt;br /&gt;- Sim? E já chegou a algumas conclusões? – Perguntei no meu melhor inglês.&lt;br /&gt;- Embuste. – Respondeu Lara.&lt;br /&gt;- Embuste?&lt;br /&gt;- Sim, embuste. Esse termo era muito usado por Francis Bacon quando se referia às muitas correntes maçónicas e rosacruzes da sua época. Para ele, a maioria desses movimentos não passava de um embuste.&lt;br /&gt;- Tenho a impressão de que não era bem assim. – Respondi. – Bacon não condenava propriamente esses movimentos, mas a credulidade e superstição a eles ligados.&lt;br /&gt;- Vejo que você também tem pesquisado o assunto. – Disse Lara.&lt;br /&gt;- É verdade. Bacon é um elemento crucial para o entendimento do que se passava no seu tempo a respeito da Fraternidade Rosacruz e do que se iria passar depois. Ele achava que toda a história sobre Christian Rosencreutz não passava de um embuste, no que estou de acordo com ele.&lt;br /&gt;- No entanto ele caiu no próprio embuste. – Comentou Samuel, enquanto saboreava um pedaço de lagosta. – O seu livro “Nova Atlântida” está recheado de ficção e idealismo, um embuste que ele condenava nos outros.&lt;br /&gt;Ao escrever estas palavras, neste momento, em finais da primeira década do século XXI, não posso deixar de pensar que, afinal, o mundo não mudou nada em relação à época de Francis Bacon. A mesma liberdade “provisória” resultante da grande crise da Igreja Católica que deu origem ao movimento da Reforma acontece hoje com o declínio do seu poder temporal. A grande diferença está talvez na seriedade de intenções: Bacon e Andrea preconizavam uma sociedade ideal cristã, livre dos vícios que a enfermavam na altura. Hoje essa seriedade parece não existir, pois o “embuste” faz parte, cada vez mais, de todas as igrejas e organizações que têm aparecido como erva daninha em solo fecundo. À falta dos aguilhões da Igreja do passado, as pessoas estão prontas a acreditar em tudo, desde que consigam um pouco de ilusão de segurança. A seriedade foi embora, dando lugar a um imenso “embuste” em todos os níveis e, à medida em que se vão descobrindo coisas do passado, graças aos avanços da ciência, mais esse embuste toma formas gigantescas.&lt;br /&gt;- Você sabe que a Fraternidade Rosacruz não é muito bem aceite na Inglaterra. – Disse Lara.&lt;br /&gt;- Porquê? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Por causa da sua associação à chamada “República de Cromwell”, no único período da história em que a Inglaterra deixou de ser uma monarquia. O inglês é mental e visceralmente monárquico. Na ausência do sistema monárquico ele sente-se perdido.&lt;br /&gt;- Interessante, - comentei, - mas por outro lado foi em Inglaterra que nasceu a primeira Loja Maçónica, e foi em Inglaterra que nasceu uma coisa chamada “Golden Down”, uma espécie de ordem hermética e mágica, com referências claras ao rosacrucianismo. Era também inglês um dos grandes magos, chamemos-lhe assim, dos primórdios do século XX.&lt;br /&gt;- Refere-se a Aleister Crowley, evidentemente…&lt;br /&gt;- Sim, refiro-me a ele. Então não percebo porque é que o termo rosacruz é tão mal visto em Inglaterra.&lt;br /&gt;- Pelo motivo que apontei antes. A magia faz parte da tradição inglesa que a herdou, provavelmente, dos celtas. Portanto, não há nada de extraordinário que Aleister Crowley, que foi considerado um mago, seja perfeitamente aceite, assim como organizações de pendor mágico.&lt;br /&gt;Ao ouvir isto lembrei-me imediatamente das lendas do Rei Artur, ou Saga Arturiana, ou ainda Ciclo Arturiano, como já vi alguém chamar a um período difícil de localizar tanto no tempo como no espaço. Julga-se que essas lendas se terão passado cerca do ano 500 ou 700 da nossa era, numa tal de Bretanha, que também não se sabe se é a região do noroeste da França, ou alguma região da Inglaterra. De qualquer das formas, verdade ou não, os ingleses chamaram a si as honras da história, como se tivesse passado realmente em território britânico.&lt;br /&gt;Não conheço ninguém que não se tenha sentido fascinado pelas lendas arturianas e pelos cavaleiros da Távola Redonda na sua busca do Graal, transformado mais tarde por imposição cristã na taça que teria recebido o sangue de Cristo. Mas o universo em que a saga se passa, apesar das adaptações cristãs, é um universo celta. Excalibur Merlin, a Dama do Lago, Avalon, Camelot, é todo um universo mágico muito próprio da cultura celta, apesar também de não se saber onde os celtas foram buscar essas coisas, talvez as tenham herdado de um povo misterioso que antes dos celtas habitaram a Península Ibérica e o sul da Europa, os lígures.&lt;br /&gt;Aleister Crowley foi sem dúvida o expoente dessa tradição nos primórdios do século XX. Foi admitido na “Golden Down” nos finais do século dezanove, mas logo em 1900 foi nomeado líder da Ordem em Inglaterra. Figura polémica, foi considerado muitas vezes um mago negro e associado ao nº 666, o número da Besta no Apocalipse, mas isto tem alguma explicação. Esteve no México, onde tentou comunicar-se com entidades espirituais do mundo azteca. Vai para o Sri Lanka onde passa a dedicar-se à prática do ioga. Esteve em vários centros budistas da Índia e da Birmânia, onde realizou alguns estágios.&lt;br /&gt;Mas a viagem mais importante e que marcou definitivamente a sua vida foi a viagem ao Egipto em 1904, com a sua companheira Rose Edith Kelly. Rose, que era médium, recebe a determinada altura uma mensagem de Horus destinada a Crowley, dizendo para ir ao museu de Boulak, no Cairo. No segundo andar Crowley descobriu-o dentro de uma caixa de vidro. Era uma estela em que Horus aparecia sob a forma de Ra-Hoor-Khuit. Curiosamente, o número de registo dessa figura no museu era o 666, o número da Besta, designação pela qual Crowley passou a auto-designar-se. &lt;br /&gt;A experiência de contacto com Horus, o grande deus egípcio, filho de Ísis e Osíris, não ficou por aqui. Durante três dias Rose tornou-se o canal de Aiwass, mensageiro de Hoor-paar-Kraaat, o Senhor do Silêncio, que ditou para um Crowley estupefacto, pois nem ele mesmo queria acreditar naquilo, um texto anunciando uma nova era para a humanidade. Esse texto, dividido em três capítulos, foi posteriormente publicado sob o título “O Livro de Lei”. No primeiro capítulo é Nuit quem fala, o Princípio Feminino; no segundo é Hadit, o Princípio Masculino; no terceiro é o próprio Hórus que fala. Estas três entidades incumbiram Crowley de divulgar a sua mensagem.&lt;br /&gt;- Falando de Crowley, - disse eu, - creio que, para além de todas as suas aventuras, ele foi o mensageiro da “Nova Era”. As transformações que o mundo sofreu durante este último século são tremendas. Será que o “Amor”, como anunciou Crowley no seu livro psicografado quando da sua viagem ao Egipto, é realmente o “motor” da “Nova Era”? Se ele era e se intitulava a si próprio, “A Grande Besta”, que amor é esse? Voltamos ao mito da “Queda” e da sedução?&lt;br /&gt;Samuel e Lara olharam um para o outro, surpresos com a questão que eu colocava. Foi Samuel que respondeu.&lt;br /&gt;- Essa é uma questão muito complicada. Primeiro teríamos que definir o que é o “Amor”, principalmente o amor anunciado pelos arautos dessa “Nova Era”. À medida em que o homem, e particularmente a mulher, se vem libertando dos grilhões do passado, participamos de uma sociedade cada vez mais permeável a vícios e violência. No meu tempo de estudante não me lembro de se falar em drogas. Hoje é o que se vê. No meu tempo as pessoas passeavam na rua, nos jardins. Hoje têm medo. Não me parece que seja esta a sociedade do “Amor”. Quando os manifestos rosacruzes foram lançados no início do século dezassete, preconizavam uma sociedade melhor, mas uma sociedade com princípios cristãos. Hoje até o próprio cristianismo está completamente desvirtuado. A religião perdeu o seu poder de regular a sociedade.&lt;br /&gt;- De acordo. – Disse eu. – Não sei onde é que li isto, acho que algo acerca do misticismo, mas li que os maiores místicos eram aqueles que mais tentações sofriam para cair no vício e que era tremenda a sua luta para não se deixarem seduzir por essas tentações. Acho que faz algum sentido se pensarmos que o ser humano é um ser dual e que o santo e o demónio coexistem dentro de si. Mas voltando ao tema predilecto destas nossas conversas, a Fraternidade Rosacruz, o que me dizem dessa Fraternidade nos tempos actuais?&lt;br /&gt;Desta vez foi Lara que respondeu&lt;br /&gt;- O que existe hoje foi sendo criado ao longo do tempo, mas acho que teve origem numa certa explosão mística e esotérica que aconteceu nos finais do século dezanove e início deste século vinte. Há um autor inglês, de que não me lembro o nome, que classificou essa época como a “Era da Insanidade”.&lt;br /&gt;- “Era da Insanidade”? – Estranhei.&lt;br /&gt;- Julgo que ele classificou essa Era dessa forma porque aparentemente, nos finais do século dezanove e princípios do século vinte, antes do eclodir da Primeira Grande Guerra, tudo parecia misturar-se, religião e esoterismo apareceram em certos casos de mãos dadas, como foi o caso de Rudolf Steiner, que se envolveu com pastores evangélicos da Alemanha, que lhe pediram ajuda para a falta de espiritualidade que viam nas suas igrejas e, como resultado, Steiner acaba por ajudar a fundar uma nova igreja, a “Comunidade Cristã”.&lt;br /&gt;- De facto, - atalhou Samuel, - são dessa época nomes muito importantes para o rosacrucianismo, incluindo o Steiner. Estou a lembrar-me de Helena Blavatsky e da sua Sociedade Teosófica, de Max Heindel e da sua Fraternidade Rosacruz, da figura mítica do Conde de Saint-Germain, de Papus, de Harvey Spencer Lewis e Aleister Crowley, de que já falámos.&lt;br /&gt;- O que para aí vai… - disse eu. – Saint-Germain é muito anterior, século dezoito.&lt;br /&gt;- Mas há relatos que afirmam que ele viveu antes e depois desse século dezoito. – Disse Lara.&lt;br /&gt;- Acredita mesmo nisso? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Porque não? – Respondeu ela. – As pessoas acreditam em tanta falsidade, porque é que não posso acreditar que Saint-Germain viveu duzentos ou trezentos anos? Tudo faz parte do embuste.&lt;br /&gt;- Quer dizer que essa Era da Insanidade significa apenas que tudo não passa de um embuste?&lt;br /&gt;- Não necessariamente. – Respondeu Lara. – Para mim o embuste está no oportunismo de muitos que beneficiam do conhecimento de alguns.&lt;br /&gt;- Não compreendo…&lt;br /&gt;- Repare, - continuou Lara, - Samuel nomeou alguns nomes muito importantes que souberam, de alguma forma, ainda que não totalmente conseguida, alijar uma certa carga ancestral religiosa. O embuste está nos que se aproveitaram da situação com fins menos confessáveis. &lt;br /&gt;- Como assim? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Tirando algumas correntes da Maçonaria que se mantêm fiéis à tradição e não procuram explorar ninguém, apesar de em alguns casos haver manifestações fortes de egos, tudo o resto é pompa e circunstância. É uma feira de vaidades.&lt;br /&gt;Naquele momento pensei que Lara estava exagerando. Hoje, depois de muito pesquisar e de experiências frustrantes que me aconteceram, já não penso que tenha exagerado muito. De facto, com o declínio do poder temporal da Igreja Católica, assistimos à proliferação e inúmeras igrejas e seitas, que apenas existem na pressuposição de ajudar os que as procuram, mas que na verdade servem como meio de negócio, captando dinheiro dos seus membros. Não preciso de dar exemplos, é só olhar à nossa volta e ver o que se passa nesse aspecto. O mesmo acontece com associações ditas iniciáticas, ou filosóficas, ou esotéricas – é tudo negócio ou exposição de vaidades na tal pompa e circunstância que disse atrás. E o que dizer da enorme quantidade de “profetas” que enchem a Internet com as suas “profecias” de desgraça, prevendo e anunciando, naturalmente, o fim do mundo ou a passagem para um outro grau de existência que ninguém sabe o que é? Embuste é de facto a palavra certa para designar quase tudo o que se passa actualmente. &lt;br /&gt;A noite já ia adiantada e a conversa parecia não ter fim, embora por vezes as ideias se repetissem, como já acontecera em anteriores conversas. Havia no entanto algo que me perturbava e que gostaria de ver discutido.&lt;br /&gt;- Existe uma verdade que permeia todos esses movimentos e até muitas das religiões. – Disse eu. – De onde é que ela vem, foi criada por geração espontânea ou vem de longe, dos primórdios do tempo?&lt;br /&gt;- Julgo que ambos os casos são verdadeiros. – Respondeu Samuel. – Por um lado há algo que nos vem dos tempos mais recuados e que tem vivido permanentemente na nossa lembrança. Foi assim que, apesar da imposição das “trevas” pela Igreja durante séculos, nada se perdeu. Por outro lado o ser humano é um criador, ele pode elaborar as ideias que lhe vieram da memória ancestral. Afinal, tudo se resume à Teosofia, que é a base dos ensinamentos desses movimentos filosóficos e esotéricos, enquanto as religiões se perdem nos meandros da Teologia. Parece que ambas são uma e a mesma coisa, mas não. É esta a diferença fundamental, entre aquele que procura o conhecimento de Deus através do aprofundamento interior, e aquele que resume a sua meditação à necessidade de provar a existência de Deus e a validade dos dogmas.&lt;br /&gt;- A Amorc, fundada por Spencer Lewis, é também resultado da Teosofia? – Perguntei.&lt;br /&gt;Samuel sorriu ao ouvir esta minha pergunta, que ele achava que eu tinha engatilhada há muito tempo, mas que nunca chegara a formulá-la.&lt;br /&gt;- O estabelecimento da Amorc, - respondeu, - não foi nada pacífico. Lewis e Crowley lutaram durante muitos anos pelo domínio do mercado americano. &lt;br /&gt;- Mercado?&lt;br /&gt;- Sim, mercado. Não estranhe porque de facto era disso que se tratava. Spencer Lewis começou por fundar uma igreja na Califórnia. Essa foi a sua primeira experiência. Ele era o que se chamava na altura, um publicitário. Hoje chamar-se-ia, provavelmente, um especialista em “marketing”. Como tal ele vislumbrou que o mercado americano era um campo fértil para as ideias rosacruzes.&lt;br /&gt;- Mas não recebeu ele um mandato para levar a Rosacruz para a América? – Perguntou Lara.&lt;br /&gt;- Ele dizia que sim, que tinha recebido essa mandato numa iniciação em Toulouse, França, mas os seus detractores dizem que ele nunca foi iniciado em Toulouse, nem recebeu qualquer mandato. Se recebeu alguma iniciação terá sido na OTO (Ordo Templis Orientis), na Alemanha, com cujo grão-mestre manteve relações. Crowley era o representante da OTO na América. Lewis acabou por ganhar a guerra que manteve por muitos anos, pois Crowley foi à falência e a OTO deixou de influenciar as coisas na América devido à penúria em que entrou na Alemanha.&lt;br /&gt;- Mas não respondeu à minha pergunta. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Ah! Se a Amorc é uma herdeira da Teosofia? Eu diria que sim, da mesma forma que a Fraternidade Rosacruz fundada por Rudolf Steiner na Califórnia, também deve muito à Teosofia. Há muito de Teosofia e Gnosticismo nas instruções aos membros. Lewis, inteligentemente, fez remontar esses ensinamentos ao Antigo Egipto, criando uma certa competição com a Maçonaria. &lt;br /&gt;- Dizem até que Akhenaton terá sido o seu primeiro Imperator…&lt;br /&gt;- É claro que não. Não sei porque é que atribuem a origem a Akhenaton, se não existe nenhuma documento antigo que comprove isso. Se a Amorc possui esse documento, que o mostre, para eliminar as dúvidas. Reportam-se também a Tutmés III, que teria organizado a primeira reunião rosacruz, mas isso é uma fábula. Mostrem os documentos que comprovem isso.&lt;br /&gt;- Mas você acha, usando os termos de Lara, que a Amorc é também um embuste? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Não. Não acho que seja um embuste no sentido em que os seus ensinamentos são dos mais correcto que já encontrei. Dificilmente poderemos encontrar uma organização tão bem estruturada como a Amorc. Os seus ensinamentos são correctos e muito completos e preservam a liberdade de cada um, não impondo nada a ninguém. Nisso, Lewis e seu filho Ralph realizaram uma obra notável. Infelizmente não foi prosseguida pelos que continuaram a obra e é por isso que a Amorc está hoje em decadência.&lt;br /&gt;- Essa decadência não será porque as pessoas hoje querem resultados imediatos e a Amorc oferece uma progressão de muitos anos?&lt;br /&gt;- Também será por isso. Mas principalmente devido à forma como tem sido gerida ultimamente.&lt;br /&gt;- Acha que pelo facto de ser uma organização aberta, quero dizer, que aceita qualquer pessoa desde que pague as quotas, terá isso contribuído para essa decadência?&lt;br /&gt;- Esse é um dos motivos. Outro motivo será, em meu entender, a preferência que passou a ser dada à frequência dos Organismos Filiados em detrimento dos chamados membros de Sanctum, que garantia uma certa privacidade, tornando-se, na verdadeira tradição Rosacruz, membros invisíveis. A Amorc cometeu o erro de tentar atrair membros de Sanctum para os Organismos Filiados. Mas há outros erros.&lt;br /&gt;- Outros erros?&lt;br /&gt;- Sim. Por exemplo, o chamado quarto manifesto emitido pela Amorc e difundido pelo mundo inteiro, na presunção de que a Amorc seria a herdeira dos manifestos do século dezassete. Ora esse manifesto, pretendendo chamar a atenção para determinadas realidades infelizes do mundo de hoje, era em si também muito infeliz e, naturalmente, ninguém quis saber dele para nada. Por outro lado, assumindo-se como herdeira desses outros manifestos, é um erro lamentável, pois os primeiros manifestos foram originados dentro do cristianismo, propunham uma sociedade nova mas cristã. Se a Amorc se diz não religiosa, que aceita no seu seio qualquer religião, então não pode assumir-se como herdeira desses manifestos antigos.&lt;br /&gt;- De acordo. E quanto ao martinismo?&lt;br /&gt;Desta vez foi Lara quem resolveu responder.&lt;br /&gt;- Existem várias escolas martinistas, a que está dependente da Amorc é uma delas. Segundo sei, o martinismo actual tem origem numa certa reconstrução efectuada por Papus e outros, supostamente baseados em antigas instruções de Saint-Martin. Provavelmente até é verdade, pois sabe-se que Saint-Martin não estava de acordo com invocações de figuras angélicas. Essa magia cerimonial introduzida por Pasqualy não está presente nas ordens martinistas actuais, embora certos rituais possam levar a pensar em magia cerimonial, mas ficam apenas na intenção, nada mais. Essa magia cerimonial terá sido levada por Willermoz para o seu Rito Escocês Rectificado da Maçonaria.&lt;br /&gt;A noite já ia adiantada, mas antes de nos prepararmos para regressar aos respectivos hotéis, precisava ainda da opinião de Samuel e, talvez de Lara, sobre algo que parecia ter ficado obscuro nas diversas conversas que tivemos.&lt;br /&gt;- Vocês acham que os “Invisíveis” existiram mesmo, como organização secreta e, por esse motivo, não identificáveis ao longo da História? E qual a necessidade de secretismo?&lt;br /&gt;Foi Samuel quem respondeu.&lt;br /&gt;- Acho que sim. Não como uma organização secreta, mas como uma corrente que veio trazendo determinados conhecimentos primordiais até aos nossos dias. Nessa corrente, os mais conhecidos foram os alquimistas. Mas não foram apenas eles os responsáveis por manter viva essa tradição primordial. Muitos outros desconhecidos, mestres desconhecidos, foram passando a palavra de geração em geração. Enfim, todos aqueles que contribuíram, de alguma forma, para a elevação do ser humano.&lt;br /&gt;- E porquê o secretismo? – Insisti.&lt;br /&gt;- O secretismo era importante, digo mais, essencial para a sobrevivência, pois não podemos esquecer o papel que a Igreja desempenhou na perseguição e morte dos hereges. &lt;br /&gt;- Hoje esse secretismo continua a ser importante?&lt;br /&gt;- Sim. Apesar as aparências, continua a ser perigoso trilhar determinados caminhos, e ninguém sabe o dia de amanhã. Não podemos esquecer que o fanatismo continua bem vivo. Alguém escreveu que o anonimato é a única garantia do mundo contra o mundo.&lt;br /&gt;Esta foi a última vez que conversei com Samuel sobre a Fraternidade Rosacruz. É provável que alguma confusão tenha ficado nas várias conversas que tivemos e que transcrevi, na medida possível em que me lembrava do que falámos. É provável também que muita coisa tenha ficado esquecida. No entanto, quanto mais fui aprofundando as pesquisas acerca da história desses “invisíveis”, mais fui tendo a noção de que se tratou de gente muito especial, que apesar do perigo para as suas próprias vidas, conseguiram trazer até nós essa “luz” que nos vem do passado. Para eles o meu mais profundo respeito e reverência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-2855558059439790391?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/2855558059439790391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=2855558059439790391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/2855558059439790391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/2855558059439790391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2011/04/conversas-com-samuel-dalatando.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-2944299230498316936</id><published>2010-09-01T21:53:00.000-03:00</published><updated>2010-09-01T21:54:50.307-03:00</updated><title type='text'>O Espírito de Dom Elder Câmara</title><content type='html'>Não tenho nada contra o Espiritismo enquanto religião, nas suas mais diversas formas, sejam as sistematizadas por Allan Kardec ou outras, ou ainda as que resultaram de fusão com ritos africanos, como é o caso da Umbanda. Também não tenho nada contra os espíritas, pois cada um acredita no que quer, segue a religião com que melhor se identifica, e ninguém tem nada com isso, pois daqui vem o ditado de que “religião não se discute”.&lt;br /&gt;Pois bem, isto é verdade, mas a coisa muda de figura quando um livro atinge os escaparates das livrarias e da Internet, com o estranho título de “Novas Utopias”, supostamente ditado a um médium pelo espírito do antigo arcebispo de Olinda e Recife. E digo estranho título porque “utopia” tem um significado que tem mais a ver com o  imaginário, com o irreal, do que com algum plano concreto, basta consultar qualquer dicionário de língua portuguesa. Portanto, não se percebe bem o que quererá dizer esse título, “Novas Utopias”. Será que as velhas são irealizáveis e agora se inventam novas para que se possam vir a realizar? Ou o livro, é ele próprio imaginário?&lt;br /&gt;A publicação de um livro, seja qual for a sua origem, implica o sentido crítico dos seus leitores, independentemente de vir a ser ou não um “best seller”, pois há livros bons que nunca foram isso, e livros menos bons que bateram recordes de vendas, como é o caso do “Código Da Vinci”. Mas em todos os casos existe a crítica, favorável ou não, sem relação directa com as vendas efectuadas. Depois, a crítica é sempre subjectiva, pois pode-se não gostar de um livro que a maioria gosta, ou gostar daquele que essa mesma maioria repudia. Por exemplo, um dos grandes sucessos dos últimos tempos é o livro “O Caçador de Pipas”, de um autor afegão, livro que considero apenas entre o razoável e o medíocre, mas que deve o seu sucesso à oportunidade da publicação retratando a realidade do Afeganistão dos talibãs.&lt;br /&gt;Há certamente centenas de milhares de obras, supostamente psicografadas, o que quer dizer escritas por espíritos através de méduns, não só nas livrarias espíritas, mas também nas outras. Mas, por estranho que pareça, nunca encontrei a menor crítica a qualquer dessas obras, o que mais tenho encontrado são textos prosélitos e divulgadores dessas obras. O que é que acontece? Não acredito que não haja bastante gente com dúvidas sobre a autenticidade de muitas dessas obras. Têm medo de expressar o seu pensamento, não vá “o diabo tecê-las” e esses espíritos voltarem-se contra si?&lt;br /&gt;Julgo que o cerne do problema está no facto dessas obras, de alguma forma, tomarem o carácter religioso e, como disse acima, “religião não se discute”. Por outro lado, parece-me que muitos não têm coragem de abordar a questão da autenticidade de determinada obra por não poderem provar que seja falsa, da mesma maneira que não se pode provar que seja verdadeira. Então ficamos nessa zona cinzenta em que a crença toma para si a veracidade de determinada comunicação.&lt;br /&gt;Ao escrever este texto não estou a colocar-me numa posição de total criticismo a essas manifestações, pois presenciei muitas em vários lugares e situações diferentes, o que me levou a concluir que algo se passa a outro nível além do físico, para o que ainda não encontrei respostas adequadas. Mas esta posição não me obriga a aceitar “gato por lebre”, que é o que acontece inúmeras vezes.&lt;br /&gt;Ao procurar informação sobre esse livro “Novas Utopias”, em que, aparentemente, o espírito de Helder Câmara se terá manifestado através de um médium, encontrei algo de curioso num dos blogs consultados:&lt;br /&gt;“- O médium afirmou nas primeiras páginas do livro que era a sua primeira psicografia...&lt;br /&gt;- O livro foi prefaciado por três pessoas que conheceram profundamente D.Helder Camara enquanto encarnado. Elogios à obra... nenhum questionamento quanto a autenticidade do autor;&lt;br /&gt;- Não conheço o médium ou saiba algo a respeito de seus trabalhos; Paulo”&lt;br /&gt;Estas questões são colocadas por um tal Paulo, que parece ser espírita ou conhece o meio. No entanto, essas questões podem lançar algumas dúvidas sobre a autenticidade da comunicação: como primeira obra psicografada, foi logo a do espírito de Hélder Câmara, e não sob a forma de textos avulsos, como costuma ser corrente, mas logo um livro; é óbvio que as pessoas escolhidas para prefaciar o livro só poderiam dizer bem dele, ninguém iria escolher pessoas que não estivessem de acordo com o livro ou que lhe fizessem alguma crítica.&lt;br /&gt;A esperança que ressalta do texto divulgado de que a Igreja Católica venha a reconhecer o erro em que tem incorrido ao longo dos séculos em repudiar a reencarnação ou a existência da vida após a morte, é uma esperança infundada. O facto do livro se referir ao espírito de um sacerdote católico, não vai certamente mudar uma vírgula na doutrina católica, assente há séculos em dogmas de céu, inferno e purgatório, e ressurreição dos mortos.&lt;br /&gt;Mas o mais interessante do texto divulgado via Internet e que resume a manifestação de Hélder Câmara, é que não contém novidade nenhuma – reflecte o pensamento conhecido do antigo arcebispo, as suas preocupações sociais, o seu posicionamento político e o seu devotado amor à Igreja e por isso, do lado de lá, continua padre. Ou seja, do lado de lá, segundo ele ou o seu espírito, é tudo igual ao lado de cá, os mesmos problemas, as mesas incompreensões, as pessoas reproduzem lá o que foram e as mesmas situações que produziram cá. Sem querer fazer piada, gostaria de saber se do lado de lá as pessoas comem, se unem sexualmente e fazem outras coisas, como no texto se diz: “A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver actividades para as quais nos colocamos à disposição”. Então, parece que mesmo sob a forma de espírito, também se dorme e descansa… Diz também que se coloca à disposição para desenvolver actividades. À disposição de quem? Isto pressupõe uma organização e uma hierarquia.&lt;br /&gt;Para finalizar esta curta crónica e não querendo tirar conclusões sobre a veracidade da obra, conhecendo-se a postura política de Dom Hélder Câmara, que foi inclusive perseguido pela ditadura militar, é estranho que uma obra desta natureza apareça justamente num ano eleitoral. Cada um que tire as suas conclusões e, se estiver interessado, por favor faça os seus comentários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-2944299230498316936?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/2944299230498316936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=2944299230498316936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/2944299230498316936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/2944299230498316936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/09/o-espirito-de-dom-elder-camara.html' title='O Espírito de Dom Elder Câmara'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-468365854924567860</id><published>2010-08-25T17:30:00.001-03:00</published><updated>2010-08-25T17:30:53.775-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 6ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é um homem religioso? – Perguntou Samuel, como se estivesse a pensar alto.&lt;br /&gt;Voávamos já em território brasileiro, devíamos estar por alturas de Recife, mais ou menos a duas horas e meia da chegada ao Rio de Janeiro. A comissária acabara de nos servir o pequeno-almoço, uma notável refeição onde não faltavam as frutas, os ovos mexidos com bacon e, naturalmente, o café e o leite. Estremunhados depois de algumas horas de sono, espreitando pela janela o esplendoroso espectáculo do nascer do Sol, raiando o céu de azuis, lilases, vermelhos e amarelos, aquela refeição parecia o nosso pecado original, tal a gula com que nos dedicámos a ingerir aquelas iguarias.&lt;br /&gt;- Um homem religioso? – Respondi. – É aquele que segue uma religião.&lt;br /&gt;- Não. Esse é um crente. Um homem religioso é mais do que isso, é aquele que adopta a religiosidade como base da sua vida e procura transmitir aos outros a sua experiência espiritual.&lt;br /&gt;- Porquê essa pergunta?&lt;br /&gt;- Porque acho que Saint-Martin, acima de tudo, era um homem religioso.&lt;br /&gt;- Finalmente estamos a falar de Saint-Martin. Porque é que acha que ele era um homem religioso? Não era ele que defendia a ideia do Homem-Deus?&lt;br /&gt;- Sim. Mesmo por essa ideia se vê a sua religiosidade.&lt;br /&gt;- Não entendo.&lt;br /&gt;- Veja bem. Saint-Martin trilhou de início o mesmo caminho que Willermoz, ele foi também um dos “Elus-Cohen” de Pasqualy. Seguiu o caminho indicado por Pasqualy para atingir a iluminação através da magia cerimonial, na qual, para além dos ensinamentos da Cabala, se invocavam os poderes angélicos, presumivelmente superiores.&lt;br /&gt;- Certo. E então?&lt;br /&gt;- Foi nessa altura que ele escreveu a sua obra mais famosa, “Dos Erros e da Verdade”.&lt;br /&gt;- Sim. Mas essa obra é ainda baseada na doutrina de Pasqualy, na magia dos números, uma noção que o acompanhou durante toda a vida. Trata-se ainda da magia cerimonial ou, como alguns afirmam, da mística dos números. Embora o livro seja algo confuso, ele achava que tudo na Natureza correspondia a um número, numa espécie de analogia com a Cabala, no que se refere às potências das letras hebraicas. Não vejo aqui nenhuma religiosidade, excepto no facto dele achar que a Matemática era uma cópia ilusória da verdadeira ciência, entendendo-se naturalmente que a verdadeira ciência estava acima da compreensão dos homens, e acima sobretudo do intelecto.&lt;br /&gt;- Sim. Mas ele também achava que a iluminação não vinha dos sentidos nem dos processos cerebrais, que era uma dádiva sobrenatural, tal como a religião, que era um meio de transmitir sabedoria a quem pudesse percebê-la. Ele era um excelente matemático, mas tinha da Matemática a noção de que era incompleta, pois a verdadeira Causa de Tudo não podia ser explicada racionalmente. A verdadeira Causa de Tudo seria, no seu entender, um Ser inteligente e superior, incompreensível para a razão humana. Por isso disse que ele era um homem religioso.&lt;br /&gt;- Compreendo onde quer chegar. Enquanto Willermoz se afastou da religião como meio de atingir a iluminação, levando para o “seu” Rito Escocês rectificado toda a magia de Pasqualy, Saint-Martin afastou-se desse caminho estabelecendo a sua própria doutrina que veio a resultar nas várias formas de martinismo.&lt;br /&gt;- Não sei se Saint-Martin aprovaria muito do que se passa hoje nessas ordens martinistas. Tenho a impressão de que muitas são um pálido reflexo da sua doutrina.&lt;br /&gt;- Tudo evolui, não é? Mas falando ainda dos “Erros e da Verdade”, tentei ler o livro mas acabei por não compreender grande coisa. Ao fim e ao cabo trata-se quase de um tratado matemático ou sobre questões matemáticas.&lt;br /&gt;- Concordo em que não é fácil entender esse livro. Já o li há bastante tempo e não me lembro bem do seu conteúdo. Mas lembro-me de ter ficado com a impressão de que Saint-Martin procurou justificar a sua doutrina de regeneração ou de retorno à situação primordial do homem antes da “Queda”, através dos números e de fórmulas matemáticas, dizendo que estas eram incompletas pois não concebia a existência da Causa de Tudo.&lt;br /&gt;Seria fácil neste momento em que escrevo estas linhas, pegar no livro e fazer algumas transcrições que elucidassem melhor sobre o diálogo que estávamos a ter, mas não o faço por fidelidade a essa conversa, mesmo que nela se vejam algumas incorrecções ditadas pela interpretação do livro, que continuo a considerar bem confuso.&lt;br /&gt;- Penso o seguinte – continuou Samuel –, que Saint-Martin viveu num período muito conturbado politicamente com a revolução americana e a revolução francesa, e que na altura, se saía de um período grande da História em que as acções do homem se justificavam quando procurava executar as obras de Deus na Terra, mesmo através de processos científicos, e se entrava num período em que a ciência, nomeadamente a Matemática, pretendia afastar-se de Deus e explicar tudo de forma racional.&lt;br /&gt;- Então Saint-Martin procurou lutar contra essa nova corrente…&lt;br /&gt;- De certo modo. Ele preconizou a existência do Homem-Deus, algo rejeitado pela ortodoxia cristã mas que, para nossa surpresa, foi um tema introduzido no Concílio Vaticano II, embora esse tema, como outros, tenha sido ignorado ou repudiado pela hierarquia católica dos papas que se seguiram a João XXIII. Saint-Martin achava que esse estatuto de Homem-Deus era o estatuto primordial do ser humano, criado à imagem e semelhança do seu Criador. Que a “Queda” provocara o estilhaçar das faculdades concedidas ao ser humano, mas essas faculdades poderiam ser recuperadas através da regeneração. No entanto, o homem não tinha capacidade para se regenerar sozinho, precisava do “Reparador”, do acto de sacrifício do Cristo, para que o homem pudesse encetar o seu verdadeiro caminho de retorno. Neste aspecto, a doutrina de Saint-Martin é como que uma continuação das ideias expressas nos primeiros manifestos rosacruzes, o Fama e o Confessio. &lt;br /&gt;- Mas essas ideias não estão patentes nos rituais martinistas actuais…&lt;br /&gt;- Não. De facto não estão ou, como alguns dizem, estão implícitas nos rituais, o que não é a mesma coisa. O Cristo dos rituais martinistas é o Cristo gnóstico, o do coração, ou melhor dizendo, o Cristo interior de cada um.&lt;br /&gt;- E onde é que aparece Jacob Boheme?&lt;br /&gt;- Sei que a partir de determinada altura Saint-Martin começou a corresponder-se com Jacob Boheme e a adoptar muitas das suas ideias. Eu nunca li nada de Jacob Boheme, portanto, a impressão que tenho é a de muitos comentários que tenho ouvido. Parece que não era um homem culto como Saint-Martin, que era um simples sapateiro alemão e que terá escrito os seus livros através daquilo que hoje está muito em voga, a escrita automática, ou psicografada. Quero dizer que ele deveria ser um médium e escrevia os livros como hoje se escrevem muitos dos livros espíritas.&lt;br /&gt;- Jacob Boheme seria então um espírita…&lt;br /&gt;- Provavelmente. O espiritismo ainda não tinha sido sistematizado por Kardec, mas a prática era a mesma.&lt;br /&gt;- Mas pelo que entendo, Saint-Martin renunciou às práticas teúrgicas dos rituais de Pasqualy e de Willermoz, afirmando não serem necessárias para que o homem se sintonizasse com a divindade.&lt;br /&gt;- É verdade. Por isso não se compreende muito bem a sua associação com Boheme. Por outro lado, ele parece ter recuperado ideias do cristianismo primitivo, como a ideia preconizada por Joaquim de Fiore, o caminho da humanidade para uma era do Espírito Santo ou “Paracleto”. Ele via a Revolução Francesa como uma etapa importante desse caminho. Ele via a violência que se seguiu como uma punição pela indiferença à Causa Verdadeira, mas que ao mesmo tempo era o prenúncio de uma libertação maior da humanidade. Ao fim e ao cabo, a revolução e a violência era um acto doloroso de profundo sacrifício pela redenção da humanidade.&lt;br /&gt;- Sei que estamos quase a chegar ao Rio de Janeiro, mas não queria deixar passar uma questão importante, o “Homem de Desejo”, uma ideia defendida por Saint-Martin.&lt;br /&gt;- Sim. “Homem de Desejo…” O que é que ele entendia por isso? Para ele os homens de desejo eram aqueles que pretendiam arrancar de si a servidão à condição de pecador. Procuravam imitar Cristo encarnado, e desse modo, receberem a inspiração e sabedoria divinas, expiando os pecados através do sofrimento e sacrifício.&lt;br /&gt;- Realmente, dessa forma ele era um homem religioso… – completei.&lt;br /&gt;- Mas Saint-Martin é um assunto muito maior do que esta simples conversa. Talvez um dia venhamos a falar dele mais completamente. É importante notar que ele se intitulava “O Filósofo Desconhecido”, o que quer dizer muita coisa e que o coloca na linha directa dos primeiros manifestos rosacruzes, escritos anonimamente.&lt;br /&gt;- E o que me diz da herança que ele deixou, quero dizer, do martinismo actual.&lt;br /&gt;- Quando olho para alguém com um emblema martinista na lapela do casaco, naturalmente que essa pessoa não se identifica com o “Filósofo Desconhecido”.&lt;br /&gt;- Entendo…&lt;br /&gt;O avião já se aproximava da pista do aeroporto do Galeão, hoje aeroporto Tom Jobim, e já tinham pedido para apertar os cintos. Samuel iria tomar um voo de ligação para Brasília e eu ficaria no Rio durante essa semana. Combinámos encontrar-nos, se possível, no final dessa semana, quando ele voltasse de Brasília.&lt;br /&gt;À saída do aeroporto, enquanto procurava um táxi que me levasse ao hotel, o tradicional cheiro de querosene encheu-me as narinas – estava no Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-468365854924567860?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/468365854924567860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=468365854924567860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/468365854924567860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/468365854924567860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/08/conversas-com-samuel-dalatando_25.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-4025994113353683877</id><published>2010-08-10T23:37:00.001-03:00</published><updated>2010-08-10T23:39:01.446-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 5ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava muito frio em Nova York naquele mês de Janeiro. Lembro-me de ter visto na torre de um edifico a leitura de 17 graus Fahrenheit, o que em centígrados dá menos de 5 graus negativos. Durante três dias em que estive naquela cidade tentei contactar o Samuel, mas não consegui encontrá-lo, nem em casa, nem no escritório. Uma das suas secretárias disse-me que ele estava fora, mas não disse onde. Naquela altura os telefones celulares ainda não existiam, ou estavam ainda no início do seu desenvolvimento. &lt;br /&gt;No último dia da minha estadia fui convidado para tomar o pequeno-almoço no apartamento de uma querida amiga, a Lydia, que morava na rua 52, a mesma rua em que morava o Samuel. Lydia, que também era amiga de Samuel, disse-me que o tinha encontrado duas semanas antes na apresentação de uma colectânea de obras musicais das principais peças encenas nos últimos anos na “Broadway”. Ofereceu-me o “cd”, que ainda guardo, com músicas que ficaram na história dos musicais da “Broadway”, o local de encontro de N. York com o teatro.&lt;br /&gt;Voltei para o hotel, o mesmo que sempre utilizei nas minhas estadias em Nova York, o hotel Roosevelt, localizado na rua 45 e próximo da Av. do Parque, e preparei-me para viajar nessa noite para o Rio de Janeiro, onde a temperatura devia, nessa altura, ser bastante mais acolhedora.&lt;br /&gt;Na primeira classe daquele B-747 havia poucos passageiros, talvez uns três. Sentado na grande poltrona, que se podia transformar praticamente numa cama, bebericando um cálice de champanhe e observando o embarque dos passageiros retardatários, vi com surpresa o Samuel entrar na cabina, procurar o seu lugar, duas filas à frente da minha, e sentar-se. Há coincidências estranhas. Depois de o procurar durante três dias em Nova York, eis que ele aparece a viajar no mesmo voo que eu.&lt;br /&gt;Levantei-me para o cumprimentar e ele levantou-se também, para guardar uma pequena mala na bagageira. Olhou para mim e o espanto e alegria estamparam-se no seu rosto. Depois do vigoroso abraço que sempre trocamos quando nos encontramos, pediu à comissária de bordo de podia mudar de lugar e sentar-se a meu lado.&lt;br /&gt;Disse-lhe que estava em Nova York há três dias e que não tinha conseguido encontrá-lo. Respondeu-me que acabava de chegar de Washington, onde estivera durante uma semana e que agora ia para Brasília, onde o aguardavam encontros importantes. Faria a conexão no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Eu ficaria no Rio de Janeiro, onde tinha marcada uma reunião da empresa para que trabalhava e depois talvez fosse até Curitiba visitar alguns amigos na Grande Loja da Ordem Rosacruz. Uma viagem longa como esta seria o ideal para tentarmos colocar as nossas conversas em dia. Era uma excelente oportunidade para voltarmos a falar de duas figuras que considero muito importantes do percurso iniciático ocidental, Willermoz e Saint-Martin.&lt;br /&gt;Depois de conversarmos sobre generalidades, foi durante o jantar que o assunto foi abordado e foi Samuel quem começou.&lt;br /&gt;- Então, como é que vão os seus estudos sobre a fraternidade Rosa+Cruz?&lt;br /&gt;- Acho que cheguei a uma espécie de impasse. Por um lado, é para mim evidente que essa fraternidade não existiu no plano concreto. Atribuiu-se a condição de Rosa+Cruz a algumas personalidades, pelas suas obras ou pensamento, mas que essa condição não corresponde a algum tipo de organização. Por outro lado tenho que reconhecer que os ensinamentos de algumas escolas filosóficas ou iniciáticas, como por exemplo alguns ritos da Maçonaria e algumas manifestações Rosacruzes, são demasiadamente valiosos e não foram criados agora, vêm de muito longe.&lt;br /&gt;- Já vimos isso. Já chegámos à conclusão de que nada foi inventado agora ou pelos supostos promotores dessas organizações.&lt;br /&gt;- Pois é. Mas como é que isso tudo chegou até nós? Que corrente de transmissão foi mantida ao longo dos séculos? O Cristianismo? Os alquimistas?&lt;br /&gt;- Também já vimos que o movimento Rosacruz, ou melhor, as ideias rosacruzes, nasceram dentro do Cristianismo, aproveitando a liberdade provisória concedida pela Reforma iniciada por Martinho Lutero.&lt;br /&gt;- De acordo. Mas nasceram dentro do Cristianismo ou foram divulgadas, beneficiando da liberdade provisória concedida?&lt;br /&gt;- Sei o que quer dizer. – Concordou Samuel. – Para entender isso temos que pensar na mentalidade da época, séculos 16 e 17. Naquele tempo, a única missão concedida ao homem, mesmo através da ciência ainda despontando, era realizar as obras de Deus na Terra. Quero dizer, tudo estava criado, competia ao homem descobrir os mistérios dessa criação e manifestar sobre a Terra as obras divinas. Dentro deste princípio, nada podia ser feito fora de religião, mesmo os manifestos rosacruzes preconizavam uma sociedade nova, mas cristã.&lt;br /&gt;- Quando é que as coisas começaram a divergir?&lt;br /&gt;- Para mim, o grande promotor da nova era liberta das amarras religiosas, ainda que subordinando a sua filosofia a noções religiosas arcaicas, como o “Queda” do homem, foi Martines de Pasqually, que veio revolucionar todas as ideias com a sua doutrina da Reintegração. Ao contrário da religião, que não permitia nenhuma esperança além da vida eterna depois da morte, Pasqually preconizava a reintegração do homem na sua condição primordial de antes da “queda”, como ser divino criado à imagem e semelhança de Deus.&lt;br /&gt;- Aqui vamos dar com Willermoz e Saint-Martin, seus “Elus Cohen”  mais distintos, que desenvolveram as suas ideias, embora por caminhos diferentes.&lt;br /&gt;- Sem dúvida. Mas nestas coisas não podemos ignorar também a condição humana, que apesar da busca espiritual encetada por vezes com vontade e perseverança, não se livra de alguns defeitos, como a vaidade e o orgulho.&lt;br /&gt;- Sim, sei que Willermoz era bastante orgulhoso, gostava de ostentar títulos e honrarias.&lt;br /&gt;- É verdade. Mas também teve a notável contribuição de Pasqually, que lhe conferiu os títulos mais elevados. &lt;br /&gt;- Por mérito? Talvez. De professor primário na região de Lyon, em França, tornou-se provavelmente na figura mais marcante da Maçonaria. Mas para que pudesse realizar o trabalho que realizou, era absolutamente necessária uma boa condição económica, pois houve outros que entraram pelo mesmo caminho e acabaram na miséria, lutando pela sobrevivência. Willermoz era um rico e poderoso fazendeiro, portanto, a questão económica estava garantida, embora não saibamos em que condições explorava as suas terras.&lt;br /&gt;- Na época, sem dúvida através dos “moços da gleba” . &lt;br /&gt;- Provavelmente, mas temos que considerar a sociedade da época, não podemos ajuizar pelos padrões actuais.&lt;br /&gt;- Mas depois de atingir os mais altos graus na Maçonaria e nos “Sacerdotes Eleitos” de Pasqually, – continuou Samuel – Willermoz não estava contente com o conteúdo das Ordens Maçónicas, principalmente com a “Estrita Observância” que, segundo ele, tinha perdido o seu legado original templário. Dizia ele que se tratava de um sistema infundado e não provado, faltava-lhe a qualidade eterna que encontrara na doutrina da reintegração de Pasqually.&lt;br /&gt;- Foi nessa altura que ele resolveu fundar o seu próprio rito, o “Rito Escocês Rectificado”.&lt;br /&gt;- Exacto. Por isso é também conhecido como o “Rito de Willermoz”. Ele achava que a Estrita Observância mostrava uma profunda ignorância das coisas essenciais, uma situação que não encontrara nos “Elus Cohen”, cuja doutrina mostrava tratar-se de uma Maçonaria para além da Maçonaria.&lt;br /&gt;- Interessante. Sempre entendi que a doutrina da reintegração de Pasqually era a reintegração da semelhança do homem com Deus. Ou seja, para Pasqually o homem tinha sido criado à imagem e semelhança de Deus mas, depois da “Queda”, retera a imagem mas não a semelhança. Esta seria retomada através da iniciação e do conhecimento, que se acreditava ser um legado de uma doutrina muito antiga. Foi isto que Willermoz levou para o “Rito Escocês Rectificado”?&lt;br /&gt;- Foi. Inclusive levou para lá muito dos rituais dos “Elus Cohen”, como a cabala, a teurgia e a alquimia.&lt;br /&gt;- Isso foi uma revolução dentro da Maçonaria.&lt;br /&gt;- Sem dúvida. Mas os tempos em que tudo isto se passou cheiravam mais a pólvora do que a incenso. Ele lançou o seu “Rito” em 1778, época em que a França apoiava a luta nos EUA pela independência. Repare que a declaração de independência americana é feita no dia 4 de Julho de 1776, mas a guerra continuará por mais uns 5 ou 6 anos. Em 1789 eclodiu a Revolução Francesa, com o seu lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, atribuído por alguns a Saint-Martin, mas que parece ter sido criado por Jean-Jacques Rousseau.&lt;br /&gt;- Foi uma época de completa transformação da sociedade e das referências dessa sociedade. Mas com a sua Maçonaria Willermoz afastou-se das ideias rosacruzes e do seu objectivo essencial de criação de uma sociedade melhor dentro do Cristianismo.&lt;br /&gt;- Sim. Seguiu um caminho diferente de Saint-Martin, mas o seu “Rito Escocês Rectificado” continuou bem vivo até aos dias de hoje. Sem ele não haveria a complicada história do Priorado do Sião.&lt;br /&gt;- Espere aí. Priorado do Sião? Corresponde a alguma realidade ou foi uma mera invenção do Sr. Pantard?&lt;br /&gt;- Foi invenção e não foi. Mas poderemos falar disto em outra altura, pois acho que você está mais interessado agora em falar de outra figura carismática chamada Louis-Claude de Saint-Martin.&lt;br /&gt;- Sim. Mas essa referência ao Priorado abriu-me a curiosidade. Falaremos disso certamente. Falando em Saint-Martin, ao contrário de Willermoz, não se afastou das ideias rosacruzes, antes as desenvolveu, que o caminho para Cristo era o único caminho.&lt;br /&gt;- Por algum motivo ele ficou conhecido como “O Filósofo Desconhecido”, que pode significar algumas coisas, mas a designação tem muito a ver com uma fraternidade invisível.&lt;br /&gt;O excelente jantar, regado com um óptimo vinho da Borgonha, tinha chegado ao fim. O ronronar dos motores do avião ajudava a tornar as pestanas um pouco mais pesadas e as ideias pareciam não surgir com clareza. As comissárias tinham apagado as luzes, depois de servirem café, conhaque, fruta e uma tábua de queijos. Embrulhados em mantas de pura lã, combinámos continuar a conversa pela manhã, após passarmos por algumas horas de sono. Ou então, quando do regresso de Samuel da sua viagem a Brasília, em que ficaria no Rio durante uns dois ou três dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-4025994113353683877?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/4025994113353683877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=4025994113353683877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4025994113353683877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4025994113353683877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/08/conversas-com-samuel-dalatando.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-8505193309678285662</id><published>2010-05-31T01:29:00.000-03:00</published><updated>2010-05-31T01:30:07.053-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 4ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aguardava novo contacto de Samuel para continuarmos a nossa conversa iniciada em Alfama, onde tínhamos falado pouco acerca de Saint-Martin e Willermoz, nomes que eu considerava dos mais importantes para tentar compreender o destino das ideias rosacruzes surgidas no início do século dezassete, continuei as minhas pesquisas sobre um assunto que, para mim, era fascinante. No entanto, tinha a sensação de que esse tempo mágico dos manifestos estava perdido para sempre. &lt;br /&gt;Encontrámo-nos novamente, naquele final de Junho que se mostrava mais quente do que o normal, em casa de um amigo comum, Daniel Escobar  (ver nota de rodapé), um padre erudito com vários mestrados e doutoramentos, responsável por algumas obras caritativas da Igreja.&lt;br /&gt; Daniel Escobar vivia literalmente no meio de livros, a sua biblioteca e local habitual de trabalho era um autêntico caos, com livros amontoados por todo o lado e a sua mesa era um mar de papel, entre livros, revistas, cadernos e folhas soltas. No meio de toda aquela confusão sabia, exactamente, o local de cada publicação que precisasse de consultar. A empregada doméstica que tratava da casa tinha ordens para não entrar ali.&lt;br /&gt; A casa ficava situada no bairro da Lapa, uma daquelas casas em que a frente para a rua não deixava adivinhar o seu tamanho, que para além de vários quartos e salas, se estendia por um jardim bem cuidado, e um subsolo onde Daniel construíra uma capela dedicada à Senhora da Conceição, onde por vezes celebrava missas. Baptizados e casamentos celebrava-os na Igreja dos Navegantes, também na Lapa.&lt;br /&gt; Daniel Escobar recebeu-nos calorosamente. Vestia trajos civis, colarinho aberto, nada fazendo suspeitar da sua condição de sacerdote. Conduziu-nos para o aposento onde gostava de receber os amigos, a sua caótica biblioteca.&lt;br /&gt;Conhecera Daniel Escobar na época, uns anos antes, em que me encontrava envolvido na Igreja Católica. Tínhamos feito juntos uma viagem e estadia em Fátima, num 13 de Maio e, como eu não reservara hotel ou pensão para passar a noite de 12 para 13, fiquei acomodado nos aposentos de um bispo que cancelara a sua presença à última hora. As refeições, usando as senhas destinadas ao mesmo bispo, tomei-as no Centro Paulo VI. Tudo isto arranjado pelo padre Daniel Escobar.&lt;br /&gt;Era o fim da tarde desse dia de Junho e o Sol, ainda alto àquela hora, entrava por uma janela virada para poente, de onde também se podia ver um pouco do Tejo. Daniel serviu-nos um malte da melhor qualidade, quase fazendo esquecer o gosto do whisky, tal a pureza em que fora destilado.&lt;br /&gt;- Como está N. York? - Perguntou Daniel dirigindo-se a Samuel.&lt;br /&gt;- A confusão do costume. – Respondeu Samuel.&lt;br /&gt;- Confusão? Sempre achei que se tratava de uma cidade bem ordenada, apesar do seu gigantismo. – Disse Daniel.&lt;br /&gt;- É uma cidade bem ordenada, sem dúvida. Mas ao mesmo tempo parece o mundo em miniatura. Ali encontra-se de tudo, seja o que for que consiga imaginar.&lt;br /&gt;Enquanto os ouvia os meus olhos pousaram-se sobre um livro não volumoso, mas de grandes dimensões, intitulado “Símbolos da Rosa+Cruz”.&lt;br /&gt;- Livro interessante. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Como o Manel sabe, interesso-me por muitas coisas, sou um estudioso compulsivo de tudo o que faz mover a espécie humana. Sou um homem da Igreja, não tenho dúvidas, mas ao mesmo tempo sou um buscador. Tento analisar as coisas sob o ponto de vista cristão, pois queiramos ou não, pelo menos nos últimos dois milénios, tudo se tem movido dentro do Cristianismo. Falo do mundo ocidental, evidentemente, mas mesmo no Oriente o Cristianismo tem tido a sua influência.&lt;br /&gt;- Sim, de acordo. – Disse Samuel. – A ideia ou as ideias rosacruzes surgiram dentro do Cristianismo, beneficiando da liberdade provisória proporcionada pela Reforma.&lt;br /&gt;- Provisória? – Estranhou Daniel.&lt;br /&gt;- Sim, porque logo os potentados das regiões abrangidas se apossaram do movimento religioso e começaram a estabelecer as suas regras, limitando a liberdade de pensamento e expressão.&lt;br /&gt;- Ainda bem que não foi só a Igreja a responsável. – Disse Daniel, rindo.&lt;br /&gt;- Nesse aspecto a Igreja foi sempre imbatível. – Respondeu Samuel, também rindo. – Mas acha que a Maçonaria também surgiu de dentro do Cristianismo?&lt;br /&gt;- Sem dúvida. – Respondeu Daniel. – Foi beber na mesma fonte.&lt;br /&gt;- E a Maçonaria ateia?&lt;br /&gt;- Refere-se aos chamados “Grande Oriente”? &lt;br /&gt;- Sim. Como o GOL português e o GOF francês.&lt;br /&gt;Daniel parou uns instantes, reflectindo, depois disse:&lt;br /&gt;- Do meu ponto de vista não existe Maçonaria ateia. Essa corrente, como sabem, nasceu em França, um pouco antes da Revolução Francesa, recebendo desta muita influência. Como é que alguém pode considerar-se ateu e referir-se ao Grande Arquitecto como responsável por toda a Criação? Chamar-lhe Grande Arquitecto ou Deus não é a mesma coisa?&lt;br /&gt;- Julgo que a ideia do ateísmo vem do facto de não seguirem uma religião. – Atalhei eu. – Mas isso não passa de um sofisma, pois não seguir uma religião não faz de ninguém ateu.&lt;br /&gt;- Mas não é difícil conceber a ideia de Deus fora de uma religião? – Perguntou Daniel.&lt;br /&gt;- Sem dúvida. – Respondi. – É um caminho difícil e por vezes pode tornar-se perigoso, pois pode conduzir-nos a extremos e desequilíbrios não muito recomendáveis para a nossa saúde mental.&lt;br /&gt;- Convido-vos para jantar comigo – Interrompeu Daniel. – Não aceito uma recusa. Mandei preparar um borrego à moda da minha terra e o vinho é especial da minha quinta.&lt;br /&gt;Samuel esboçou uma tentativa de recusa, dizendo que já tinha um compromisso, mas não adiantou, ficámos os dois para jantar.&lt;br /&gt;- Bem, onde é que nós estávamos? – Perguntou Daniel.&lt;br /&gt;- Na Maçonaria ateia. – Respondi.&lt;br /&gt;- Ah, isso mesmo. Nada acontece fora do Cristianismo.&lt;br /&gt;- Mesmo essa forma de Maçonaria e algumas expressões rosacruzes? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Onde nasceu a Maçonaria? Não foi no século dezassete, ligada ao movimento jacobita inglês?&lt;br /&gt;- Sim, – concordei, – e a Rosa+Cruz?&lt;br /&gt;- No mesmo século, ligada a um grupo de teólogos alemães, nomeadamente Valentin Andreae e Tobias Hess.&lt;br /&gt;- Tobias Hess? – Estranhou Samuel. – É a primeira vez que ouço esse nome.&lt;br /&gt;- Tobias Hess era um grande amigo de Andreae. Provavelmente a “Fama” e outros manifestos, saíram da sua cabeça ou da cabeça dos dois.&lt;br /&gt;- Mas os escritos são do Andreae. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Sim, Tobias tinha uma vida muito complicada, uma casa com mais de uma dúzia de filhos, um caos doméstico que ele tinha que sustentar e que não o deixava concentrar-se verdadeiramente nas suas ideias de modo a escrevê-las. Quem o fez foi Andreae, não tenho dúvidas de que os manifestos foram criados pelos dois.&lt;br /&gt;- Portanto, – continuou Daniel, – essa ideia de uma fraternidade invisível de seres superiores chamada Rosa+Cruz nasceu dentro do Cristianismo, no movimento da Reforma a que os dois pertenciam. Havia um outro, chamado Besold, que talvez tenha dado algum contributo para os manifestos, não sei. Mas Besold arrependeu-se da Reforma ao ver o caminho que as coisas levavam, desgostoso que o cristianismo reformador tivesse caído em mãos profanas de duques, arquiduques, etc., e voltou para o catolicismo.&lt;br /&gt;- Penso que os manifestos tiveram a virtude de sacudir as consciências da época, mostrando que era possível construir uma sociedade melhor. – Disse Samuel. – Mas o que é que o Daniel pensa dos manifestos e da história de Christian Rosenkreutz?&lt;br /&gt;- Bem, a exposição da “Fama” nas paredes de Paris, de forma anónima, foi um puro acto de terrorismo.&lt;br /&gt;- Terrorismo? – Estranhei.&lt;br /&gt;- Sim, terrorismo. Terrorismo ideológico. Deixou toda a gente insegura com medo dessa fraternidade invisível.&lt;br /&gt;- Quer dizer os católicos. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Não só os católicos, também os protestantes, pois o texto não privilegiava nenhuns.&lt;br /&gt;- Compreendo. – Disse eu. – Mas a “Fama” colocava em perigo a Igreja. Afinal tratava-se de um texto profético de uma nova sociedade cristã, ou seja, atingia os próprios alicerces da Igreja.&lt;br /&gt;- Meu caro Manel… Vamos esquecer a minha condição de sacerdote. Com vós os dois sinto-me à vontade para dizer o que vou dizer. Todos sabemos que Lutero iniciou um movimento de purga de vícios da Igreja. Mas essa ideia perdeu-se depois nos meandros do poder secular, com os vários “delfins”, duques e afins, a tentarem dominar o movimento na sua região e a ditarem ordens. Isto veio beneficiar em parte a Contra-Reforma. Mas reconheço os vícios apontados por Lutero e de que a Igreja precisava realmente de uma reforma. Acham estranho eu dizer isto?&lt;br /&gt;- Não. – Respondeu Samuel. – Pelo que conheço de si, acho que é uma pessoa que não teme questões como essa.&lt;br /&gt;- Que me têm causado alguns dissabores. Por isso não chegarei nunca a bispo ou cardeal. Para isso teria que abdicar da minha consciência e aceitar coisas que me parecem inaceitáveis.&lt;br /&gt;- O Daniel disse-me um dia que a consciência de cada um é inviolável. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Mantenho essa afirmação.&lt;br /&gt;- E porque é que então continua sacerdote? – Perguntou Samuel.&lt;br /&gt;- Por duas razões. Em primeiro lugar, porque o sacerdócio é para toda a vida, mesmo que renunciasse aos meus votos e optasse pela vida civil, como muitos têm feito, nunca deixaria de ser sacerdote. Em segundo lugar, porque acho que as mudanças, se possíveis, devem ser feitas no interior da Igreja, e não fora dela.&lt;br /&gt;- Mas o que é facto, – contrapus, – é que não tem havido mudanças. A Igreja continua igual ao que sempre foi. Os dogmas e a censura continuam os mesmos ao fim de uma porção de séculos.&lt;br /&gt;- Reconheço que tem sido um caminho muito difícil. – Respondeu Daniel. – Mas, apesar de tudo, a Igreja tem hoje uma postura diferente perante o mundo. Sei que vai dizer que a Inquisição não exerce hoje o seu poder porque esse poder lhe foi retirado pela sociedade civil. Mas vamos parar de falar da Igreja, afinal, como alguém já disse, ela é o grande repositório espiritual da humanidade. &lt;br /&gt;- Será? – Perguntou Samuel. – Não acha que existe uma tradição espiritual exterior à Igreja?&lt;br /&gt;- Não, não acho. – Respondeu Daniel.&lt;br /&gt;- Bem, – continuou Samuel, – existe o Budismo, o Hinduísmo e toda uma tradição oriental que nada tem a ver com a Igreja.&lt;br /&gt;- Aparentemente é assim. – Respondeu Daniel. – Mas iríamos muito longe para sabermos a origem de toda essa tradição. O que é, afinal, a tradição espiritual da humanidade?&lt;br /&gt;- A tradição espiritual da humanidade é algo primordial, que vem da origem dos tempos. – Disse eu. Por isso a Maçonaria, a Rosa+Cruz, mesmo a Teosofia, reportam a sua origem a tempos muito antigos, em certos casos assumem uma origem atlante.&lt;br /&gt;- Exactamente. – Disse Samuel. – Parece que tudo nos veio via Egipto, o Egipto Antigo. Não sabemos até que ponto a tradição egípcia terá influenciado a tradição oriental, mas sabemos que foi do Egipto que surgiram as três grandes religiões manifestadas. Não é assim?&lt;br /&gt;- Não vai falar de Akhenaton, como o grande mentor dessa tradição. – Disse Daniel.&lt;br /&gt;- Não. – Respondeu Samuel. – Embora em alguns círculos se considere Akhenaton como o faraó que primeiro quis instituir a noção de um Deus único, não concordo com isso porque essa noção sempre existiu no Antigo Egipto. Há um livro muito interessante, cujo autor não me recordo agora, chamado “O Egípcio”, que retrata Akhenaton de forma muito pouco favorável. Segundo esse livro, Akhenaton era um ser fraco, louco, esquizofrénico, que conduziu o Egipto a uma verdadeira guerra civil com milhares de mortos, que enfraqueceu as fronteiras tornando-as vulneráveis aos exércitos inimigos, que levou o Egipto praticamente à bancarrota ao mandar construir a sua cidade de Akhetaton, próximo da actual Amarna, tudo isto para impor o culto de Aton em substituição do de Amon.&lt;br /&gt;- Por isso, disse Daniel, – todas as referências ao seu reinado foram apagadas e não se sabe onde a sua múmia foi depositada, ou mesmo se chegou a ser mumificado, tal o ódio que despertou, não só na classe sacerdotal, mas também na maior parte da população.&lt;br /&gt;- Então concorda com esse retrato de Akhenaton? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Concordo. Embora essa história possa não passar de um mito, assim como a outra. Por um lado, Akhenaton foi um déspota paranóico que tentou impor o culto de Aton ao povo egípcio. Por outro lado foi um místico, um Cristo antecipado e sacrificado mas… ninguém governa um país poderoso como o Antigo Egipto através do misticismo. Pura loucura.&lt;br /&gt;- Voltado a uma questão anterior, – disse eu, – em que o Daniel disse que tudo aconteceu dentro do Cristianismo, onde é que coloca essa tradição primordial?&lt;br /&gt;- No Cristianismo. – Respondeu Daniel.&lt;br /&gt;- Bem, – disse Samuel, – julgo entender o que o padre Daniel quer dizer. Sabemos que o Antigo Egipto terá sido o herdeiro e depositário dessa tradição primordial, uma chama viva mantida ao longo de séculos pelas Escolas de Mistérios, como os Mistérios e Osíris e de Ísis. Isto terá dado origem ao Gnosticismo, ou Escolas Gnósticas, com uma filosofia muito semelhante à Maçonaria tradicional. O Gnosticismo, por sua vez, deu origem ao Cristianismo na sua filosofia original, que pouco tem a ver com a actual, pois esta é literal, na assumpção de um Cristo vivente, enquanto a herança gnóstica fala de um Cristo interior. Deste modo o Cristianismo pode ser considerado o herdeiro de toda a tradição primordial. O Cristo literal foi mantido pela religião, mais interessada no poder secular do que no espiritual. O Cristo interior da tradição gnóstica e egípcia foi mantido e revivido, sempre que foi possível, pela ideia Rosa+Cruz, pela Maçonaria e pela Teosofia. Concordam?&lt;br /&gt;Ficámos em silêncio durante uns momentos, apreendendo o significado das palavras de Samuel. De facto, os primeiros grupos cristãos eram gnósticos, o seu Cristo era o Cristo interior, e não Aquele, supostamente crucificado. Mas nenhuma religião se poderia manter com base apenas nesse Cristo interior.&lt;br /&gt;- Muito bem. – Disse por fim Daniel. – Acho que chegou a hora de irmos jantar.&lt;br /&gt;Olhei para Samuel, cuja expressão reflectia a compreensão da evasiva de Daniel, que não poderia concordar, dada a sua condição de sacerdote católico, mas que no fundo do seu íntimo talvez estivesse de acordo.&lt;br /&gt;Fomos Jantar. O borrego assado estava excelente e o vinho, ainda que caseiro, era óptimo. A conversa desenvolveu-se por outros temas mais laicos. &lt;br /&gt;Esta dói a última vez que conversei e me encontrei com o padre Daniel. Os nossos caminhos seguiram rumos diferentes. Só agora, no dia 12 de Maio deste ano, me lembrei dele e da conversa que tivemos, juntamente com Samuel. Neste mesmo dia 12 de Maio, Daniel faleceu. Confesso que a coincidência me deixou perturbado. Terei sido avisado, de algum modo, da sua partida?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-8505193309678285662?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/8505193309678285662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=8505193309678285662' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8505193309678285662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8505193309678285662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/05/conversas-com-samuel-dalatando_31.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-8459013752900354028</id><published>2010-05-06T15:24:00.000-03:00</published><updated>2010-05-06T15:25:40.154-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 3ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da nossa estadia em Edimburgo, durante cerca de um ano pouco soube de Samuel Dalatando. Sabia que ele vivia em N. York, num apartamento da rua 52, e que era um “globetrotter”, um cidadão do mundo. Viajava constantemente e não raro via notícias a seu respeito na imprensa e na televisão. Sabia, no entanto, que mais dia, menos dia, o nosso contacto se restabeleceria e continuaríamos as nossas conversas. Entretanto fui fazendo alguma pesquisa, li alguns livros, consultei outros, cruzei informações, afim de poder obter uma imagem mais abrangente de todo o processo rosacruz.&lt;br /&gt;Se o século dezassete se tinha notabilizado pela explosão das ideias rosacruzes, envolvendo alguns nomes importantes, beneficiando e um certo clima de aparente liberdade resultante da crise que grassava na Igreja provocada pela Reforma iniciada por Lutero, o século seguinte assistiu a uma certa concretização daquelas ideias, pois foi o século do aparecimento de muitas organizações maçónicas ou paramaçónicas.&lt;br /&gt;Três nomes, entre muitos, marcaram indelevelmente esse século dezoito, cujas ideias e rituais foram adoptados por uma infinidade de organizações até aos dias de hoje. Esses nomes são: Martines de Pasqually, Jean-Baptiste Villermoz e Louis-Claude de Saint-Martin.&lt;br /&gt;Enquanto aguardava o contacto de Samuel, fui pesquisando sobre essas três figuras marcantes do século XVIII, que influenciaram todo o movimento maçónico e deram origem ao chamado “cristianismo esotérico”, conhecido como martinismo, além de terem estabelecido toda uma ritualística ainda hoje seguida por várias escolas iniciáticas. Como gostaria de conversar com Samuel sobre este assunto…&lt;br /&gt;Entretanto, os ecos da conversa tida com Sir F. em Edimburgo mantinham-se na minha cabeça, levando-me a concluir, talvez precipitadamente, que tudo não passava de uma grande ilusão criada por mentes geniais, mas uma ilusão que acabou, de certa maneira, por influenciar a sociedade, não só daquela época, mas de todo o tempo posterior.&lt;br /&gt;Numa certa tarde de Junho, um ano após o nosso encontro em Edimburgo, recebi um telefonema de Samuel. Estava em Lisboa, onde ficaria por alguns dias. Combinámos encontrarmo-nos nessa noite em Alfama, num daqueles restaurantes com mesas e cadeiras ao ar livre, típicos da época dos Santos Populares naquele bairro antigo de Lisboa.&lt;br /&gt;Os nossos encontros foram sempre em terreno neutro, nunca na residência de cada um ou em algum local mais pessoal, ou ligado a alguma escola iniciática. Sabia que Samuel tinha atingido os mais altos graus iniciáticos em algumas dessas escolas, assim como eu procurava trilhar por esse caminho, mas nunca nos referimos às nossas experiências nesse campo. Era uma espécie de território reservado.&lt;br /&gt;Alfama cheirava a sardinha assada por todo o lado, e Samuel, apesar do calor de verão, vestia impecavelmente, fato completo, como de costume. Sentámo-nos a uma mesa de um restaurante ao ar livre, numa rua que descia em largos degraus e, como não podia deixar de ser, pedimos uma boa dose de sardinha assada e vinho tinto do Dão, meu preferido e também do Samuel.&lt;br /&gt;- Chegou a alguma conclusão depois da nossa entrevista com Sir F. em Edimburgo? – Perguntou a certa altura Samuel.&lt;br /&gt;- Não a uma conclusão, mas talvez a várias. – Respondi. – É difícil tirar conclusões em assuntos que parecem esgueirar-se entre os dedos A uma certeza aparente corresponde uma dúvida, e esta dá origem a outras.&lt;br /&gt;- É verdade. Nestas coisas é muito difícil encontrar o “fio de Ariadne” que nos conduza a porto seguro. Ou você acredita, e neste caso as suas dúvidas são dissipadas pela crença, pois é assim que funcionam as igrejas, ou não acredita, e parte em busca de respostas difíceis de encontrar.&lt;br /&gt;- Julgo que a segunda hipótese é a mais saudável. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Sem dúvida. Mas um caminho muito penoso. Por exemplo, como já vimos, os irmãos da Rosa+Cruz eram invisíveis, portanto, não existiam, ou, existiam se alguém acreditasse na sua existência. Isto moldava todo o pensamento e estrutura da sociedade. Ainda hoje é assim. Dá para entender?&lt;br /&gt;- Entendo. Se acreditarmos seriamente em algo que não exista concretamente, esse algo passa a existir na nossa mente, mesmo que nunca se venha a concretizar.&lt;br /&gt;- É isso. Esse é o mistério das religiões. Não se baseiam elas todas em mitos ou lendas?&lt;br /&gt;- De facto. Mas as ideias rosacruzes acabaram por se concretizar, não é?&lt;br /&gt;- O que é que quer dizer com isso?&lt;br /&gt;- Quero dizer que as ideias rosacruzes acabaram por se concretizar em associações fundadas a partir do século dezoito. O que me diz de Martines de Pasqually, Willermoz e Saint-Martin? Para não falar em Cagliostro, Jacob Boehme e outros?&lt;br /&gt;- Vejo que andou a pesquisar bastante. O que é que eu acho? Gostaria de saber o que Andreae pensaria. Seria certamente interessante.&lt;br /&gt;- Mas não acha que eles colocaram no “terreno” as ideias rosacruzes?&lt;br /&gt;- Em parte, sim. Não podemos afirmar que Pasqually fosse rosacruz ou partidário das ideias rosacruzes. Coloco-o mais próximo do ideal maçónico. No entanto, o seu pensamento seria inconcebível se não tivesse havido essa mitologia rosacruz.&lt;br /&gt;- Inconcebível porquê? – Perguntei.&lt;br /&gt;- A mitologia rosacruz, chamemos-lhe assim, produziu algo de prodigioso, abriu um vasto espaço para a manifestação de actividades e fenómenos antes proibidos pela censura católica.&lt;br /&gt;- Compreendo. – Respondi. - Pasqually era uma figura estranha. Dizia que o conhecimento que tinha recebera-o por herança do seu pai. Ora, como ninguém sabe quem ele era, também ninguém sabe quem era o pai.&lt;br /&gt;- Certo. Não se sabe realmente qual a sua origem. Uns dizem que era português, cujo nome verdadeiro seria Martins de Pascoais, outros afirmam o seu nascimento em Espanha, outros dão-no como francês ou suíço. Mas de uma coisa há certeza, que ele era um judeu convertido.&lt;br /&gt;- Porquê? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Porque a doutrina que propunha e que está patente no livro “Tratado de Reintegração dos Seres” é típica do cristianismo judeu, algo que se considerava extinto há muito tempo.&lt;br /&gt;- Ele fundou várias ordens, principalmente a que ficou mais famosa, a ordem dos “Elus Cohens” [Sacerdotes Eleitos]. Acha que essas ordens estavam mais próximas da Maçonaria?&lt;br /&gt;- Sem dúvida. Embora se tratasse de uma maçonaria operativa, ou seja, com rituais em que havia invocações mágicas ou espirituais, em que se activavam energias consideradas divinas. Esses rituais continham uma teurgia em que se invocavam seres espirituais inteligentes, como os anjos.&lt;br /&gt;- Uma espécie de espiritismo? Como é que essas práticas podem ser consideradas maçónicas?&lt;br /&gt;- Bem, Pasqually dizia que o seu ritual era uma tradução de uma “Constituição e Patente” que fora concedida a seu pai por Charles Stuart, rei da Escócia, Irlanda e Inglaterra, Grão-Mestre de todas as Lojas maçónicas sobre a Terra. Mas para compreender isto precisamos de saber o que era a Maçonaria nos séculos dezoito e dezanove, pois hoje, ainda que haja semelhanças, evoluiu para algo um pouco diferente. A Maçonaria do século dezoito estava ligada intimamente à Casa Real dos Situat. Não há hoje dúvidas de que as primeiras Lojas foram fundadas em Inglaterra ou na Escócia, havendo implícita uma herança escocesa, pois até as Lojas francesas se intitulavam de “Maçonaria Escocesa”. Na época, o grau de cavaleiro maçónico era importante quando concedido por um rei. Combinar a Escócia com as lendas dos templários ali exilados, criava uma nova mitologia à qual, não era estranha a mitologia rosacruz. Podemos dizer, sem errar muito, que a Maçonaria de Pasqually era uma Maçonaria Teosófica, à qual aderiram sem reservas iniciais, Willermoz e Saint-Martin.&lt;br /&gt;- Parece-me, - disse eu, - que essa Maçonaria de Pasqually pouco tinha a ver com a Maçonaria que se estendeu desde o Reino Unido até à França e Alemanha. Parece-me mais uma resposta católica ao rosacrucianismo protestante. Mas isto pode ser um grande disparate.&lt;br /&gt;- Não. Não é disparate nenhum se pensarmos que desde o início houve grandes clivagens entre a Maçonaria jacobita e a Maçonaria pró Stuart. Os maçons jacobitas defendiam que a Maçonaria renascera na Europa durante o período das Cruzadas, e depois, juntamente com os mistérios trazidos do Oriente pelos rosacruzes, estabelecera-se definitivamente na sociedade. Deste modo a Maçonaria propunha-se restaurar a unidade primitiva do homem, a restauração da perfeição adâmica preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;- Isso é um pouco confuso. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Para confundir ainda mais, - disse Samuel, rindo, - um tal de Von Hund criou o Rito da “Estrita Observância”, a presumida continuação de uma ordem secreta templária que tinha sobrevivido à perseguição do Papa e de Filipe de França. Dizia-se então que os verdadeiros segredos residiam aqui, na “Estrita Observância”, e não entre as Lojas jacobitas.&lt;br /&gt;- Complicado. – Disse eu. – Mas o que é que isso tem a ver com o rosacrucianismo?&lt;br /&gt;- A ideia rosacruz foi a base a partir da qual tudo se desenvolveu. Nada teria sido possível sem essa abertura proporcionada pela ideia rosacruz. Essa ideia era a da construção de uma sociedade renascida em Cristo, uma sociedade ideal e fraterna, sem os defeitos que permeavam a sociedade do século dezassete. Para mim, a Maçonaria lançou-se à conquista dessa ideia de duas formas: através do catolicismo jacobita, e é aqui que entra Pasqually; ou pela via templária, reformista, anti-católica e escocesa.&lt;br /&gt;O jantar tinha chegado ao fim. Sem dar por isso, eu tinha comido uma dúzia de sardinhas e Samuel outro tanto. Descemos a rua até às imediações de Santa Apolónia, passando pela Casa dos Bicos, uma construção de que eu não gostava, por achá-la absurda e porque a beleza de Lisboa antiga não precisava daquilo. Continuámos a conversa caminhando em direcção ao Terreiro do Paço.&lt;br /&gt;- Pelo que entendi até agora, - disse eu, - a Maçonaria é a herdeira natural da ideia rosacruz transposta para o concreto sob a forma de Lojas, Ritos e rituais. Certo?&lt;br /&gt;- É provável que seja assim. – Respondeu Samuel&lt;br /&gt;- Onde é que entram Willermoz e Saint-Martin?&lt;br /&gt;- Saint-Martin, referindo-se a Pasqually, terá declarado um dia que se tratava de um homem extraordinário, mas que era o único que não conseguia entender.&lt;br /&gt;- Isso pressupõe uma certa divergência entre os dois.&lt;br /&gt;- Sim. Saint-Martin nunca aceitou muito bem a necessidade da teurgia no ritual. Dizia que para encontrar Cristo ou a essência divina, não eram necessárias essas invocações.&lt;br /&gt;- Mas Saint-Martin era um místico.&lt;br /&gt;- Sim, sem dúvida. Ele sistematizou as ideias de Pasqually num sistema que veio a chamar-se Martinismo, o que não quer dizer que ele aprovaria algumas correntes martinistas actuais, que se desviaram da verdadeira essência preconizada por ele. &lt;br /&gt;- É correcto dizer-se que o Martinismo é o esoterismo cristão?&lt;br /&gt;- Julgo que sim, pelo menos o Martinismo idealizado por Saint-Martin. Ele achava que a “Queda” podia ser superada através da regeneração e reintegração na verdadeira luz. Isto era possível através do que ele chamava de “acto do Reparador, ou seja, Cristo.&lt;br /&gt;- E qual a ligação que pode ser estabelecida entre Saint-Martin e a Fraternidade Rosa+Cruz?&lt;br /&gt;- Ele era denominado “O Filósofo Desconhecido”, o que pode ter vários significados. Mas um filósofo desconhecido tem muito a ver com uma fraternidade invisível, não é?&lt;br /&gt;Chegámos nesta altura ao Terreiro do Paço. Tomámos um táxi, deixei Samuel no hotel Ritz, onde estava hospedado, e segui para casa. Prometemos encontrarmo-nos brevemente para continuarmos esta conversa, logo que a agenda de Samuel, sobrecarregada com reuniões, inclusive com o Primeiro-ministro, o permitisse&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-8459013752900354028?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/8459013752900354028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=8459013752900354028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8459013752900354028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8459013752900354028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/05/conversas-com-samuel-dalatando_06.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-3215746599414833740</id><published>2010-05-02T15:16:00.000-03:00</published><updated>2010-05-02T15:17:40.278-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 2ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o primeiro manifesto, o “Fama Fraternitatis”, foi exposto nas paredes de Paris, causando o maior alvoroço e temor entre todos os que sabiam ler e entre os que viam o seu mundo ficar à mercê dos tais invisíveis, que ninguém sabia quem eram, mas que parecia terem grande poder, o seu conteúdo já era conhecido em certos círculos alemães, pois alguns manuscritos tinham chegado à posse e conhecimento de pessoas ligadas ao ocultismo e alquimia, de que Paracelso continuava a ser o seu grande mentor, graças à liberdade concedida nas terras sob o domínio protestante.&lt;br /&gt;O efeito dos manifestos foi devastador para os católicos. Quem eram os invisíveis? Estariam eles associados às ideias demoníacas dos judeus e dos árabes? Seriam eles discípulos de Paracelso? Como encontrá-los, persegui-los, se eles eram invisíveis?&lt;br /&gt;Mesmo assim, não podendo ser identificada e provada a sua filiação em algum grupo de rosacruzes, pessoas foram presas e torturadas. Na Holanda as autoridades católicas montaram um tribunal para julgar os textos rosacruzes. Esse tribunal concluiu que a existência dos Irmãos da Rosa-Cruz não passava de ficção. Mas se era ficção, porque é que gerara tanto medo?&lt;br /&gt;O próximo encontro com Samuel não foi em Paris, como eu esperava depois da nossa conversa em Frankfurt. Telefonou-me perguntando-me se poderia estar em Edimburgo, na Escócia, por volta do dia 10 de Junho, pois gostaria de me apresentar a alguém ligado à Maçonaria e aos Cavaleiros Templários e, provavelmente, ligado a algum movimento ou organização rosacruz ou martinista. Evidentemente que lhe respondi que tinha todo o interesse em conhecer tal pessoa e que faria tudo para poder estar lá nesse dia 10 de Junho.&lt;br /&gt;Mas porquê o 10 de Junho, dia de Portugal, perguntei-lhe. Porque ele fora convidado a estar presente na comemoração da “White Cockade”, que se realizava nessa altura. Disse-me também para levar um trajo de cerimónia, pois eu também era convidado.&lt;br /&gt;“White Cockade”? O que era isso? Nunca tinha ouvido falar em tal coisa. Na época ainda não havia a Internet para facilitar a pesquisa. O único meio era as bibliotecas. Foi na biblioteca da Universidade Católica que encontrei a resposta: havia inúmeras “white cockade” por todo o mundo; no caso escocês era o símbolo usado pelos seguidores de Charles Edward Stuart, pretendente jacobita ao trono inglês; esse símbolo era constituído por uma rosa branca usada na frente da boina ou na lapela do casaco. O termo “jacobita” derivava de James, ou Jacob, pai de Charles Edward, e era o termo usado para designar os católicos no Reino Unido.&lt;br /&gt;Enquanto viajava para Edimburgo, via Londres, naquele 9 de Junho, pensei se não estaria a deixar-me envolver em algum movimento monárquico de restauração da Casa de Stuart, situação na qual não me sentia muito confortável em virtude das reservas que tinha, e que sempre tive em relação às monarquias reinantes.&lt;br /&gt;Samuel esperava-me no aeroporto de Edimburgo e, enquanto nos dirigíamos para o hotel num carro alugado com motorista, informou-me que tínhamos encontro marcado à noite com Sir F., a pessoa de que me falara ao telefone. Perguntei-lhe quem de facto era essa pessoa, como era, ao que me respondeu que logo veria por mim próprio.&lt;br /&gt;O motorista foi-nos buscar ao hotel um pouco antes das 19 horas. Ainda era dia e podiam ver-se distintamente as muralhas do velho castelo dominando a cidade. Ao percorrer as antigas ruas de Edimburgo, esperava ser conduzido a uma vetusta mansão e participar de um faustoso jantar. Em vez da mansão, esperava-me um terceiro andar sem elevador de um velho edifício do centro da cidade. Em vez do jantar, apenas um chá acompanhado de bolachas e bolinhos. &lt;br /&gt;Sir F. recebeu-nos à porta do seu apartamento e introduziu-nos num salão modestamente decorado, onde se podiam ver velhas gravuras penduradas nas paredes. Era um homem corpulento que devia andar pelos 70 anos de idade, barba branca crescida e uns olhos azuis brilhantes e inquisitivos. Vestia o tradicional “kilt” escocês e estava acompanhado por um jovem que apresentou como príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica caso a actual Casa de Gales não tivesse descendência. Para sobreviver, como vim a saber mais tarde, este príncipe trabalhava numa livraria.&lt;br /&gt;Depois de sentados em sofás já com bastante uso, e de servido o chá numa mesa baixa, por uma mulher também idosa que calculei ser a pessoa que tomava conta da casa e de Sir F., este, depois de um olhar caloroso em direcção a Samuel, olhou para mim e disse:&lt;br /&gt;- Samuel falou-me do seu interesse pelas coisas templárias e rosacruzes. Samuel é meu grande amigo desde longa data e falou-me muito de si. Espero que nos tornemos também amigos.&lt;br /&gt;- Sim, – respondi – tenho vindo a pesquisar há algum tempo acerca dos templários e dos rosacruzes, assim como dos maçons. &lt;br /&gt;- Então veio ao lugar certo. - disse ele com um largo sorriso – Sei alguma coisa acerca disso tudo.&lt;br /&gt;- Alguma coisa? – Perguntou Samuel.&lt;br /&gt;- Sim, alguma coisa. Ninguém sabe tudo acerca desses assuntos e há muita informação confusa.&lt;br /&gt;- Por informação confusa – disse eu, - o que me pode dizer acerca dos templários na Escócia? Sempre é verdade que fugiram em barcos de La Rochelle, durante a perseguição ordenada por Filipe o Belo, de França, e se refugiaram aqui, dando origem ao que nós conhecemos hoje como Maçonaria?&lt;br /&gt;Sir F. olhou para mim com curiosidade, como que a avaliar se eu queria realmente ser esclarecido, ou se esperava confirmação do que dissera. Depois pegou num livro que tinha sobre uma estante e disse&lt;br /&gt;- Este é um livro muito interessante sobre a história dos templários na Escócia. Foi escrito pelo meu querido amigo Andrew Sinclair, descendente da antiga família Saint Clair ou St. Clair. Como já o li, tenho o maior prazer em oferecê-lo a si, se não se importa de o receber apesar de já lido.&lt;br /&gt;Recebi o livro com satisfação e pedi a Sir. F. que fizesse uma dedicatória, que ele escreveu de imediato. Olhei a capa e o título era “The Sword and the Grail” [A Espada e o Graal]. Em subtítulo, “A História do Graal, os Templários e a verdadeira descoberta da América”.&lt;br /&gt;- A verdadeira descoberta da América? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Sim. Os templários que vieram para a Escócia navegaram também para ocidente e acabaram por descobrir a América, muito antes de Colombo. Aí nesse livro tem fotos de gravações em pedra na Nova Inglaterra feitas por esses descobridores.&lt;br /&gt;- Interessante. – Comentei.&lt;br /&gt;- Quer dizer que os templários fugidos das perseguições em França vieram acolher-se aqui na Escócia. – Acrescentei.&lt;br /&gt;- Não todos. Vieram apenas alguns. Como também encontrará nesse livro, a maior parte rumou para Portugal, onde foram bem recebidos e acolhidos. Desembarcaram próximo de Nazaré e depois transportaram a carga que levavam para Tomar.&lt;br /&gt;- O tesouro templário?&lt;br /&gt;- É provável que fosse um tesouro, talvez dinheiro, talvez mapas. Não foram eles que depois, através da vossa Ordem de Cristo desenvolveram os descobrimentos? Onde é que Portugal foi achar o dinheiro e os mapas para esse notável empreendimento?&lt;br /&gt;De facto, quando os portugueses se lançaram na campanha dos Descobrimentos estavam praticamente na bancarrota, tinham acabado de ter uma guerra com Castela e não havia dinheiro para nada.&lt;br /&gt;- Os templários permaneceram na Escócia até aos dias de hoje? – Perguntei. – Pelo que sei existe ainda uma Ordem Templária Escocesa.&lt;br /&gt;- Sim, existe. Mas hoje essa Ordem não é mais do que uma organização de carácter caritativo, recebemos doações que depois distribuímos pelos mais necessitados. Reunimo-nos duas ou três vezes por ano em Capítulo, na catedral de St. Mary. Uma das ocasiões é precisamente na altura da festa da “White Cokade”, que se realiza amanhã.&lt;br /&gt;- A família St. Clair foi uma das famílias que acolheu os templários. – Disse Samuel. – Essa família não está ligada à capela de Rosslyn, que parece conter segredos templários e maçónicos?&lt;br /&gt;- É verdade. – Concordou Sir F. – Nessa altura Rosslyn era um castelo da família St. Clair. A capela é uma reminiscência. Foram também os St. Clair que se lançaram á descoberta da América.&lt;br /&gt;- Mas que mistérios estão guardados em Rosslyn? – Perguntou Samuel.&lt;br /&gt;- Rosslyn, a capela, foi criada pelo mestre maçon William St. Clair. Está cheia de símbolos templários e cabalísticos, muitos dos quais ainda não foram compreendidos. Foi durante séculos, e julgo que ainda é, a grande referência dos maçons de todo o mundo. Rosslyn, em escocês antigo, quer dizer “corrente de sangue”, Ross [corrente] e Lyn [vermelho ou sangue], e tem a ver, naturalmente, com Cristo.&lt;br /&gt;Ficámos em silêncio durante algum tempo.&lt;br /&gt;- Quer dizer que a Maçonaria foi criada a partir dos templários? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Não. São vias diferentes. Os templários eram uma cavalaria ao serviço da Igreja. A Maçonaria nasceu dos antigos mestres pedreiros. Ninguém sabe quando nasceu a Maçonaria ou a ideia maçónica. Porque isto é que é importante – a ideia. É sobre uma ideia que se organizam associações, agremiações. Portanto, a ideia maçónica já existia há muito tempo e foi trazida desde a mais remota antiguidade até nós por esses mestres pedreiros. Não foram estes mestres pedreiros que construíram o Templo de Salomão? Não foram eles que construíram as catedrais góticas?&lt;br /&gt;- Sim, – Concordei. – Evidentemente que a ideia maçónica do cristianismo é diferente da dos templários. No entanto, há um ponto comum, a ideia de uma sociedade regenerada, como a ideia rosacruz do século XVII. &lt;br /&gt;- Se estou a compreender, - disse Samuel, - a questão toda se resume à ideia. Uma organização é uma mera forma de tornar a ideia acessível a outros. Quero dizer, uma forma de difundir a ideia o mais possível, como no caso da ideia rosacruz do século XVII, difundida através dos manifestos e de outras obras da altura. Dizem até que Francis Bacon foi o autor dos manifestos, e não o Valentin Andreae.&lt;br /&gt;- Já li algures que Francis Bacon foi, não só o autor dos manifestos, como também quem escreveu as peças atribuídas a Shakespeare. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Não, não… - respondeu Sir F. – Muita coisa tem sido atribuída a Francis Bacon, que foi uma mente iluminada, sem dúvida. Mas não é verdade. Shakespeare foi uma pessoa muito inteligente e foi ele mesmo quem escreveu as suas peças. Pode ter tido alguma ajuda mas, o autor é ele mesmo, hoje não há dúvidas, a não ser entre alguns especuladores que pretendem desvirtuar as suas qualidades. Quanto aos manifestos, também não, embora encontremos alguns elementos comuns, por exemplo, entre a “Fama” e a “Nova Atlântida”, esta sim, da autoria dele.&lt;br /&gt;- Também já vi escrito por recentes associações rosacruzes, que Francis Bacon foi Imperator da Ordem Rosacruz, ou seja, o seu máximo dirigente. – Contrapus.&lt;br /&gt;Sir F. sorriu ao ouvir esta minha última frase.&lt;br /&gt;- Veja bem, - disse ele, - como é que alguém poderia ser responsável por algo que não existia?&lt;br /&gt;- Não existia uma Ordem ou alguma espécie de organização chamada Rosacruz?&lt;br /&gt;- Claro que não. O que existia era a ideia, que foi expressa magistralmente nos manifestos por esse génio chamado Valentin Andreae. A ideia era de uma sociedade cristã renovada, ideia também expressa na “Nova Atlântida” do Francis Bacon. Houve muitos, na altura, que se consideraram rosacruzes por aderirem a essa ideia de uma nova sociedade, mas não havia nenhuma organização. Aliás, enquanto uma ideia se mantém por si mesma e se expande, ela frutifica nas mentes dos que a ela aderem e pode, de facto, mudar algo na sociedade. Quando a ideia se cristaliza numa organização, ela transforma-se em algo hierárquico, dando origem a lutas pelo poder e a vaidades de quem está no poder. Fica reduzida a uma doutrina fechada, como acontece com as igrejas. Enquanto ideia, ela circula livre e pode iluminar as mentes preparadas ou receptivas. Fiz-me entender?&lt;br /&gt;- Perfeitamente, - respondi. Mas de onde surgiu essa ideia, ou essas ideias, como a da Maçonaria e da Rosa+Cruz. Porque é que Andreae teve a iniciativa de escrever os manifestos, mantendo-se contudo incógnito?&lt;br /&gt;- Bem, antes de mais é necessário entendermos que ninguém inventou nada até hoje, limitamo-nos a descobrir aquilo que já existia. Evidentemente que as ideias de Valentin Andreae e de Francis Bacon não surgiram naquela altura, eles limitaram-se a compreendê-las e a transpô-las para o papel, um sob a forma de manifestos anónimos, outro em obras sobre uma nova cidade, que é o mesmo que dizer, uma nova sociedade. A ideia rosacruz inspirou uma obra tremenda e por todos conhecida. Refiro-me ao “Dom Quixote” de Cervantes. Não é por acaso que esse livro apareceu escrito na mesma altura que os manifestos. Tido como uma caricatura ridícula dos romances de cavalaria, na verdade encerra grandes ensinamentos. Sancho Pança é a realidade da sociedade da altura. Se os romances do século XIII falavam de uma terra devastada, o “Dom Quixote” faz exactamente a mesma coisa quatro séculos mais tarde, pois é conhecida a imensa corrupção que grassava numa Europa liderada pela Igreja de Roma. Simbolicamente, a dama, Dulcineia, representa a rosa, e o combate empreendido é um combate contra a corrupta sociedade, é a cruz, o arquétipo daquele que assume uma missão, mesmo que essa missão não tenha possibilidades de êxito. No entanto, apesar dos desaires sofridos, a sua mensagem ficou para toda a eternidade.&lt;br /&gt;- Muito interessante essa associação da obra de Cervantes com a ideia rosacruz, - disse Samuel.&lt;br /&gt;- Mas voltando à pergunta inicial, - continuou Sir F. – qual a origem das ideias. Provavelmente têm o mesmo tronco original, tanto a Rosa+Cruz, como a Maçonaria, ou mesmo os Templários. Essas ideias foram sendo mantidas ao longo do tempo, muitas vezes à revelia dos poderes vigentes, por aqueles que aprendemos a chamar de alquimistas. Quem eram de facto os alquimistas? Gente que buscava, simplesmente. Gente que pensava que as coisas podiam ser diferentes, que a sociedade podia tornar-se mais justa e fraterna. Usavam os seus conhecimentos científicos nessa busca espiritual. Os seus modestos laboratórios eram apenas um meio através do qual poderiam chegar à Pedra Filosofal.&lt;br /&gt;- Paracelso foi importante na difusão dessas ideias? – Perguntou Samuel.&lt;br /&gt;- Sim. Paracelso e outros. Pitágoras, por exemplo, é tido como um dos mestres antigos dessas ideias.&lt;br /&gt;- Analisando os manifestos e outras obras da altura, - disse eu, - vejo que a sabedoria contida neles veio do Oriente. Na obra de Andreae, a sabedoria é a Sofia, uma dama com asas, como se fosse um anjo. Toda a história de C. R., que se presume serem as iniciais de Christian Rosenkreutz, começa realmente no Oriente, na antiga Síria, onde ele é iniciado pelos sábios da cidade de Damcar. Mas parece que este nome resultou de um erro ortográfico e que o verdadeiro nome seria Damar. Mas não importa, o que parece acontecer é que essas ideias vieram ou nasceram no Oriente. Foi lá, em Jerusalém, que os templários foram buscar aquilo que é chamado de seu segredo, e que lhes permitiu atingir um poder muito grande na Europa.&lt;br /&gt;- De facto assim parece ser. – Disse Sir F. – Numa Europa amordaçada pelo poder da Igreja de Roma, os árabes, na sua diversidade de nações beneficiavam de uma certa liberdade que lhes permitia desenvolver determinados conhecimentos que talvez não tenham sido criados por eles, mas eles souberam retê-los e transmiti-los a quem merecia. Não só os árabes, mas também os judeus criaram ou receberam toda uma sistemática da tradição que reflectiram na Cabala e em outras obras. A Maçonaria reporta as suas origens ao antigo Templo de Salomão. Portanto, Andreae, muito inteligentemente, faz o seu herói peregrinar pelo Oriente e dali voltar com toda a sabedoria.&lt;br /&gt;- Mas o herói de Andreae, o R. C., não é uma ficção? – Perguntou Samuel.&lt;br /&gt;- Claro que é uma ficção. – Respondeu Sir F. – Esse herói nunca existiu a não ser na cabeça de Andreae e daqueles que assumiram a sua existência real. Mas serviu magistralmente os propósitos de criar uma lenda sobre a qual se construiu todo um castelo de crenças e tradições. O túmulo de Christian Rosenkreutz nunca existiu na verdade, assim como o próprio ocupante. Existiu apenas a ideia, uma ideia de génio, sem dúvida, que desencadeou uma onda de prosélitos que se auto intitularam rosacruzes, quando na verdade não havia rosacruzes.&lt;br /&gt;- Qual a influência dessa ideia aqui no Reino Unido? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Já falámos de Francis Bacon. Poderia falar de outros supostamente considerados rosacruzes. O termo rosacruz passou a ser considerado pejorativo depois do envolvimento de alguns que se diziam rosacruzes na revolução e curta república de Cromwel. Restabelecida a monarquia, a palavra rosacruz foi banida, e ainda hoje há um sentimento de repúdio por essa palavra.&lt;br /&gt;- Quer dizer que no Reino Unido não existe nenhuma organização ou confraria desse nome ou que procure reviver o rosacrucianismo. – Disse eu.&lt;br /&gt;- Meu querido amigo, - respondeu Sir F. – reviver algo que nunca existiu? Evidentemente que existem e existiram algumas organizações que se intitularam de rosacruzes, mas não têm nada a ver com esse passado mágico dos manifestos e da “Nova Atlântida” de Bacon. &lt;br /&gt; A noite já ia adiantada e preparámo-nos, eu e Samuel, para nos despedirmos e voltarmos para o hotel. Da minha parte, o diálogo com Sir F. tinha-me trazido muitos elementos novos sobre os quais teria que meditar. Havia algo implícito no seu discurso sobre o qual não vou falar, mas que deixo ao critério do leitor tirar as suas conclusões.&lt;br /&gt;No dia seguinte iria estar presente nas cerimónias templárias realizadas na catedral de St. Mary, e depois na festa da “White Cokade”, onde teria a honra de entrar no enorme salão acompanhando a Primeira Dama da Escócia, seguido de uma banda de tambores e gaitas escocesas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-3215746599414833740?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/3215746599414833740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=3215746599414833740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3215746599414833740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3215746599414833740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/05/conversas-com-samuel-dalatando.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-5231351919496629059</id><published>2010-04-10T02:06:00.001-03:00</published><updated>2010-04-10T02:08:13.132-03:00</updated><title type='text'>Conversas com Samuel Dalatando</title><content type='html'>I – A Fraternidade Rosa-Cruz – 1ª Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou dizer quem é Samuel Dalatando, pois este não é o seu verdadeiro nome e também porque sei que ele não gostaria de ser identificado. Assim talvez se fique a conhecer um pouco através das conversas que vou relatar, baseado apenas na minha memória, que acho que ainda é de confiar apesar de toda a subjectividade que um relato de conversas baseado apenas em lembranças pode implicar.&lt;br /&gt;Encontrámo-nos diversas vezes, em diferentes cidades, como Lisboa, Madrid, Luanda, N. York, São Paulo e outras. Nessas alturas tivemos oportunidade de conversar sobre algumas coisas que nos fascinam, tanto a mim quanto a ele, além de, naturalmente, conversarmos sobre coisas corriqueiras. Parte desta conversa ocorreu em Frankfurt, na Alemanha. Não foi por acaso que falámos sobre a Fraternidade Rosa-Cruz, pois esta, como veremos, está intimamente ligada ao país germânico.&lt;br /&gt;- A Alemanha – dizia eu enquanto almoçávamos num restaurante búlgaro numa rua próxima da Estação Central, um dos poucos edifícios poupado pelos bombardeamentos aliados durante a Segunda Grande Guerra – foi o berço onde nasceu a ideia de uma sociedade rosacruz, que depois se expandiu para o resto da Europa através de três manifestos, o primeiro dos quais se chamava “Fama Fraternitatis” e que teve como objectivo, pelo que penso, lançar a ideia de uma sociedade ou ordem de superiores invisíveis, que dominava a Europa de então.&lt;br /&gt;- Estou de acordo, mas não devemos confundir duas coisas: a primeira é a de que a tradição rosacruz não nasceu na Alemanha, é muito mais antiga como sabe; a segunda é a de que não podemos separar a edição anónima desses manifestos das condições em que se vivia nessa altura na Europa.&lt;br /&gt;- Bem, sobre a primeira razão, sim, a tradição é muito antiga, e há quem a reporte ao antigo Egipto, o qual a teria recebido da Atlântida. Mas a que condições se refere?&lt;br /&gt;- Essa é uma grande história… mas temos tempo para falar dela, pelo menos da sua maior parte ou da parte mais importante.&lt;br /&gt;- Então vamos lá.&lt;br /&gt;- O século dezasseis foi um século muito complicado para a Europa. Complicado e sangrento. Foi o século da Reforma da Igreja, iniciada na Alemanha por Martinho Lutero. Na verdade a Igreja não foi reformada, foi dividida. E esta divisão teve consequências dramáticas para os povos envolvidos no cisma. A reacção católica foi o que se esperaria, considerando o histórico cruel de muitos séculos do seu braço regenerador, a Inquisição. Não podemos esquecer que ainda em 1600 Giordano Bruno foi queimado na fogueira depois de ser torturado durante oito anos. E foi aqui, em Frankfurt, que Giordano foi atraído para voltar a Veneza por um amigo que lhe prometeu ensinar-lhe técnicas de melhorar a memória. Esse amigo acabou por denunciá-lo à sagrada Inquisição.&lt;br /&gt;- Mas a reacção católica teve particular expressão em França…&lt;br /&gt;- Sim. Por ordem dos monarcas franceses os reformadores foram perseguidos e chacinados sucessivamente, culminando com a matança de São Bartolomeu, em que dezenas de milhares de huguenotes, assim se chamavam os reformadores franceses, foram mortos.&lt;br /&gt;Enquanto o ouvia com profunda admiração, lembrava-me do nosso primeiro encontro, numa pequena pastelaria junto da Fonte Luminosa em Lisboa. O irmão que nos apresentou já partiu deste mundo. Foi um encontro rápido, enquanto tomávamos um café, mas suficiente para ter ficado com a impressão de nos conhecermos há muito tempo.&lt;br /&gt;- Os movimentos surgidos na Alemanha – disse eu – no século seguinte foram uma espécie de reacção a essa perseguição, beneficiando entretanto da liberdade concedida nas regiões libertadas do domínio da cúria romana. Foi assim que surgiu a ideia dos irmãos rosacruz, uma fraternidade tornada invisível pelo anonimato dos manifestos.&lt;br /&gt;- Certamente. Mas você acha que essa fraternidade invisível existia de facto?&lt;br /&gt;- Acho que a publicação dos manifestos foi uma ideia genial, principalmente o primeiro, o “Fama Fraternitatis”. Porque através dele os invisíveis passaram a existir, mesmo que não tenham existido na realidade, pois não havia nenhum grupo denominado rosacruz.&lt;br /&gt;- Foi realmente uma ideia brilhante – concordou Samuel. Uma ideia que não nasceu de um grupo, mas talvez de uma ou duas pessoas, embora houvesse um grupo que incluía alguns teólogos, ligado a uma universidade alemã, a universidade de Tübingen, se não estou em erro, que talvez tivesse contribuído com algumas ideias para a execução dos manifestos. O secretismo mantido ao longo dos séculos sobre a autoria dos manifestos, principalmente do primeiro, confirma que não foi ideia de um grupo, pois, se fosse o caso, alguém acabaria por quebrar o sigilo.&lt;br /&gt;- Concordo, Samuel. No entanto parece não haver já muitas dúvidas de que o terceiro manifesto, “As Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreuz” foi escrito por Valentin Andreae, um teólogo ligado a essa universidade de Tübingen. Ora, como o primeiro manifesto parece contar a história de Christian Rosenkreuz, embora não refira nenhum nome, apenas as iniciais C. R., e como o estilo entre a “Fama” e as “Bodas” é semelhante, é de presumir que foi Valentin o autor da “Fama Fraternitatis”.&lt;br /&gt;- Provavelmente sim. Mas C. R. pode tanto significar “cristão rosacruz”, como “cristão renascido”, o que poderia significar coisas diferentes, mas na realidade não, trata-se da mesma coisa pois, o cristão rosacruz originado dentro da Reforma, é na verdade um cristão renascido. A Ideia dos manifestos era o renascimento cristão ou, o resgate do cristianismo original, não inquinado pela Igreja de Roma. &lt;br /&gt;- Quer dizer que, ao contrário do que geralmente se pensa, essa fraternidade de irmãos invisíveis da rosacruz nasceu dentro do cristianismo reformador. De facto, logo no início da “Fama” se fala de Jesus Cristo. As de onde é que terão surgido as ideias dos manifestos?&lt;br /&gt;- Essa é uma longa e complexa história. Na altura viviam-se tempos apocalípticos. Kepler, o astrónomo ou astrólogo do imperador do Sacro Império Romano, observou em 1603 uma conjunção de Júpiter e Saturno no signo de Peixes. Conhecendo ele os trabalhos de astrólogos judeus e árabes, pensou logo que essa conjunção tinha um significado especial. Outras ocorrências astrológicas levaram-no a concluir que uma situação semelhante havia ocorrido em 7 a. C., época considerada mais provável para o nascimento de Jesus Cristo. Ele calculou também, não sei em que é que se terá baseado, que idênticas situações astrológicas tinham ocorrido em datas importantes para a humanidade, como no tempo de Adão, Moisés, etc. Ele achava que algo muito importante estava para acontecer, talvez o nascimento ou aparecimento de um novo profeta, ou talvez a segunda vinda de Cristo.&lt;br /&gt;- Mas não foi só por isso que se considerava que o fim do mundo estava próximo…&lt;br /&gt;- Não, embora a segunda vinda de Cristo pudesse significar o juízo final bíblico. Mas logo em 1604 Júpiter e Saturno voltaram a aproximar-se, desta vez em Sagitário, confirmando as previsões fatalistas. Foi também nesse ano de 1604 que o mundo, ou melhor, a Europa, assistiu aterrorizada à explosão de uma supernova. Esta estrela permaneceu visível por mais de um ano. Para Kepler algo semelhante acontecera em 7 a. C., o aparecimento da Estrela de Belém.&lt;br /&gt;- Imagino o susto das pessoas. Realmente deviam pensar que o fim estava próximo.&lt;br /&gt;- De facto as pessoas viviam muito assustadas, para além do susto que os católicos tiveram com o misterioso aparecimento da “Fama” colada nas paredes de Paris, mas esta é uma história para outra altura.&lt;br /&gt;- Sim, iremos falar dela.&lt;br /&gt;- Voltando às estrelas e conjunções, - continuou Samuel – sinais inequívocos de fim do mundo eminente, em 1623 deu-se nova conjunção de Saturno e Júpiter, agora no signo de Leão. Isto teve um significado muito especial. Desde Paracelso que se acreditava no aparecimento de uma figura simbolizada pelo “Leão da Meia-Noite” e que seria uma figura redentora, talvez um príncipe do norte que daria continuidade à Reforma e aniquilaria o “império do mal” dominado pelo papa. Alguns astrólogos tinham previsto o segundo advento de Cristo precisamente para 1623, podendo este ser o Leão das profecias&lt;br /&gt;- Isso é um pouco confuso, “Leão da Meia-Noite”, príncipe do norte…&lt;br /&gt;- A constelação de Leão está no norte, próximo da Ursa Maior, daí a vinda de um príncipe do norte.&lt;br /&gt;- Percebo agora. Mas como as profecias geralmente dão errado, não conheço nenhuma que tenha dado certo, também esta acabou por estar completamente errada. Não só não apareceu nenhum príncipe do norte, nem aconteceu o segundo advento de Cristo, nem o fim do mundo, mas estalou a guerra dos 30 Anos. &lt;br /&gt;- Sim, uma guerra religiosa entre o Sacro Império Romano católico e os Estados protestantes da Alemanha. As não podemos falar de uma guerra de 30 anos, mas de trinta anos de guerras sucessivas, em que nem sempre a motivação religiosa foi a causa.&lt;br /&gt;Chegámos ao fim do almoço naquele restaurante búlgaro cuja comida era muito parecida com a portuguesa. Samuel tinha que tomar um avião que o levaria para N. York. U iria voltar para Lisboa na manhã do dia seguinte. Continuaríamos a nossa conversa em outra altura, talvez em Paris, onde Samuel tinha um compromisso cerca de um mês mais tarde.&lt;br /&gt;Caminhando pelas velhas ruas do centro de Frankfurt de volta para o hotel, numa tarde primaveril já beirando o verão, pensei nos estranhos desígnios do povo alemão. Fora ali que havia sido lançada a ideia rosacruz, a ideia de uma fraternidade invisível que prometia modificar a sociedade, libertando-a de corrupções e tornando-a mais fraterna; fora ali, mais precisamente na Áustria, que nascera o criador da Psicologia e era ali que vários grupos continuavam a desenvolver as ideias de Freud e Jung, ainda que este fosse suíço, mas um suíço de língua alemã; fora ali que o “ovo da serpente” havia dado nascimento ao nazismo, como todas as trágicas consequências que mancharam para sempre a história recente da humanidade. O mal e o bem viviam lado a lado, ocupando contudo o mesmo espaço na mente de cada um.&lt;br /&gt;No momento em que escrevo esta espécie de memórias, também não posso deixar de pensar que vivemos novamente tempos apocalípticos. Já não são as estrelas e as conjunções astrológicas os principais protagonistas, ainda que estejam também presentes, mas é o aquecimento global e, principalmente, o fatídico calendário maia que prevê o fim do mundo para 2012. Talvez seja tempo do aparecimento de uma nova fraternidade de invisíveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-5231351919496629059?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/5231351919496629059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=5231351919496629059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/5231351919496629059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/5231351919496629059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/04/conversas-com-samuel-dalatando.html' title='Conversas com Samuel Dalatando'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-2986731707794129628</id><published>2010-01-15T00:42:00.001-02:00</published><updated>2010-01-15T00:42:39.981-02:00</updated><title type='text'>O Caminho de Santiago</title><content type='html'>III – Luz do Ocidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Caminho de Compostela não é o único caminho que levava os peregrinos da Europa de Oriente para Ocidente, terminando invariavelmente na costa atlântica, não em mar aberto, mas em rias profundas, que permitiam abrigo e ancoragem segura de barcos. Mas é o único caminho que foi “recuperado” pelo cristianismo, passando a constituir uma das suas três peregrinações principais, juntamente com Roma e Jerusalém.&lt;br /&gt;Além do Caminho de Compostela havia mais três, dois dos quais bastante conhecidos e um que terá caído no esquecimento. Estranhamente, esses caminhos estavam escalonados por latitudes separadas de três em três graus, todas passavam por lugares sagrados e por regiões onde abundam megalitos e dólmenes, vestígios naturais atribuídos à antiga civilização celta ou lígure.&lt;br /&gt;Já vimos que o Caminho de Compostela corria ao longo do paralelo 42. Logo acima, no paralelo 45, havia desde tempos imemoriais um caminho que talvez fosse o menos importante e por isso esquecido, mas que passava por Le Puy, pelas célebres grutas de Lascaux e terminava em Lugon. Não existe ponto de referência para o início deste caminho.&lt;br /&gt;Mais a norte, ao longo do paralelo 48 havia o caminho que tinha início em Sainte-Odile, na Alsácia, povoação situada em recinto de antigas construções ciclópicas impossíveis de datar, e terminava perto de Quessant, na costa atlântica. Ao longo deste caminho encontramos inúmeros megalitos, provavelmente pontos de referência e orientação para os peregrinos. Passa por diversos locais sagrados, especialmente por Chartres, o lugar mais sagrado dos franceses.&lt;br /&gt;Subindo mais três graus na latitude, encontramos o caminho britânico ao longo do paralelo 51. É provável que este caminho tivesse origem mais a leste, no continente europeu, numa altura em que talvez ainda não existisse o Canal da Mancha e a Ilhas Britânicas não existissem como ilhas, mas fazendo parte do continente.&lt;br /&gt;Considerando apenas o território britânico, este caminho começa em Canterbury e passa por Maidstone (a pedra da Virgem), Godstone (a pedra de Deus), por um cromeleque chamado Amesbury, que alguns entendem significar o “túmulo de Adão”, depois por outro cromeleque, Avesbury, que talvez signifique o “túmulo de Eva”. Passa também por Stonehenge, com o seu “grande templo do Sol” e o Cathoir Ghall, a “sala de dança dos gigantes”. Segue-se Glastonbury, onde se conta que José de Arimateia teria depositado o Graal, perto da colina de Avalon, que antes dos depósitos fluviais era a ilha mítica de Avalon, bem conhecida através da lenda de Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. Este caminho termina num local próximo de Tintagel, onde foi descoberto, gravado na pedra, um labirinto semelhante a um outro encontrado na Galiza, não distante de Santiago de Compostela.&lt;br /&gt;Tudo isto, as rotas traçadas de Oriente para Ocidente, a balizagem ao longo de um paralelo preciso com pequenas variações de minutos, a existência de lugares considerados desde sempre sagrados ao longo desses caminhos, não pode ser obra do acaso.&lt;br /&gt;É de presumir que estes caminhos foram traçados com fins religiosos, em que os peregrinos seguiam a rota do Sol, ou a rota indicada pela Via Láctea, de leste para oeste e terminando sempre no mar atlântico. Mas a precisão com que foram marcados sugere-nos que poderia haver outro motivo que ainda desconhecemos, mas que podemos pressentir. Para uma peregrinação religiosa não é necessária a existência de uma rota elaborada com tal precisão, qualquer caminho serve, desde que sirva para atingir o objectivo final. Por exemplo, para a peregrinação a Roma ou Jerusalém não existe um caminho pré-determinado. No caso de Compostela, outros caminhos foram sendo criados ao longo do tempo, como o chamado caminho português, mas prevaleceu sobre todos o caminho tradicional, aquele que segue ao longo do paralelo 42. O que procuravam os peregrinos a Ocidente?&lt;br /&gt;Uma das profecias de João XXIII diz: “ (…) Luz do Neiva no Oriente, mas a luz vem sempre do Ocidente”. Seria para esta luz que os peregrinos caminhavam através de mil dificuldades impostas pelas condições do terreno e dos perigos que punham em risco a própria vida? Que luz seria esta? Será que os portos atlânticos que os peregrinos demandavam eram pontos de encontro com seres que vinham do mar e traziam consigo todo um conjunto de conhecimentos que depois legavam a esses peregrinos?&lt;br /&gt;Temos que reconhecer que estamos perante um enigma, pois na verdade não sabemos para que é que esses caminhos serviam. Alguns autores afirmam que se tratava de caminhos iniciáticos, ao longo dos quais o peregrino era submetido a provas duras que lhe poderiam proporcionar o acesso a um conhecimento maior. Outros afirmam que durante o percurso o peregrino poderia aprender certos conhecimentos ocultos, como por exemplo o tratamento da pedra. Já vimos que os talhadores de pedra na região, no tempo dos lígures, se chamavam tiagos. O que é que acontecia quando chegavam ao seu destino, à beira do Atlântico? Entravam em contacto com seres que consideravam superiores, que depois chamaram deuses, vindos de algures do meio do oceano? Para tentarmos encontrar alguma resposta temos que recorrer à tradição.&lt;br /&gt;Parece não haver já dúvidas para ninguém de que existiu, há uns milhares de anos, uma grande ilha a meio do Atlântico, de que os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias serão os remanescentes. Parece também não haver dúvidas para ninguém de que, há uns milhares de anos, se deu um imenso cataclismo, que na Bíblia se chama Dilúvio Universal. Este dilúvio é conhecido sob a forma de lendas em todas as latitudes e longitudes da Terra. Portanto, havendo assim tantas descrições, umas mais fantasiosas que outras, é prova de que aconteceu na realidade. Esse cataclismo terá afundado essa ilha e levado para o fundo das águas os atributos de uma civilização evoluída, a que Platão chamou de Atlântida.&lt;br /&gt;Aparentemente não havia uma única ilha, mas várias ilhas, uma grande ilha rodeada de outras menores. Estas ilhas seriam habitadas por duas raças, uma de pele escura avermelhada e outra de pele clara. A de pele escura era de pequena estatura, mas a de pele clara era constituída por indivíduos altos. Não é credível que esses habitantes não tivessem entrado em contacto com os habitantes das regiões limítrofes, como a Europa ocidental, a costa ocidental da África e a costa oriental da América. Também não é credível que não tivesse havido migrações, tanto para ocidente como para oriente, e que esses povos migrados não se tivessem misturado com as populações locais. Acreditamos que essas migrações terão fundado colónias que mantiveram ligações com a pátria de origem, cujos conhecimentos procuraram transportar para as novas terras que ocupavam.&lt;br /&gt;A determinada altura aconteceu o cataclismo que, além de afundar a pátria de origem, causou devastações por toda a Terra, salvando-se apenas uns poucos sobreviventes. Estes, a pouco e pouco, órfãos da terra-mãe, foram esquecendo os prodígios que a sua civilização tinha alcançado, mas mantiveram os conhecimentos básicos que lhes permitiram depois dar início a outras civilizações. Por isso a civilização do antigo Egipto despontou de repente, como o desabrochar de uma rosa.&lt;br /&gt;Assim, os caminhos traçados de forma quase geométrica poderão ter sido os marcos de referência para os sobreviventes do cataclismo, que após aportarem em locais abrigados da costa, se encaminhavam para o interior ao encontro das populações aí residentes e também sobreviventes. Temos consciência de que esta é uma teoria sem bases de prova, mas é uma teoria tão boa como muitas outras. Com o tempo, esses caminhos serviram para levar os peregrinos em busca desses seres que um dia vieram do ocidente, movidos por uma vaga lembrança da portentosa civilização que aí teria existido.&lt;br /&gt;Isto leva-nos a outro ponto, que é o de saber onde ficaria situado o Paraíso Terrestre. Segundo a Bíblia, estava situado na região de quatro rios, dentre os quais, o Tigre e o Eufrates. Embora na Mesopotâmia actual (Iraque) não existam esses quatro rios, apenas aqueles dois referidos, pesquisas por satélite revelaram a existência em tempos idos de mais dois rios. Portanto, assunto resolvido, o Paraíso ficava localizado na Mesopotâmia. Mas, como grande parte dos livros da Bíblia terão sido escritos por sábios judeus após a sua libertação do cativeiro na Babilónia, é muito provável que a descrição do Paraíso tenha sido originada em alguma lenda daquela região e assim, a indicação daqueles rios. &lt;br /&gt;Por outro lado, Caim, depois de ter assassinado Abel, foi enviado para a Terra de Nod, a leste do Éden. Aparentemente, apesar de expulsos, Adão e Eva ainda estariam no Paraíso (Éden), porque foi dali que Caim foi enviado para leste. Mas “Nod”, segundo alguns autores, significa “peregrinação”, quer dizer, a partir do Éden, Caim peregrinou pelas terras do leste. Mas a leste de quê? Da Mesopotâmia? Foi Caim peregrinar para os antigos Irão, Afeganistão, Paquistão, Índia? Para sabermos que leste era esse precisamos de situar o Éden em algum lugar.&lt;br /&gt;Por estudos feitos através de satélites, está provado que o deserto do Sara foi, em tempos recuados, uma região luxuriante, com várias cidades hoje soterradas debaixo das areias, com lagos e quatro rios, entre os quais o próprio Nilo, que terá sido desviado do seu primitivo curso para o actual que conhecemos. A civilização que ali prosperou terá vindo, muito provavelmente, da Atlântida. Os tuaregues, os “aristocratas” do deserto, serão originários da civilização que ali se implantou pois, segundo a lenda, a filha da Poseidon, Atena, ter-se-á retirado para a terra de Hoggar para ali cumprir uma missão civilizadora. A terra de Hoggar é o Sara e Atena, como rainha dessa região, chamava-se Tin-Hinan.&lt;br /&gt;Esta rainha, considerada deusa pelos tuaregues, terá estabelecido um governo matriarcal e por isso, entre os tuaregues a mulher continua a ter um papel muito especial, é a guardiã da tradição. Mas uma lenda acaba quando começa a História e assim, Tin-Hinan deixou de ser uma lenda quando o seu túmulo foi descoberto em Abalessa, ao sul da actual Argélia. Pelo estudo dos seus restos mortais, tratava-se de uma mulher branca, de elevada estatura, parecida com as mulheres egípcias do tempo dos faraós, as ancas estreitas e as espáduas largas.&lt;br /&gt;Por motivos que desconhecemos, o Nilo foi desviado do seu curso, privando o Hoggar da sua água, e parte da população ali existente terá partido para oriente, criando a esplendorosa civilização egípcia. Seria o Hoggar, o local em que se situava o Éden, pois também era uma região de quatro rios?&lt;br /&gt;Segundo a tradição, a grande ilha da Atlântida também tinha quatro rios, os quais corriam no sentido dos pontos cardeais. Seria, afinal, a Atlântida, o local do Paraíso terrestre? Tanto do Hoggar como da Atlântida, as migrações foram feitas maioritariamente para leste, exceptuando as eventuais migrações que terão povoado as Américas.&lt;br /&gt;Assim, talvez aqueles caminhos tão bem demarcados no terreno levassem os peregrinos em busca, não só dos seres que em tempos recuados teriam vindo do mar a ocidente, mas em busca do Paraíso perdido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-2986731707794129628?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/2986731707794129628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=2986731707794129628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/2986731707794129628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/2986731707794129628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2010/01/o-caminho-de-santiago.html' title='O Caminho de Santiago'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-1257953523483260277</id><published>2009-12-31T17:17:00.001-02:00</published><updated>2009-12-31T17:18:23.422-02:00</updated><title type='text'>O Caminho de Santiago</title><content type='html'>II – O Caminho das Estrelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vimos que o presumível corpo de Tiago descoberto por um certo Pelágio (homem do mar) em princípios do século nono da nossa era, pode muito bem ser o corpo do bispo Prisciliano, a primeira vítima mortal da perseguição da Igreja aos que considerava hereges.&lt;br /&gt;O nome de Compostela pode ter tido várias origens e, certamente, tem diversos significados. Vulgarmente Compostela quer dizer “o campo da estrela”, uma referência à estrela que teria aparecido indicando o local exacto da sepultura de Tiago. Para os alquimistas pode ser o “compost”, a estrela que se forma na superfície do crisol numa das primeiras operações da Grande Obra. Mas existe um outro significado mais secreto, em que “compost” significa “mestre”, o que dará “Mestre da Estrela”.&lt;br /&gt;Este último significado, apesar de aparentemente incompreensível, relaciona-se com Tiago que, na tradição lígure, um povo que ocupou o ocidente europeu antes dos celtas, Tiago é o nome dado ao talhador da pedra, ou mestre construtor. Neste caso estamos a falar de uma época muito anterior ao advento do cristianismo.&lt;br /&gt;A origem do nome “Tiago” é bem estranha pois, apesar de todas as explicações, é difícil compreender como é que Jacó ou Jacob, por muitas corruptelas que possa ter havido, tenha resultado em Tiago, que acaba também por ser uma corruptela de Santiago (Santo Iago). Este nome só existe em português ou castelhano com algumas variantes como Yago ou Iago.&lt;br /&gt;Mestre Tiago, o talhador de pedra, era natural de uma aldeia dos Pirenéus, e aqui começa outra lenda que nos chega das relações que havia entre fenícios e lígures, dois povos que mantêm ainda hoje um certo mistério, pois desconhecemos realmente quem eram uns e outros, e qual a sua origem. No entanto, esta lenda parece-nos mais verosímil do que a lenda de Santiago.&lt;br /&gt;Tiago era um mestre Jars, um mestre iniciado no tratamento da pedra e a lenda diz-nos que talhava a pedra desde a idade de quinze anos. Na época da construção do Templo de Salomão, este pediu ajuda ao rei de Tiro, Hiram, que era fenício, pois entre os israelitas, um povo que recentemente saíra da vida nómada e de viver em tendas, não havia quem soubesse tratar a pedra e a madeira de cedro, abundante no antigo Líbano. Hiram teria convocado Mestre Tiago e alguns companheiros para o virem ajudar na construção do Templo.&lt;br /&gt;Isto acontece por volta do ano 900 antes da nossa era, de acordo com a Bíblia. Sabe-se que os fenícios mantinham relações comerciais com os lígures, que viajaram por todo o Mediterrâneo e pelo Atlântico, transpondo as “Colunas de Hércules” (Estreito de Gibraltar), e portanto, é natural que tenham visitado muitas vezes a costa da Galiza, aportando talvez a antigas cidades marítimas como Noya. Desta forma teriam tido conhecimento da existência desses mestres construtores ou talhadores da pedra. Assim, não é impossível que esses mestres construtores tenham viajado até Jerusalém para aí participarem da construção do Templo de Salomão.&lt;br /&gt;No século XII, no Códice Calixtino, atribuído ao Papa Calixto II, denomina-se pela primeira vez para a cristandade o Caminho de Santiago como o Caminho das Estrelas, ou da Via Láctea, explicando que o caminho terrestre é o desenho da Via Láctea, porque a sua rota se situa exactamente sob ela, indicando a direcção de Santiago e servindo assim, durante a noite, de orientação aos peregrinos.&lt;br /&gt;Antes da era cristã e da presumível descoberta do corpo de Tiago, essa rota já era um caminho de peregrinação que simbolizava a viajem do Sol de oriente para ocidente, afogando-se no oceano para lá do cabo Finisterra e voltando a renascer no dia seguinte a leste. Havia em Finisterra um templo dedicado ao Sol, o templo de Ara Solis. Actualmente, muitos peregrinos chegados a Compostela, continuam a caminhar até Finisterra, porque entendem que a verdadeira peregrinação ali termina em face do oceano, o que põe em causa, de certo modo, a definição do Caminho como exclusivamente católico.&lt;br /&gt;Ainda que possamos considerar que esta simbologia solar possa estar relacionada com a influência romana pelo seu culto do “Sol Invictus”, é provável que a sua origem seja mais antiga. Embora não existem referências do Sol como divindade entre os celtas, estes celebravam os Equinócios e os Solstícios, rituais relacionados com o Sol. Há também uma clara semelhança entre este caminho solar e o culto egípcio do Sol.&lt;br /&gt;Pode também ser que este culto do Sol não tenha origem celta, mas lígure. Os fenícios consideravam este povo representante da civilização ocidental. É provável que os lígures tenham dado origem a outros povos. Para alguns historiadores, os lusitanos seriam de origem lígure, e não celta. É possível também que os etruscos, anteriores aos romanos na Península itálica, tenham tido origem nos lígures.&lt;br /&gt;Não se sabe muito acerca deste povo, nem da religião que eles praticavam, mas é de supor, considerando que era comum aos povos da antiguidade, que entre as suas divindades o culto do Sol tivesse um lugar importante.&lt;br /&gt;Evidentemente que a Via Láctea não é uma observação exclusiva do Caminho de Santiago. Em qualquer outro lugar da Terra, desde que a noite não seja atenuada pelas luzes das cidades, temos sempre sobre as nossas cabeças esse espectáculo grandioso do mar de estrelas que parece terminar na Constelação de Cão Maior, onde sobressai a estrela mais brilhante do nosso firmamento, Sírius. No entanto, algo de estranho acontece no Caminho de Santiago.&lt;br /&gt;Desde os seus primórdios, logo a seguir ao célebre Concílio de Niceia em que se estabeleceram os seus fundamentos dentro do Império Romano, A Igreja adoptou sempre duas atitudes em relação às tradições e religiões locais que ia encontrando: ou as destruía, substituindo-as pela sua própria doutrina; ou adaptava-as, sempre que se verificasse grande dificuldade em eliminá-las. Isto aconteceu por todo o lado durante os séculos em que a Igreja tinha todo o poder e dominava o mundo ocidental. Na costa mediterrânica, por exemplo, substituiu o culto de Ísis, nas suas variadas formas de expressão, pelo culto de Maria Madalena. No Caminho das Estrelas, não podendo eliminar a sua tradição, adaptou-a e transformou-a num caminho de peregrinação para a cristandade. Para isso usou de muitos artifícios que foram acrescentando detalhes à lenda para a tornar mais verosímil. É o caso da presumível “revelação” de Carlos Magno.&lt;br /&gt;Carlos Magno, filho mais velho de Pepino o Breve, foi rei dos Francos, dos Lombardos e o primeiro Imperador do Sacro Império Romano a partir do ano 800, restaurando o antigo Império Romano do Ocidente. Viveu portanto numa época coincidente com a descoberta do túmulo de Tiago. &lt;br /&gt;Como todo o monarca na altura, passou a vida em batalhas e conquistas. Ao fim de dezoito batalhas conseguiu um império considerável. Nessas conquistas procedeu à conversão forçada ao cristianismo dos povos dominados, massacrando os que se recusavam a converter-se. Mas talvez um dos seus objectivos principais, a conquista da Península Ibérica, nunca o conseguiu realizar.&lt;br /&gt;Carlos Magno nunca se aventurou a passar para ocidente dos Pirenéus, nunca pôs os pés na Península Ibérica, mas fez-se constar que teria visitado o túmulo de Tiago e banhado a espada nas águas do Atlântico. No entanto, apesar de nunca ter trilhado o Caminho das Estrelas, no seu túmulo em Aix-la-Chapelle encontram-se esculpidas duas filas de estrelas assinalando a sua “revelação” no Caminho de Compostela.&lt;br /&gt;Por estranho que possa parecer, estas duas filas de estrelas existem no terreno, mais ou menos ao longo do paralelo 42.&lt;br /&gt;Se desenharmos duas linhas rectas entre a costa atlântica e a costa mediterrânica do sul de França, vamos encontrar essas duas filas de estrelas ao longo do paralelo 42. Assim, partindo da costa mediterrânica em direcção a oeste, que é o sentido do Caminho, na latitude 42º 30´ vamos encontrar “Pic Estelle” (Pico da Estrela), depois “Puig de l´ Estelle” (Monte da Estrela) e, mais a oeste encontramos o “Puig de Tres Estelles”. Continuando para oeste encontramos mais algumas povoações cujos nomes estão relacionados com as estrelas. Esta linha termina perto de Pontevedra, na ilha de La Toja.&lt;br /&gt;Um pouco mais a norte, numa latitude de 42º 46´ encontramos outra fila de estrelas. Começando no leste temos “Les Eteilles”, a seguir vem “Estillon”, depois “Lizarra”, Lizarraga, todos nomes que significam uma relação com as estrelas. Esta linha passa um pouco a sul de Compostela, mas passa sobre o Pico Sacro e vai terminar em Noya.&lt;br /&gt;Desconhecemos a antiguidade destas povoações, mas acreditamos que sejam mais antigas que o cristianismo, pois alguns dos nomes, como Lizarra, são em língua basca. Se não eram originalmente povoações, eram pelo menos marcos de um caminho demarcado com toda a precisão por uma ciência antiga da qual nos sobraram alguns testemunhos.&lt;br /&gt;Como veremos em próximos capítulos, existe uma relação entre o Caminho de Compostela e o Antigo Egipto onde, principalmente aqui, se encontra a expressão maior desse conhecimento antigo: a Grande Pirâmide. Para além das especulações e das várias teorias sobre a sua construção, alguns dados são simplesmente fantásticos: está situada num meridiano que atravessa o maior número de terras e menor número de mares, o que pressupõe um excelente conhecimento geográfico; o côvado, que talvez tenha sido a medida usada para a sua construção, é a décima milionésima parte do raio de Terra no pólo; a sua altura corresponde à bilionésima parte da distância média da Terra ao Sol.&lt;br /&gt;A hipótese das linhas do Caminho de Compostela serem obra do acaso não pode ser considerada. Não é possível que essas povoações tenham nascido exactamente ao longo do mesmo paralelo por acaso ou coincidência. Então, essas linhas terão sido traçadas em tempos remotos com determinada finalidade. Qual?&lt;br /&gt;Juan G. Atienza, no seu livro sobre Compostela “La Ruta Sagrada” diz o seguinte: &lt;br /&gt;“O Caminho constitui um itinerário sagrado em direcção a mitos que nos dão conta de um arcaico centro do mundo, onde se encontravam supostamente implantadas chaves fundamentais do conhecimento transcendente.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-1257953523483260277?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/1257953523483260277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=1257953523483260277' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/1257953523483260277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/1257953523483260277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/o-caminho-de-santiago_31.html' title='O Caminho de Santiago'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-6476190926959908535</id><published>2009-12-21T21:52:00.001-02:00</published><updated>2009-12-21T21:56:54.639-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santiago de Compostela'/><title type='text'>O Caminho de Santiago</title><content type='html'>I - A Lenda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se tem contado nos últimos anos acerca do Caminho de Santiago. Depois de ter sido um caminho percorrido por peregrinos na Idade Média, eis que ganhou novo fôlego mercê, principalmente, do livro de Paulo Coelho, “O Diário de um Mago”. Este livro teve a virtude de despertar em muita gente a imaginação e a busca do fantástico, como se fazer o Caminho, percorrer os seus mais de mil quilómetros a pé, operasse uma transformação profunda na personalidade de cada um. É facto que esta transformação por vezes acontece, mas limita-se a casos muito raros de pessoas realmente empenhadas na busca do seu verdadeiro Eu. &lt;br /&gt;De um caminho iniciático nas suas origens remotas, transformou-se numa rota turística, levando as pessoas a fazerem-no sem saberem bem porquê, por curiosidade e porque virou moda. Para Fulcanelli, o misterioso autor do livro “O Mistério das Catedrais”, O Caminho é uma viagem simbólica que todos os filósofos e alquimistas devem fazer. Nas suas palavras, “A concha (vieira) de Compostela (…) serve na simbólica secreta paras designar o princípio Mercúrio (a água benta dos filósofos), também chamado Viajante ou Peregrino. É usada misticamente por todos os que empreendem o trabalho e procuram obter a estrela (compos stella)”.&lt;br /&gt;O termo peregrino apareceu na Idade Média para designar os cristãos que viajavam até Roma ou Jerusalém para visitar os lugares sagrados ou, como auto punições para pagarem promessas ou cumprirem punições canónicas. A partir mais ou menos do século IX, Compostela passou a estar incluída nos lugares de peregrinação do cristianismo. No entanto, como veremos em próximas crónicas, o Caminho de Santiago não é de origem cristã, é muito mais antigo que o próprio cristianismo. Nesta iremos falar da lenda, ou das lendas, que há várias.&lt;br /&gt;A lenda principal diz-nos que Tiago, o Maior, para o distinguir do outro Tiago, era um dos apóstolos preferidos de Jesus, juntamente com João, de quem era irmão, ambos filhos de Zebedeu e Maria Salomé. Depois da crucificação de Jesus, Tiago terá ficado em Jerusalém para continuar a obra do Mestre, tendo a sua acção provocado a ira de Herodes Agripa que terá dado ordem para o decapitarem. Não se sabe bem se morreu por decapitação ou apedrejamento, prática muito comum entre os judeus. O que é facto é que morreu em Jerusalém, e a lenda começa, justamente, após a sua morte.&lt;br /&gt;Alguns dos seus discípulos meteram o corpo num barco e deixaram-no à deriva no Mediterrâneo, entregando à Divina Providência o destino dessa tumba flutuante. Foi assim que, à deriva, o barco atravessou todo o Mediterrâneo, passou o Estreito de Gibraltar e subiu pelo Atlântico, para ir encalhar na Galiza, num local chamado Iria Flávia, que depois se veio a chamar Padron, no rio Ulla.&lt;br /&gt;Parece que alguns dos discípulos embarcaram no mesmo barco à deriva. Chegados à Galiza, ao reino que na altura se chamava Louve e que era governado por uma rainha que também se chamava Louve, desembarcaram o corpo e colocaram-no sobre uma pedra enorme, que se derreteu sob o corpo moldando um belo sarcófago.&lt;br /&gt;Os discípulos foram pedir à rainha um local apropriado para sepultar o corpo, contando-lhe os muitos milagres que Tiago realizara, como o milagre da viagem e de terem aportado àquela costa, e o milagre da pedra se moldando para formar a tumba.&lt;br /&gt;A rainha mandou-os falar com o rei de Espanha e este, ao fim de longo diálogo, acabou por autorizar que o corpo fosse sepultado naquelas terras.&lt;br /&gt;Louve ficou extremamente irritada quando os discípulos lhe transmitiram a autorização do rei de Espanha. Deu-lhes então um carro puxado por dois bois para transportar o corpo e disse-lhes que escolhessem o lugar que mais lhes agradasse. Mas os bois eram dois touros bravos. Os discípulos, que não desconfiavam de nada, levaram o corpo montanha acima e deram de caras com um dragão que cuspia fogo e ameaçava matá-los. Fizeram o sinal da cruz e, imediatamente, o dragão se partiu pelo meio. Quando viram que os bois eram touros selvagens, fizeram novo sinal da cruz e os touros se tornaram mansos como cordeiros.&lt;br /&gt;Então os bois, sem que ninguém os guiasse, levaram o corpo para o palácio da Louve que, ao ver os prodígios que tinham acontecido, dedicou o seu palácio a Santiago.&lt;br /&gt;Esta é talvez a lenda principal, que deve muito à imaginação e fantasia. O reino de Louve, assim como a rainha do mesmo nome, provavelmente nunca existiu. Como veremos mais tarde, “Louve” tem um significado especial na tradição galaica. Não é possível, mesmo entregue à Divina Providência, que um barco saindo da Palestina à deriva possa ter atingido a costa da Galiza. O melhor que poderia ter acontecido era encalhar na praia de uma das muitas ilhas gregas, na costa norte de África, ou na costa do sul da Europa. Também não é possível que os discípulos tenham obtido autorização do rei de Espanha, pois esta não existia na altura.&lt;br /&gt;Uma variante da lenda diz que, após o barco ter aportado na ria, o corpo foi transportado para uma colina que hoje se chama Pico Sacro, e aí teria sido sepultado. Depois terá sido de novo transladado para outro local chamado Arca Marmorica, perto da localidade de Amorea, e ficou esquecido durante vários séculos.&lt;br /&gt;Somente no ano de 813 ou 830, no reinado de Afonso-o-Casto, o corpo foi reencontrado por um eremita chamado Pelágio, cujo nome significa “homem do mar”. Assim, por milagre, Pelágio foi informado do local onde se encontrava a sepultura de Tiago por umas luzes sobrenaturais que dançavam sobre o túmulo. Outra versão diz que se tratava de uma estrela a qual, como a estrela de Belém, teria ficado pairando sobre o local do túmulo do apóstolo. Daqui o nome de Compostela (campo da estrela).&lt;br /&gt;Santiago transformou-se no padroeiro das Espanhas quando apareceu na batalha de Clavijo, em 844, travada contra os mouros, brandindo uma espada flamejante, espalhando o morticínio entre os infiéis e levando as forças do rei Ramiro à vitória, salvando para o cristianismo todo o norte da Península Ibérica.&lt;br /&gt;Apesar da lenda poder contribuir para a solidificação das estruturas da Igreja na região e em todo o mundo cristão, não deixou, no entanto, de provocar algumas reticências nos meios tradicionais cristãos. Por este motivo, foi proposta uma outra variante em que os discípulos teriam transportado o corpo dos arredores de Granada, no sul da Península, tentando assim tornar mais plausível a viagem do barco á deriva, pois era mais lógico ter encalhado no sul, na costa mediterrânica, do que na costa atlântica da Galiza.&lt;br /&gt;Há quem afirme também que Tiago andou pregando pela Península, acompanhado de poucos discípulos, dado o seu carácter irascível, e por um cão. Veremos mais tarde o significado do cão. É claro que esta ideia não tem qualquer base de suporte, uma vez que historicamente está estabelecido que Tiago nunca deixou a Palestina.&lt;br /&gt;Uma lenda não é um documento histórico, nem é História, é apenas um conjunto de elementos retirados da tradição que vai sendo construído ao longo do tempo por via das crenças e do imaginário popular. Uma lenda não é criada por ninguém, cria-se a si própria recebendo os contributos da ansiedade, dos sonhos, da fantasia do ser humano que, espera sempre um milagre ou algo de fantástico para compensar as dificuldades da sua vida. Depois as lendas podem ser moldadas ou utilizadas para servirem a determinados objectivos. Evidentemente que o bispo de Iria Flávia, que oficializou a descoberta do túmulo de Tiago, não queria saber se a chegada do barco milagroso era verdadeira. Para ele, a lenda servia perfeitamente aos seus desígnios de transformar o local no campo sagrado onde repousavam os restos do apóstolo Tiago. É deste modo que se estabeleceu também a concha (vieira) como símbolo do peregrino a Santiago de Compostela.&lt;br /&gt;Segundo algumas versões, o barco, quando encalhou na margem do rio Ulla, estava coberto dessas conchas. Segundo outras, o barco não conseguia atracar e assim, dois cavaleiros meteram-se à água para ajudar a tripulação e, quando saíram da água viram-se inteiramente cobertos de conchas.&lt;br /&gt;Não importa saber que essas conchas não se fixam, não se colam a coisa nenhuma, vivem móveis na lama marinha. Mas é interessante saber que essas conchas, vieiras para os peregrinos, se chamam “mérelles”, do nome de uma aldeia marítima perto de Noya. É interessante também saber que “mérelles” significa “mãe da luz”.&lt;br /&gt;Tudo isto, a viagem milagrosa, a vieira, a estrela, foi sendo acumulado para transformar o local no mais importante centro de peregrinação da cristandade, sobrepondo-se a Jerusalém pelas dificuldades e pelos perigos em demandar esta cidade.&lt;br /&gt;Esta lenda tem o mesmo valor que muitas outras, como a lenda do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, ou como a lenda da busca do Graal. Não corresponde a factos concretos mas, pode conter alguns elementos de verdade, distorcidos pelo tempo, pelas crenças e pelo imaginário. De notar que o barco com o corpo de Tiago surge do mar e entra numa ria da Galiza; o túmulo foi descoberto por um homem do mar, Pelágio; o símbolo do peregrino é uma concha marítima. O mar, como veremos em futuras crónicas, tem particular importância na cultura e tradição da Galiza.&lt;br /&gt;Mas, há sempre um mas nestas coisas em que uma pesquisa mais profunda revela, talvez tenha sido, efectivamente, descoberto um túmulo contendo um corpo, ou os restos dele. Só que esse corpo, com toda a probabilidade, não era o do apóstolo Tiago.&lt;br /&gt;Nos seus primórdios a Igreja viu-se a braços com uma infinidade de desvios à sua ortodoxia, que foram aparecendo por todo o mundo cristão da altura. Esses desvios foram chamados de heresias e, para combatê-los, foram realizados inúmeros concílios e sínodos. Os elementos considerados heréticos não sofriam outra pena além da expulsão e excomunhão. Só mais tarde a Sagrada Inquisição passou a assá-los em fogueiras.&lt;br /&gt;É muito provável que o corpo descoberto por Pelágio fosse o do bispo Prisciliano, que viveu, mais ou menos, entre 340 e 385. Prisciliano criou uma doutrina completamente diferenciada e adversa da doutrina ortodoxa. O seu movimento, que durou ainda alguns séculos depois da sua morte, foi chamado de “priscilianismo”. Era um movimento que poderíamos chamar de gnosticismo primitivo e teve forte influência na Igreja da Galiza e do norte de Portugal.&lt;br /&gt;Prisciliano era acusado de artes mágicas, de admitir mulheres em igualdade de condições com os homens, nos seus rituais e nas leituras da Sagrada Escritura. Era acusado do uso de ervas para fins medicinais e praticas abortivas. Era acusado também de ser um estudioso da astrologia cabalística.&lt;br /&gt;Ao fim de vários concílios e sínodos, em que se procurou trazer Prisciliano de volta para o seio da doutrina oficial da Igreja, acabou por ser condenado à morte e decapitado, no ano 385, juntamente com seis dos seus discípulos, tornando-se assim o primeiro herege justiçado pela Igreja Católica.&lt;br /&gt;Existe uma clara correspondência entre a lenda de Santiago e a história de Prisciliano. Não é credível que o corpo de Tiago tenha ficado oculto por oito séculos e só tenha sido descoberto em 813 ou 830. Tratando-se de quem era, um dos discípulos preferidos de Jesus, é lícito pensar-se que as primeiras comunidades cristãs da Galiza não esquecessem o local do seu sepultamento, mas que o transformassem rapidamente num lugar sagrado de veneração. Tratando-se do corpo de Prisciliano, dada a pressão da Igreja combatendo a heresia e a perseguição aos seus seguidores, é natural que a sua sepultura tivesse sido ocultada.&lt;br /&gt;O priscilianismo ficou de tal modo enraizado na consciência colectiva da Galiza e na sua tradição, que há quem chame ao Caminho de Santiago o Caminho Prisciliano de Compostela. Há até um filme realizado por Luís Bunuel com esse nome, embora o seu verdadeiro título seja “A Via Láctea – O Estranho Caminho de Santiago”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-6476190926959908535?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/6476190926959908535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=6476190926959908535' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/6476190926959908535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/6476190926959908535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/o-caminho-de-santiago.html' title='O Caminho de Santiago'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-976440654019470397</id><published>2009-12-10T22:52:00.001-02:00</published><updated>2009-12-10T22:52:59.279-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>VI – O Amor, a Música e Considerações Finais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não nos parece absurdo supor que os homens serão chamados, num futuro relativamente próximo, a “mudar de estado” como o alquimista lendário, a sofrer qualquer transformação. A menos que a nossa civilização desapareça por inteiro um momento antes de atingir o fim, como é possível que tenham desaparecido outras civilizações.” (in “Le Matin dés Magiciens” de Jacques Bergier e Louis Pawels).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não nos parece absurdo supor que o ser humano irá encontrar meios de se superar a si mesmo e de superar os obstáculos que a ilusão da matéria lhe provoca. Para o Crânio de Cristal isso só poderá acontecer quando as mentes do Um se unirem e vencerem os “Filhos de Belial”.&lt;br /&gt; Como será essa batalha, esse “armagedão” final? Com que armas as mentes do Um poderão vencer? Através da energia na sua mais absoluta pureza, a energia do amor. Para o Crânio, o amor é a energia no seu estado mais puro e poderoso. Explicando melhor, “Amor pertence à compaixão do ego espiritual. É a mais alta e mais clara vibração em sua forma mais potente. Energia usada para separar a forma grosseira material da espiritual. É a energia que foi e é usada para criar vida no nosso e em outros planetas. &lt;br /&gt;Infelizmente parece que não soubemos usar essa energia para criar melhores condições de vida e tornar o planeta mais bonito. Diversificámos essa energia até ao ponto do seu potencial ter deixado de existir. Fragmentámo-la de tal maneira que deixou de ter utilidade para nós.&lt;br /&gt;Evidentemente que estamos a falar de uma energia e não do sentimento ou da emoção a que nos habituámos a chamar amor. Este não vem da mente, é emocional e tem a ver com atracção, com desejo, com sentimento de posse, com a noção de se pertencer ao mesmo grupo, com a noção dos laços de sangue. Aqueles que já tiveram a percepção de que amor é algo mais do que nos habituámos a considerar, falam então do amor universal ou seja, o amor por todos os seres, pela Natureza, pelo Universo. Mas o amor, como energia na sua mais alta pureza, também não é isto, é algo que talvez só muito poucos de nós tenham conseguido alcançar. O amor universal talvez seja o primeiro passo para a compreensão da verdadeira essência dessa energia. &lt;br /&gt;Quando esses seres superiores vieram para a Terra, a que chamam pequeno planeta escuro, comprometeram-se a trazer-nos conhecimento, entendimento, compaixão e aquela energia que chamamos de amor, para afastar a energia negativa que havia tomado conta do planeta. Manifestaram-se, mas só podiam existir na nossa atmosfera numa vibração de som e luz. O seu sustentáculo era o som, que nós conhecemos como música.&lt;br /&gt;Houve muitos que decidiram tomar a 3ª dimensão e existir num corpo físico, mantendo a luz e o som (música) dentro deles. Mas ao fim de algum tempo em que tentaram sobrepor-se à baixa vibração e negatividade do planeta, não conseguiram permanecer na matéria e decidiram retornar ao seu estado anterior. Entretanto, deixaram na Terra a vibração sonora para que fosse aceite tanto pelo negativo como pelo positivo, pelo ser grosseiro e pelo ser do Um.&lt;br /&gt;A música foi-nos trazida por várias almas que precisaram de se disfarçar para serem aceites pela sociedade do seu tempo, numa luta permanente entre o seu ser físico grosseiro e o Um que vivia dentro dele. Por isso, muitos compositores famosos tiveram terríveis provações para poderem sobreviver num meio de tão grande densidade e tiveram mortes prematuras, ou sofreram de graves doenças que os conduziu à morte.&lt;br /&gt;De facto, mesmo no nosso tempo, músicos que nos deixaram excelentes composições musicais, deixaram esta vida prematuramente. Muitos dos grandes compositores clássicos morreram precocemente e alguns tiveram mortes trágicas. Por exemplo, Mozart definhou e morreu com 35 anos de idade; Bach foi acometido de apoplexia e cegueira; Schuman suicidou-se aos 35 anos de idade; com a mesma idade Schubert teve tuberculose. Tratava-se de almas que tiveram grandes dificuldades em sobreviver no meio denso da Terra e das convenções sociais. Mas a sua música continua a preencher um vácuo que muitos de nós sentimos, e, ainda que percebida essencialmente através das nossas emoções, não deixa de ser um bálsamo reconfortante para a nossa mente. Dizia-se que Bethoven compunha música para os anjos, mas Mozart era a música dos próprios anjos.&lt;br /&gt;Para terminar esta série dedicada às revelações do Crânio de Cristal, vamos tecer algumas considerações finais de acordo com o nosso entendimento e na perspectiva de que são, como não podia deixar de ser, muito subjectivas.&lt;br /&gt;A ideia com que ficámos acerca das revelações do Crânio de Cristal é a de que se trata de um emaranhado de questões, por vezes contraditórias e nem sempre compreensíveis, pelo que suspeitamos com alguma certeza de que muitas das revelações tiveram a influência dos conceitos existentes na mente da médium. Esta influência tem a ver com a noção hoje muito espalhada por vários círculos de que a Terra chegou à recta final da sua existência e de que a humanidade tem os dias contados. A história do calendário maia e da data fatídica de 21 de Dezembro de 2012 foi o ponto de ignição que incendiou as mentes de uma infinidade de profetas amadores que viram nisso a confirmação das suas duvidosas previsões. Trata-se de uma espécie de psicose colectiva em que as pessoas parecem viver ansiosas por algum acontecimento dramático que vivifique as suas vidas. John Buchan publicou em 1910 um livro sobre centrais de energia que segundo ele, determinavam o destino da humanidade. Assim havia a central da energia fascista, que deu origem ao fascismo nas suas várias vertentes, e a central de energia comunista, que originou os vários regimes comunistas. Talvez exista hoje uma central de energia que pretende conduzir-nos para um final dramático da nossa existência.&lt;br /&gt;De facto, existe um sentimento geral de que algo está muito errado na nossa humanidade, a qual parece caminhar, resolutamente, para o precipício. Previsões horríveis acompanhadas da informação acerca dos meios de salvação são difundidas por todo o mundo através, especialmente, da Internet. Se fossemos religiosos diríamos que a Internet é obra do demónio, pois é um veículo exaustivamente usado por mentes alucinadas, ou que sofrem de algum distúrbio grave.&lt;br /&gt;Nós também temos a noção de que algo está muito errado, mas não embarcamos no alarmismo. Como transcrevemos no início desta crónica, acreditamos que o ser humano possa superar a situação, mudando a sua maneira de ser, o seu comportamento, perante uma realidade que se vem tornando cada vez mais assustadora.&lt;br /&gt;Acreditamos que já houve outras humanidades anteriores à nossa e que pereceram, talvez por problemas semelhantes aos que temos actualmente. Mas acreditamos também que esta humanidade está num ponto superior da espiral evolutiva, ou seja, que por se encontrar nesse ponto superior talvez seja capaz de encontrar soluções que outras não conseguiram. Se isso não acontecer, provavelmente esta humanidade terá o seu fim, para vir a ressuscitar mais tarde numa outra mais evoluída, num ponto mais elevado da espiral.&lt;br /&gt;Mas nem todos os males que põem em risco a vida no planeta são obra humana. Ao longo dos milénios a Terra tem vivido num equilíbrio precário, que pode ser afectado por factores que não dependem da nossa vontade. Explosões solares e outros fenómenos siderais podem provocar alterações climáticas, provocando longas eras glaciais ou períodos de notável aumento das temperaturas médias. O campo magnético que protege a vida na Terra pode mudar, como já aconteceu algumas vezes e ninguém sabe quais as suas verdadeiras consequências. Podemos ser abalroados por algum objecto vindo do exterior, como um meteoro, com trágicas consequências para a sustentação da vida. Apesar de toda a tecnologia que desenvolvemos até hoje, não temos meios de defesa em relação a alguma destas situações.&lt;br /&gt;A aquecimento global, o desmatamento, a poluição, contribuem para que as condições de vida na Terra se tornem cada vez mais difíceis e, apesar das boas intenções, não se vêem medidas concretas para reverter o processo. O abandono dos campos, a concentração em grandes cidades de uma população ávida de consumo, levando a violência a níveis exponenciais, transformam a Terra num deserto super povoado em que o crescimento da população e a exiguidade de recursos para a manter se tornam, na realidade, no principal problema que temos pela frente.&lt;br /&gt;Para resolver a situação apareceu uma infinidade de soluções elaboradas por supostos médiuns e gurus: o comandante “Ashtar” vem aí com as suas naves para levar os “eleitos” para outro planeta mais evoluído, deixando a maioria restante perecer numa Terra moribunda; o nosso planeta entrou, ou está entrando, no cinturão de fotões das Plêiades e todos, mas todos, vamos nos elevar a uma dimensão superior, talvez com as hélices do nosso ADN aumentadas (!?) para doze; vem aí o “planeta chupão” que levará por arrastamento as almas danadas, deixando os bons viverem numa Terra libertada da influência dos maus elementos. Enfim, são milhares de textos com as teorias mais absurdas, nas quais, por incrível que pareça, as pessoas geralmente acreditam.&lt;br /&gt;O que fazer então? Segundo o Crânio de Cristal o processo poderá ser revertido quando as mentes do Um se unirem. Acreditamos sinceramente que tudo poderá ser revertido, quando a humanidade o quiser, e se o quiser fortemente. Faço minhas as palavras de Teilhard deChardin: “Não há no universo coisa alguma que possa resistir ao ardor convergente de um número suficientemente grande de inteligências agrupadas e organizadas”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-976440654019470397?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/976440654019470397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=976440654019470397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/976440654019470397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/976440654019470397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal_1084.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-5964994635566030916</id><published>2009-12-10T22:49:00.000-02:00</published><updated>2009-12-10T22:50:23.818-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>V – Apocalipse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabemos, o Apocalipse é o último livro do Novo Testamento e terá sido escrito na ilha de Patmos por um certo João, que ali estaria detido. Aqui começa o mistério: supõe-se que este João seria o discípulo de Jesus, o “mais amado”, que teria na altura da crucificação de Jesus cerca de 17 anos de idade, e assim, podia ter escrito o Apocalipse numa idade já bem avançada; o exílio na ilha de Ptamos é o próprio autor que nos informa logo no início do texto; diz-se que a ilha de Patmos era usada pelo Império Romano para banimento de criminosos e por isso, João, acusado de heresia perante o Império, teria sido para ali banido no final do reinado do imperador Domiciano. &lt;br /&gt;Bem, não querendo ser demasiadamente racionalistas, temos no entanto algumas dúvidas sobre a veracidade destes factos. Não existem referências históricas que os confirmem, as únicas referências são as do próprio João ou de alguns padres da Igreja da época em que o Apocalipse terá sido escrito. Não existem referências históricas de que a ilha de Patmos fosse uma colónia penal no tempo do Império Romano, pelo menos não as conhecemos. Os cristãos que se recusavam a adoptar a doutrina oficial do Império de adoração dos imperadores, eram condenados à morte, como alguns o foram. Então porque é que João também não foi condenado à morte? Por maioria de razão dado que ele, além de cristão era, perante o Império, um agitador. &lt;br /&gt;Mas presumindo que esta história seja verídica, prisioneiro em liberdade numa ilha a uma distância segura da costa da actual Turquia, João escreve os seus textos e faz, não se sabe como, com que sejam entregues a algumas comunidades cristãs nascentes. Por isso se dirige inicialmente às Sete Igrejas.&lt;br /&gt;Apocalipse, termo latino que vem do grego “apokálypsis”, significa literalmente “revelação”. Para o cristianismo trata-se de revelações sobre o fim do mundo, ou o fim dos tempos. Mas os textos são dirigidos às comunidades cristãs da época, revelando a existência do mal e as suas formas de expressão, numa previsão de combate entre o mal, caracterizado na realidade pelo Império Romano, e o bem, personificado nos ensinamentos e na pessoa de Jesus.&lt;br /&gt;O imperador Vespasiano (69-79 d. C.) tinha criado a religião imperial, o culto dos imperadores mortos, atribuindo-se a si próprio títulos como “salvador”, “benfeitor”, “senhor”. O imperador que se seguiu, Domiciano (81-96 d. C.), endureceu a situação impondo essa religião imperial e exigindo o culto ao imperador vivo. Quem recusasse esse culto e seguisse uma religião diferente, era perseguido e morto. Por isso João queria exortar as comunidades cristãs a manterem-se firmes na sua fé, apesar do perigo que corriam. &lt;br /&gt;Neste quadro, a existência de João na ilha de Patmos escrevendo para os cristãos, exortando-os a rebelarem-se contra as ordens do imperador, não faz sentido.&lt;br /&gt;Como todos os textos proféticos, e são assim chamados porque procuram predizer o futuro, o Apocalipse tem sido aplicado a numerosos acontecimentos ao longo da História, na presunção de que esses acontecimentos estariam previstos nas palavras de João. Mas na verdade, João dirigia-se apenas ao seu tempo. Por este motivo ele diz logo no princípio que o tempo está próximo, que os acontecimentos que descreve estão para acontecer em breve.&lt;br /&gt;Apesar da transposição para tempos posteriores e para os nossos dias ser abusiva e não corresponder à ideia original de João, o texto reflecte no entanto a eterna luta entre o bem e o mal ao longo de toda a história da humanidade. Há quem diga, e a ideia vive inclusive dentro de algumas escolas místicas, de que o mal não existe, que não passa da ausência do bem. Mas isto é um sofisma, o mal existe da mesma forma que o bem, além do que, os conceitos de bem e de mal são de exclusiva criação nossa, pois na Natureza eles não existem. Como falámos na crónica anterior dos “Filhos de Belial”, não é difícil com um pouco de habilidade, ler no Apocalipse o que tem acontecido ao longo do tempo até aos nossos dias.&lt;br /&gt;Da mesma forma que o Apocalipse, o Crânio de Cristal, de uma forma mais subtil, sem os “efeitos especiais” do texto de João, alerta-nos para esse eterno combate quando diz que os “Filhos do Um” só poderão vencer os seres grosseiros que têm dominado o planeta, quando unirem as suas mentes e se tornarem Um. Enquanto isso não acontecer, a Terra caminha inexoravelmente para o extermínio.&lt;br /&gt;Mas ao contrário de todas as previsões, o Crânio diz-nos que não haverá uma guerra atómica. Que essa ideia foi criada pelos seres grosseiros como forma de domínio, que pela ameaça pendente de uma guerra atómica e o temor que ela implica, estamos sob controle, conduzidos pelos caminhos por eles idealizados. A este respeito, a voz do Crânio insiste dizendo: “Não vejam com os olhos… ouçam com a vossa mente! Não ouçam com os ouvidos… Ouçam com a vossa mente!&lt;br /&gt;Durante todo o tempo posterior à 2ª Grande Guerra, temos vivido no terror de um holocausto nuclear. Esse temor é legítimo, pois em face das numerosas armas nucleares em posse de vários governos e, talvez em posse de algumas organizações criminosas, uma vez que não se sabe exactamente o destino de algumas dessas armas após a dissolução da União Soviética, vivemos literalmente com a “espada de Dâmocles” sobre a cabeça.&lt;br /&gt;A utilização de armas nucleares em guerras não é novidade para a humanidade e não se limitou à catástrofe de Hiroshima e Nagazaki. Zecharia Sitchin conta-nos num dos seus livros da série “Crónicas da Terra”, que elas foram usadas no episódio bíblico de Sodoma e Gomorra e mais quatro cidades, exterminando toda a vida na região e em toda a Mesopotâmia devido às nuvens radioactivas que originaram, dando origem provável ao Mar Morto, cujas águas se encontram a mais de quatrocentos metros abaixo do nível do Mediterrâneo e são tão densas, devido ao seu alto teor de salinidade, que não contêm nenhum vestígio de vida.&lt;br /&gt;Durante todo o período da “guerra-fria” em que o mundo viveu num equilíbrio aparentemente precário entre as duas grandes potências, o Apocalipse de João foi interpretado diversas vezes como prevendo uma inevitável guerra atómica com terríveis consequências para a humanidade. Como dissemos antes, essas interpretações foram um aproveitamento oportunista do texto de João, já que ele se refere apenas ao seu tempo e às dificuldades do cristianismo nascente face ao Império Romano. Para João, a “Besta” era o imperador romano ou o Império Romano; para essas interpretações, até porque a “Besta” era escarlate, era o comunismo ou o seu dirigente máximo.&lt;br /&gt;Na verdade, o perigo da guerra atómica era fictício, uma noção criada, como diz o Crânio, para nos manter sob controlo. Porque nenhum dos presumíveis contendores iria iniciar uma guerra que provocaria, com toda a certeza, a sua própria destruição, embora essa guerra estivesse, ou sempre tem estado, nos planos dos militares. Se tivessem deixado o poder exclusivamente na mão dos militares, temos poucas dúvidas de que teria acontecido um holocausto nuclear. Salvou-nos talvez o medo incrustado na sociedade civil ou, a intervenção do “santo descalço”, como referem as profecias de João XXIII. Porque para os militares a guerra é uma condição natural, pois é para isso que eles existem, na presunção da defesa dos seus territórios mas, na realidade, essa defesa pode tomar facilmente o carácter de agressão.&lt;br /&gt;Para podermos entender um pouco a mentalidade militar, lembremos a 1ª Grande Guerra, considerada a mais estúpida de todas as guerras. Tratou-se apenas de uma espécie de jogo mortal entre os militares de um lado e do outro, estabelecendo planos de batalha com total desprezo pelas baixas que causariam às suas próprias fileiras, pois o que importava era o seu ego, expresso em estratégias que beiravam a completa loucura. Ninguém sabe exactamente porquê que houve essa guerra, nem quais eram os objectivos a atingir. No terreno lamacento ficaram milhões de mortos, testemunhas silenciosas da imbecilidade a que o ser humano pode chegar.&lt;br /&gt;O Crânio de Cristal insiste, dizendo que o grande perigo para esta humanidade não está na guerra atómica, que não haverá, mas na utilização do som como arma destruidora, e que essa arma já tem sido testada.&lt;br /&gt;Jean-Paul Sartre, um dos ideólogos do existencialismo que teve a sua maior expressão em França nos anos quarenta e cinquenta do século passado, recusava o direito à existência da bomba H. Para ele a bomba H era contra a História, pois esta seria o movimento das massas em direcção ao poder. Este, nas mãos de uma elite reduzida, alguns sábios, políticos e militares, controlariam o movimento das massas, retirando-lhe a possibilidade de se emanciparem e tomarem o poder.&lt;br /&gt;O desarmamento nuclear, política em curso nos últimos anos entre os EUA e a Rússia, não passa também de uma ficção. Reduzir o armamento não resolve a situação. Esta só seria resolvida se o desarmamento implicasse a destruição de todas as armas, que não é o caso. Possuir dez mil armas ou mil armas apenas, não reduz o perigo de uma guerra, os efeitos seriam sempre os mesmos.&lt;br /&gt;Enquanto andamos distraídos com estas questões nucleares, laboratórios secretos vão criando outras armas, mais subtis mas talvez mais perigosas. Esperemos que não venham a cair em mãos erradas e que fiquem, indefinidamente, escondidas nos locais em que estão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-5964994635566030916?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/5964994635566030916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=5964994635566030916' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/5964994635566030916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/5964994635566030916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal_4605.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-3808703995990509379</id><published>2009-12-10T22:33:00.001-02:00</published><updated>2009-12-10T22:33:48.198-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>IV – Os Seres Grosseiros e os Seres do Um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Crânio de Cristal fala-nos repetidamente da existência de seres grosseiros e seres de luz, que os primeiros dominam e dominarão a Terra, até que os seres de luz tomem consciência, se unam e vençam o estranho combate entre as trevas e a luz.&lt;br /&gt;Edgar Cayce, o controverso médium americano que viveu no início do século passado (1877-1945), já nos tinha falado que o ser humano se encontra dividido entre os “Filhos do Um” e os “Filhos de Belial”.&lt;br /&gt;O “Um” significa a unidade cósmica, a consciência de sermos todos um, que tudo é um. O Crânio diz-nos que quando passamos o umbral da morte entramos nessa unidade, onde podemos aprender e purificar-nos, antes de empreendermos uma nova aventura no mundo das experiências da 3ª dimensão, reencarnando num novo corpo físico.&lt;br /&gt;Belial, sob diferentes formas, é referido no Antigo Testamento da Bíblia mais de vinte vezes, como um ser iníquo, um anjo caído, um homem maldoso, falso, corrupto, ao serviço de Satã em oposição a Javé. Ele é o chefe dos demónios, o promotor da luxúria, da loucura, de tudo quanto se opõe ao bem enunciado por Javé. Nos manuscritos do Mar Morto, de Qumrã, ele é a personificação de Satanás em combate cósmico contra Deus. É também referido por Paulo na sua segunda carta aos Coríntios (6.15): “Que harmonia pode haver entre Cristo e Beliar? Que relação entre quem acredita e quem não acredita?”&lt;br /&gt;Belial, mais conhecido como Baal, é, na tradição hebraica herdada pelo cristianismo, a personificação do demónio, de todo o mal, de tudo quanto se opõe a Javé Deus.  &lt;br /&gt;Mas o Crânio de Cristal não personifica Deus, denomina os “Filhos de Belial” como seres grosseiros, distantes da luz, em oposição aos seres do Um, próximos da luz. E diz que os seres grosseiros são em muito maior número do que os do Um, pois encontram na Terra, devido à sua baixa e escura vibração, condições ideais para encarnarem, vindos de encarnações anteriores, ou mesmo de outros planetas, atraídos pela baixa vibração do nosso planeta. Estes seres grosseiros são seres sem mente, ou não a reconhecem, no entanto inteligentes e dominam a Terra, sendo responsáveis pelas condições precárias de sobrevivência do planeta. Quando passam pelo umbral da morte procuram reencarnar rapidamente devido ao seu desmedido apego à 3ª dimensão, ao mundo físico, para repetirem os mesmos erros do passado e reviverem as mesmas experiências do passado. Dominam a Terra estabelecendo as regras da sociedade através da política e da religião. Contra isto os seres do Um pouco podem, porque não estão unidos.&lt;br /&gt;Trata-se de um estranho combate entre a luz e as trevas, em que estas vão vencendo sem muita oposição. De facto, e não falando ainda de política, não podemos deixar de notar que algumas escolas filosóficas que orientam os seus membros para a busca do bem, da luz, se submergem sob a vaidade e o ego dos seus dirigentes, perdendo força e o objectivo original para que foram criadas. Por outro lado assistimos impotentes à proliferação de inúmeras igrejas e seitas, que não são mais do que a expressão do ego inflado dos seus promotores que, por este meio e falando sempre em nome de Deus, buscam apenas a riqueza, as posses materiais, o dinheiro.&lt;br /&gt;Tudo isto acontece com o apoio da política, que numa atitude hipócrita e consentânea com esses cenáculos pseudo divinos, os isenta de impostos e taxas, e inibe qualquer questionamento sobre a sua validade na sociedade através do paradigma criado de que “religião não se discute”.&lt;br /&gt;Os seres grosseiros reconhecem-se, diz o Crânio de Cristal, pelos olhos, pela profundidade do olhar, fazendo lembrar aquele ditado que diz que os olhos são o espelho da alma. Eles têm dominado a Terra desde a mais remota antiguidade, desde quando os seres que aqui chegaram e nos deixaram vários artefactos e registos da sua sabedoria superior, partiram, foram embora para as suas orbes, desistindo da luta inglória de elevar espiritualmente, de encaminhar para a luz, aquele ser rastejante que aqui encontraram e transformaram num ser humano com todas as potencialidades dos seus criadores.&lt;br /&gt;Por outro lado, não foram apenas esses seres superiores que nos habituámos a chamar deuses, que vieram para a Terra. A grande densidade e a baixa vibração do planeta, factores que permitem a 3ª dimensão, têm atraído seres de baixa frequência vibratória, em que a materialidade se torna no objectivo absoluto. Nestas condições é muito difícil aos seres do Um emergirem deste poço escuro vibratório e promoverem o resgate das mentes que se encontram perdidas no mar da materialidade. A maior tragédia resultante desta situação tem sido a terrível exploração do ser humano por outros seres humanos ao longo do tempo, e também, como consequência a depredação das condições vitais do planeta sob a falsa alegação de desenvolvimento. Este resume-se ao desenvolvimento material e não concebe outra forma de evolução senão através dos avanços tecnológicos, tornando a sociedade prisioneira de valores injustos que a oprimem e não a deixam libertar-se.&lt;br /&gt;Para além da depredação da vitalidade do planeta, as consequências desta situação estão à vista de todos e só não vê quem não quer ver. Hoje, aparentemente, a negatividade do nosso passado está ultrapassada. Já não há mais guerras de conquista ou em nome de Deus. Não!? Já não existe a escravatura do ser humano, salvaguardado na sua liberdade por uma coisa chamada “direitos e garantias do cidadão”, em vigor em grande parte do mundo actual. Graças ao advento das democracias, que para muitos terá tido a sua génese na Revolução Francesa nos finais do século dezoito, a maioria dos seres humanos beneficiam da liberdade que lhes permite se auto promoverem e desenvolverem, uma vez que a opressão das ditaduras se tem vindo a desvanecer e a transformar-se em memórias tristes de um passado recente.&lt;br /&gt;Mas será que é assim? Talvez não, pois os “Filhos de Belial” continuam no comando, dominando e estabelecendo as regras e as leis que regem a nossa civilização. A sua maior obra, para além dos sistemas políticos que engendraram, os quais, salvo raras excepções, estão imersos num imenso mar de corrupção, é o sistema económico vigente em todo o mundo, promovendo acumulação ilícita de riqueza, criando terríveis desigualdades entre os seres humanos, que continuam assim a ser explorados, ainda que de uma forma menos dolorosa, mais subtil. A recente crise financeira internacional veio provar que quem de facto governa o mundo, de “cartas marcadas”, não são os governos, são os bancos. Os governos são marionetas nas mãos do sistema bancário internacional. Por isso, quando da crise criada artificialmente para atingir objectivos obscuros, os governos correram a emitir imensas somas de dinheiro para salvar os bancos e as instituições financeiras da falência, uma coisa nunca vista em tempo algum.&lt;br /&gt;Na verdade tudo não passou da emissão de papel, de certificados, de títulos de dívida, pois a riqueza traduzida em dinheiro não corresponde a nada de concreto, apenas a declarações de dívida. Hoje, toda a gente deve a toda a gente, e é preciso continuar a consumir para não derrubar o sistema, que não passa, na realidade, de um “castelo de cartas”. A comunicação, através dos seus órgãos como os jornais, televisão, rádio, publicidade, propaganda, é um veículo ideal para a manutenção desta situação, e nisso tem-se esforçado bastante. De facto, vivemos hoje naquilo que se poderia chamar de ditadura económica.&lt;br /&gt;A acção dos “Filhos de Belial” estende-se a todos os campos. A justiça, os tribunais, coisa em que poucos ainda acreditam, perde-se num emaranhado de leis e regulamentos, onde o mais esperto sobrevive e o inocente se vê muitas vezes enredado em situações que o transformam em vítima de um sistema injusto. A este respeito, lembramo-nos de um diálogo publicado em 1910, no livro “A Central de Energia” da autoria de John Buchan:&lt;br /&gt;“- Evidentemente, disse eu, há inúmeras vigas mestras na civilização, e se as destruíssemos seria o seu desmoronamento. Mas elas aguentam-se bem.&lt;br /&gt;- Não muito… Pense que a fragilidade da máquina se torna cada vez maior. À medida que a vida se complica, o mecanismo torna-se mais inextricável e por consequência mais vulnerável. As vossas supostas sanções multiplicam-se tão desmedidamente que cada uma delas é precária. Nos séculos de obscurantismo existia uma força única: o medo de Deus e da Igreja. Actualmente há uma infinidade de pequenas divindades, igualmente delicadas e frágeis e cuja única força é devida ao nosso tácito consentimento em não as discutir.” &lt;br /&gt; Alguém em 1910 previu como seria o mundo dali para a frente e não se enganou, porque o que está dito nesse diálogo aplica-se hoje a todos os campos da nossa sociedade – as coisas importantes não se discutem.&lt;br /&gt;A violência oprime os grandes centros urbanos e tem vindo, recentemente, a estender-se aos pequenos centros. Psicólogos de teorias duvidosas, em que se procura explicar e justificar o infractor, em vez de se proteger as eventuais vítimas, exercem a sua influência para que a situação continue a degradar-se, sendo a nosso ver os principais responsáveis por uma certa inversão de valores que tem vindo a envenenar a nossa sociedade.&lt;br /&gt;Segundo a voz do Crânio de Cristal, para que a actual situação possa ser modificada no sentido de tornar o mundo mais justo, de se estabelecer o respeito pela natureza e pelo planeta, de se criarem condições para que a vida se torne mais gratificante e a exploração cesse, será necessário que as mentes do Um se unam e comecem o “bom combate”, vencendo os “Filhos de Belial”. Enquanto isso não acontecer, a Terra caminha inexoravelmente para o extermínio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-3808703995990509379?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/3808703995990509379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=3808703995990509379' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3808703995990509379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3808703995990509379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal_7274.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-5999897001027075762</id><published>2009-12-10T22:30:00.000-02:00</published><updated>2009-12-10T22:32:00.544-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>III – O Som, a Luz, o Tempo e outras coisas – 3ª parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.”&lt;br /&gt;É com estas palavras que começa o Evangelho de João, em tudo diferente dos outros três e considerado o mais hermético deles. Mas as frases acima constituem o que de mais misterioso podemos encontrar no Novo Testamento. Evidentemente que há interpretações, as oficiais e as outras, mas essas interpretações, por um lado são absurdas, por outro lado não explicam nada.&lt;br /&gt;Como interpretações absurdas são as recentes publicações da Bíblia em que se substituiu “verbo” por “palavra”. Para comparação com as frases acima, transcrevo o que encontrei numa edição pastoral da Bíblia: No começo a Palavra já existia: a Palavra estava voltada para Deus. No começo ela estava voltada para Deus. Tudo foi feito por meio dela, e, de tudo o que existe, nada foi feito sem ela. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. Essa luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram apagá-la.”&lt;br /&gt;Este é um bom exemplo de como se consegue deturpar completamente um texto, retirar-lhe todo o sentido e transformá-lo em algo ridículo, sem significado. Porque o “verbo” não é a “palavra”, pois esta não passa de uma expressão verbal. O Verbo é algo mais, é algo muito diferente do que as habituais ladainhas que se ouvem nas igrejas. O Verbo poderia ser, em nosso entender, algo como um som primordial, algo que os budistas e outras escolas filosóficas procuram na entoação de mantras. Por algum motivo a entoação de certos mantras, quando correctamente executada, tem efeitos curativos sobre o corpo humano e, naturalmente, sobre toda a Natureza.&lt;br /&gt;O Verbo pode ainda ser o poder do pensamento, o poder da mente, e não a manifestação física de uma dada vibração. Porque, como já vimos antes, só o pensamento é criador. Quando o pensamento passa à condição de palavra, perde potência e capacidade de criar seja o que for. Por este motivo, o Crânio diz-nos que a oração é um importante veículo de contacto com os seres superiores, mas quando a oração se resume à expressão da mente através do pensamento. Quando uma oração se transforma em palavras, lá temos a tal ladainha, perde completamente a sua eficácia.&lt;br /&gt;Se entendermos que Verbo não é um som, mas que seja o puro pensamento, a pura energia da mente, talvez esse início do Evangelho de João comece a fazer sentido. Assim, se substituirmos “Verbo” por “Pensamento”, e “Deus” por “Mente”, então todas as coisas foram feitas por ele (pensamento), porque ele estava com a Mente, ele era a Mente. A luz resultante e que é a vida dos homens não será mais do que o conhecimento, não a inteligência, porque esta pode ter luz ou não, e não provém, necessariamente, da pura energia da mente.&lt;br /&gt;Aceitamos que esta ideia é altamente polémica, mas é a nossa interpretação do hermetismo de que se reveste o início do Evangelho de João. Concorda com alguma tradição e concorda, neste momento, com as revelações do Crânio de Cristal. Se houver uma interpretação melhor, gostaria de a conhecer.&lt;br /&gt;A mente, como já foi demonstrado pela Física Quântica, é o elemento criador, ela pode criar matéria, ou reunir matéria já existente sob a forma de átomos livres, associando-os e criando algo material. Entendidas as coisas desta forma, talvez nunca tenha havido o famoso e celebrado pelos cientistas início de tudo como um “big bang”, uma explosão tremenda de toda a matéria concentrada num único ponto, dando assim início ao universo que conhecemos ou, melhor, ao universo tridimensional. A teoria do “big bang” é, em nosso entender, uma teoria falhada, porque ninguém consegue explicar onde, em que dimensão, em que estado, em que vibração, em que espaço, estava esse ponto. É tão falhada como a teoria do Deus criador, do Deus pessoal, tão doutrinada pelas religiões e por certa filosofia. Porque nessa altura a pergunta óbvia seria: então quem, ou o quê, criou Deus?&lt;br /&gt;Se não houve nenhum “big bang”, o universo não teve nenhum início, como se procura estabelecer no tempo em milhares de milhões de anos. Provavelmente tudo não passou da criação da Mente, da Mente Universal, um conceito que temos, naturalmente, dificuldade em compreender no estado físico em que nos encontramos. Daí o Deus pessoal, criador de todas as coisas e supervisor mor de tudo quanto fazemos, ser de mais fácil aceitação para a nossa limitada inteligência. Mas há, felizmente, aqueles que já ultrapassaram esta limitação e têm uma ideia superior do conceito de Deus, embora não a consigam explicar ou demonstrar. Talvez só quando passarmos o umbral conhecido por morte possamos ter uma ideia mais aproximada da verdadeira essência de todas as coisas. &lt;br /&gt;Quem pôde assistir aos primeiros episódios da série de televisão “Taken” (abduzido), filmados por Steven Spielberg, um realizador de cinema há muito interessado nestes assuntos, viu uma clara demonstração de como a mente é criadora. Para quem não assistiu a essa série, damos um resumo da história:&lt;br /&gt;Trata-se de uma menina de uns dez ou doze anos de idade. Um dos pais teria sido abduzido e levado para uma nave extraterrestre. Por este motivo, a menina nasceu com dotes extraordinários, com uma capacidade mental extremamente poderosa, pois conseguia mover objectos à distância. Claro que o governo americano toma todas as medidas para sequestrar a menina e retirá-la do contacto com as outras pessoas, inclusive os seus pais. É levada para um local remoto, uma antiga fazenda, e à sua volta é estabelecido um grande aparato militar pois, naquela zona apareciam frequentemente objectos voadores estranhos. Durante dois ou três dias nada acontece. Mas ao fim do terceiro ou quarto dia, já noite, aparecem no céu várias luzes que se aproximam e se unem umas às outras, formando uma enorme nave que vai aterrar com grande estardalhaço no meio daquele aparato militar, que abre fogo sobre a nave sem quaisquer resultados.&lt;br /&gt;No dia seguinte de manhã os militares espantados verificam que a nave já não está lá, que tinha desaparecido. Depois de mais algumas peripécias, acabam por chegar à conclusão de que a nave tinha sido uma criação mental da menina para atender a necessidade geral que ela sentia naqueles homens todos de ver uma nave extraterrestre. Como sentia um grande desejo e uma grande ansiedade, ela tinha criado a nave para atender esse desejo e ansiedade. Depois limitara-se a fazê-la desaparecer, também por força da mente.&lt;br /&gt;Voltando ao Evangelho de João, a última frase em que diz que as trevas não compreenderam a luz, perde a sua natureza hermética e passa a fazer sentido se fizermos as substituições que acima indicámos e em que luz significa conhecimento. De facto as trevas são a ausência de tudo e, como tal, não podem compreender, porque não têm mente nem conhecimento.&lt;br /&gt;A uma pergunta sobre se a mente é a alma, o Crânio respondeu que a mente é o veículo da alma. Este conceito é o mesmo dos rosacruzes sobre o Cósmico, em que este não é Deus, mas a sua manifestação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-5999897001027075762?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/5999897001027075762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=5999897001027075762' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/5999897001027075762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/5999897001027075762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal_9186.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-744312483726664721</id><published>2009-12-10T22:26:00.001-02:00</published><updated>2009-12-10T22:26:42.568-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>III – O Som, a Luz, o Tempo e outras coisas – 2ª parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Terra caminha rumo ao extermínio, como dissemos na 1ª parte, pois de acordo com a informação do Crânio, esse extermínio dar-se-á quando os pólos magnéticos mudarem. Esta mudança pode tratar-se de uma inversão de polaridade, passarmos a ter o norte no lugar do sul e vice-versa ou, pode tratar-se de um deslocamento para leste ou oeste, o que não é provável porque a polaridade é criada pela rotação da Terra. De qualquer das formas será uma enorme complicação.&lt;br /&gt;Acreditando ou não neste aviso do Crânio de Cristal, é facto de que nos últimos anos têm surgido evidências científicas de que o campo magnético da Terra está a mudar. É um processo relativamente lento, mas já vem acontecendo há alguns anos. Este processo é natural, não tem nada a ver com a acção do homem sobre a Natureza, pois acontece periodicamente com qualquer planeta, e já aconteceu com a Terra diversas vezes. É provável que o desaparecimento dos dinossauros, por exemplo, tenha relação com este fenómeno, embora não seja de descartar a hipótese de um meteoro que teria mergulhado a Terra numa penumbra gelada durante largo tempo.&lt;br /&gt;Ninguém sabe, exactamente, o que origina o campo magnético da Terra. Teorias do passado em que diziam que ele tinha origem no magma ferroso do centro do planeta foram descartadas devido à elevada temperatura desse centro, impróprio para a existência de um campo magnético. No entanto ele existe, está em constante mutação e protege-nos do bombardeamento de partículas do espaço extremamente nocivas para a vida. Está em constante mutação porque os seus pólos vão variando de distância em relação aos pólos geográficos e a posição do pólo sul é ligeiramente diferente da do pólo norte.&lt;br /&gt;Também ninguém sabe, exactamente, quais as consequências para a vida no planeta, no caso de uma inversão dos pólos. De uma forma simplória podemos ser levados a pensar que essa inversão não teria maiores consequências senão passarmos a chamar norte ao que era antes sul, e sul ao que era norte. O problema é que ninguém sabe também, quanto tempo levaria essa inversão. Como o campo magnético forma um escudo em redor da Terra que nos protege dos raios cósmicos e outras partículas, o que aconteceria, se durante um espaço de tempo ficássemos privados desse escudo? Provavelmente a vida seria praticamente exterminada da face do planeta.&lt;br /&gt;No entanto, por qualquer processo misterioso, há sempre sobreviventes. É um dado adquirido que, mesmo nas piores condições de explosões nucleares, há sempre pessoas, animais e plantas que sobrevivem, não se sabe porquê. Isto leva-nos à história do “porco 14” contada por Louis Pauwels e Jacques Bergier no livro “O Despertar dos Mágicos”. Numa experiência atómica francesa realizada num atol do Pacífico foi colocado como alvo um barco contendo vários animais. Na explosão nuclear que se seguiu, o barco foi completamente vaporizado mas, um dos animais, o porco, que tinha o número 14, foi atirado pela explosão a grande distância. Nadou para terra, sobreviveu sem nenhuns vestígios de radioactividade e procriou naturalmente.&lt;br /&gt;Assim, acreditamos que mesmo na ausência desse escudo protector, a vida na Terra poderá, de alguma forma, ser preservada. O aquecimento global, o desmatamento, a poluição, o envenenamento das águas e outras depredações que temos vindo a fazer num total desprezo pela Natureza, acabam por ter menor importância em face de uma ameaça perante a qual pouco ou nada poderemos fazer.&lt;br /&gt;Evidentemente que a vida, na sua essência, não será exterminada, apenas a sua manifestação material será destruída pois, como já dissemos antes, a vida continua e voltará a manifestar-se logo que as condições do planeta retornem à normalidade. Mas isto é consolo para poucos, a maioria entende a vida, exclusivamente, como a sua manifestação material, vive aterrorizada pela ideia da morte, não compreende que se trata apenas da morte do invólucro material.&lt;br /&gt;O Crânio alerta-nos para o perigo da manipulação do som. Diz-nos que temos procurado tecnologias que, nas mãos de inteligências erradas, acarretariam a destruição do planeta, pois existem já tecnologias que podem desintegrar a matéria.&lt;br /&gt;Como sabemos, o som pode ser audível pelo ouvido humano, ou não, porque o som, sendo o resultado da vibração de determinado instrumento, que depois se propaga, também como vibração, pela atmosfera, tem uma escala que vai do mínimo inaudível até ao máximo insuportável.&lt;br /&gt;Quem se lembra da escala musical sabe que existem 7 notas (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si), que se podem repetir numa escala normal 9 vezes, quer dizer de sons mais graves até sons mais agudos. Mas para cima destes sons agudos, há os cada vez mais agudos, correspondendo a vibração mais elevada, até chegarmos a ultra sons. Para baixo da escala, vamos descendo para sons mais graves até atingirmos os infra sons. O ouvido humano é capaz de ouvir uma porção muito restrita dessa escala, o que não quer dizer que o som não exista.&lt;br /&gt;O som pode destruir a matéria, são conhecidos vários casos de cantores cuja voz atinge tal vibração que estilhaça cristais e tudo quanto seja de vidro à sua volta. A bíblia refere que o som de trombetas foi usado para derrubar as muralhas de Jericó.&lt;br /&gt;Em relação ao aviso do Crânio de que a manipulação do som pode destruir o planeta, na verdade ele é actualmente omnipresente, está em toda a parte e preenche completamente a nossa atmosfera. Até há bem pouco tempo, o som, como produto da manipulação humana, era praticamente inexistente, ou existia em forma muito reduzida. Quando se fala tanto em poluição atmosférica e na sua contribuição para o aquecimento global, ninguém fala da poluição sonora.&lt;br /&gt;Todo o movimento produz som, todo o artefacto produz som, a própria electricidade produz som pois, se não fosse assim, não ouviríamos nenhum trovão que se segue ao raio durante uma tempestade. Mas há mais: o tráfego de veículos, os motores e o próprio rolamento desses veículos produz som; as ondas hertzianas de rádio e televisão produzem som; os telefones, os milhões e milhões de telefonemas a cada hora que passa, produzem som; o tráfego aéreo de aviões produz som. Milhões de antenas estão espalhadas pelo planeta para permitirem as comunicações telefónicas móveis (celulares). Centenas de satélites de comunicações bombardeiam permanentemente o planeta com som. Tudo isto configura uma tremenda poluição sonora, da qual só tomamos consciência quando procuramos um pouco de silêncio. À falta de silêncio exterior, resta-nos o silêncio interior.&lt;br /&gt;No entanto, o som também tem vindo a ser cada vez mais usado para tratar doenças e substituir em alguns casos as tradicionais cirurgias. Mas o Crânio avisa-nos de que isto é verdade, que o som pode ser usado para curar, mas que a Terra está rodeada de uma rede de satélites que bombardeiam o planeta com diferentes níveis vibratórios, produzindo doenças estranhas e ainda muitas delas desconhecidas.&lt;br /&gt;Este bombardeamento está a causar fortes alterações na vida marinha, por exemplo. Para terminar esta parte transcrevemos algo que achamos ainda, de certo modo, incompreensível:&lt;br /&gt;“Damos a vocês o pensamento de que o que está sendo bombardeado sobre o planeta Terra está causando um crescimento da vida. Vocês precisam ser advertidos quanto a isso. Estão matando a vida marinha e causando o que é grosseiro, e destruiriam o vosso sistema de vida, para ficarem mais abundantes sobre a Terra. Estão matando a vossa vegetação, que dá alívio ao corpo etéreo. Estão deixando que mais uma vez os seres grosseiros dominem”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-744312483726664721?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/744312483726664721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=744312483726664721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/744312483726664721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/744312483726664721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal_10.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-8781851104272332838</id><published>2009-12-10T22:23:00.000-02:00</published><updated>2009-12-10T22:24:48.520-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>III – O Som, a Luz, o Tempo e outras coisas – 1ª parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que nos lembramos das experiências de encarnações passadas, mas não temos consciência disso?&lt;br /&gt;Será que o tempo, como realidade, não existe, ou existe apenas na 3ª dimensão?&lt;br /&gt;Qual o valor da palavra enquanto som expresso através da vibração, e qual o valor da palavra escrita?&lt;br /&gt;Outras perguntas além destas, iremos colocar ao longo desta crónica, não como forma de pergunta ou dúvida, mas como resposta abrangente da nossa interpretação das revelações do Crânio de Cristal.&lt;br /&gt;A mente, que muitos poderão entender como alma, é a geradora dos pensamentos, e estes, sejam positivos ou negativos, são sempre criadores – nós criamos tudo pelo pensamento. A mente não é afectada pelas emoções do corpo.&lt;br /&gt;Aqui parece haver uma contradição pois, aparentemente, as emoções se confundem com os pensamentos ou, serão estes que as geram. Mas não, os pensamentos, como produto puro da mente, não geram as emoções. Estas só podem surgir na 3ª dimensão, na matéria que é o corpo, e são como que um reflexo das necessidades materiais e do desejo de experimentar.&lt;br /&gt;Isto pareceu-nos realmente confuso, pois sempre achámos que pensamentos e emoções eram algo intimamente ligado, que muitos pensamentos poderiam ter origem em emoções sentidas. Foi quando alguém nos falou nos psicopatas que começámos a entender melhor. De facto, para além das definições psiquiátricas, o psicopata é alguém que não tem emoções, é mente pura e simples. Ele não tem sentimentos de culpa, por muito mal que tenha feito. Normalmente os psicopatas são criminosos, porque não recuam perante seja o que for para atingir os seus objectivos, os quais, normalmente, não se coadunam com as regras da sociedade. Mas os psicopatas não são apenas aqueles criminosos conhecidos, responsáveis por alguns horrores no mundo da criminalidade. Há os outros, aqueles que não cometem crimes visíveis, mas que dominam através apenas da mente. Um psicopata pode ser um grande gestor financeiro, um alto dirigente político, um líder carismático de uma igreja.&lt;br /&gt;Portanto, emoção não é pensamento. Os pensamentos são gerados pela mente como energia pura, as emoções são geradas pelo corpo como energia “grosseira” (voltaremos mais tarde a este termo). Como energia pura os pensamentos não sofrem dos conceitos de bem e de mal. Eles agem simplesmente como acção criadora. A Física Quântica confirma isto quando diz que o comportamento de um átomo pode ser influenciado pelo ponto de vista do observador. Ou seja, o comportamento de um átomo pode ser influenciado pela mente, pois só esta é criadora.&lt;br /&gt;O sono é um alívio da mente da pressão da 3ª dimensão. O sono foi introduzido nos seres que vieram para a Terra e aqui tomaram o corpo físico, e nos seres que já aqui estavam, para que pudéssemos compensar o que foi feito enquanto a mente estava dentro do corpo. Este mecanismo do sono foi programado no cérebro e nas células. Julgo que esta programação não se refere apenas aos seres humanos, mas a todos os animais, pois todos dormem. Para além do descanso, permite à mente libertar-se do espaço da 3ª dimensão (espaço da matéria).&lt;br /&gt;Durante o sono temos possibilidades de aprender e progredir, se assim a nossa mente o quiser, naquilo que chamamos de “viagens astrais.” O sono propicia à mente, não só de se libertar das “amarras” da 3ª dimensão, como do condicionamento do tempo pois, fora das três dimensões, o tempo não existe. E assim, a mente expande-se a partir de si mesma.&lt;br /&gt;Esta ideia de que o tempo não existe fora da 3ª dimensão pode ser facilmente demonstrada pelas nossas próprias experiências. De facto, muitas vezes sonhamos sonhos longos e acordamos com a noção de que devemos ter passado a noite a sonhar. No entanto, como já foi diversas vezes confirmado por experiências científicas, esse sonho longo não durou mais do que dois ou três minutos. A noção do tempo é perdida quando sonhamos. &lt;br /&gt;Diz-nos ainda o Crânio de Cristal que, durante o sono, muito é aprendido, muito é ganho, e muito é purificado e refinado mas, para que isso aconteça, é preciso que a mente o queira fazer, o deseje fazer. É durante o sono que podemos ter acesso a tudo o que aprendemos em encarnações anteriores. A passagem desse conhecimento “passado” para a nossa 3ª dimensão, pode manifestar-se através da intuição, da inspiração, do génio. Muitas vezes nos perguntamos como é que algumas pessoas, às vezes crianças, aparecem com ideias geniais, onde é que foram buscar essas ideias. A inspiração também constitui um mistério, pois não sabemos de onde ela aparece. O Crânio diz-nos que é durante o sono que isso tudo nos é facultado, desde que, a mente queira de facto aprender. A aprendizagem e a transposição para o plano material acontecem por vontade única da mente.&lt;br /&gt;Portanto, podemos afirmar que sim, que nos recordamos das experiências de vidas passadas. Só que, talvez na maioria dos casos, aparece uma espécie de bloqueio quando não conseguimos lembrar-nos do que sonhámos. No entanto, quantas decisões tomamos, quantos problemas conseguimos resolver, apenas por algo que ficou registado na nossa mente, do qual não temos consciência… É bem verdadeira aquela ideia de que quando temos um problema sério para resolver, o travesseiro é o nosso melhor conselheiro.&lt;br /&gt;Agora vamos abordar uma coisa muito complicada para o nosso entendimento: o tempo. Já vimos que ele só existe no mundo da matéria, que para além da 3ª dimensão é inexistente.&lt;br /&gt;Segundo a voz do Crânio de Cristal, “o conceito de tempo e relatividade foi colocado na consciência daqueles que governam e daqueles que podem destruir.” De outro modo, “a dimensão que entendemos, de velocidade e luz e mudança de energia vibratória, é a nossa (deles) compreensão do tempo devido ao tedioso progresso dos pólos magnéticos da Terra rumo ao extermínio”.&lt;br /&gt;Parece, por estas últimas palavras, que não temos salvação, que a vida, tal como a conhecemos e entendemos na Terra, será exterminada quando os pólos magnéticos mudarem. Quando isto acontecer, de novo a voz do Crânio, “vocês entenderão mais profundamente que o tempo foi criado, de facto, por uma inteligência superior, como forma de controlo sobre o cérebro e funcionamento da imagem do corpo”.&lt;br /&gt;De acordo ainda com a voz do Crânio, a essência do tempo não passa de uma ilusão. Isto concorda com alguma tradição, principalmente a oriental, que diz que o tempo é uma ilusão.&lt;br /&gt;A nossa noção de tempo vem de onde? Da rotação da Terra, período dividido em 24 horas? Da translação da Terra à volta do Sol, que nos dá um período de um ano, ou mais ou menos 365 dias?&lt;br /&gt;Por outro lado, sabemos que tudo no mundo material está em constante mudança, nada é rigorosamente estável, nem as rochas mais duras. Esta mudança é resultante da vibração e permanente recomposição atómica da matéria. Assim, tudo envelhece, tudo perece e tudo renasce. Então o tempo deve ser isto, a consciência dessa permanente mudança. Alguma tradição diz-nos que o tempo não é mais do que a percepção de vários estados de consciência.&lt;br /&gt;Embora convencidos de ter aprendido alguma coisa acerca da noção de tempo, este continua, contudo, a constituir um dos mistérios com que temos de lidar. Se o tempo não existe, então não existe nem passado nem futuro, tudo não passa do chamado “eterno presente”.A nossa inteligência é ainda bem limitada para entender este conceito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-8781851104272332838?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/8781851104272332838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=8781851104272332838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8781851104272332838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8781851104272332838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/12/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-6303909056719893168</id><published>2009-10-27T22:49:00.000-02:00</published><updated>2009-10-27T22:50:14.244-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>II – As Origens da Humanidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vimos em outras crónicas que a humanidade teve provavelmente muitas origens, e a tradição oral ou escrita está cheia de relatos que, sendo diferentes, acabam por levar à mesma conclusão: que a humanidade não teve uma única origem.&lt;br /&gt;Por um lado temos a Bíblia que nos diz que foi Deus em pessoa (?) que nos criou. Evidentemente que não foi Deus, pois Deus não é uma personalidade. Por outro lado temos várias lendas e textos antigos que nos falam da vinda do homem de outros planetas e que, inicialmente, viveu no continente da Lemúria. Nenhum relato, nenhuma tradição, nenhum texto antigo nos fala da criação espontânea do ser humano por via da teoria da evolução das espécies.&lt;br /&gt;A tradição judaico-cristã, através do Livro do Génesis do Antigo Testamento, diz que foi Elohim que criou o homem, e depois a mulher. Como já dissemos em outras alturas, Elohim é o plural de Eloha, que significa deuses, e não Deus como as traduções bíblicas pretendem mostrar. É claro que essas traduções se têm adaptado aos interesses do momento, principalmente aos interesses de uma religião que insiste na existência de um Deus pessoal, senão de um ancião de barbas brancas, difícil de identificar como Deus, mas como Jesus Cristo crucificado.&lt;br /&gt;Apesar de não haver nenhuma evidência do ser humano primordial, aquele que resultaria exclusivamente da evolução, o Crânio de Cristal diz-nos que quando chegaram a este planeta encontraram um ser semelhante, mas ainda em estado muito primitivo. Diz ainda que vieram para este “pequeno planeta escuro” por causa da sua densidade e porque pretendiam “experimentar”, pois a mente não é capaz de experimentar. Assim, muitos deles criaram o corpo no qual passaram a habitar e a ter todas as sensações de um corpo material. Mas logo houve a “queda”, pois muitos ficaram escravos da sua própria criação – o corpo – e esqueceram os seus pensamentos originais.&lt;br /&gt;Voltando à tradição judaico-cristã, esta fala-nos da existência de uma hierarquia angélica, como tronos, querubins, arcanjos, etc., em que o anjo seria o ser angélico mais próximo de nós. Não nos custa assim admitir que esses seres que vieram para a Terra e aqui encarnaram em corpos físicos, pertenciam a essa hierarquia, talvez anjos e arcanjos. A “queda” enunciada trata-se certamente da queda dos anjos, e do homem simultaneamente, pois a queda deu-se por se terem tornado escravos do corpo, o qual configurava o ser humano. Também a Bíblia nos fala de que, em determinada altura os filhos de Deus, ou dos deuses, se apaixonaram pelas filhas dos homens e com elas se juntaram.&lt;br /&gt;Mas aqui surge um problema e talvez uma contradição. O Crânio diz-nos que foi o “homem” que chegou a este pequeno planeta escuro, não nos diz que foi um ser de outra natureza e aqui assumiu a forma humana material. Este “homem” veio de uma outra galáxia onde vivia num estado puro de energia. Assim, talvez não estejamos perante um ser angélico como atrás dissemos, mas perante o “homem” (ser humano), que ainda não tinha descido à matéria.&lt;br /&gt;Este “homem”, de acordo com o cabalista Z´ev ben Shimon Halevi, seria o Adão Kadmon que “sendo uma cópia em miniatura do Universo, o homem trás dentro de si não apenas as características da Criação, como também os atributos do Criador.” Seria então este o ser que veio para a Terra, mente pura desejando experimentar as emoções. Desta forma, teremos que considerar este ser, chamado Adão Kadmon pelos cabalistas, como um ser diferente e separado da hierarquia celestial que indicámos ou, que a hierarquia celestial não seja mais do que os atributos do “homem universal” ou Adão Kadmon.&lt;br /&gt;Estes seres vieram para a Terra, a que chamam “pequeno planeta escuro”, devido à sua grande densidade e a outros factores que veremos em futuras crónicas, para se poderem materializar na 3ª dimensão, pois na dimensão em que existem isso não seria possível.&lt;br /&gt;Em relação a muitos textos que têm sido publicados nos últimos anos, textos originados por entidades pertencentes a pseudo-escolas espiritualistas, dizendo que o ser humano está a caminho de passar para a 4ª, 5ª ou 6ª dimensão, dependendo do seu grau de desenvolvimento espiritual, o Crânio de Cristal diz-nos que isso não é possível, que em termos materiais só existe a 3ª dimensão.&lt;br /&gt;Isto é fácil de entender pois a matéria só pode existir dentro de uma baixa frequência vibratória. Aumentando a frequência, a matéria dissipa-se, desaparece dos nossos olhos físicos e deixa de existir mesmo como matéria. Existindo numa faixa de frequência muito alta, estes seres não tinham possibilidades de se materializar e experimentar as emoções da matéria.&lt;br /&gt;Por outro lado, parece que as 4ª, 5ª, e 6ª dimensões não existem, pois a partir da 3ª há o Todo, o Uno. Apenas teoricamente poderíamos considerar que as diferentes frequências vibratórias da tal hierarquia angelical, dando origem a seres diferentes como arcanjos e anjos, por exemplo, corresponderiam a diferentes dimensões. Mas parece que não, que todos se acham no mesmo campo vibratório do Uno.&lt;br /&gt;Assim, só é possível ao ser humano livrar-se da 3ª dimensão e passar a um plano mais elevado, integrar-se no Uno, através da morte física do corpo, pois só existe morte para o corpo, que a vida continua, pois sendo pura energia ou força vital, não morre quando deixa o corpo material.&lt;br /&gt;Quando estes seres aqui chegaram e tomaram a forma humana, encontraram seres semelhantes, mas em estado muito primitivo, a quem começaram a ensinar noções muito básicas, porque a sua mente não podia compreender ensinamentos mais elaborados. Foi assim durante muitas eras, em que o homem primitivo habitante da Terra, se foi erguendo lentamente para atingir um estado mais conforme a sua natureza humana.&lt;br /&gt;O Crânio de Cristal diz-nos que a actual civilização teve origem na Atlântida, indicada como ao largo da costa de Bimini, há cerca de 15.000 anos, quando sofreu o último cataclismo que a fundou nas águas. Aqui fala-se em civilização e não em humanidade, porque esta é muito mais antiga.&lt;br /&gt;Os primitivos atlantes, talvez os sobreviventes da Lemúria, não se comunicavam pela palavra escrita ou oral, comunicavam-se por algo que poderíamos chamar de telepatia. Isto concorda com as descrições da “Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky, em que o primitivo atlante tinha uma espécie de penacho sobre a cabeça, que o chacra coronário estava completamente aberto, e que era através dele que se comunicava com os outros. A linguagem oral e escrita aparece gradualmente à medida em que o corpo se densifica e vai perdendo as faculdades telepáticas. É interessante notar que as crianças nascem com esse chacra aberto, que na linguagem popular se diz que ”tem a moleirinha aberta”.&lt;br /&gt;De facto, as crianças até à idade dos 6 ou 7 anos, têm uma vida psíquica muito intensa, e também se libertam do corpo material (morte) muito mais facilmente do que os adultos. Falta-lhes o “filtro” constituído por esse chacra coronário quando este vórtice ainda não se encontra completamente formado e, por esse motivo, as crianças apegam-se aos adultos como uma forma de protecção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-6303909056719893168?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/6303909056719893168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=6303909056719893168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/6303909056719893168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/6303909056719893168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/10/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal_27.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-3361568194676751437</id><published>2009-10-24T18:23:00.001-02:00</published><updated>2009-10-24T18:24:31.050-02:00</updated><title type='text'>AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL</title><content type='html'>I – A Natureza do Crânio de Cristal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Crânio de Cristal é um dos muitos artefactos semelhantes que têm sido encontrados em diversos locais da Terra, desde os primórdios do século 18. Este, sobre o qual iremos falar, foi descoberto nas antigas Honduras Britânicas (hoje Belize) por Anna Mitchell-Hedges, jovem filha do arqueólogo “Mike” Mitchell-Hedges, quando procedia a escavações naquela região desde 1919. O Crânio foi finalmente desenterrado em 1924 e, felizmente, não foi entregue a um museu, onde iria permanecer indefinidamente, sem ser objecto que qualquer investigação. Claro que houve muitas peripécias pelo meio, mas este é um resumo da sua história pois, o que nos interessa no momento é o que foi feito com ele e como foi usado.&lt;br /&gt;Em 1982 foi iniciado o estabelecimento de contactos mediúnicos com o Crânio através da médium canadiana Carole Davis. Nestes contactos foi recebida uma grande quantidade de informação a que iremos dar a nossa interpretação nos capítulos seguintes desta série de artigos sobre o Crânio de Cristal.&lt;br /&gt;É conhecido o nosso cepticismo acerca das formas de comunicação através de médiuns, bastante usada por escolas espíritas. Entendemos que, na sua grande maioria, não são mais do que projecções da mente do próprio agente mediúnico, ou são o resultado de um acesso a uma informação que existe plasmada como forma-pensamento no agente consultante. E daí, as pessoas ficarem muito surpresas de como é que a “entidade” manifestada através do médium poderá saber coisas que só o agente consultante sabe.&lt;br /&gt;Como exemplo claro de que a maioria destas “canalizações” são simples projecção da mente do médium, são os livros pretensamente históricos que abundam nas livrarias espíritas e que, supostamente, terão sido escritos por entidades existentes no astral e psicografadas por médiuns. Lemos em tempos um desses livros sobre a história de Moisés em que o Êxodo do Egipto acontece no tempo do faraó Merneptah, que governou o Egipto entre 1213 e 1203 antes da nossa era. Para algumas escolas iniciáticas aquele evento terá acontecido durante o reinado de Amenhotep IV, ou Amenófis IV, mais conhecido como Akhenaton, cujo reinado decorreu entre 1425 e 1400 a. C. Para os historiadores, aconteceu no tempo de Ramsés II, que foi faraó entre 1279 e 1213 a.C. Acabamos assim por não saber onde está a verdade, o livro mediúnico só veio trazer mais confusão, além do facto de que é muito provável que tais eventos, a existência de Moisés e o Êxodo, nunca tenham acontecido e não sejam mais do que a criação dos sábios hebreus que elaboraram a “Torah”, o Antigo Testamento. Já dissemos em outras crónicas que a história de Moisés é um decalque da história de Sargão I, rei da Acádia, Baixa Mesopotâmia.&lt;br /&gt;No entanto, apesar deste nosso cepticismo, temos que reconhecer que alguns casos, poucos, fogem a este padrão e trazem-nos informações que não podem ser consideradas como elaborações da mente do médium, embora, apesar de tudo, possa também haver algumas contribuições dessa mente.&lt;br /&gt;Como excepção à regra que enunciámos, podemos considerar a obra de Helena Blavatsky, principalmente a “Doutrina Secreta” estendida por 6 volumes, e o “Véu de Ísis”, livros que lhe terão sido ditados por um mestre ascensionado.&lt;br /&gt;É o caso também das revelações do Crânio de Cristal, que apesar de poderem ter alguma influência da mente da médium Carole Davis, fogem completamente a qualquer aspecto religioso e nos transmitem informações que consideramos, no mínimo, perturbadoras.&lt;br /&gt;É nossa convicção, em resultado de muito pesquisa que temos feito ao longo dos anos, que o homem (ser humano), tal como existe hoje, não é produto simples das leis de evolução elaboradas por Darwin e complementadas por outros seguidores. É nossa convicção de que o ser humano é o resultado da miscigenação com seres vindos de algures e que, em determinadas épocas, habitaram a Terra, para nos instruir ou mesmo, para nos destruir – a história de Noé é paradigmática, pois Deus queria destruir a humanidade existente. É neste contexto que vamos abordar e tentar interpretar as revelações do Crânio de Cristal.&lt;br /&gt;A primeira questão que se nos coloca nesta abordagem, é saber com o que é que estamos a lidar: o Crânio de Cristal é um artefacto no qual foi gravada determinada quantidade de informação, a que podemos ter acesso através de uma mente especial mediúnica ou; é um dispositivo de comunicação com os seres superiores (deuses?) que nos deixaram tal instrumento? Será o Crânio de Cristal um instrumento semelhante ao que os oráculos da antiguidade usavam para se comunicarem com os deuses? Estes instrumentos, chamados “omphalos”, eram pedras estranhas usadas pelos médiuns da época, o mais conhecido dos quais era o de Delfos, na Grécia. A importância do oráculo de Delfos foi tal, que determinou grande parte da história da Grécia Antiga.&lt;br /&gt;De acordo com as revelações do Crânio de Cristal durante a 5ª sessão mediúnica, realizada em 8 de Janeiro de 1984, a voz que se ouve não corresponde a uma personalidade, mas a algo que foi impresso no Cristal, cristalização, de formas-pensamento. Ou seja, várias áreas do conhecimento foram ali gravadas (cristalizadas), como se tratasse de um banco de dados de um computador. Cada uma dessas áreas terá sido impressa por uma personalidade diferente, cuja voz se manifesta quando essa área de conhecimento é abordada ou inquirida.&lt;br /&gt;Por este motivo as vozes que se ouvem no Crânio de Cristal chamam-no de receptáculo, como também dizem que há outros receptáculos semelhantes sobre a Terra. Receptáculo significa que é um repositório, portanto, um instrumento que armazenou informação.&lt;br /&gt;Queremos com isto dizer que os seres que criaram este e outros artefactos de cristal já não estão aqui, não estão presentes quando o contacto de um médium é efectuado. Esses seres foram embora para a sua galáxia e deixaram-nos os meios de acesso a esse tremendo conhecimento através de informações cristalizadas. Por outro lado, como muitas das informações se referem ao nosso tempo presente, é provável que o Crânio também seja um elemento de transmissão ou, alguns desses seres possam passar por aqui e actualizar-se, actualizando também as informações do Crânio. Parece, à primeira vista, uma coisa impossível mas, se pensarmos que esses seres não existem corporeamente, não têm corpo físico, apenas pura energia, será fácil para eles visitarem-nos sem que tenhamos qualquer conhecimento dessa visita.&lt;br /&gt;Pelo formato de um Crânio quiseram talvez simbolizar que nós, antes de tudo, somos mente, e que esta controla, cria e determina tudo o que somos. Que a verdadeira essência é a mente, que pode ser entendida como alma, e que o corpo é apenas um invólucro material que usamos no penoso caminho de elevação a um nível mais espiritualizado.&lt;br /&gt;As revelações do Crânio de Cristal, ainda que predizendo a destruição da Terra se continuarmos pelo caminho materialista que encetámos, trazem-nos no entanto o consolo de que a vida é uma continuidade, que a morte física é apenas uma passagem para um plano onde podemos nos purificar, procurar a união com o UNO e voltar à Terra, reencarnando talvez com uma mente um pouco mais espiritualizada. Dão-nos também a certeza de que a vida existe em qualquer lugar do universo, independentemente das condições climáticas do planeta ou do astro, pois sendo pura energia ou “força vital”, não se submete às condições físicas, estas só são importantes para o corpo materializado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-3361568194676751437?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/3361568194676751437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=3361568194676751437' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3361568194676751437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3361568194676751437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/10/as-revelacoes-do-cranio-de-cristal.html' title='AS REVELAÇÕES DO CRÂNIO DE CRISTAL'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-8924306865190742604</id><published>2009-09-21T00:27:00.000-03:00</published><updated>2009-09-21T00:28:43.303-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>10. Decadência e Ressurreição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A alma da terra queixava-se a Brahma dizendo-lhe: «A raça dos filhos da impiedade multiplicou-se até ao infinito. O orgulho deles é insuportável e eu gemo na opressão, sob o peso da iniquidade: Vem em meu socorro, ó Brahma!»” (A Lenda de Krishna – extracto do Bhagavadam, Livro Canónico Hindu – Eliphas Levi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o último capítulo da série em que pretendi efectuar uma espécie de voo de ave sobre as questões primordiais que têm afligido o género humano desde que anda sobre a Terra. Escolhi este título, “Decadência e Ressurreição”, no sentido de que a morte não existe, existe apenas transformação. Da mesma forma que o homem não morre, assim as civilizações não morrem, prosseguem sob outras formas, mas sempre num processo de transformação. As civilizações sucedem-se umas às outras, a um período de decadência sucede-se um período de ressurgimento ou renascimento. Sempre foi assim e assim será.&lt;br /&gt;Já vimos que a Atlântida não era a “terra do leite e mel”, o paraíso perdido, que muitos podem pensar. De facto, não era essa terra de eleição, e basta pensarmos que, se os atlantes conseguiram desenvolver uma capacidade única no domínio da energia, como é que se deixaram arrastar para o fundo do mar sem terem tomado as providências necessárias que salvaguardasse, pelo menos o essencial, da sua civilização? Naturalmente, que alguma coisa foi salva das águas, que houve sobreviventes, mas estes talvez não tenham querido, ou não tenham podido refazer em outras terras o que tinha levado à perdição da Atlântida.&lt;br /&gt;Um texto da autoria de Mark Hammons e denominado “Cientismo = A Criança Atlante das Trevas”, diz que os atlantes não desapareceram, que continuaram e continuam, de reencarnação em reencarnação, e que hoje estão aí, fazendo as mesmas coisas à Terra que os atlantes fizeram, que apenas os nomes são outros. Que estes seres eram experimentadores obcecados em transformações materiais. Que causaram terríveis danos à Terra, simplesmente porque detinham esse poder. Que envenenaram a biosfera, romperam estruturas da Terra para tomar dela tudo quando desejavam sem nenhum respeito pela sua integridade. Que em todos os níveis a poluição era imensa. Diz ainda que eles fizeram isto tudo porque assumiram que a sua existência era mais importante que o sistema planetário em que estavam integrados.&lt;br /&gt;As pessoas tendem a pensar que os atlantes eram uma grande civilização de seres iluminados. É verdade que havia estes seres na Atlântida, verdadeiros sábios e pessoas de muito elevada estatura moral, mas eram uma pequena minoria. A maioria ignorou todos os avisos, não quis saber de nada, ocupada apenas com a satisfação do seu egoísmo.&lt;br /&gt;Infelizmente, parece que este relato pertence à nossa actualidade, pois todos bem sabemos o que o homem tem feito à Terra, principalmente neste curto período que não chega a dois séculos, desde a “revolução industrial” até aos dias de hoje. O amanhã apresenta-se com cores muito escuras pois, apesar das tímidas reacções que aparecem um pouco por toda a parte, o homem, na realidade, continua a sua marcha a caminho da ruptura com as forças planetárias.&lt;br /&gt;Neste início de século e de milénio, assistimos a um sentimento curioso que parece ter estado sempre escondido ou adormecido no interior de cada um, que é o sentimento de um desastre iminente, parece que todos estamos à espera que algo de muito mau venha a acontecer ao planeta. Abundam as profecias, as antigas e as novas; descobrem-se profecias escondidas nos versículos do Antigo Testamento e até nos Salmos; estudam-se e encontram-se novas revelações nas profecias de Nostradamus; já há uma data para o anunciado fim do mundo, 21 de Dezembro de 2012, segundo um calendário maia; encontram-se novas interpretações para o Apocalipse de S. João. Sem querer aprofundar muito a questão e para além de constatar o facto do planeta ter atingido um estado quase crítico devido à ganância e à falta de respeito que o homem tem tido para com a natureza, julgo que este sentimento tem a ver com memórias longínquas de outras catástrofes, aquelas que se abateram sucessivamente sobre a Atlântida.&lt;br /&gt;Os reis-sacerdotes toltecas que levaram a Atlântida ao apogeu do seu desenvolvimento material imprimiram também entre a população um elevado código de valores morais e espirituais. Mas como sempre acontece, a lei da dualidade está sempre presente em todos os seus aspectos, há sempre o lado luminoso e o lado sombra. Ao mesmo tempo que a civilização tolteca assentava em bases de natureza elevada, foram-se desenvolvendo também outros sentimentos inferiores. Se por um lado se procurava a harmonia com os poderes do alto, pelo outro lado se cultuavam cada vez mais os poderes das trevas, a magia negra. Sendo a Atlântida um conjunto de sub-raças, todas elas oriundas da raça-raíz dos sobreviventes da Lemúria, cada uma delas constituiu-se como uma nação diferente, ou seja, a Atlântida era uma mapa de nações e cada uma delas era governada ou tinha a supremacia de uma das sub-raças. Isto fazia com que houvesse guerras frequentes, com vencedores subjugando os vencidos, ou tratados de paz com o correspondente estabelecimento de novas fronteiras.&lt;br /&gt;Uma dessas nações era dominada pelos turanianos, uma raça de tez amarelada, que mantinham com os toltecas um tratado de amizade e boa vizinhança. Só que a partir de determinada altura, os turanianos cortaram os laços que os ligavam aos poderes do alto, romperam o pacto fraternal com os toltecas e, sob o impulso da ambição e da luxúria substituíram os cultos por outros de natureza sangrenta. Acabaram por submeter a nação tolteca cujos reis e seus seguidores, não podendo resistir ao ímpeto agressivo dos invasores, se refugiaram no norte sob a protecção de uma nação aliada, os tlavatlis.&lt;br /&gt;É durante o reinado dos turanianos que a Atlântida conhece a sua fase mais negra, da qual nunca mais se recompôs, pois foi no fim desta fase que acabou por desaparecer nas águas. É o império da cobiça, da violência e do terror. A magia negra toma conta dos templos onde passam a sacrificar-se animais e até seres humanos. Os governantes endeusam-se, erguem estátuas a si próprios e fazem-se rodear de multidões de homens e mulheres escravizados. A mulher torna-se um instrumento de prazer, o delírio sensual cresce assustadoramente e a poligamia passa a ser uma situação normal. Esta decadência de costumes e de valores, esta entrega às forças mais inferiores durou séculos até à extinção completa desta ilha de Poseidon descrita por Platão, que aconteceu cerca de dez mil anos antes de Cristo.&lt;br /&gt;Entretanto, desde o início do domínio dos turanianos, alguns dos povos da Atlântida, fugindo do despotismo, da injustiça e da escravatura, foram emigrando para oriente. Estes imigrantes que caminhavam para oriente para fugir das calamidades da sua terra eram amarelos uns, outros de cor acobreada, outros vermelhos, outros ainda negros. Estas eram as cores das sub-raças existentes na Atlântida e que povoaram o mundo um pouco por toda a parte. No entanto, um outro povo também emigrou e se fixou inicialmente na região que é hoje a Irlanda. Este era um povo de raça branca, a origem dos semitas e dos arianos. Não se sabe exactamente como apareceu este povo de raça branca na Atlântida, provavelmente por cruzamentos múltiplos das várias sub-raças ali existentes.&lt;br /&gt;Esta raça branca encetou uma longa caminhada rumo aos planaltos da Ásia central, um êxodo que durou provavelmente alguns séculos, pois se fixaram primeiramente no norte, numa região alargada que compreendia a Irlanda de hoje, a Inglaterra e os Países Nórdicos. Estes homens eram conduzidos por guias, os mesmos guias que tinham instruído os reis toltecas, e em cada paragem que faziam, em cada região que iam ocupando, era um tempo em que os homens aprendiam mais alguma coisa.&lt;br /&gt;A variante ariana desta raça, veio a dar origem aos árias da Índia, aos iranianos, aos gregos, aos celtas e aos povos germânicos, numa altura em que a sua caminhada se fez em sentido contrário, ou seja, depois de terem atingido os altos planaltos da Ásia central, daí retornaram para se estabelecerem em vastas regiões até à Europa ocidental. A outra variante, a semítica, estabeleceu-se na Caldeia e é a origem dos povos semitas do Médio Oriente, como os caldeus, os babilónios, os assírios e os hebreus.&lt;br /&gt;Aqui surge uma pergunta: então os egípcios? Qual a origem deles e da sua portentosa civilização? Os egípcios não eram de origem ariana ou semita, embora os nazis quando no poder na Alemanha e durante a Segunda Grande Guerra, na sua louca e hilariante (dramática para os que sofreram as suas consequências) procura da “raça pura ariana” tenham tentado estabelecer fortes laços de aliança com os egípcios e com algumas das nações árabes, no pressuposto de terem uma origem comum. Claro que tinham uma origem comum, mas também os semitas a tinham. Essa origem era a Atlântida, e os primitivos egípcios, os que ergueram aquela formidável civilização, eram de raça vermelha, como vermelhos eram os índios da América do Norte e os maias da América Central.&lt;br /&gt;Isto poderá fazer pensar que esses povos que foram migrando ao longo dos séculos da decadência da Atlântida, iam ocupando a “terra de ninguém”, isto é, que o resto do mundo estava vazio e eles simplesmente ocupavam as terras onde chegavam. Naturalmente que não eram assim. Quando a Lemúria acabou houve outros sobreviventes além daquela elite que se estabeleceu na Atlântida. Estes sobreviventes devem ser a origem primitiva dos actuais nativos da Austrália e dos malaios, assim como alguns dos povos que têm vivido no sul da África e até da Índia. Por outro lado, como vimos atrás, havia outros seres humanos organizados em tribos mais ou menos selvagens, os quais são muito provavelmente representados pelo homem de Neandertal e pelo homem de Cro-Magnon. O que acontecia com essas migrações é o que tem acontecido sempre: os invasores submetiam os naturais e impunham-lhes as suas leis e os seus costumes, ou eram absorvidos pelas populações locais, com as quais se cruzavam em todos os aspectos, não só em termos culturais mas também fisicamente. Os povos que resultaram destes cruzamentos pacíficos, ou mesmo violentos, se por um lado mantiveram certos traços que revelavam as suas origens, por outro lado eram, de facto, o resultado dessa mistura de raças, ao ponto de nenhuma das raças que emigrou da Atlântida se ter mantido na sua pureza original. Esta pureza, se existiu, foi apenas no princípio.&lt;br /&gt;Um outro aspecto importante é que não foram apenas os homens de raça branca que emigraram, outros também o fizeram, como os vermelhos, os amarelos e os negros, e todos transportaram com eles toda a carga cultural da sua terra de origem, os valores e os costumes mais elevados, mas também os outros, o conhecimento das forças inferiores. Por isso, porque nem tudo o que esses emigrantes trouxeram era bom, nem todos eram homens preocupados em fazer o bem, havia muitos que procuravam o poder sobre os outros homens através de práticas de magia negra. Entre os semitas da Caldeia estabeleceram-se cultos a deuses sanguinários, como o culto a Moloc que exigia sacrifícios humanos. Sacrifícios humanos eram também prática comum entre os aztecas do México, descendentes degenerados dos maias, estes oriundos também da Atlântida. Entre os arianos espalhados um pouco por toda a Europa, havia também cultos sanguinários. Para além dos sacrifícios humanos, vulgarizaram-se os sacrifícios de animais, mesmo entre os hebreus e os egípcios, que mantinham templos com essa finalidade. Apesar de toda a instrução recebida dos Manus, dos guias divinos, muitas das populações adoptaram práticas aberrantes.&lt;br /&gt;Nós sabemos que todos os grupos humanos são dirigidos por uma elite, a qual fornece os líderes necessários à sua condução. Tanto em política como em religião, há sempre uma elite que dirige as coisas, e os líderes não são mais, na maioria das vezes, do que a ponta do “iceberg”, são apenas instrumentos controlados por essas elites. O exemplo recente mais conhecido é o caso do Hitler, na Alemanha, e o caso de todos os ditadores que governaram muitos dos países na primeira metade do século passado. Por outro lado, a democracia também não altera grandemente as coisas, porque afinal as pessoas escolhem os líderes que a elite já escolheu e catapultou para a ribalta das eleições.&lt;br /&gt;Na história da humanidade que conhecemos, são muito raros os líderes que apareceram espontaneamente, ou por inspiração divina, e se tornaram guias de povos, orientando-os e governando-os com sabedoria. A grande maioria destes homens sábios prefere manter-se por detrás do pano, nos bastidores, procurando controlar os acontecimentos pela influência junto das forças dominantes. Foi assim no Egipto, com o faraó Tutmés III, que através de um colégio de sábios procurou estabelecer, ou restabelecer, o culto à divindade única, façanha conseguida mais tarde, por Amenófis ou Amenhotep IV, mais conhecido por Akhenaton. Todo este esforço foi frustrado, porque a elite que sustinha Akhenaton não detinha, verdadeiramente, o poder político e religioso do Egipto. Este poder há muito que tinha caído nas mãos dos sacerdotes.&lt;br /&gt;Da mesma forma que aconteceu na Atlântida, o Egipto entrou em decadência pela prática e vontade destes sacerdotes e dos faraós que se seguiram a Akhenaton, restabelecendo o culto a Amon e entregando-se a práticas de natureza inferior. O texto que se segue retirado da obra “Egipto Secreto” de Paul Brunton, é um claro retrato do que aconteceu ao Egipto nos últimos tempos:&lt;br /&gt;“Os que violentaram as tumbas dos antigos egípcios, libertaram forças que puseram em perigo o mundo. Abriram, sem o saber, os túmulos daqueles cujo ofício era a magia. Na fase final da história egípcia, a feitiçaria e a magia negra eram prática corrente. Quando se escureceu a Luz Branca da verdade que refulgia anteriormente, as fétidas sombras de falsas doutrinas materialistas avançaram e generalizou-se a prática de mumificação, acompanhada do seu complicado ritual complementar. Havia um elemento de interesse pessoal oculto, tratando de prolongar e conservar o laço físico com o mundo da matéria: o embalsamamento do corpo.&lt;br /&gt;Nesse sombrio período, aqueles que possuíam muitos conhecimentos e pouca piedade, invocavam as forças infernais das trevas. Às vezes, o embalsamamento era para proteger o espírito da destruição no “purgatório” que o aguardava depois da morte. Em quase todos os casos, esses homens preparavam os seus túmulos antes de morrer. Uma vez pronta a tumba, invocavam um ente do mundo dos espíritos, criação elemental artificial, imperceptível aos sentidos físicos, por vezes bom, mas geralmente maldoso, para que protegesse e vigiasse a múmia, actuando na sepultura como um espírito guardião. Essas forças eram, frequentemente, satânicas, ameaçadoras e destruidoras. Estavam dentro das tumbas fechadas e podiam continuar existindo durante milénios. Quando as tumbas foram abertas, saiu uma verdadeira chusma de perniciosos entes do infra-mundo dos espíritos que se lançaram em fúria sobre o nosso mundo físico. Esses espíritos elementais peculiarmente criados são, neste século, suficientes em quantidade para, do seu reino invisível que, embora imaterial e etéreo é assaz próximo e poderoso, influir na existência física dos seres viventes e aterrorizar o mundo.”&lt;br /&gt;É uma descrição terrível, esta, sobre os últimos tempos da que um dia foi uma incomparável civilização. Terrível também porque o homem, na sua cupidez e ignorância, tem vindo a profanar esses locais que estavam destinados a ficarem adormecidos por toda a eternidade, libertando toda uma legião de seres que, de uma maneira ou de outra, têm vindo a exercer uma influência perniciosa sobre a humanidade. E não se diga que muito do que foi profanado foi por motivos científicos e de investigação, porque afinal, nada se acrescentou de conhecimento sobre o Egipto através deste processo. Por exemplo, não se ficou a saber, na verdade, mais sobre Tutankhamon depois da descoberta da sua câmara funerária com a múmia e ornamentos intactos.&lt;br /&gt;Tal como o movimento aparente do Sol no céu diurno, todas as civilizações nascem, vão-se elevando lentamente até atingirem o zénite do meio-dia. É nesta altura que atingem o seu apogeu, todo o esplendor do que foram adquirindo no difícil caminho ascendente. Depois, começam a descida, degenerando e envelhecendo lentamente, até se perderem definitivamente na agonia do ocaso. Acontece o mesmo com o homem e com todos os seres criados – nascem, crescem, atingem o apogeu, depois vão envelhecendo até a morte os fazer partir. O caminho ascendente de crescimento é uma via festiva e renovadora, é quando o verde viceja nos campos e a natureza se veste de cores; o caminho descendente é uma via dolorosa, no homem é todo o cortejo das doenças, das impotências, das faculdades diminuídas; nas civilizações é a degeneração de costumes, a inversão de valores, o emergir da parte obscura do homem. Esta parte obscura esteve e está sempre presente, em todas as circunstâncias, apenas ofuscada pela luminosidade dos períodos áureos. E quando essa luz vai diminuindo é que ela se começa a manifestar em toda a sua força, até controlar completamente o corpo moribundo e acabar de o matar.&lt;br /&gt;Segundo a “Doutrina Secreta”, o homem existe sobre a Terra há dezoito milhões de anos, e durante este tempo imenso tem evoluído nas suas formas até se tornar no que é hoje. Começou por um ser etéreo e andrógino igual aos anjos, depois um pouco mais denso e hermafrodita, mais tarde, à medida que a densidade do seu corpo físico aumentava, separou-se em dois sexos diferentes e complementares. A este respeito, o “Zohar” hebreu diz que o homem que se separa da humanidade, recusando amor a uma companheira, não encontrará lugar depois da morte na grande síntese humana, que permanecerá fora, estranho às leias de atracção e às transformações da vida.&lt;br /&gt;Pois é disto que se trata – transformações da vida. Toda a história que temos vindo a tentar contar sobre o nascimento e evolução cósmica, a formação do homem e a sucessão das suas várias formas através das humanidades que foi constituindo, tudo isto não é mais do que as transformações da vida a que o homem tem estado sujeito, por ser o objectivo de toda a Criação, porque tudo foi feito e está feito em função do homem. O mesmo livro que referimos no parágrafo anterior, o “Zohar” diz que o equilíbrio do homem é também o da natureza, e que sem o homem, o mundo não existiria. Porque o homem é o receptáculo do pensamento divino que cria e conserva o mundo; o homem é a razão de ser da Terra; tudo quanto existiu antes dele foi trabalho preparatório para o seu nascimento e sem o concurso dele a criação inteira teria sido um aborto.&lt;br /&gt;Isto é o que nos diz o “Zohar”. Foi por isto, por o homem antigo ter criado a ideia de que era o reflexo do pensamento divino e ser a razão de ser de toda a Criação, que idealizou Deus como um ancião de longas barbas brancas e o colocou num trono no céu, como vem também descrito no Apocalipse de S. João. Neste, somos surpreendidos logo no primeiro capítulo, onde se diz que João foi arrebatado aos céus em espírito e se viu defronte de “Aquele” que estava no meio dos “sete candelabros de ouro”, tinha numa das mãos “sete estrelas” e lhe disse para escrever o que via e depois lhe ditou cartas para enviar às “sete igrejas”. “Aquele” diz a João que as “sete estrelas” são os anjos das “sete igrejas” e que os “sete candelabros” são as “sete igrejas”. Não precisamos de fazer nenhum esforço para vermos aqui retratado o que a antiga tradição diz: que houve sete deuses criadores que criaram sete homens diferentes em sete locais da Terra, ou seja, que as “sete estrelas” são os Anjos (Arcanjos), os “sete candelabros” os sete Homens (Adão) primordiais, as “sete igrejas” os sete locais da Terra. Por outro lado, as “sete igrejas” podem também significar as “sete raças” que a antiga tradição diz serem as raças raiz, cinco das quais já estão consumados pois, de acordo com essa mesma tradição, nós actualmente pertencemos à quinta raça, ou somos uma variante dessa quinta raça.&lt;br /&gt;Olhando para a história da Atlântida, não podemos também deixar de ver ali um esboço, quase uma cópia, de toda a tradição que nos fala sobre a criação do homem. Segundo esta, quando os sobreviventes lemurianos chegaram à Atlântida, estava-se na transição da 3ª para a 4ª raça, e desta vêem-se a originar as várias sub-raças da 5ª que povoam a Terra, 5ª raça que são os emigrantes que fugiram da Atlântida. Ora, se nos remetermos apenas à história da Atlântida, encontramos exactamente a mesma sequência. Vejamos:&lt;br /&gt;·         Temos um primeiro período que podemos chamar de 1ª raça, quando os lemurianos, conduzidos por Manu, chegam à Atlântida há mais de um milhão de anos.&lt;br /&gt;·         O primeiro cataclismo acontece há cerca de oitocentos mil anos, originando um segundo período, que podemos chamar de 2ª raça.&lt;br /&gt;·         Este segundo período termina com outro cataclismo, há cerca de duzentos mil anos. O período que se segue podemos chamar de 3ª raça.&lt;br /&gt;·         Há oitenta mil anos, a Atlântida foi de novo destruída. O período que se seguiu e terminou há doze mil anos, podemos chamar de 4ª raça.&lt;br /&gt;·         Portanto, nós somos a 5ª raça, aquela que se originou na Atlântida durante a vigência da 4ª raça, nos imigrantes que demandaram as terras do oriente e nos sobreviventes do último cataclismo.&lt;br /&gt;Acabamos por não saber se esta história foi decalcada da tradição acerca da Criação e da criação do Homem, ou se o Génesis, a cosmogonia caldeia e toda a tradição antiga são inspirações da história atlante.&lt;br /&gt;O que sabemos, é que o homem em todo o seu extenuante e longo caminhar sobre a Terra, tem tido sempre uma capacidade impar de regeneração e de renascimento. Ele é um criador, cria civilizações, cria mundos, os quais, ou por degeneração ou por calamidades, são destruídos, para renascerem mais tarde com outros homens, também eles renascidos. Como a fénix, que no mito se consome no fogo a cada quinhentos anos para depois renascer vivificada, o homem parece ressurgir das cinzas para continuar a criar, reforçado pelos ensinamentos do passado, mas cometendo, talvez, os mesmos erros. No Antigo Egipto, a fénix representava o Sol, que morre no anoitecer e renasce na aurora do dia. Para a tradição cristã, a fénix é o símbolo da imortalidade e da ressurreição.&lt;br /&gt;No seu caminhar sobre a Terra, o homem vive permanentemente a luta da sua dualidade que se manifesta em todos os aspectos, pois ele é macho e fêmea, ele é positivo e negativo, mas também é corpo material e espírito. Como diz Aldous Huxley na “Filosofia Perene”: “Eu sou o poeta do corpo e o poeta da Alma. Os prazeres do Céu estão em mim e as dores do inferno estão em mim. Os primeiros eu cultivo e alimento em mim mesmo, os segundos eu traduzo para uma nova língua”.&lt;br /&gt;Por ser assim um ser duplo na sua essência, tudo o que o homem cria é um reflexo de si mesmo, e carrega consigo essa carga dual na busca sempre precária do equilíbrio. As civilizações são o reflexo dos homens que as criam, as compõem e nelas vivem, e se elas entram em decadência depois de atingirem o seu apogeu, é porque os homens que as constituem se deixaram subjugar pelo seu lado sombrio. É como se tratasse de uma nova “queda”. Foi assim com todas as civilizações que existiram até aos dias de hoje, e será sempre assim, até o homem conseguir atingir um estado de perfeição que não lhe permita mais ver-se subjugado pelos valores mais obscuros do plano material. Até lá, estará sempre sujeito à “queda”, mas, haverá sempre a esperança da ressurreição.&lt;br /&gt;Apesar de todas as iniquidades que vemos acontecer no dia a dia, apesar de todas as angústias que nos assaltam neste início de milénio, apesar de todas as profecias anunciarem as maiores desgraças para a humanidade, essa esperança reside no coração de cada um, porque seja o que for que venha a acontecer, o homem sobreviverá para continuar a missão que lhe foi conferida pelo Criador. E para terminar, julgo adequadas as palavras de Victor-Emile Michelet, num poema seu intitulado “O Silêncio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Silêncio&lt;br /&gt;Não terás outra morada além do teu coração,&lt;br /&gt;Pois na Terra, onde somos peregrinos,&lt;br /&gt;Ninguém construirá morada permanente:&lt;br /&gt;Não terás outra morada além do teu coração.&lt;br /&gt;Então, ao redor dele, na atmosfera ardente,&lt;br /&gt;Que dele nasce, que o envolve e que aspira&lt;br /&gt;Todos os raios vindos das coisas que deseja,&lt;br /&gt;Evoca o silêncio e o divino silêncio;&lt;br /&gt;A forma que reveste a primeira hipóstase&lt;br /&gt;Te levará nas quatro asas do êxtase.&lt;br /&gt;A vida interior é feita de silêncio.&lt;br /&gt;É o palácio que tem por base o silêncio.&lt;br /&gt;É a flor do fogo: o silêncio é o vaso,&lt;br /&gt;O silêncio é o vaso onde bebes a beleza.&lt;br /&gt;Tu que passas aqui, com certeza mas sacudido&lt;br /&gt;Entre tua vida real e tua vida aparente,&lt;br /&gt;Tua vida real, tenebrosa e veemente&lt;br /&gt;Como a paixão, o trovão e a morte,&lt;br /&gt;Cobre com um véu de sombra e noite o tesouro&lt;br /&gt;Dessa vida interior, que escolhe&lt;br /&gt;Entre tuas almas a melhor e mais pura,&lt;br /&gt;Para que nada atente para seu mistério intenso,&lt;br /&gt;E que sua força virgem, integral, se aplique&lt;br /&gt;A edificar a arte em que as mãos do silêncio&lt;br /&gt;Venham a tecer o manto da tua alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor-Emile Michelet&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obras consultadas para a elaboração desta série de crónicas dedicadas à evolução do homem e do universo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.      A “BÍBLIA”.&lt;br /&gt;2.      “A DOUTRINA SECRETA” de Helena Petrovna Blavatsky – Editora Pensamento – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;3.      “APÓCRIFOS – OS PROSCRITOS DA BÍBLIA” – compilação de Maria Helena de Oliveira Tricca – Editora Mercuryo – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;4.      “AS PROFECIAS DO PAPA JOÃO XXIII” de Pier Carpi – Edições António Ramos – Lisboa, Portugal.&lt;br /&gt;5.      “O CAMINHO DA KABBALAH” de Z’ev bem Shimon Halevi – Editora Siciliano – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;6.      “TRATADO DA REINTEGRAÇÃO DOS SERES CRIADOS” de Martinets de Pasquallys – Edições 70 – Lisboa, Portugal.&lt;br /&gt;7.      “A EVOLUÇÃO DIVINA DA ESFINGE AO CRISTO” de Édouard Schuré – Editora Ibrasa – Instituição Brasileira de Difusão Cultural, Lda – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;8.      “O LIVRO EGÍPCIO DOS MORTOS” traduzido para o inglês por E. A. Wallis Budge – Editora Pensamento – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;9.      “A CABALA” de Papus – Editora Martins Fontes – Sociedade das Ciências Antigas – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;10. “AS ORIGENS DA CABALA” de Eliphas Levi – Editora Pensamento – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;11. “OS SOBREVIVENTES DA ATLÂNTIDA” de Juan G. Atienza – Editora Mercuryo – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;12. “THE BERMUDA TRIANGLE” de Geoffrey Keyte – Internet.&lt;br /&gt;13. “ACCESSIBLE REMAINS OF ATLANTIS” de Mark Hammons – Internet.&lt;br /&gt;14. “FORBIDDEN ARQUEOLOGY” de Michael Cremo, Richard L. Thompson e Stephen Bernath – Internet.&lt;br /&gt;15. “SCIENTISM = ATLANTEAN CHILDREN OF DARKNESS/BELIAL de Mark Hammons – Internet.&lt;br /&gt;16. “EGIPTO SECRETO” de Paul Brunton. Editora Pensamento – São Paulo, Brasil.&lt;br /&gt;17. &lt;br /&gt;18. “A FILOSOFIA PERENE” de Aldous Huxley.&lt;br /&gt;19. “BHAGAWAN SRI SATHYA SAI BABA” – “MATERIALIZATIONS” – Internet.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-8924306865190742604?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/8924306865190742604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=8924306865190742604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8924306865190742604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8924306865190742604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/09/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_21.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-8645140772593116338</id><published>2009-09-18T01:16:00.000-03:00</published><updated>2009-09-18T01:17:40.301-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>9. A Atlântida – Origem da nossa civilização?&lt;br /&gt;“O Atlântico era então navegável e havia, diante do desfiladeiro que vós chamais de Colunas de Hércules uma ilha maior do que a Líbia e a Ásia.”(Platão)&lt;br /&gt;Deve haver poucos temas sobre os quais se tenha escrito e contado tanto como o que se escreveu e contou acerca da Atlântida. As bibliotecas do mundo inteiro estão cheias das mais diversas versões acerca daquele “continente perdido”. A noção, que todos mais ou menos temos, acerca da Atlântida, é que se tratava de uma civilização altamente evoluída, com técnicas e conhecimentos ainda não ao alcance do homem de hoje; uma terra mítica, no sentido do “Jardim do Éden”, em que as pessoas viviam felizes no meio do maior fausto e riqueza. Mas será que era assim?&lt;br /&gt;O relato mais antigo nos chegou acerca da Atlântida, devemo-lo a Platão, nos seus diálogos “Timeu” e “Crítias”. Para os gregos, que foram buscar a história da Atlântida ao Egipto (Platão, como muitos outros filósofos gregos, esteve no Egipto onde foi iniciado nos “Mistérios”), ela teria sido destruída e submersa numa catástrofe ocorrida nove mil anos antes da época de Sólon. Mas os egípcios sabiam mais do que isso, sabiam que esse episódio se referia à última Atlântida, porque houvera outras Atlântidas anteriores no tempo, tão antigas que se perdiam na memória. Supõe-se que toda a história da Atlântida estaria secretamente guardada num templo de Tebas, no Egipto, cujo último sumo-sacerdote conhecedor desses segredos terá sido Jetro, supostamente sogro de Moisés, que teria também iniciado este nesses segredos. Nas “Noções Gerais sobre a Cabala” de Sédir, capítulo incluído no livro “A Cabala” de Papus, encontramos a seguinte referência a propósito: “... é suficiente saber que na época em que vivia o jovem hebreu salvo das águas, os templos de Tebas continham os arquivos sacerdotais dos Atlantes e os da Igreja de Ram. Estes últimos eram uma síntese do esoterismo da raça negra recolhido pela antiga Índia, invadida pelos brancos. Por outro lado, Moisés recolheu nos templos de Jetro, último sobrevivente dos sacerdotes negros, os mistérios puros dessa raça. Assim, a tradição oral que o pastor dos hebreus deixa aos 70 eleitos por ele compreendia o conjunto de todas as tradições ocultas que a Terra havia recebido desde a sua origem”.&lt;br /&gt;Para muitos autores, como é o caso deste, Sédir, Moisés realmente existiu, apesar das pesquisas históricas lançarem sérias reservas sobre a sua presumível existência, pois historicamente não existem fontes que provem de que ele era mais do que um mito criado pelos judeus. Para esses autores ele seria um alto iniciado nos “Mistérios Egípcios” e teria estado também em contacto com o denominado “Clube de Magos” da Caldeia, onde teria completado todo o seu conhecimento acerca das ciências ocultas. De posse de todo esse conhecimento teria sido o autor dos primeiros cinco livros da Bíblia. Não cabe aqui nesta crónica demonstrar a existência ou não existência de Moisés. No entanto, é algo estranho que a sua história seja muito semelhante à de Sargão I da Acádia (Baixa Mesopotâmia), que viveu cerca de duzentos anos antes.&lt;br /&gt;Uma vez que o povo hebreu é originário da Mesopotâmia, o próprio Abraão era natural de Ur, nada mais natural que as suas histórias sejam muito semelhantes às daquela região. Assim, é muito provável que o Pentateuco, os tais primeiros cinco livros da Bíblia, nos quais se inclui o Génesis, tenha sido escrito por sacerdotes judeus após a sua libertação do cativeiro na Babilónia. Até porque a cosmogonia caldeia sobre a Criação é muito semelhante à do Génesis.&lt;br /&gt;Todas as civilizações antigas constituem de certo modo um enigma, principalmente as que se localizaram na região do Médio Oriente, como o caso da Suméria, da Caldeia e da Babilónia. Mas entre todas, a que parece constituir o enigma maior é a egípcia, talvez pela monumentalidade que nos legou e por todo o acervo escrito, que graças a Champolion e à Pedra da Roseta, pôde ser traduzido. No entanto, apesar do imenso caudal das coisas que pudemos decifrar da sua escrita hieroglífica não sabemos, na verdade, quem eram realmente os egípcios e de onde vieram. Como não sabemos onde foram buscar os conhecimentos que lhes permitiram construir as pirâmides de Gizé e a Esfinge, nem quando estes monumentos foram realmente construídos. Às pirâmides, os egiptólogos e os arqueólogos atribuem uma antiguidade de 2.500 a 2.700 anos a. C., mas à esfinge já não são tão seguros, dizem que a sua construção é anterior a 2.500 anos a. C. Outros, no entanto, afirmam que tanto as pirâmides como a esfinge são bem mais antigos. Já vimos atrás que a esfinge simboliza em si os quatro animais sagrados do Zodíaco – a evolução divina e terrestre, e diz-se também que as pirâmides, principalmente a maior, aquela a que se atribui o nome de Kéops, contém profundos conhecimentos, principalmente a história da humanidade passada e futura.&lt;br /&gt;Num texto recente sobre os mistérios do “Triângulo das Bermudas”, encontrei uma história bem estranha. Em 1970, um naturopata americano chamado Dr. Ray Brown, fazia pesquisas submarinas com alguns amigos perto das Bahamas, num local chamado “A Língua do Oceano”, em busca de vestígios da Atlântida. Durante um dos seus mergulhos aconteceu ele separar-se dos amigos e viu-se de repente perante uma construção em forma piramidal e perfeitamente lisa. Nadou à volta e encontrou uma entrada, por onde passou para o interior da pirâmide. Não havia algas nem corais dentro da pirâmide, as paredes eram absolutamente lisas e emitiam uma espécie de luz que lhe permitia ver tudo à sua volta. De entre os vários objectos estranhos que ele viu no interior, a sua atenção foi chamada para uma esfera de cristal de uns dez centímetros de diâmetro, que ele recolheu quando se movimentava para abandonar o local. No momento em que ele deixava a pirâmide sentiu uma presença invisível e uma voz que lhe disse para não voltar ali nunca mais.&lt;br /&gt;Com receio do objecto vir a ser confiscado pelo governo americano, o Dr. Brown não revelou a existência da estranha esfera de cristal até ao ano de 1975, quando a mostrou pela primeira vez num seminário psíquico em Phoenix. Depois disso, poucas vezes o cristal tem sido mostrado em público. As pessoas dizem que, olhando profundamente para o interior do cristal, vêem três pirâmides em tamanhos decrescentes, e aqueles que conseguem atingir um estado de meditação mais profundo, dizem que conseguem ver uma quarta pirâmide em primeiro plano em relação às outras três.&lt;br /&gt;Poderemos ver nestas três pirâmides as de Gizé, as quais também são de tamanhos diferentes? Um médium de N. York disse, em transe, que a esfera tinha pertencido a Thoth, o deus egípcio, o qual tinha sido responsável pela construção de uma cripta secreta de conhecimento em Gizé, perto das três grandes pirâmides.&lt;br /&gt;De um outro ângulo e em condições especiais, muitas pessoas afirmam ter visto um grande olho humano olhando-os serenamente. Temos aqui o “olho que tudo vê” ou o “olho da consciência” da mitologia egípcia.&lt;br /&gt;Outros fenómenos parecem acontecer nas proximidades da estranha esfera de cristal, mas o que nos importa são aqueles que se referem acima estabelecerem um relação inequívoca entre um aparente achado de origem atlante e o Egipto. Não podemos estabelecer uma relação directa, pelo menos de forma exotérica, para além deste facto estranho e do enigma que constitui a origem da ciência egípcia que levou à construção das pirâmides e da esfinge. Pode haver muitas explicações, que as há seguramente, e até já se fizeram filmes a respeito, mas o mistério permanece insolúvel. Quem eram os egípcios? Seriam eles atlantes?&lt;br /&gt;Uma organização suíça dedicada, segundo o título, à promoção da consciência espiritual na Internet, publicou recentemente um relatório da autoria de Mark Hammons com o título “Vestígios Acessíveis da Atlântida”. Há coisas muito curiosas neste relatório. Por exemplo, diz que o fundo do oceano Atlântico está cheio de lixo atlante, como os americanos sabem muito bem; que os atlantes não eram humanos (!?) ou pré-humanos, que eram adaptações criadas artificialmente a partir de hominídeos terrestres com uma consciência a quatro dimensões (!?); que eram, em certo sentido, intrusos neste mundo, que eram extraterrestres; que a consciência atlante evoluiu de uma forma etérea, quase incorpórea, uma variação de quatro dimensões, para uma forma mais física e sensual; que a evolução dos atlantes foi uma intrusão da consciência de quatro dimensões num plano de três dimensões, uma colónia de extraterrestres.&lt;br /&gt;O relatório continua com explicações sobre a movimentação da crosta terrestre e a causa do afundamento do continente. Mas diz mais, que os atlantes viviam séculos ou milénios, mas que a duração da sua vida foi diminuindo à medida que o corpo ia ficando mais denso. Que não houve apenas uma Atlântida, que houve várias que se foram sucedendo de cataclismo em cataclismo, e que se quisermos encontrar vestígios dessas Atlântidas, podemos procurar no fundo do oceano, principalmente no “mar dos sargaços” onde encontraremos muitos, mas também em terra firme os há, nomeadamente na costa do Golfo do México, onde a marinha americana tem desenvolvido intensas buscas, que não torna públicas por não estar propriamente interessada em arqueologia, mas sim em tentar encontrar a tecnologia que os atlantes usavam para controlar a energia.&lt;br /&gt;Acredite nisto quem quiser, mas o que surpreende mais nesta descrição é a similitude que existe com o que a tradição nos conta acerca da criação do homem, isto é, que este começou por ser um homem etéreo, incorpóreo, e que depois, por acção dos seres celestes se foi transformando no homem físico, como vimos nos capítulos atrás. Por esta razão me parece, que tanto o Génesis da Bíblia como a Cosmogonia Caldeia, poderão ter sido decalcados, com adequadas adaptações, da história da Atlântida via santuários egípcios onde estes segredos estariam guardados.&lt;br /&gt;A época da passagem da 3ª para a 4ª raça, o desaparecimento da Lemúria e a sobrevivência de uma elite no novo continente, terá acontecido há mais de um milhão de anos. Para os que se recusam a aceitar esta antiguidade do homem na Terra, devo dizer que a Arqueologia moderna está cheia de evidências que comprovam que o homem é muito mais antigo do que a ciência oficial está disposta a admitir. O naturalista francês De Quatrefages, no seu estudo sobre as raças humanas, afirmou que o homem não variou um átimo na sua estrutura física desde o período pós-terciário, ou mesmo antes. Ora sendo o período terciário compreendido entre 65 e 1,6 milhões de anos, atira a antiguidade do homem, tal como é hoje, para alguns milhões de anos. Por outro lado, como se disse atrás, a arqueologia moderna tem provas dessa antiguidade. Vejamos:&lt;br /&gt;·         Em 1979, em Laetoli, na Tanzânia, foram descobertas pegadas humanas idênticas às actuais, com 3,6 milhões de anos.&lt;br /&gt;·         Em Kanapoi, no Quénia, foi descoberto em 1965 um osso humano do braço, igual aos ossos de hoje, com 4 milhões de anos de antiguidade.&lt;br /&gt;·         Em 1913, em Olduvai Gorge, na Tanzânia, foi descoberto um esqueleto humano, anatomicamente moderno, num extracto fóssil com 1 milhão de anos de idade.&lt;br /&gt;·         Objectos vários construídos indubitavelmente pelo homem têm sido descobertos um pouco por toda a parte, com uma antiguidade que reporta entre 2 a 25 milhões de anos. Um desses objectos, com cerca de 5 milhões de anos de existência, é uma concha onde se acha desenhada a face de um homem.&lt;br /&gt;·         Foram descobertas ferramentas de pedra com idades variando entre 2,5 e 55 milhões de anos.&lt;br /&gt;·         Em Portugal, o paleontologista Carlos Ribeiro no final do século XIX, descobriu ferramentas de pedra num extracto fóssil cuja idade variava de 5 a 25 milhões de anos.&lt;br /&gt;·         Um crânio humano, de anatomia idêntica aos actuais, com a idade de 3 a 4 milhões de anos, foi descoberto em Castanedolo, Itália, em 1880.&lt;br /&gt;·         São hoje vulgares os achados com idades entre 250 mil e 1 milhão de anos.&lt;br /&gt;·         Sobre a questão do “Australopitecos” ter sido considerado como o ancestral símio do homem, o antropologista C. E. Oxnard escreveu em 1975, no seu livro “Unicidade e Diversidade na Evolução Humana”, que não é possível que qualquer desta variedade de hominídeos possa ter qualquer ligação filogenética com o genes humano.&lt;br /&gt;Dizíamos então, que o início da 4ª raça na Atlântida, originada pelos sobreviventes da Lemúria, se passou há mais de um milhão de anos. Nessa altura, o território atlante compreendia o que é hoje grande parte da América do Norte e Central, o Golfo do México e estendia-se para nordeste ocupando o que hoje é a Inglaterra e os Países Nórdicos; estendia-se em curva para sul e estava separada da África do Norte, já emersa, por um estreito braço de mar. Para atingir a África do Norte e a Ásia Meridional, que já fizera parte da Lemúria, os atlantes não tinham mais do que atravessar esse estreito canal.&lt;br /&gt;Diz a antiga tradição que os primeiros atlantes se separaram em “bons”” e “maus”, uns adorando o espírito invisível da Natureza, cujo raio sentiam dentro de si mesmos, outros rendendo culto fanático aos espíritos da Terra, aos quais se aliaram. Estes últimos foram os que os egípcios e os fenícios chamaram de “Cabiros”, os gregos de “Titãs”, os hindus de “Rakhasas” ou “Daityas”. Édouard Schuré descreve o povo atlante dessa época assim: “O período atlântido (...) representa, na história, a passagem da animalidade à humanidade propriamente dita, isto é, o primeiro desenvolvimento do “eu” consciente, de onde consideráveis faculdades do ser humano deviam brotar como uma flor em germinação. Não obstante, o atlante primitivo aproximar-se mais do animal do que do homem actual, não o imaginamos um ser degradado como o selvagem de hoje, seu descendente degenerado. Certamente, a análise, o raciocínio e a síntese, nossas conquistas, não existiam nele senão num estado rudimentar. Possuíam, ao contrário, certas faculdades psíquicas que deveriam atrofiar-se na humanidade posterior: a percepção instintiva da alma das coisas, a segunda visão em estado de vigília ou de sono, uma acuidade singular dos sentidos, uma memória tenaz e uma vontade impulsiva, cuja acção se exercia de maneira magnética sobre todos os seres vivos, algumas vezes até sobre os elementos.”&lt;br /&gt;Este ser gigante que aqui vemos descrito como possuindo algumas faculdades que hoje talvez nos façam falta, faculdades essas que foram sendo, ao longo do tempo, obscurecidas pela razão e pelo intelecto, usava a flecha de ponta de pedra. O seu corpo era poderoso, mas muito mais elástico e menos denso do que o do homem actual. Tinha o olhar fixo e cintilante das serpentes e ouvia tão bem que conseguia escutar a erva crescer e o caminhar das formigas. O seu rosto lembrava o de indivíduos de certas tribos indígenas da América e o das esculturas dos templos do Peru. Era um rosto rude, de fronte fugidia.&lt;br /&gt;Possuindo um corpo quase etéreo, era durante a noite, durante o sono, que o atlante era instruído pelos guias divinos, os Manus, pois, quando adormecia, o seu corpo pouco denso permitia-lhe uma ascensão fácil no plano astral. Esta forma de instrução, apesar de à partida nos parecer estranha, não constitui propriamente uma novidade para alguns dos seres humanos que hoje povoam a Terra. Quando adormecemos, e embora o nosso corpo seja muito mais denso do que naquela altura, muitas vezes acontece de forma involuntária elevarmo-nos a esse plano astral e aí entrarmos em contacto com outros seres também elevados a esse plano ou que vivem permanentemente nesse plano. Naturalmente que não é o nosso corpo físico que se eleva, mas o nosso corpo psíquico cuja densidade é muito inferior à do outro. Depois, quando despertamos, temos a impressão de ter sonhado, a recordação é muito imprecisa, não sabemos se sonhámos ou não, mas tudo o que apreendemos nesse plano onde estivemos fica registado no nosso inconsciente. Alguns de nós podem fazer isto de forma consciente e recordam todos os pormenores vividos.&lt;br /&gt;Quando despertava, o atlante tinha a sensação de ter vivido num mundo superior e ter conversado com os deuses. Diz Édouard Schuré que, a longínqua lembrança desta época criou todas as lendas do paraíso terrestre. Para os egípcios é o reino dos deuses que precede o reino de Schesu-Hor dos reis solares e dos reis iniciados; para os hebreus e os cristãos, foi o paraíso terrestre de Adão e Eva guardado por Querubins; para os gregos, a idade de ouro em que os deuses caminhavam sobre a Terra revestidos de ar.&lt;br /&gt;Há cerca de oitocentos mil anos, um terrível dilúvio abateu-se sobre a Atlântida que sofreu vastas devastações. Ficou separada da América por um estreito e da Irlanda e Inglaterra que, juntamente com a Escandinávia, formaram uma ilha à parte.&lt;br /&gt;Novas e terríveis devastações ocorreram há cerca de duzentos mil anos. A Atlântida foi novamente separada, agora em duas ilhas, uma ao norte chamada Ruta e outra ao sul de nome Daitia. Nesta altura a Europa estava já formada e, durante os três períodos intercalados por estes dois cataclismos, a comunicação com o território que é hoje europeu e a África do Norte fazia-se com extrema facilidade.&lt;br /&gt;Nova ocorrência geológica há oitenta mil anos, acabou por reduzir a Atlântida aos restos da grande ilha de Ruta, uma ilha que ficava mais ou menos a igual distância da América e da Europa. É desta ilha, a que chama de Poseidon, que nos fala Platão nos seus diálogos. Esta ilha acabou também por ser tragada pelo oceano no ano de 9564 antes de Cristo, conforme relato dos sacerdotes egípcios a Sólon.&lt;br /&gt;As catástrofes que acabaram por mergulhar definitivamente a Atlântida no fundo do oceano ocorreram num espaço de tempo entre oitocentos mil e 9 mil anos antes de Cristo. Antes do primeiro cataclismo, já vimos que os atlantes existiam, talvez como descendentes dos últimos lemurianos, o que faz com que a Atlântida tenha existido durante mais de um milhão de anos. Isto é muito tempo, seja como for que analisemos a questão, muita coisa se passou, não podemos ter qualquer espécie de dúvida.&lt;br /&gt;Como vimos acima, os primitivos atlantes eram instruídos durante o sono pelos deuses, ou pelos Manus, ou pelos Arcanjos, que assim continuavam a sua obra de construção do Homem. Naquela altura, os atlantes já eram macho e fêmea, já tinha ocorrido a “queda”, já tinha havido a chamada “guerra dos céus” e os Anjos rebeldes já tinham procriado nas filhas dos homens, portanto, os atlantes primitivos seriam os descendentes desse cruzamento do “céu” com a terra.&lt;br /&gt;Estes homens-deuses gigantes não eram propriamente pacíficos, pois estão na origem de muitos mitos e lendas que nos chegaram do fundo do passado: como a lenda dos Titãs, da ligação de Urano e Geia, deuses do céu e da terra, e de como Urano entrou em conflito com os próprios filhos; como o mito de Osíris, morto e esquartejado por seu irmão Seth; como a lenda irlandesa dos Thuata-de-Dannan, em que duas raças procedentes do mar se enfrentam em solo gaélico. A luta pelo território e pelo poder já vem desde a origem da raça humana.&lt;br /&gt;Independentemente da evolução dos povos que habitaram e governaram as várias Atlântidas, há um facto muito curioso e com o qual concordam os geólogos e os arqueólogos, contrariando a Teoria da Evolução de Darwin, no que se refere ao homem, e demonstrando que aparentemente o homem evoluiu até ao seu estado actual por interferência exterior a ele. Acreditemos ou não na acção de seres celestes, vejamos:&lt;br /&gt;·         Durante um período que durou, calcula-se, entre trezentos e quatrocentos mil anos, o Paleolítico Inferior, o homem que se designou de Neandertal habitou a Terra dedicando-se à caça em condições muito adversas.&lt;br /&gt;·         De repente, o homem de Neandertal desaparece e é substituído por um povo mais evoluído de caçadores, que é o homem de Cro-Magnon, que permanece por um período de quinze mil anos a que se chamou de Paleolítico Superior.&lt;br /&gt;·         Ao fim desses quinze mil anos, não se sabe também o que aconteceu ao homem de Cro-Magnon. Assiste-se a um período de mais ou menos cinco mil anos em que nada acontece, chamado “marasmo mesolítico”.&lt;br /&gt;·         Então, cerca de quatro mil e quinhentos anos antes de Cristo, acontece o “mistério” – o homem dá um salto gigantesco no caminho da evolução civilizacional e começa a operar autênticos prodígios: aprende a arte da agricultura, domestica animais, descobre a cerâmica, inventa a roda, usa a pedra de forma mais eficaz e funcional, veste-se com tecidos manufacturados, aplica técnicas cirúrgicas, adquire uma consciência religiosa definida.&lt;br /&gt;Tudo isto contradiz o que temos estado a falar sobre a evolução do homem na Terra, sobre a sua antiguidade e sobre a Atlântida. Mas isto é natural, pois trata-se da versão da ciência oficial, que não contempla a hipótese do homem existir há muito mais tempo e em condições muito mais civilizadas do que ela apresenta. Apesar disto, não deixa de constituir um autêntico mistério o salto prodigioso que o homem deu cerca de 4 mil e quinhentos anos antes de Cristo.&lt;br /&gt;Por esta versão, durante um longo período de 300 a 400 mil anos o homem era um ser meio selvagem que vivia dos parcos recursos que a caça lhe facultava, caça esta feita em condições muito adversas de clima e dificuldades levantadas pela natureza. Este homem desaparece, não se sabe como, e é substituído por outro mais evoluído, que continua a viver da caça durante um curto espaço de quinze mil anos. Depois vem o torpor, uma espécie de adormecimento, em que não se sabe que espécie de homem habitava a Terra. Quando acorda deste letargo, começam a surgir as civilizações como se fossem tiradas do chapéu de um ilusionista de feira, as civilizações que fizeram a história que conhecemos.&lt;br /&gt;Há uma pergunta que surge naturalmente em toda esta história: como aprenderam os homens, de repente, tudo aquilo e se lançaram no caminho civilizacional, que não parou até aos dias de hoje? Além desta pergunta, existe também uma questão que é o paralelismo com a civilização atlante da mesma altura, mas isto veremos mais adiante.&lt;br /&gt;Nas mesmas épocas do homem de Neandertal e de Cro-Magnon, e mesmo anteriormente a elas, os seres primitivos da Atlântida foram evoluindo e multiplicando-se. À medida que o seu corpo físico se foi tornando mais denso, foram diminuindo de estatura. Cada catástrofe geológica foi precedida de um período de prosperidade e de um período de decadência. Houve guerras, conquistas, êxodos, e o atlante foi-se dividindo em várias sub-raças, sete para ser preciso, que eram ramos da original raça-mãe.&lt;br /&gt;O número sete, consideremo-lo de forma simbólica ou não, aparece em todas as cronologias antigas sobre a Criação. Por exemplo:&lt;br /&gt;·         No Génesis da Bíblia, a Criação foi feita em seis dias, e Deus descansou no sétimo dia.&lt;br /&gt;·         Nos fragmentos das Tábuas Caldeias que contam a Lenda Babilónica da Criação, são mencionados sete seres humanos, com caras de corvos, isto é, de tez negra, seres estes que os sete Grandes Deuses criaram.&lt;br /&gt;·         Na Cabala, estes sete seres são os sete Reis de Edom.&lt;br /&gt;·         Os textos hindus dos “Purânas” falam em sete Manus.&lt;br /&gt;·         Na Arca de Noé, os animais, as aves e todas as restantes criaturas foram reunidas em número de sete.&lt;br /&gt;·         O número sete aparece constantemente referido no Livro dos Mortos egípcio e no Zendavesta persa, assim com em numerosas lendas entre os maias da América Central.&lt;br /&gt;·         Na América Central há referências a “sete cidades” e a “sete grutas” como originárias do homem. Lembremo-nos também que, nos Açores, existe uma lagoa chamada de “sete cidades” e à qual estão ligadas muitas lendas de natureza esotérica.&lt;br /&gt;·         Para a “Doutrina Secreta” houve sete Deuses criadores que criaram sete homens primordiais em sete locais diferentes na Terra.&lt;br /&gt;·         Para alguns cabalistas, a Criação só se realiza, de facto, através das últimas sete Sefiras, uma vez que as três primeiras são puras emanações divinas.&lt;br /&gt;À medida em que as guerras iam acontecendo e o atlante se dividindo nestas sete sub-raças, o seu índice de civilização ia também aumentando. O apogeu da civilização atlante ocorreu, supomos, depois da penúltima destruição, que aconteceu cerca de 80 mil anos antes de Cristo. Édouard Schuré diz que este apogeu foi atingido pela mão dos “Toltecas”, cujo nome se encontra entre as tribos mexicanas e que era uma das sete sub-raças. Os Toltecas eram diferentes dos Rmoahalls e dos Tlavatis, duas sub-raças que se digladiaram durante bastante tempo e cujas características principais eram o grande vigor físico, coragem e destreza. A estas características, que também não lhes faltavam, os Toltecas acrescentaram uma memória mais fiel e uma profunda necessidade de veneração para com os chefes. Eram um povo de tez acobreada, de talhe alto, traços fortes e regulares. O sábio ancião e o guerreiro intrépido eram honrados. As qualidades, transmitidas de pai para filho, tornaram-se o princípio da vida patriarcal e a tradição implantou-se na raça. Estabeleceu-se deste modo a realeza sacerdotal, edificada sobre uma sabedoria conferida pelos seus superiores, herdeiros espirituais do Manu da raça primitiva. Estes reis-sacerdotes eram personagens de grande sabedoria e detinham poderes como o da vidência e adivinhação. Eram, verdadeiramente, reis iniciados. Grande foi o seu poder durante longos séculos, o qual lhes advinha de uma compreensão singular entre si e de uma comunhão instintiva com as forças cósmicas e as hierarquias invisíveis, exercendo-o de modo auspicioso. Este poder, protegido por certo mistério, rodeou-se de majestade religiosa e de grande pompa, de acordo com aquela época de sentimentos simples e sensações fortes.&lt;br /&gt;Mas, como deixámos antever atrás, este apogeu da civilização atlante coloca um problema curioso. Isto acontecia quando, no resto do mundo vivia o pobre homem de Neandertal, vestindo peles de animais e caçando o que podia para se alimentar. O mesmo acontecia em relação ao homem de Cro-Magnon, embora este fosse contemporâneo de uma civilização atlante já decadente. Como é possível que, vivendo na mesma época, tanto o homem de Neandertal como o de Cro-Magnon não tivessem beneficiado dos conhecimentos desenvolvidos pelos atlantes, uma vez que as deslocações entre continentes e, no caso particular a Europa, não eram difíceis? Até parece que as coisas se passavam em planetas diferentes. Olhando para o mundo actual, vemos que apesar do incrível desenvolvimento civilizacional imprimido a todo o globo, existem tribos dispersas em locais afastados que vivem como se estivessem ainda na idade da pedra. Então neste caso, tanto o homem de Neandertal como o de Cro-Magnon, não são representantes da humanidade da altura, mas membros de tribos que habitavam regiões não ocupadas pelos atlantes ou com os quais não mantinham contacto. A não ser que, tanto um como o outro, não sejam representantes de coisa nenhuma, mas sim o pretexto para a ciência oficial basear a sua doutrina de evolução do homem.&lt;br /&gt;De uma maneira ou de outra, ficamos com a forte impressão de que o prodigioso desenvolvimento da Atlântida na sua época áurea se confinou ao seu próprio território, e que o conhecimento que haviam adquirido só transbordou para outras regiões do planeta depois da sua destruição definitiva, cerca de 10 mil anos antes de Cristo, através de imigrantes ou sobreviventes do seu último cataclismo.&lt;br /&gt;Não podemos deixar de ver em toda a sumptuosidade egípcia e na forma como os faraós se apresentavam e eram considerados, a herança de costumes e valores da Atlântida do tempo dos Toltecas. O fausto, a pompa e a circunstância que rodeavam os reis-sacerdotes Toltecas transferiram-se para as civilizações que começaram a florescer na região do Médio Oriente cerca de 5 mil anos antes de Cristo. Mas mais importante que o fausto foi a herança da noção do relacionamento desses reis-sacerdotes com os seres superiores, com os guias divinos, vindo a transformar-se na crença de que os reis detinham o ceptro por direito devido à sua descendência divina. Esta crença impregnou todas as monarquias reinantes, inclusive dentro do cristianismo, até ao fim da Idade Média.&lt;br /&gt;No Egipto, os faraós eram considerados seres divinos, e só se casavam com as suas próprias irmãs, porque elas tinham o mesmo sangue e a mesma origem divina. Os hititas, os assírios, os babilónios, os caldeus, todos eles acreditavam que os seus soberanos reinavam por mandato do céu. Os hebreus, que se consideravam e consideram ainda hoje o povo eleito de Deus, agiam do mesmo modo, os seus reis eram reis divinos, pois David foi coroado rei da Casa de Israel por incumbência de Javé, seu Deus, e todos os seus sucessores, a começar por seu filho Salomão, foram assim considerados de descendência divina. O próprio Novo Testamento relata que Jesus era da descendência de David, e por isso, era por inerência divino. O Evangelho de S. Mateus começa por dizer, justificando a ascendência divina de Jesus: “Livro de origem de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão, etc.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-8645140772593116338?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/8645140772593116338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=8645140772593116338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8645140772593116338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/8645140772593116338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/09/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_18.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-9061755467437163404</id><published>2009-09-03T23:19:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T23:20:56.251-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>8. As Várias Humanidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Lá, montanhas enormes surgiram atrás de montanhas, as espécies fervilharam sobre as espécies e as raças humanas rolaram umas sobre as outras como o limo dos rios.” (Édouard Schuré – “O Mistério da Índia”, do livro “A Evolução Divina da Esfinge ao Cristo.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, para determinada teosofia, o planeta foi ocupado por vários tipos de ser humano, numa progressão ascendente até chegar ao indivíduo dos nossos dias. As grandes obras de um passado remoto não podem assim ser atribuídas a esses seres humanos, dado que não seriam capazes de as edificar. Portanto, só podemos atribuir essas grandes realizações a seres a que n os habituámos a chamar de deuses.&lt;br /&gt;O mito de Adão como primeiro homem criado, por este ponto de vista, também não se refere a um indivíduo, mas a um conjunto de seres que formaram uma dessas primeiras humanidades. Provavelmente a criação mais tardia, ou mais próxima de nós, uma vez que, segunda a tradição, reunia em si todas as faculdades idealizadas por Deus para ser o último e o primeiro da Criação.&lt;br /&gt;Estes primeiros homens não eram humanos, no sentido em que o entendemos hoje, eram seres celestes, não tinham corpo físico. Eram seres puramente espirituais, semelhantes aos Anjos e Arcanjos, eram andróginos e dispunham de um corpo etéreo.&lt;br /&gt;Aqui parece que entramos no mundo da ficção científica a qual, aliás, costuma recorrer a mitos antigos para criar histórias recheadas de imaginação. Como se trara apenas de ficção científica temos tendência para achar que tudo não passa de uma rica fantasia dos seus autores. Mas… às vezes a realidade parece ultrapassar a ficção.&lt;br /&gt;A noção de que o primeiro homem criado era um ser celeste, quer dizer, que não tinha corpo físico, parece ressaltar sem muita margem para dúvidas, de toda a tradição antiga. Este homem não havia descido ainda ao estado da matéria, não havia ainda encarnado, embora a Terra fosse o seu lar, o planeta ao qual pertencia. Não sabemos se a passagem do homem ao estado da matéria se deu antes ou depois da “queda” de Adão e Eva, se na conhecida tentação da serpente para comerem o fruto proibido já tinham um corpo físico pois, de acordo com os ensinamentos ocultos, houve várias tentativas de criação do Homem (do homem físico) e as primeiras terão sido experiências frustradas.&lt;br /&gt;As fontes sobre este período de passagem do homem ao estado físico são muito confusas, não parecem obedecer a uma cronologia e, alguns acontecimentos cruzam-se ou sobrepõem-se, não deixando ver claramente o que terá, na verdade, acontecido. Não parece haver dúvidas de que o Génesis confirma que o primeiro homem foi criado como um ser andrógino e depois, numa segunda criação, é que houve a separação dos sexos com a criação de Eva a partir de uma costela de Adão. A tentação da serpente e a consequente queda dá-se com Eva, pois é esta que a serpente tenta, e por sua vez Eva leva Adão a comer do fruto proibido, o que quer dizer que já eram homem e mulher distintos.&lt;br /&gt;A existência de seres celestiais é confirmada de certo modo por um texto da Mesopotâmia chamado “Enuma Elish”, cujo título foi traduzido como “A Epopeia da Criação” e é referido e comentado no livro “O 12º Planeta” da autoria de Zecharia Sitchin. Este texto conta-nos que a Criação não foi feita em 6 dias, como diz o Génesis, mas a descrição encontra-se dividida em 6 tábuas de argila em escrita cuneiforme, ou seja, cada tábua corresponde a um dos seis dias indicados na Bíblia. Ao sétimo dia corresponde uma sétima tábua, que não nos diz que foi para Deus descansar, mas dedicado ao enaltecimento da divindade babilónica. Como descrição do começo de tudo, diz-nos este texto que “Quando nas alturas o céu não fora nomeado e em baixo a Terra não fora chamada”, que dois primitivos corpos celestiais deram à luz uma série de “deuses celestiais”. Estes deuses celestiais não eram mais do que os planetas que se foram formando, criando o sistema planetário em redor do Sol.&lt;br /&gt;Os textos mesopotâmicos confirmam que em determinada época os deuses habitaram a Terra e que foram estes deuses os responsáveis pelas experiências mal sucedidas de criação do homem, até que finalmente o conseguiram. Dessas experiências terão resultado os vários monstros que povoam a mitologia antiga. Portanto, se foram eles que acabaram por criar o homem, este não existia nessa altura, o que acaba por entrar em contradição com a “Doutrina Secreta” da Blavatsky e com a denominada tradição primordial.&lt;br /&gt;Conforme a “A Doutrina Secreta”, houve várias raças criadas que se foram substituindo sobre a Terra. O termo raça aqui aplicado refere-se a humanidade, a um grupo de seres humanos criado com determinadas características e faculdades, não se refere a distinções de cor de pele ou outras diferenças, mas sim a um tipo específico de humanidade. As primeiras raças terão sido destruídas pelos próprios deuses por a sua criação ter saído frustrada. Estes deuses eram os Arcanjos e talvez os Homens Celestes andróginos, o Adão primordial pois, se os primeiros foram os idealizadores do homem, os segundos terão sido, pelo menos, os seus instrutores e guias. De qualquer maneira foi este Homem Celeste que se procurou dotar de corpo físico, foi o arquétipo ou forma a partir do qual se procurou criar o homem de faculdades físicas nas tentativas de criação das primeiras raças ou humanidades.&lt;br /&gt;Não sabemos se houve, de facto, duas quedas, primeiro a dos Anjos e depois a do Homem. A Bíblia não contém nenhuma indicação, nenhum indício, acerca da queda dos Anjos. Esta aparece apenas no “Livro de Enoch”, que se supõe ser anterior à Bíblia. A sensação que se tem é de que não se tratou de dois acontecimentos separados no tempo e espaço, mas de um único, em que as duas quedas são uma e a mesma coisa e que terá sucedido em simultâneo com as tentativas de criação das primeiras raças pois, embora o processo da criação seja um desenvolvimento complexo em que várias coisas podem suceder ao mesmo tempo, existe uma ligação directa entre os motivos que originaram essas quedas e a criação do homem como ser dominante sobre a Terra. Nos textos mesopotâmicos e na interpretação de Zecharia Sitchin, esta queda corresponde à revolta dos “anunaki”, que se terão recusado a continuar o trabalho penoso nas minas de ouro do sudeste africano, e que foi a partir deste acontecimento que os deuses decidiram então criar o ser humano para trabalhar nessas minas.&lt;br /&gt;A “Doutrina Secreta” diz que houve 4 raças e que nós, na actualidade, pertencemos à 5ª raça, cada uma delas com várias sub-raças ou variantes da raça matriz. As primeiras duas raças eram andróginas ou hermafroditas e reproduziam-se, primeiro por exudação, produzindo seres chamados “nascidos do suor”, e depois de forma ovípara. A reprodução por via sexual só veio a acontecer em meio à existência da terceira raça, com consequências catastróficas como veremos mais para a frente.&lt;br /&gt;É interessante verificar que a forma ovóide se encontra ligada a todo o processo da criação. A este respeito conta-se que Sai Baba, para muitos um Avatar encarnado no final de século passado e do milénio e que vive no sul da Índia, em determinadas ocasiões especiais e testemunhado por milhares de pessoas, ele pára o seu discurso e extrai da boca uma coisa semelhante a um ovo chamada “Lingam” e que, segundo ele, representa o mistério da criação cósmica e contém as cinco substâncias elementares da criação do mundo. Diz-se que a criação e o nascimento destes “Lingams” dão-se com enorme sofrimento de Sai Baba, com convulsões semelhantes a um nascimento corpóreo e que só cessam quando o objecto ovóide brota da sua boca.&lt;br /&gt;Não se compreende muito bem a condenação de Lúcifer por ter idealizado a figura deslumbrante da primeira mulher, quando no Génesis se afirma que foi Deus quem a criou para ser a companheira de Adão. A não ser que este Deus, Javé, que não é o mesmo que criou o primeiro Adão como ser andrógino, fosse o próprio Lúcifer ou alguma das entidades da sua hoste pois, o nome da 1ª humanidade era Jah-Heva, que mais tarde veio a dar o Jeovah de Moisés. No Génesis diz que o homem e a mulher estavam nus e não sentiam vergonha. Isto não pode corresponder à sua androginia, uma vez que já eram de sexos distintos, mas pode referir-se à sua condição de pureza, onde o sentimento de vergonha não teria qualquer cabimento, condição de pureza tal que eles ainda não tinham conhecimento do bem e do mal – o homem da 1ª humanidade era um ser sem mente. Naturalmente que não estamos a falar de dois únicos indivíduos, um homem e uma mulher, pois neste caso não haveria lugar para o sentimento de vergonha entre dois seres que se conhecem íntima e profundamente, estamos a falar de uma humanidade, talvez de milhões de indivíduos que viviam nus, tal como acontece com os animais.&lt;br /&gt;Ainda de acordo com o Génesis, a procriação por via sexual só se vem a dar depois de Eva, “induzida” pela serpente, fazer com que Adão provasse do fruto da árvore proibida: “O homem uniu-se à mulher , e ela concebeu e deu à luz Caim. E disse: «adquiri um homem com a ajuda de Javé».&lt;br /&gt;Da mesma forma, ela concebeu e deu à luz Abel. Há quem diga que a geração de Caim corresponda à humanidade macho, e a de Abel à feminina. Mais adiante, e depois do próprio Caim ter gerado descendência ao unir-se à sua mulher, diz que Seth foi criado por Adão à sua imagem e semelhança, não diz que Adão e Eva geraram Seth.&lt;br /&gt;Evidentemente que estamos perante acontecimentos que não obedecem a uma cronologia, e os intervenientes, Adão, Eva, Caim, Abel e Seth, não são mais do que símbolos. Neste caso do Génesis, Adão e Eva são o protótipo do Homem e Mulher primordiais, os arquétipos de todos os homens e mulheres que se vêem a reflectir em Caim e Abel, a humanidade macho e a humanidade fêmea. Seth é o homem físico criado.&lt;br /&gt;Depois vem uma passagem misteriosa quando diz: “Nesse tempo – isto é, quando os filhos de Deus (ou os filhos dos deuses, ou mesmo os deuses?) se uniram às filhas dos homens e geraram filhos – os gigantes habitavam a terra. Estes foram os heróis dos tempos antigos.”&lt;br /&gt;Sobre a existência destes gigantes, toda a mitologia antiga está recheada de histórias e de fábulas em que eles aparecem e em que, normalmente, não representam um papel muito bom. A sua existência pode explicar as ruínas ciclópicas que ainda hoje se encontram um pouco por toda a face da Terra, e que ninguém sabe, exactamente, como foram construídas, dado o peso e a dimensão dos seus componentes de pedra, e há quanto tempo estão ali, como testemunhas de um passado em que os gigantes terão habitado o planeta.&lt;br /&gt;Mas o texto (continuamos a falar do Génesis) fala inequivocamente dos “filhos de Deus”. Em Enoch encontra-se a mesma referência, só que aqui diz que os “deuses”, vendo que as filhas dos homens eram belas, se cruzaram com elas e geraram filhos. Quem eram estes “filhos de Deus” ou “deuses”? Seriam os seres a quem chamamos Adão, ou seriam os Arcanjos? Ou seriam ambos? De uma maneira ou de outra, é muito complicado entender este cruzamento, uma vez que esses seres eram andróginos.&lt;br /&gt;Dizem os textos antigos que a 1ª raça criou a 2ª por brotação ou exudação, e que esta, da mesma forma, criou a 3ª. Esta terceira raça veio a separar-se em divisões ou sub-raças diferentemente criadas: as duas primeiras produziram-se por um método ovíparo e as últimas vieram a ser criadas por uma espécie de exudação do fluido vital cujas gotas, coagulando-se, formavam uma bola oviforme, que servia de veículo exterior para a geração no mesmo de um feto andrógino.&lt;br /&gt; Continuando a tentar compreender a “Doutrina Secreta”, a gestação natural, tal como a conhecemos hoje, resultado da união do homem e da mulher, seres já não andróginos mas de sexos opostos, só vem a acontecer na 4ª raça ou 4ª humanidade, e que constitui ainda hoje grande parte dos seres humanos actuais, pois da sétima sub-raça desta 4ª procedem os chineses, os malaios, os mongóis, os tibetanos e os esquimós.&lt;br /&gt;É no período de passagem da 3ª para a 4ª raça que se dá pela existência da Lemúria, que não se tratou de uma terra mítica no sentido de fantasia, mas de um continente que existiu de facto no hemisfério austral, quando a Europa e grande parte dos continentes como os conhecemos hoje, ainda estavam submersos. A Lemúria estendia-se desde a Austrália actual até à América do Sul e englobava parte da Ásia e da África meridional. Os seres que a habitavam pertenciam à terceira raça e não eram ainda homens no sentido físico actual. Eram um ser meio peixe, meio sáurio, em pleno processo de transformação. A glândula pineal destes seres revestiu-se de um crânio, mas era um crânio aberto, ou mole, na parte superior, por onde se escapava essa glândula, que formava uma espécie de penacho sobre a cabeça. Isto fazia com que este ser híbrido tivesse fortes percepções do plano astral e começasse a tê-las também do plano físico. Porém, para deixar de ser um “animal” meio rastejante e tornar-se um homem erecto, ainda era preciso haver profundas transformações. Então vieram os “deuses”, os “instrutores” que, como vimos antes, eram os Arcanjos ou talvez os Adão. Vieram habitar a Lemúria, instruindo e fazendo evoluir os seres que ali existiam. São estes os “filhos de Deus” ou os “deuses” que se uniram às filhas dos homens e geraram gigantes, só que continuamos sem perceber com é que seres andróginos o fizeram. A  não ser que, tal como descreve Zecharia Sitchin, estes “deuses” fossem de facto seres como nós, apenas talvez bastante mais altos, e daí o termo aplicado de gigantes.&lt;br /&gt;À medida que o homem foi perdendo a sua forma de animal inferior e aproximando-se da forma actual, a separação dos sexos foi-se acentuando. A descoberta da atracção sexual deve ter provocado uma verdadeira catástrofe, pois as descrições são inúmeras sobre cruzamentos entre seres de natureza diferente e que deram origem a outros seres híbridos. Diz-se que do acoplamento das espécies inferiores da humanidade com outros mamíferos, terão nascido os símios e que estes, ao contrário do que se supõe, não são os progenitores ancestrais do homem mas sim, uma degeneração e degradação do homem primitivo. As más paixões espalharam-se e ganharam raízes que perduram até aos dias de hoje, como os desejos sem freio, a inveja, o ódio e a guerra.&lt;br /&gt;Deve ser a esta época que se referem os fragmentos da cosmogonia caldeia, em escrita cuneiforme, e se referem também alguns mitos antigos chineses. Dizem os fragmentos caldeus que Oannes, o “Homem-Peixe”, que saia do mar todas as manhãs para instruir os homens, falava do abismo de água e trevas, onde residiam os mais horrendos seres: homens alados, homens com duas e quatro asas, seres humanos com duas cabeças, etc. É também a esta situação calamitosa que se refere a lenda grega da “Caixa de Pandora”: quando a caixa é aberta, espalha-se sobre a Terra toda a espécie de males e doenças, e quando é de novo fechada, somente resta a Esperança. É uma história semelhante à do “Aprendiz de Feiticeiro”, pois quando alguém, submetido por intenso desejo, envereda por caminhos que desconhece, podem acontecer-lhe as coisas mais horríveis, resultado e fruto da sua ignorância.&lt;br /&gt;Entretanto, terríveis cataclismos assolaram a Lemúria, destruindo a maior parte do continente e aniquilando quase todos os seus habitantes. Apenas uma elite lemuriana, dirigida e comandada por Manu, um guia divino, conseguiu refugiar-se na parte ocidental do continente e daí atingir uma terra recentemente emersa, a Atlântida, onde iria desenvolver uma nova raça e a primeira civilização humana.&lt;br /&gt;O Homem (homem e mulher) de sexos opostos, dotado de Mente e Desejo, surge no fim do período lemuriano, depois das tremendas convulsões originadas pela descoberta do sexo, e depois dos seres celestes (Arcanjos, Adão?) se terem cruzado com as formosas “filhas dos homens” e terem gerado filhos. Esta foi a 3ª raça, e tudo leva a crer que foi no seu seio onde se deram as duas quedas: a dos Anjos, que descendo à matéria engendraram filhos ao cruzarem-se com as “filhas dos homens” e dotaram a sua descendência com os atributos da consciência; a do Homem, que se separa em dois sexos diferentes e toma conhecimento do bem e do mal. Afinal, ambas estão intimamente ligadas entre si, por isso a nossa suspeita de que se tratou de um único evento. Diz a tradição que o Homem-Anjo assim criado, engendrou dentro de si o demónio, abrigou-o no seu coração e contagiou Deus que aí habitava, envolvendo o Espírito puro com o demónio impuro da Matéria.&lt;br /&gt;Esta elite lemuriana que se salvou (arca de Noé?) era liderada por um ser divino chamado Manu. Em sânscrito, Manu quer dizer Homem. Na tradição hindu, é um dos 14 progenitores da humanidade, cada um dos quais governa o mundo por um período de tempo conhecido como Mavantara. A duração de um Mavantara, de acordo com a mesma tradição, é de 4.320.000 anos. O actual Manu é o sétimo, chamado Vaivasvata (filho do Sol), e é o herói da história hindu sobre o dilúvio, ou seja, a mesma personagem descrita na Bíblia como Noé.&lt;br /&gt;Quem é este Manu, que para os hindus se chama Vaivasvata e para os hebreus se chama Noé? Os fragmentos das tábuas achadas na antiga Babilónia e na antiga Caldeia reconhecem a existência de duas raças principais no tempo em que se terá dado a queda, raças essas precedidas por uma outra, a que aqueles fragmentos aludem como raça dos deuses. Estes deuses eram sete, cada um dos quais criou um Homem, ou um grupo de homens em diferentes partes do planeta. Há nos fragmentos babilónicos a referência, tal como na Bíblia, a duas criações distintas: primeiro a criação eloísta, figurada na Bíblia, no 1º capítulo, como acção directa de Deus (ou Elohim); depois, no 2º capítulo, a criação jeovista, em que a acção é feita por Javé Deus (Jeovah). Cremos que a primeira se refere à criação do Homem celeste (a raça dos deuses ou os sete deuses), e a segunda à criação das humanidades das 2ª e 3ª raças raízes.&lt;br /&gt;Manu aparece em toda a tradição antiga e por toda a parte com os mais diversos nomes. Pode tratar-se da mesma personagem ou de personagens semelhantes, e aparece, invariavelmente, no número de sete. Ele é Thoth dos egípcios, que pode também ser Osíris ou Isis; é o Hermes dos gregos, o mensageiro dos deuses, ou o Apolo hiperbóreo; é o Oannes dos caldeus, o homem-peixe; é o Enoch dos hebreus, o “divino gigante”; é o Manco-Capac dos incas peruanos. Em toda a parte a história é semelhante, são os sete deuses que desceram e reinaram sobre a Terra, ensinando à humanidade astronomia, arquitectura, agricultura e todas as demais ciências que chegaram até aos dias de hoje. Primeiro aparecem como deuses criadores; depois fundem-se no homem nascente; por fim ressurgem como “reis e governadores divinos”.&lt;br /&gt;Manu seria então um desses sete deuses, um Homem celeste, o Adão primordial, que desceu ao mundo da matéria, misturou-se com os homens para os ensinar, instruir e conduzir. Era um ser divino e relacionava-se directamente com Deus (Elohim). O próprio Génesis, no capítulo 6, diz que Noé era um homem justo, íntegro entre os seus contemporâneos, e andava com Deus. A história da Arca poderá muito bem ser o salvamento que ele efectuou daquela elite lemuriana (elite no sentido de que eram homens já instruídos por ele), quando a Lemúria foi destruída por um cataclismo ou uma série de cataclismos. Mas ele não era o único ser celestial que tinha descido na Lemúria, outros filhos de Deus ou deuses o tinham feito para se cruzarem com as filhas dos homens.&lt;br /&gt;Helena Blavatsky, acerca deste episódio, conta-nos que, depois da Terra ter sido preparada pelos poderes inferiores e mais materiais, e os seus três reinos (mineral, vegetal e animal) terem principiado a frutificar e a multiplicar-se, os Poderes superiores, os Arcanjos, foram obrigados pela Lei da Evolução a descer à Terra para construir o Homem. Isto quer dizer, como suspeitávamos, que a queda foi o resultado da Lei da Evolução, e não o castigo eterno decretado por Deus. Por outro lado, também quer dizer que o homem constitui um reino à parte na natureza, é o quarto reino, o que concorda com a Bíblia, onde está perfeitamente diferenciada a criação do homem em relação aos outros reinos.&lt;br /&gt;Diz mais a “Doutrina Secreta” que os Arcanjos projectaram as suas sombras, mas que um terceiro grupo, o dos Anjos do Fogo, se negaram a criar desta forma, por não quererem criar homens sem vontade e irresponsáveis, como o haviam feito os outros Anjos. Estes Anjos do Fogo pertenciam a um plano de consciência mais elevado que o dos outros, e verificaram que não podiam dotar os homens com um reflexo temporal dos seus próprios atributos porque, neste plano, não seria possível a evolução espiritual e psíquica sem que os homens pudessem acumular mérito e demérito. Eles sabiam que se tivessem criado o homem apenas como sombra de si mesmos, esta não passaria de uma sombra imóvel, inerte e imutável da perfeição, seria «Eu sou o que sou», e estaria condenado a passar a vida na Terra como um pesado sono sem sonhos, teria sido um fracasso completo no plano material.&lt;br /&gt;Foram estes Anjos do Fogo, a hoste de Lúcifer, quem abriu os olhos (consciência) do autómato criado por Jeovah (ou Javé Deus); foram estes Elohim da Luz, que sabiam muito e amavam muito mais, os que nos conferiram a imortalidade espiritual em vez da física. São estes os Anjos rebeldes, cuja natureza é Sabedoria e Amor.&lt;br /&gt;No fim da 3ª raça, depois dos tremendos cataclismos que abalaram e destruíram o seu continente, parte dos lemurianos mais evoluídos e conduzidos por “guias divinos” instalou-se num novo continente que emergia das águas, a Atlântida, dando assim origem à primeira raça atlante de gigantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-9061755467437163404?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/9061755467437163404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=9061755467437163404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/9061755467437163404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/9061755467437163404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/09/o-cosmos-o-homem-e-evolucao.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-1222379116076639306</id><published>2009-08-23T20:56:00.000-03:00</published><updated>2009-08-23T20:58:02.930-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>7. O Homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os Anjos aspiram a ser homens; pois o Homem Perfeito, o Homem-Deus, está acima dos próprios Anjos”. (Eliphas Levi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes que permitiram desenvolver a hipótese da criação do nosso planeta, assim como do nosso sistema planetário, ter tido origem numa nebulosa original chamada Saturno, da qual o actual Saturno seria o seu remanescente, também dizem que os Arcanjos fizeram várias tentativas frustradas de criação do Homem, e que essas experiências resultaram em grande parte nos animais que passaram a habitar a Terra. Esta é uma afirmação algo arriscada pois, a variedade do mundo animal é tão grande que nos é difícil conceber que grande parte do reino animal tenha tido essa origem. Aceitamo-la com reservas na convicção de que os três reinos da natureza terrestre, o mineral, o vegetal e o animal, foram criados com um sentido harmónico e de escalonamento hierárquico, em que cada um tem a sua função a desempenhar no plano evolutivo.&lt;br /&gt;Muitos dos animais que povoam a Terra são, muito provavelmente, o resultado de mutações sucessivas conforme expresso na teoria de Darwin, embora seja difícil explicar as lacunas (os saltos) que aparecem entre uma forma e outra da mesma espécie. Por outro lado, existem dois grupos que se suspeita não serem originários da Terra, que não foram criados aqui, mas que foram trazidos de outro planeta. É o caso das formigas e das abelhas. De facto, tanto um como o outro, têm um comportamento, uma organização social, um sentido gregário, que não tem semelhança com qualquer outro grupo de insectos. Além disso, as formigas e as abelhas têm também um papel fundamental no equilíbrio ecológico da natureza.&lt;br /&gt;A segunda estância do Livro de Dzyan diz que sem ajuda a natureza falha. A isto acrescentaríamos que, mesmo com ajuda, pode haver falhas. Isto quer dizer que a natureza, deixada livre, sem qualquer interferência na sua acção, falha no sentido de não produzir o que foi idealizado que ela produzisse. Falha apenas neste sentido, porque por outro lado ela adapta-se naturalmente às condições ambientais e produz o que essas condições permitirem. Mas se houver interferência exterior, as falhas também podem produzir-se, porque os seres que interferem também podem cometer erros. A nossa história actual está repleta de casos em que a natureza foi severamente agredida pela acção descuidada ou irresponsável do homem.&lt;br /&gt;Não nos podemos surpreender que, na descrição sobre a formação do nosso sistema planetário a que entendemos chamar “A Hipótese de Saturno”, tenha ficado uma certa sensação, um certo sentimento de que as coisas nem sempre terão corrido bem. Ainda que agindo e pensando pela acção e pensamento do próprio Deus, já vimos que os seres que chamamos de Tronos, Querubins, Arqueus, Arcanjos, Anjos, não são tão perfeitos como poderíamos pensar, até porque eles próprios também estão no seu processo evolutivo. Esses seres cometeram erros, tiveram limitações na sua acção e até desencadearam uma espécie de “conflito” que terminou com a “queda” dos Anjos rebeldes.&lt;br /&gt;No que se refere à criação do Homem, parece que houve algumas tentativas que saíram frustradas, das quais terão resultado os primatas que ainda hoje povoam a Terra. Depois destas tentativas, os Arcanjos conseguiram criar finalmente o Homem, mas não o homem como é hoje, criaram o Homem primordial, aquele que seria o progenitor de todos os homens pois, para chegar ao estágio actual foi necessário proceder a várias mutações, fazer algumas “correcções”. E isto não foi obra do acaso, não foi o resultado da associação aleatória de moléculas e átomos como ainda defende certa ciência (já há cientistas que não estão bem certos disto...), mas sim obra de seres criadores, deuses para toda a tradição antiga, e esses deuses nem sempre terão acertado.&lt;br /&gt;Por outro lado, a partir de determinada altura, esses seres criadores não estavam totalmente de acordo uns com os outros, do que resultou a denominada “Guerra dos Céus” e que parece ter tido origem num problema de natureza sexual, pois foi a partir do momento em que Lúcifer idealizou a figura deslumbrante da futura Mulher que tudo se desencadeou. Não terá sido apenas esta a única razão, como veremos mais adiante, mas foi sem dúvida uma das peças fundamentais para a completa transformação do homem no ser que passou a habitar e a dominar a Terra. Os seres angélicos eram astral e espiritualmente andróginos, e a sua irradiação de Amor era sem perturbações e sem desejos egoístas, o que se compreende dada a sua androginia. Ora, a confusão estabeleceu-se quando apareceu a primeira tentativa de separação dos sexos, que é o mesmo que dizer a separação do homem em suas duas polaridades opostas e complementares, o homem macho e o homem fêmea, que passou a chamar-se mulher.&lt;br /&gt;Tudo isto nos faz sentir que, por detrás de todas estas coisas algo se esconde e que, aparentemente escapa à nossa percepção. O surgimento de um conflito a nível espiritual entre a hierarquia dos seres é uma situação estranha e que transcende as nossas concepções acerca do modo como esses seres evoluem e agem. Para tentarmos compreender, na verdade, como se terá dado a Criação e como foi concebido o Homem, temos de tentar descortinar através da névoa com que todas estas coisas nos são transmitidas.&lt;br /&gt;Na ordenação do Universo, existe uma razão para todas as coisas, porque nada foi feito e organizado ao acaso. Por este motivo, deve haver também uma razão para as hostes celestiais estarem organizadas numa hierarquia perfeitamente estabelecida. Elohim parece ser um nome genérico para muitos destes seres, pelo menos para os de mais elevada categoria, como por exemplo os Tronos e os Arqueus. Todos eles são seres criadores, pois todos têm a faculdade de criar, só que cada um pode criar até um limite específico, vimos isto na criação do Sol de Saturno em que os Arqueus não podiam criar a luz que precisavam. Vimos também isto quando os Arqueus criaram os Arcanjos para estes continuarem o processo de criação que eles tinham iniciado. Se quisermos organizar esta hierarquia de Poderes (na tradição cristã chamam-se Poderes), ou as faculdades de Deus em acção para a tradição hebraica, teremos o seguinte:&lt;br /&gt;1ª Tríade          – Serafins (Amor), Querubins (Harmonia) e Tronos (Vontade).&lt;br /&gt;Este primeiro grupo está acima de qualquer outro Poder. Age em todo o Universo e faz parte da Esfera Divina. Está acima do espaço e do tempo, mas a sua acção manifesta-se no espaço-tempo.&lt;br /&gt;2ª Tríade – Virtudes (Forma), Dominações (Movimento) e Principados (Sabedoria).&lt;br /&gt;Estes são os Poderes ordenadores e equilibrantes, intermediários entre os Poderes superiores e os inferiores. Eles ordenam e equilibram todo o sistema planetário.&lt;br /&gt;3ª Tríade – Arqueus (Personalidade), Arcanjos (Fogo) e Anjos (Vida).&lt;br /&gt;Estes Poderes são os que estão logo acima do Homem e agem directamente com ele. Como vimos anteriormente, os Arqueus são os iniciadores, os espíritos do começo, os que fizeram saltar a primeira chispa do “Fiat Lux”. Os Arcanjos são a própria Luz, o Fogo criador, os que descem à voragem da matéria e amam o Homem, ao qual deram o sopro e a vida. Os Anjos são os seres que acompanham o Homem na sua vida terrestre, que sofrem e se alegram com ele, que o guiam através das múltiplas encarnações da sua viagem. Os Anjos não são o Eu superior do Homem, são seres independentes deste mas ligados a ele individualmente. Uma das suas missões é, precisamente, tentar despertar em cada homem o seu Eu superior.&lt;br /&gt;Os Poderes destas três Tríades vêem depois a concentrar-se na individualidade que é representada por Lúcifer, ele próprio também um Arcanjo, que concedeu ao Homem e por amor deste, a liberdade.&lt;br /&gt;Podemos comparar esta organização de Poderes com a Árvore Sefirótica da Cabala, onde o raio divino de En Sof percorre todas as esferas (Sefiras) de emanação até se concentrar em Malkhut, que é o mundo da matéria criada. Os cabalistas afirmam que existem quatro reinos presentes numa Árvore Sefirótica. Assim, comparando com as Tríades acima, teremos o seguinte:&lt;br /&gt;·         1º Reino – AZILUT – englobando Kether, Hokhmah e Binah. Este é o reino da emanação e é correspondente à 1ª Tríade de Serafins, Querubins e Tronos.&lt;br /&gt;·         2º Reino – BERIAH – contendo as Sefiras de Hesed, Gevurah e Tiferet. É o reino da criação, correspondente à 2ª Tríade de Principados, Dominações e Virtudes.&lt;br /&gt;·         3º Reino – YEZIRAH – incluindo Nezah, Hod e Yesod. É o reino da formação, correspondente à 3ª Tríade e onde agem os Arqueus, Arcanjos e Anjos.&lt;br /&gt;·         4º Reino – ASIYYAH – é o reino da feitura, da coisa feita. É a matéria em todo o esplendor de Malkhut. É o Homem criado, feito espírito e matéria.&lt;br /&gt;Temos aqui, visto de uma maneira ou de outra, o número 10, que contém em si todos os atributos da Divindade que é o 1, pois o número 10 é igual a 1 (1+0=1). O Homem é o 10, o resultado de todo o processo da Criação, mas também é o 1, porque todos os atributos da Divindade estão nele – ele é o reflexo da face de Deus, de onde proveio e para onde volta, na sua interminável ronda ao encontro da sua natureza superior.&lt;br /&gt;Voltando à chamada “Guerra dos Céus” e à impressão de que os Poderes angélicos nem sempre terão feito um trabalho perfeito, o que não nos custa aceitar, uma vez que sendo eles uma emanação da vontade Divina, tal como o Homem também o é, e estando eles também no seu plano evolutivo, é natural que haja algo de imperfeição na sua acção. Afinal a perfeição está em Deus, é Deus, e eles não são Deus, mas sim forças que agem por vontade Dele. Isto é importante porque há uma certa tendência para confundir Deus com as suas manifestações e por isso, os numerosos cultos que se formam em relação a determinadas divindades como se fossem o próprio Deus. Embora Deus seja omnipresente, uma vez que está em tudo, Ele não age directamente, Ele manifesta-se sempre através de terceiros, que são os instrumentos da sua manifestação.&lt;br /&gt;No combate ou guerra dos céus que terminou com a derrota de Lúcifer e dos seus seguidores, e sua consequente queda no mundo da matéria, as coisas, provavelmente, não poderiam ter-se passado de outra forma, pois este acontecimento terá estado, desde o início, no pensamento Divino. A matéria só existe como resultado de duas energias, a positiva e a negativa, os átomos que a constituem possuem estas duas polaridades, e tudo o que existe é feito por associação de átomos. Ainda que não consigamos nem chegar perto dos chamados desígnios de Deus, é muito difícil que a matéria, como resultado último da Criação, pudesse ser formada de outro modo.&lt;br /&gt;É caso para pensarmos: será que Lúcifer, na verdade, foi derrotado? Ou terá competido à sua hoste descer ao mundo espesso da matéria para aí poder prosseguir na sua obra de criação do Homem como ser independente e livre? Helena Blavatsky, a respeito do Génesis, diz o seguinte na sua “Doutrina Secreta”: “Por outra parte, a Serpente não é Satã, mas o Anjo Radioso, um dos Elohim revestido de glória e esplendor, que, havendo dito à mulher: «Se comerdes do fruto proibido, não morrereis certamente», cumpriu a promessa e tornou o homem imortal em sua natureza incorruptível. É o Iao dos Mistérios, o chefe dos Criadores Andróginos dos homens.”&lt;br /&gt;Mais adiante, afirma ainda: “O Capítulo III (Génesis) contém (esotericamente) o descerramento do véu de ignorância que limitava as percepções do Homem Angélico, feito à imagem dos deuses, “sem ossos”, e o despertar nele da consciência da sua natureza real; mostra-nos deste modo o Anjo Radioso (Lúcifer) como um ser que dá imortalidade, um ser que ilumina.”&lt;br /&gt;Eliphas Levi, a propósito de Lúcifer (Satã para os católicos), diz o seguinte no seu livro “As Origens da Cabala”: “Teólogos do demónio, supondes que Satã é livre? Se ele é, ainda pode voltar ao bem; se não for, não será responsável pelos seus actos, mas apenas instrumento de alguém mais forte do que ele, um escriba da justiça divina; fará tudo o que Deus quiser. Deus, para prová-lo, faz que ele tente e torture suas débeis criaturas. Então Satã não é o monarca das trevas: é o agente da luz velada. Logo, é útil a Deus; executa as obras de Deus; Deus não o arrojou longe, posto que o mantém sob a sua mão. Assim, aquele que é reprovado por Deus, por ele é rechaçado para sempre. O agente de Deus é o representante de Deus e, segundo as leis da boa política, o representante de Deus é o próprio Deus.”&lt;br /&gt;Fica-nos a ideia de que, nesta altura dos acontecimentos, se tinha chegado a uma espécie de impasse, a uma solução de continuidade no processo da criação do Homem e da sua evolução: o Homem, para poder cumprir a sua missão de construção da sua própria evolução e, por extensão, da evolução planetária, teria que participar de forma integral do mundo da matéria, para daí poder renascer purificado e elevar-se ao mais alto da hierarquia na forma perfeita do Homem-Deus. Para isso era também necessária a separação dos sexos, que correspondia à imersão do homem no mundo da matéria. O homem teria que conhecer o seu lado sombra, a sua parte obscura e poder assim optar, para poder emergir em luz ou afundar-se nas trevas da animalidade.&lt;br /&gt;De acordo com o Génesis da Bíblia o Homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. E Deus o fez homem e mulher e lhe ordenou para ser fecundo, para se multiplicar e dominar sobre a Terra. Na verdade, é bem isto o que o homem tem feito, tem sido fecundo, tem-se multiplicado e tem dominado sobre a Terra. Ele domina sobre a Terra, mas não domina a Terra nem a natureza. No seu processo de aprendizagem, o homem tem sido, a seu modo, um criador, mas tem sido mais um elemento predador do que um companheiro de viagem. Para deter completo domínio da Terra e da natureza, o homem tem de aprender a respeitá-las, mas para que isso suceda, um longo caminho tem ainda de percorrer.&lt;br /&gt;Como diz a Bíblia, se o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, isto significa que ele é o espelho da Divindade, não no sentido da imagem que se reflecte num espelho, mas no de que o homem contém em si todos os predicados dessa Divindade. Dito de outra forma, ele é o objecto último da Criação, a mais perfeita criatura criada, reflecte em si todas as características da própria Divindade e do que ela concebeu quando “pensou” a Criação. Por outro lado, possui algo que mais nenhuma criatura possui, o livre arbítrio, a capacidade de pecar, a capacidade de ofender a Deus, que não é mais do que a capacidade de ir contra a sua própria natureza ou contra os desígnios com que foi criado.&lt;br /&gt;A liberdade concedida ao homem (o livre arbítrio) é para ele a suprema dádiva de Deus, a oportunidade de se poder elevar por seu exclusivo mérito, pelos ditames da sua consciência sempre soberana. Ao contrário, pode constituir também a sua maior maldição, dependendo dos seus pensamentos e acções. Isto é demonstrado de forma exemplar na “Odisseia” de Homero, na viagem que Ulisses faz no seu regresso a casa, nas tentações a que tem de resistir, nos obstáculos que tem de ultrapassar. Esta é, verdadeiramente, uma viagem iniciática, uma perfeita alegoria do destino do homem sobre a Terra, do percurso que tem de fazer e das dificuldades que tem de ultrapassar, na sua volta à casa matriz, no retorno à sua origem, e neste regresso volta enriquecido com toda a experiência acumulada numa evolução feita num ambiente em que tem de conquistar, palmo a palmo, o mérito da sua ascensão, tornando-se um ser superior entre a mais alta hierarquia do círculo Divino. É a isto que também se refere a parábola de Jesus sobre o filho pródigo.&lt;br /&gt;O homem, na tradição oculta, é o microcosmo que reflecte o macrocosmo. É a confirmação da lei que nos foi ensinada por Hermes Trismegistus, que para alguns seria a mesma entidade que Thoth, para outros um dos primeiros homens celestes, um dos Manus instrutores dos homens, lei essa que diz que o que está em baixo é como o que está em cima.&lt;br /&gt;Z’ev ben Shimon Halevi dá-nos uma maravilhosa imagem da criação do Homem no seu livro “O Caminho da Kabbalah”. Diz ele o seguinte: “Depois que o Senhor (Adonai, o nome de Deus correspondente a Malkhut) já havia descansado em equilíbrio no sétimo dia de Malkhut, Ele observou que não havia nenhum homem para arar o solo. Isto significa que enquanto a Face superior de Yezirah era inerente à Face inferior de Beriah não havia nada abaixo para formar a Face superior de Asiyyah, simbolizada na palavra «adamah», ou “solo”. Portanto, Deus “plasmou o homem, pó da terra”: isto é, Deus seguiu pela Árvore Yezirática abaixo para “fazer” o mundo de elementos e acção, e “insuflou em suas narinas (neshamet hyim) um sopro de vida”. Aqui está o Homem no Éden, o Jardim daquele Mundo Yezirático que se estende para cima até ao Céu de Beriah e para baixo até à Terra de Asiyyah. Abaixo, a Face inferior de Asiyyah, tornou-se a parte da Terra que estava além da porta do Éden. Quando Adão e Eva caíram e foram forçados a deixar o Éden, foram baixados para essa Face inferior de Asiyyah a fim de vestirem peles de animais, que nós, humanos encarnados, portamos até hoje na forma do corpo físico. Contudo, ainda temos na Face superior de Asiyyah, uma conexão directa com o jardim inferior do Éden, e de vez em quando, em certos momentos de lucidez, entramos nela, mesmo que seja para vislumbrar a sua beleza estranhamente familiar.”&lt;br /&gt;É uma bela descrição feita em termos cabalísticos. Os quatro reinos tocam-se e envolvem-se reciprocamente, nenhum deles é independente dos outros. Assim, o mundo superior, Azilut, que é emanação pura, abrange na sua circunferência o En Sof, Kether, Binah e Hokhmah; o mundo seguinte, Beriah, que é criação, inclui 3 Sefiras de cima, Kether, Binah e Hokhmah mais Gevurah, Hesed e Tiferet; O terceiro mundo, Yezirah, que é formação, envolve as três últimas Sefiras do mundo anterior mais Nezah, Hod e Yesod; por último temos o mundo de Asiyyah, a feitura, que abrange na sua circunferência Tiferet, Nezah, Hod, Yesod e Malkhut. É através de Tiferet, a Beleza, que o autor diz que pudemos por vezes estabelecer uma conexão directa com o jardim do Éden, em certos momentos de lucidez.&lt;br /&gt;O primeiro Homem criado chamou-se Adão, mas este não é o nome de um indivíduo mas sim, o nome do ser criado chamado Homem. Martinés de Pasquallys diz que Adão, no seu primeiro estado de glória, era um verdadeiro émulo do Criador. Sendo um puro espírito, lia como num livro aberto os pensamentos e operações divinas. Diz ainda que Adão viu que era grande o seu poder e conhecia com exactidão todos os seres activos e passivos que habitavam desde a superfície terrestre e o seu centro até ao centro celeste chamado misteriosamente “céu de Saturno”. Diz também que Deus lhe concedeu os mais vastos poderes, ao ponto dele ser o Homem-Deus governando sobre a Terra, até ao dia da prevaricação de Adão, que fez com que fosse condenado a viver no mundo escuro da matéria: “É por isso que o anjo do Senhor diz, conforme rezam as Escrituras: «Expulsemos daqui o homem que teve conhecimento do bem e do mal, que ele poderia alterar-nos nas nossas funções espirituais, e evitemos que ele toque a árvore da vida, e que por este meio viva para todo o sempre.”&lt;br /&gt;A árvore da vida aqui representa o espírito Criador, e viver por este meio para todo o sempre significa viver em função da dualidade, entre o bem e o mal, a que esta expulsão o condenou.&lt;br /&gt;É interessante verificar que o Homem foi criado com todos os atributos divinos, mas que a sua condição posterior é consequência de dois episódios designados como “quedas”: primeiro a queda dos anjos, de Lúcifer, por ter idealizado Eva e, por acréscimo, a separação dos sexos, mas também por ter concedido ao homem o livre arbítrio a partir do qual, ele se sentia livre para agir segundo a sua própria vontade e consciência; a segunda queda é a do próprio Homem, de Adão, a sua expulsão do Éden por ter tido conhecimento do bem e do mal.&lt;br /&gt;Podemos imaginar estas duas “quedas” como autênticas revoluções no processo da Criação, autênticos cataclismos siderais que estavam, como já dissemos, desde o início no pensamento de Deus, pois ambas eram necessárias para que o Homem pudesse cumprir a missão para que fora criado. Fica-nos, no entanto, uma estranha sensação: de que ambas as quedas são uma e a mesma coisa, ou que a última, a do Homem, está intimamente ligada à primeira, porque uma não faz sentido sem a outra. Explicando melhor, o homem não poderia aceder ao conhecimento do bem e do mal, que provocou a sua queda, sem o livre arbítrio, o qual lhe fora concedido em resultado da revolta dos Anjos. A “Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky, abre talvez uma pequena porta para que possamos entender melhor, quando diz: “A Filosofia Esotérica não admite nem o bem nem o mal per si, existindo independentes na natureza. Percebe-se a razão de ser de ambos, no que respeita ao Cosmos, na necessidade dos opostos, dos contrastes, e, relativamente ao homem, em sua natureza humana, em sua ignorância, em suas paixões. Não há demónios ou seres absolutamente pervertidos, como não há anjos absolutamente perfeitos, embora possa haver Espíritos de Luz e Espíritos de Trevas; assim, Lúcifer (O Espírito da Iluminação Intelectual e da Liberdade de Pensamento) é, metaforicamente, o farol que orienta, que ajuda o homem a encontrar o seu caminho por entre os escolhos e os bancos de areia da Vida, pois Lúcifer, no seu aspecto mais elevado, é o Logos, e, no aspecto inferior, é o “Adversário” – aspectos ambos que se reflectem no nosso ego.”&lt;br /&gt;Desde o primeiro alento, o sopro de Deus, a vibração primordial, todo o processo da Criação desaguou nesse ser esplendoroso que contém em si todas as virtudes e potencialidades divinas – o Homem. Por detrás de todas as convulsões físicas da matéria, conseguimos ver a acção dos Poderes espirituais: foram os Arqueus que deram o primeiro impulso, os espíritos do começo; depois vieram os Arcanjos, espíritos do Sol, génios da Luz; em Lúcifer, uma Luz adentrando as Trevas do Abismo, a compaixão pelo Homem; o Homem, o sofrimento e o desejo, a “via-sacra” do seu caminho, os espinhos do crescimento interior; com Cristo, a redenção e a ressurreição, a promessa de um novo Éden, um novo jardim do Paraíso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-1222379116076639306?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/1222379116076639306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=1222379116076639306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/1222379116076639306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/1222379116076639306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_23.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-7480763649984772632</id><published>2009-08-17T22:57:00.001-03:00</published><updated>2009-08-17T22:58:26.447-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>6. A Hipótese de Saturno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Homenagem a ti, Touro de Amentet, o deus Toth rei da eternidade, está comigo. Sou o Grande Deus perto do barco divino, combati por ti. Sou um dos deuses, aqueles chefes divinos, que fazem Osíris sair vitorioso dos seus inimigos no dia da pesagem das palavras.” (Do Livro Egípcio dos Mortos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, após o primeiro impulso da Criação, após a manifestação do Verbo em Luz, o nosso sistema planetário não existia. A Via Láctea era um conjunto de nebulosas indistintas constituídas pela matéria primordial da formação dos mundos (coágulos brancos). De acordo com a antiga ciência oculta que nos chegou através da Índia, a lei das transformações ou do renascimento dos mundos sob formas semelhantes mas sempre novas, após longos sonos cósmicos (noites de Brahma), aplica-se tanto às estrelas como aos planetas, tanto aos deuses como aos homens.&lt;br /&gt;O nosso sistema planetário não passava de uma dessas nebulosas, à qual a tradição antiga chama Saturno. De facto, verificações recentes confirmam que este planeta ainda está num período de contracção, o seu núcleo é ainda pequeno em relação à enorme massa gasosa que o compõe mais os satélites que o circundam, e liberta três vezes mais calor do que aquele que recebe do Sol, quer dizer, está ainda, aparentemente, numa situação por que outrora passaram todos os astros do nosso sistema solar, incluindo a Terra, o que também quer dizer que o actual Saturno é o remanescente de toda aquela nebulosa de onde se criou o nosso sistema planetário.&lt;br /&gt;Esta nebulosa englobava toda a massa que veio a formar mais tarde, por fases, o Sol e os planetas tal e qual os conhecemos hoje. A nebulosa saturnina, essa massa indistinta, não tinha luz mas tinha calor originado pelo conjunto de átomos que a constituía. Não havia nenhum brilho no seu interior, nenhum clarão de luz se soltava da sua imensidão que, supomos, abrangeria a distância que hoje vai do Sol ao Saturno actuais.&lt;br /&gt;No entanto, essa massa não estava em repouso, não jazia adormecida, algo se agitava no seu seio, pois o seu interior era atravessado por arrepios de frio e emanações de calor. O Génesis fala-nos destas convulsões que se verificavam no interior da nebulosa quando diz: “A Terra estava sem forma e vazia; as trevas estavam sobre a superfície do abismo e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas.”&lt;br /&gt;Esta é uma forma alegórica de contar a mesma história. Os Elohim, que na tradição hebraica e no singular é o Criador, mas que seriam os seres criados por Deus antes do tempo no dizer de Martinés de Pasquallys, representavam o Espírito de Deus e pertenciam à mais alta hierarquia dos Poderes.&lt;br /&gt;Cabe aqui fazer um parêntese para explicar o que era esta hierarquia de Poderes. Esta hierarquia existe tanto na teologia cristã, como na tradição hebraica, caldeia ou na tradição hindu, só que nesta última tomam nomes diferentes. Podemos chamar-lhes anjos, inteligências ou energias. Na obra “A Cabala” de Papus encontram-se mapas com a descrição destes Poderes, a sua ordenação hierárquica, a sua correspondência com os nomes de Deus, com as letras do alfabeto hebraico e com as Sefiras da Árvore Sefirótica. Na tradição hindu, estes Elohim chamam-se “Dhyân-Chohans”, e na tradição caldeia, estes seres chamam-se “Asuras” ou “Devas”.&lt;br /&gt;Na tradição hebraica foi Elohim que pronunciou o “Fiat Lux” dando origem a todo o processo da Criação. Isto só se pode compreender porque para esta tradição não é permitido pronunciar o nome de Deus, e então atribui-lhe o nome Elohim no singular, numa alegoria ao Deus supremo. De outro modo não se poderia compreender que os hebreus atribuam o mesmo nome Elohim a outros seres da sua hierarquia, como por exemplo, “Schaddai-Elohim”, “Elohim-Helion”, “Gibor-Elohim” e “Tseobaoth-Elohim”. Da mesma forma, o nome Jeovah aparece associado a vários dos seres que constituem a sua árvore hierárquica. Que nos perdoem os cabalistas, mas é assim que compreendemos a escala mostrada no “Mundo Divino” de R. P. Esprit Sabbathier.&lt;br /&gt;Na tradição cristã, os Elohim têm o nome de Tronos e, segundo ela, eles sacrificaram-se, dando o seu corpo em holocausto para permitirem o nascimento dos Arqueus ou Espíritos do Começo. Este corpo dado assim em sacrifício, não era mais do que calor vital, emanação de amor.&lt;br /&gt;Os Arqueus, também eles uma classe de Elohim, eram seres criados por Deus antes do tempo e eram provenientes de uma evolução cósmica anterior, permanecendo passivos no seio da Divindade. Tomaram novo alento com o sacrifício dos Tronos, recebendo destes a força e o calor vital que os tornava «deuses criadores» numa nova evolução cósmica.&lt;br /&gt;Temos aqui uma questão interessante, a cedência do lugar e energia dos Elohim (Tronos) aos Arqueus, para que estes pudessem agir no processo criativo. Isto quer dizer que a hierarquia desses seres não resulta somente da sua importância ou poder, mas também das suas propriedades e virtudes e existem em função da necessidade. Neste caso, a necessidade do trabalho da Criação obrigou os primeiros a sacrificarem-se em favor dos últimos, para que estes pudessem prosseguir no processo criativo. Por outro lado, estes seres, os Arqueus, diz-se que vinham de uma evolução cósmica anterior e renasceram para uma nova evolução cósmica. Esta evolução cósmica é o que anteriormente referimos como “o dia de Brahma” que, de acordo com a tradição hindu, abrange um período superior a quatro biliões de anos, ao qual precede e se segue um período de duração semelhante chamado “a noite de Brahma”, em que tudo se recolhe sobre si mesmo.&lt;br /&gt;Assim, o Universo renasce ao fim de um longo período de absoluto repouso, e com ele renascem também muitos seres que participaram em Universos anteriores. Se isto acontece com o Universo, como não acreditar que a evolução do homem se faz através de inúmeros renascimentos, ou encarnações? O sistema é o mesmo, o homem reflecte o Universo em si, ele é o microcosmo que repete, como um eco, o que se passa no macrocosmo. Como dizia Thoth, ou Hermes Trismegistus, o que está em baixo é como o que está em cima.&lt;br /&gt;Segundo Édouard Schuré, no seu livro “A Evolução Divina da Esfinge ao Cristo”, era pela acção destes seres, os Arqueus, que se verificavam as emanações de calor no interior da nebulosa saturnina a qual, do mesmo modo que um ser vivo, tinha a sua inspiração e expiração. A inspiração produzia o frio e a expiração o calor. Durante a inspiração os Arqueus penetravam no seu seio; durante a expiração aproximavam-se dos Tronos e bebiam a sua essência. Assim, cada vez mais eles iam tomando consciência de si mesmos, e cada vez mais se desprendiam da massa saturnina. Explicando melhor, a evolução destes seres, os Arqueus, era feita através da sua actividade no interior da nebulosa saturnina e evoluíam junto com ela, depurando-se e despojando-se dos seus elementos inferiores, deixando atrás de si uma fumaça gasosa.&lt;br /&gt;Então, estes seres não eram perfeitos? Não tinham sido eles emanados directamente de Deus e agiam segundo a consciência que Deus lhes imprimira? Não, nenhum ser é perfeito, mesmo que pertença à mais alta hierarquia, pois a perfeição não existe, ela é, ela está em Deus e somente aí. A evolução não é algo individualizado no homem ou na natureza terrestre, não é algo que diga respeito apenas a um mundo específico ou conjunto de mundos. A evolução engloba todo o Universo, todas as coisas e todos os seres. Portanto, a partir do primeiro instante da Criação, tudo está em evolução permanente.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que os Arqueus exerciam a sua tarefa criadora, outros Elohim de segunda hierarquia actuavam na nebulosa por dentro, colocando-a em rotação. Por isso, ao seu redor, a formação de um anel de fumaça gasosa que, rompendo-se mais tarde, devia formar o primeiro planeta, o Saturno actual com o seu anel e os seus oito satélites.&lt;br /&gt;Por esta descrição podemos afirmar que a Criação não é obra de Deus? De modo nenhum pois, estes seres que assim operavam eram eles próprios criados por Deus e agiam de acordo com os seus desígnios. Podemos dizer que a construção de uma catedral é obra de Deus? Claro que sim, embora tenha sido erigida por seres humanos. É assim com todas as coisas, pois nada existe que não seja a expressão da vontade do Criador.&lt;br /&gt;Neste momento, os cépticos, aqueles que não acreditam em nada senão naquilo que os seus sentidos físicos podem experimentar e verificar, talvez sorriam e digam para si mesmos que isto não passa de um exercício de imaginação prodigiosa, e que a formação dos planetas, das estrelas, não foi mais do que obra do acaso associando átomos ao longo de milhões e milhões de anos, de modo a surgirem em matéria concentrada na forma de planetas, estrelas e todo o mundo material que conhecemos. Respeitamos esta sua posição pois, ela faz parte do seu plano evolutivo. Mas nós sabemos que o acaso não existe, que nada acontece por acaso, que há sempre uma causa e um efeito que presidem a qualquer acontecimento. Se isto é assim, se existe sempre uma razão por detrás de qualquer ocorrência, não faz nenhum sentido, para nós, pensarmos que a formação dos sistemas planetários, como o nosso, tenha sido obra do acaso.&lt;br /&gt;A própria teoria de Darwin e dos seus seguidores até aos dias de hoje sobre a evolução das espécies, não desmente isto, até o comprova, pois ela diz que as espécies vão evoluindo e se adaptando em função das condições climáticas e do meio ambiente em que vivem. Ou seja, a causa está nas condições a que têm de se adaptar, o efeito nessa adaptação. Não diz que a evolução é feita ao acaso. No entanto, os defensores desta teoria continuam a defrontar-se com um enigma para o qual ainda não conseguiram obter uma resposta satisfatória: as espécies parecem manter-se no mesmo estado, sem qualquer mutação, durante longos períodos, e de repente, de forma abrupta, sofrem uma mudança. Isto leva a crer que a evolução das espécies não é feita de forma gradual, esta condição parece não existir. O que está verificado são mutações abruptas, repentinas, no sentido em que se realizam num curto período de tempo comparado com aquele em que as espécies não sofrem nenhuma alteração.&lt;br /&gt;Parece que, de repente, as espécies, sejam elas animais ou vegetais, tomam consciência de que precisam mudar. Então começam um processo rápido de adaptação às novas condições. Uma das coisas que nunca entendemos muito bem e que constitui, de certo modo, um mistério, é o caso das pestes que grassaram na Europa durante a Idade Média, quando não havia antibióticos ou penicilina, nem nenhum tipo de medicamento que as combatesse eficazmente. Estas pestes apareciam ás vezes com características extremamente virulentas, devastavam populações inteiras e depois, de repente, desapareciam. Hoje acredita-se que os vírus provocadores dessas pestes ganhavam uma certa forma de consciência de que, se continuassem o processo indefinidamente, se destruíam a si próprios por esgotarem os corpos hospedeiros onde proliferavam, e assim, em determinada altura paravam e remetiam-se a uma forma de letargia até ao dia de reaparecerem no mesmo ou em outro local.&lt;br /&gt;Definitivamente, e considerando apenas a extrema complexidade dos seres mais simples, a Criação não pode ser obra do acaso, assim como o homem também não o é, mas isto veremos mais adiante. Mas para os que tenham dificuldade em aceitar a existência destes seres criados por Deus antes do tempo, os quais tenham sido, realmente, os construtores do Universo ao serviço, bem entendido, do seu Grande Arquitecto, talvez lhes seja mais fácil aceitá-los como formas de energia, controladas e operando pela vontade de Deus na grandiosa obra da Criação. Seja como formas de energia ou sob o aspecto de seres celestiais, com asas ou sem elas, o que é certo é que eles fazem parte do imaginário do homem desde os tempos mais remotos.&lt;br /&gt;Com toda a sua actividade, o grande sonho dos Arqueus era o de criarem um mundo, mas não o podiam fazer na sombria nebulosa de Saturno, que englobava, como já dissemos, toda a matéria de que é formado hoje o nosso sistema planetário. O Sol ainda não existia, não havia luz, e eles precisavam de luz, de luz física, porque sem ela não podiam criar. Eles lembravam-se, ou pressentiam, essa luz criadora de outra evolução cósmica onde tinham também desempenhado o papel para que se sentiam vocacionados – criar! Na sua alma divina, eles não tinham deixado o seio de Deus, eles operavam dentro dele, idealizavam a majestade do Arcanjo, a beleza do Anjo, idealizavam o homem em toda a sua alegria e tristeza. Mas para que esse sonho de criação se concretizasse, eles precisavam de luz, precisavam de um Sol no coração de Saturno.&lt;br /&gt;Neste sonho não concretizado por falta de luz, os Arqueus entorpeceram, porque eles não podiam criar a luz, isto não estava dentro das suas capacidades, embora fossem Elohim de grande poder. Voltaram então os Tronos, que se envolveram como um tufão na noite saturnina. Outros Poderes os ajudaram neste trabalho de condensação de toda aquela massa gasosa que borbulhava entre ondas de frio e calor. Quanto tempo durou esta tarefa? Não conseguimos sequer imaginar, talvez alguns largos milhões de anos. Quando os Arqueus despertaram do seu longo e profundo letargo, acharam-se a flutuar sobre uma esfera de fogo e sob uma coroa de luz etérea, ao redor de um núcleo de fumaça sombria.&lt;br /&gt;O primeiro Sol tinha nascido. O astro inteiro, com o seu centro obscuro e a sua fotosfera, ocupava o espaço que vai do Sol actual ao planeta Júpiter. Os Arqueus eram os seus jovens mestres, os novos deuses que deslizavam sobre um oceano de chamas. Em júbilo, saudaram a luz envolvente. Através dos fluidos véus das ondas luminosas, eles perceberam, pela primeira vez, os Tronos, semelhantes a círculos alados que subiam afastando-se na direcção de um astro longínquo. Este ia diminuindo e se perdendo no infinito, onde os Tronos desapareceram com ele. Então os Arqueus gritaram: “A noite saturnina acabou! Eis-nos vestidos de fogo e reis da luz. Agora podemos criar segundo o nosso desejo, pois o nosso desejo é o pensamento de Deus.”&lt;br /&gt;Para a nossa mente habituada ao mundo material que nos rodeia, há aqui coisas muito estranhas: seres que deslizam sobre um oceano de chamas; seres que se afastam no espaço em direcção a um astro longínquo, que pode ser um planeta ou uma estrela. Esse oceano de chamas devia ter temperaturas elevadíssimas e portanto, não podiam permitir nenhumas condições de vida. Devemos notar que estamos a falar de seres que não têm corpo material, que são seres etéreos ou, se quisermos, que vivem numa dimensão totalmente diferente da nossa. O que entendemos como condições para a vida se manifestar, são aquelas que nós concebemos no nosso plano material. Embora conheçamos a história da salamandra (fénix) que renasce das cinzas, que sobrevive ao fogo, não concebemos a ideia de que, por exemplo, num mar de fogo e chamas que deve ser o Sol, ou num planeta onde as temperaturas extremas sejam muitas vezes superiores às da Terra, ou ainda na ausência de oxigénio e na presença de gases tóxicos, de que a vida possa existir. Naturalmente que não existe, nos moldes e nos padrões da nossa dimensão. Por isso, as várias sondas que têm sido lançadas para o espaço em procura de sinais de vida, não encontraram nada nem encontrarão nunca, enquanto essas sondas forem concebidas por uma tecnologia que está conforme essa ideia, a de que a vida só pode existir pelos nossos padrões.&lt;br /&gt;Por esta tecnologia que desenvolvemos, nós não conseguimos ver os átomos, conseguimos apenas percebê-los. Nós não conseguimos ver nem perceber as partículas mais pequenas que o átomo, conseguimos apenas suspeitar da sua presença, porque em campos experimentais vemos os seus efeitos e o rasto que deixam na sua passagem, por vezes a velocidades superiores à da luz. Nós não sabemos, nem sequer suspeitamos, do que possa haver ainda para lá dessas partículas. Deste modo, podem verificar-se padrões de vida que não encaixam nas nossas concepções e não os conseguimos ver porque estão em campos vibratórios muito diferentes daquelas a que conseguimos até hoje ter acesso. A vida pode ter formas de manifestação que não cabem dentro da nossa imaginação.&lt;br /&gt;Por outro lado, os seres que não são da Terra, mesmo esses seres angélicos que chamamos de Elohim, podem não residir simplesmente no espaço, pois isto seria fazer do nosso planeta o único local habitado de todo o Universo. Eles podem habitar alguns do infindável número de astros que compõem a nossa galáxia, só para falar desta, como as estrelas, os planetas e alguns desses astros estranhos com uma tremenda capacidade de emissão energética chamados quasares.&lt;br /&gt;Para tentarmos compreender a Bíblia e outros textos antigos de uma forma diferente daquela que a sua leitura literal nos conta, em que Deus (humanizado) agiu directamente, temos de abrir a nossa mente e tentar alcançar, nem que seja em sonho, as prodigiosas possibilidades da Criação em se manifestar, como resultado da vontade primeva, do Verbo.&lt;br /&gt;Dizem que em versões mais antigas da Bíblia, a palavra Deus como Ser Criador, aparece no plural: “No princípio, os Deuses criaram o céu e a terra”. Estes Deuses seriam os Elohim, esses seres de fogo, espíritos criadores. No entanto, mesmo nessa altura, já acontecia o drama que tem envolvido a Criação em todos os tempos – a existência de seres sombrios. Os Arqueus perceberam que ao redor da luz etérea que os envolvia, vogavam espíritos elementares assombrando o Sol que nascia. O astro mostrava-se luminoso, mas era rodeado por uma auréola negra – era a primeira demonstração de que a Criação não é possível sem perda, que a luz só existe porque se opõe à sombra, que só temos consciência do bem pelo seu oposto, o mal. É a esta situação que se refere a parte do Génesis quando diz: “E Deus separou a Luz das trevas”.&lt;br /&gt;Que seres elementares e sombrios seriam estes? De onde provinham? Sabemos que seres desta natureza podem ser criados por pensamentos, tornando-se formas-pensamento e agindo independentes do seu criador. Já vimos atrás os perigos que pode acarretar o mau uso da palavra, mas a palavra, antes de ser formulada, é pensamento. Alguém disse um dia que pensar mal ou desejar mal a outra pessoa, é o mesmo que fazer mal a essa pessoa. Através do pensamento nós somos criadores, podemos fazer as coisas acontecer. Os seres elementares assim criados, essas formas-pensamento, podem ser de natureza amorosa como podem ser sombrios e carregados de ódio, conforme o pensamento que os originou. O que acontecia naquela altura e que os Arqueus vislumbraram, é o que acontece hoje ao redor da Terra, esta encontra-se rodeada de seres tenebrosos originados pelo homem, por todo o mal que o homem foi capaz de criar até hoje. Estes seres exercem uma influência poderosa sobre a humanidade, os continentes, as nações, e por isso vemos a cada dia acontecerem as coisas mais inimagináveis.&lt;br /&gt;Os que rodeavam o primeiro Sol não podiam ter sido criados pelos Elohim, nem os Arqueus nem os Tronos os poderiam ter criado, pois eram seres divinos e, por esta condição incapazes de o fazer. Poderiam ser oriundos de uma evolução cósmica anterior mas, o mais provável, era serem originários de algum outro ponto da Via Láctea onde haveria já mundos criados num estágio muito mais avançado do que a Terra, pois esta nem sequer ainda existia.&lt;br /&gt;Helena Blavatsky, na sua “Doutrina Secreta” afirma que os seres elementares das escalas inferiores não podem ascender a escalas superiores senão numa próxima evolução cósmica. Isto pode ser uma explicação para a sua existência à volta do nosso primeiro Sol. Mas a Criação, ainda que instantânea no momento do “Fiat Lux”, é uma obra progressiva, aliás como parece demonstrado acima pelo trabalho dos Arqueus e dos Tronos, e assim, no Universo da altura, já deviam existir outros sistemas planetários com os seus mundos já habitados por seres no seu caminho de evolução e portanto, com capacidade de emitirem pensamentos sombrios. O homem já devia existir em algum lugar do Universo. Será que isto era assim? Talvez, pois parece uma hipótese aceitável.&lt;br /&gt;A esfera do primeiro Sol ia até ao Júpiter actual. Mais do que qualquer dos planetas que sairiam do seu interior, este astro estava vivo. Era constituído por um núcleo tenebroso de fumaça e por uma vasta fotosfera, não de metais em fusão como a do Sol actual, mas de uma matéria mais subtil, de fogo etéreo, límpido e transparente. Um espectador que estivesse colocado em Sírius e observasse o Sol de então, teria visto periodicamente a estrela brilhar e empalidecer, reacender-se e dilatar-se. Os astrónomos têm observado inúmeros fenómenos semelhantes no firmamento. O Sol primitivo respirava, inspirava e expirava regularmente. Enquanto que a inspiração parecia que lhe fazia perder alento, a expiração era uma maravilhosa irradiação de luz que se projectava para o infinito. Esta situação provinha da actividade dos deuses, dos Elohim que reinavam no astro.&lt;br /&gt;Nesta altura, a missão dos Arqueus estava cumprida. Eles eram os espíritos do começo e, como tal, tinham dado início ao nascimento do primeiro Sol do nosso sistema planetário. Chegara a hora deles partirem para outras paragens para poderem gerar outros sois. Mas não partiram abandonando atrás de si tudo quanto tinham iniciado, a obra estava apenas começada e havia que a continuar no contínuo processo da evolução cósmica. Esta tarefa competiria a outros seres, sonhados e concebidos há muito pelos Arqueus, mas apenas, nessa altura, como formas-pensamento. Entre os Elohim, os Arqueus são dos mais poderosos mágicos pois, pela sua força de vontade podem dar vida e personalidade às formas-pensamento. Assim o fizeram, deram forma aos seres que lhes sucederiam na obra que haviam encetado, revestiram-nos de um corpo luminoso, astral, e de uma sensibilidade resplandecente. Então, sob o impulso dos Arqueus, os Arcanjos elevaram-se e tornaram-se os senhores do primeiro Sol.&lt;br /&gt;Havendo uma hierarquia de seres, é natural que cada um desses seres tenha uma função específica para a qual foi criado. É assim que vemos os Tronos substituírem-se aos Arqueus e estes aos Tronos, e depois darem lugar aos Arcanjos. Neste plano, como em qualquer dos planos da Criação, cada ser tem a sua própria tarefa a cumprir. O novo Sol estava criado, havia que o habitar com seres que pudessem fazer com que esse Sol se continuasse a desenvolver.&lt;br /&gt;À medida que se desenvolvia a vida espiritual dos Arcanjos, estes perceberam que na linha do Zodíaco se ia concentrando, num círculo prodigioso, um exército de espíritos sublimes, de formas diversas e majestosas. Eram os Querubins, que vinham concentrar-se em círculo ao redor do mundo solar para a incubação e fecundação dos Arcanjos. Os Querubins, junto com os Serafins, pertencem à mais alta hierarquia de Elohim. Eles são os habitantes do espaço espiritual, os Elohim da harmonia e da força. Vinham de todos os lados, das profundezas da galáxia, organizados em doze grupos. Os Querubins, junto com os Serafins, que são os espíritos do amor, estão mais próximo dos mistérios de Deus do que qualquer outro ser. Este acontecimento, esta reunião de Querubins em doze grupos ao redor do mundo solar, era conhecido dos magos da Caldeia e é a origem dos doze signos do Zodíaco, designação que foi conservada até aos dias de hoje.&lt;br /&gt;Os antigos identificaram cada uma das constelações do Zodíaco com uma categoria de Querubins, e os seus quatro pontos cardeais eram representados pelos caldeus, pelos egípcios e pelos hebreus sob a forma de animais sagrados. Estes animais são o touro, o leão, a águia e o anjo ou o homem. São os quatro animais sagrados representados na Arca da Aliança de Moisés; são os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João; são os quatro animais sagrados do Apocalipse de S. João. A Esfinge egípcia do vale de Gizé resume-os a todos numa única forma, simbolizando a evolução divina e terrestre. A águia foi mais tarde substituída pelo escorpião, não sabemos porquê, uma vez que a águia simboliza a morte e a ressurreição, e o escorpião apenas a morte.&lt;br /&gt;As convulsões deste Sol primevo continuaram, agora sob o impulso da vontade dos Arcanjos, que por sua vez conceberam os Anjos. Dois novos planetas surgiram deste Sol – Júpiter e Marte. Mas a formação da Terra foi precedida de um acontecimento crucial que vem descrito em todas as tradições, nas mais diversas formas, mas cujo significado é o mesmo. Na tradição oculta chamou-se “O Combate do Céu”; para os gregos é o mito de Prometeu, ao qual se liga “O Combate dos Titãs e dos Deuses”; na tradição judaico-cristã foi chamado “A Queda de Lúcifer”.&lt;br /&gt;A Terra só foi formada depois desta “Guerra dos Céus”, que terminou com a queda dos Anjos que se teriam revoltado contra Deus. Por muito que este episódio possa constituir uma alegoria, e não o podemos entender de outra forma, senão teríamos que ver Deus como um comandante supremo de um exército contra quem se teriam revoltado algumas das hostes desse exército, uma coisa do género “A Revolta na Bounty”, corresponde no entanto a algo de muito transcendente que aconteceu entre as hostes celestiais com consequências no processo de criação do Homem, pois esta revolta teve como causa exclusiva a criação do ser humano.&lt;br /&gt;Parece evidente que esta revolta não poderia ser contra Deus, porque Deus não é um ser contra quem, alguém ou algum ser se possa revoltar, mesmo que esse ser pertença a uma classe elevada de Elohim, como os Arcanjos. E não é possível porque tudo está contido no seu seio, nada é exterior a Deus. Assim, entendemos que tenha sido mais o resultado de uma tomada de consciência por parte das hostes que desobedeceram ao plano idealizado, ou seja, ao plano que estava impresso nas suas consciências.&lt;br /&gt;Lúcifer era um Arcanjo, o seu nome significa “Portador da Luz”, e era o Génio do conhecimento e do livre arbítrio. Todos os seres criados até então eram andróginos, sem sexo, uniam em si em perfeita harmonia as duas polaridades, a masculina e a feminina. Lúcifer concluíra que, para criar o homem como ser independente, rebelde e senhor dos seus desejos, era necessário separar os sexos, e moldou, na Luz Astral, a forma deslumbrante da futura mulher, a Eva ideal. Milhões de Anjos e Arcanjos ficaram extasiados com a imagem e, entusiasmados com a ideia, colocaram-se ao lado de Lúcifer. Foi quando toda a restante hierarquia recebeu ordem para o deter, ou seja, foi quando essa restante hierarquia agiu de acordo com o propósito para que fora criada.&lt;br /&gt;Como todos sabemos, e como não poderia ser de outra forma, o combate que se seguiu (se é que chegou a haver algum combate...) terminou com a derrota de Lúcifer e dos seus pares, e a consequente queda num plano inferior, num planeta que ainda não era a Terra actual, mas a Terra primitiva semelhante à Lua.&lt;br /&gt;A Bíblia não nos esclarece acerca deste acontecimento, antes ainda confunde um pouco as coisas pois, mostra-nos no Génesis duas criações sucessivas do homem: primeiro, Deus criou o homem e fê-lo homem e mulher, portanto um ser hermafrodita ou andrógino; depois criou a mulher a partir de uma costela de Adão, aqui a separação dos sexos. Mas estas duas criações não foram feitas pelo mesmo Deus, porque a primeira é referida como tendo sido feita por Deus, a segunda por Javé Deus. De qualquer maneira, entendemos que este acontecimento esteve sempre previsto, desde o primeiro instante, e corresponde a uma evolução natural na corrente da evolução cósmica. Estava, desde o princípio, inserido no plano divino. Se a vida, tal como a conhecemos na Terra, é o objectivo de toda a Criação, portanto da vontade divina, ela não poderia ser concebida na ausência da dualidade representada pelos sexos, pois tudo está feito em função dessas polaridades distintas e opostas. A Cabala fala-nos disso nas duas colunas exteriores da Árvore Sefirótica.&lt;br /&gt;Então a “Guerra dos Céus” não será mais do que uma alegoria a algo que está impresso, desde o princípio, nessa Tela imensa da Duração que é o pensamento de Deus, e que Lúcifer, o Arcanjo caído (ou sacrificado), não é outro senão o Adão primeiro, o Adam Kadmon, que desceu ao mundo da matéria para aí ser o progenitor ancestral do Homem e este, através do seu corpo animal poder percorrer o caminho ascendente que o elevará a uma posição superior em toda a hierarquia dos seres. Mas para que isto pudesse ser feito, o homem precisava de dispor da sua vontade e do livre arbítrio, com os quais pudesse moldar a sua individualidade ao ser obrigado a uma escolha permanente, num mundo potencialmente criado para o bem e para o mal, tudo dependendo da sua vontade.&lt;br /&gt;Édouard Schuré diz a este respeito o seguinte:&lt;br /&gt;“Primeiro despertar do Desejo, do Conhecimento e da Liberdade, a tocha de Lúcifer não se acenderá com todo o seu brilho novamente senão no sol do Amor e da vida divina, em Cristo.&lt;br /&gt;(......) Da elevação do Homem ao estado angélico, devia nascer no fim dos tempos planetários um novo Deus, a individualidade livre e criadora. Mas, antes, era preciso haver uma descida, em sombria espiral, no doloroso laboratório da animalidade! E quem poderia decidir qual sofrerá mais, o Homem, mais humilhado, mais atormentado à medida que toma consciência de si mesmo, ou o Anjo invisível que sofre e luta com ele?.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-7480763649984772632?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/7480763649984772632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=7480763649984772632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/7480763649984772632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/7480763649984772632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_17.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-3188164739132882759</id><published>2009-08-14T01:35:00.001-03:00</published><updated>2009-08-14T01:36:07.955-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>5 – O Tempo&lt;br /&gt;“O Tempo não existia, porque dormia no Seio infinito da Duração” (Da Estância I do Livro de Dzyan – Cosmogénese – A Doutrina Secreta de Helena Blavatsky)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é talvez um dos conceitos mais difíceis de entender, embora, para a mente objectiva, não o seja. Para esta, o tempo é o período durante o qual uma acção ou evento ocorre; é também, uma dimensão representando uma sucessão de tais acções ou eventos. Na nossa civilização, o tempo é um dos elementos fundamentais do mundo físico, tudo é medido e regulado por ele. Existem actualmente três métodos de medição do tempo: os primeiros dois baseiam-se na rotação de Terra sobre o seu eixo, considerando o movimento aparente do Sol através do céu e o movimento aparente das estrelas. O terceiro método baseia-se na revolução da Terra à volta do Sol.&lt;br /&gt;Apesar de ele ser esse elemento fundamental na nossa civilização, o tempo não deixa por isso de ser também uma das coisas mais relativas que existem. Esta relatividade foi teorizada por Einstein e comprovada mais tarde por experiências efectuadas: o tempo encurta ou contrai-se, quando uma pessoa se desloca sobre a Terra no sentido inverso ao do movimento do Sol; deslocando-se no sentido do movimento do Sol, o tempo alonga-se ou dilata-se. As diferenças verificadas são tão ínfimas que só podem ser medidas em microsegundos mas, seja como for, é uma demonstração prática de que o tempo, mesmo visto pelo lado objectivo, não é uma constante.&lt;br /&gt;O tempo nasceu simultaneamente com o início da Criação, pois antes desse primordial alento que colocou tudo em movimento, o tempo não existia. Como diz a tradição antiga, na chamada “Noite do Universo”, o tempo jazia adormecido no seio infinito da Duração, e o Pai Eterno, envolto em suas vestes invisíveis, dormira mais uma vez por sete eternidades. Aqui existem três conceitos que, aparentemente, significam a mesma coisa, mas na verdade são coisas diferentes: o tempo, a duração e a eternidade. Para nós, duração seria o acumular de determinado tempo, e eternidade o tempo infinito, mas parece que não é bem assim.&lt;br /&gt;A duração ou as sete eternidades nesse texto de sabedoria antiga, pertencem ao estado de não-existência, e esse estado não pode ser medido em tempo. O estado de não-existência é a condição em que tudo está vazio, nada existe, é a escuridão absoluta, são as trevas, nada pulsa, tudo está quieto – só que não sabemos o que é este tudo, uma vez que nada existe.&lt;br /&gt;De acordo com essa tradição antiga, o tempo é uma ilusão que se produz pela sucessão dos nossos estados de consciência na nossa viagem através da duração eterna, e só existe onde há consciência, em que esta possa produzir a ilusão. O presente é uma linha matemática que separa a eternidade em duas partes, uma chamamos de passado e outra de futuro, mas trata-se da mesma duração eterna. O futuro e o passado são uma e a mesma realidade, se lhe podemos chamar assim. É o “Eterno Presente” dos místicos. Na nossa consciência, o tempo corre do futuro para o passado porque, à medida que vamos tomando consciência do «vir a ser» (futuro), passamos a ter consciência do «foi» (passado). Isto quer dizer que nem o futuro nem o passado existem, pois são ambos a duração eterna onde tudo permanece imóvel. Eles, o passado e o futuro, assim como o tempo, só existem como uma ilusão que é percebida pelos nossos sentidos.&lt;br /&gt;Já vimos que, objectivamente, a nossa noção de tempo depende do movimento da Terra e das estrelas. Se não houvesse esse movimento teríamos, com certeza, muita dificuldade em contar o tempo. No entanto, como entender que o tempo seja uma ilusão se percebemos a sucessão dos dias e das noites, das horas, das estações do ano, dos anos, dos meses, dos séculos e dos milénios? Não é verdade que estamos já no terceiro milénio? Não é verdade que estamos no ano de 2009 da era cristã? O que fazer de todos os acontecimentos de que temos conhecimento através da História nestes dois mil anos? Como poderemos nós conceber a não existência do tempo se temos consciência de que nascemos, crescemos e morremos, da mesma forma que vemos acontecer em toda a natureza? Na verdade, nada existe que dure eternamente, tudo o que existe está sujeito a mudanças. Aquilo a que chamamos tempo não é mais do que a tomada de consciência dessas mudanças. Toda a existência está em constante e permanente mudança. Nós nunca podemos repetir uma mesma situação por mais perfeita que seja essa repetição porque, quando a repetimos, tudo o que a envolve, incluindo nós mesmos, já mudou.&lt;br /&gt;É bem conhecida aquela velha lei de Lavoisier que diz que, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Ele dizia que depois de uma combustão ou um processo químico, a quantidade de matéria continuava a ser a mesma, mudava apenas de forma. Isto deixou de ser verdade a partir do desenvolvimento da ciência atómica, em que existe perda de matéria quando da desintegração do átomo. Mas no essencial, a lei continua correcta, pois na desintegração do átomo a matéria que se perde é transformada em energia, e esta, mais tarde, poderá voltar a ser matéria. Isto quer dizer que a matéria que existe é permanente, apenas assistimos e tomamos consciência das suas transformações que formam, na nossa consciência, a ilusão do tempo.&lt;br /&gt;Mas se não há criação de matéria nova e se não há perda de matéria, estamos perante um problema que é o de saber como é, de facto, o processo da Criação. Julgamos que está subentendido que este processo é contínuo, é permanente, isto é, que dura desde o início, desde a primeira vibração do Verbo. Não estamos enganados, só que este processo não inclui a criação de matéria nova. Toda a matéria existente no Universo foi criada, ou activada, de uma vez numa dada altura, depois disso nada mais acontece a não ser a transformação permanente dessa matéria.&lt;br /&gt;Voltamos assim à história do “Big Bang” que talvez não esteja tão longe da verdade como muitos podem pensar. Imaginemos que antes do primeiro alento, antes da vontade do Verbo se ter manifestado, tudo já existia, todos os átomos, todas as partículas, tudo mergulhado num sono letárgico onde não se verificava nenhum movimento, nenhuma troca de energia. Isto eram as trevas. Quando a vontade do Verbo se manifestou em Luz, tudo começou de repente a pulsar, a vibrar. O “Fiat Lux” terá sido a ignição que colocou tudo em marcha e foi nessa altura que começou também a acção do tempo, que não é mais do que o registo consciente das transformações que se operam permanentemente.&lt;br /&gt;O Livro de Dzyan diz que o Universo está contido numa tela imensa onde os átomos se contraem e expandem permanentemente, e nessa contracção e expansão fica o registo das mudanças que se vão operando em toda a coisa criada, sendo que a Tela é a Duração Eterna, onde não existe tempo, nem passado nem futuro, apenas o Eterno Presente com todas as transformações operadas.&lt;br /&gt;Evidentemente que temos muita dificuldade em absorver este conceito de tempo. Costumamos dizer que o tempo é uma coisa muito relativa, mas logo alguém nos diz que uma hora tem sempre sessenta minutos. Pois é, mas se não é assim, se o tempo não é uma coisa relativa, vejamos a questão dos sonhos com que todos estamos familiarizados. Muitas vezes temos sonhos muito longos, acordamos com a impressão de termos passado a noite inteira a sonhar mas, se formos ver, e isto já foi testado e confirmado por inúmeras experiências, esses sonhos não duraram mais do que alguns poucos minutos. No entanto, na nossa consciência, eles duraram a noite inteira. Quando estamos a fazer uma coisa que nos agrada muito ou estamos completamente absorvidos numa actividade que nos dá intenso prazer, o tempo parece que se acelera, não damos pela sua passagem. Ao contrário, quando estamos numa situação desagradável ou que nos contraria, o tempo demora uma “eternidade” a passar.&lt;br /&gt;Martinés de Pasquallys, no seu livro “Tratado da Reintegração dos Seres Criados”, diz logo no princípio o seguinte:&lt;br /&gt;“Antes do tempo, emanou Deus seres espirituais, para sua própria glória, na sua dimensão divina. Esses seres deviam exercer um culto que a Divindade lhes fixara em leis, preceitos e mandamentos eternos. Eles eram pois livres e distintos do Criador; e não se pode recusar-lhes o livre arbítrio com o qual foram emanados sem destruir-lhes a faculdade, a propriedade, a virtude espiritual e pessoal que lhes eram necessárias para operar com precisão nos limites em que deviam exercer o seu domínio. Estes primeiros seres não podem negar ou ignorar as convenções que o Criador produziu com eles ao dar-lhes leis, preceitos, mandamentos, pois era tão somente nessas convenções que assentava a sua emanação”.&lt;br /&gt;Há aqui duas questões importantes: uma a do livre arbítrio que foi concedido a esses seres, mas sob determinadas condições, o que por si só, estabelece uma aparente contradição; a outra questão é a de terem sido criados antes do tempo.&lt;br /&gt;Vejamos primeiro a questão do livre arbítrio e a aparente contradição que parece inferir-se das palavras do autor. Todos nós dispomos de livre arbítrio, isto é, podemos agir pelos ditames exclusivos da nossa consciência e não condicionados por qualquer espécie de factor externo. Esta é a verdadeira essência do livre arbítrio, que se traduz para nós, numa extrema dificuldade em o usarmos correctamente, pois dificilmente nos podemos tornar imunes a influências exteriores à nossa consciência. Então, esses seres criados por Deus antes do tempo dispunham, de facto, de livre arbítrio. As leis, os preceitos, os mandamentos a que estavam sujeitos, faziam parte da sua consciência, pois fora com eles que eles foram emanados, e assim podiam agir com pleno uso do livre arbítrio dentro dos limites estabelecidos pela sua consciência.&lt;br /&gt;Antes do tempo quer dizer, em nosso entender, que não estavam sujeitos a nenhuma transformação, a nenhuma mudança. Esses seres foram criados completos, não nasceram de nenhuma mãe, não cresceram, pois isto significaria mudanças e portanto, o tempo também correria para eles. Para tentar compreender isto, socorro-me da tradição hindu, que divide os tempos de existência do Universo em dias e noites de Brahma, os quais contêm vários Mavantaras e estes vários Kalpas, o que tudo somado dá um número astronómico de anos para cada dia de Brahma e o mesmo número de anos para cada noite. Segundo esta tradição, a Criação conheceu vários ciclos, chamados dias de Brahma, e entre estes ciclos existem as noites onde tudo fica, por um incomensurável número de anos, completamente adormecido. Em cada recomeço, em cada novo dia de Brahma, o tempo recomeça a contar. Não nos custa admitir que esses seres criados antes do tempo, o tenham sido em ciclos anteriores, e assim, em relação ao actual, eles tenham permanecido adormecidos no seio da Divindade.&lt;br /&gt;Evidentemente que esses seres não eram seres corpóreos, não pertenciam ao plano da matéria, e só podemos, de facto, falar em existência temporal, entendendo essa existência no plano puramente material. Pois o tempo, embora não exista como coisa criada, ele existe apenas como um conceito, uma regra ou uma lei, ele é um puro produto da concepção humana. O tempo é de natureza material. Não se pode aplicar a outros mundos ou outros planos, que se regem por regras que estão para além do nosso entendimento. Martinés de Pasquallys diz-nos que eles existiam no seio da Divindade, mas sem distinção de acção, de pensamento e de entendimento particular, não podiam agir nem sentir senão pela vontade do seu superior que os continha e no qual tudo se animava.&lt;br /&gt;Já vimos que, apesar de todas estas aparentes restrições, eles dispunham, na verdade, de livre arbítrio, condicionado apenas pela sua consciência a qual, era a consciência de Deus, ou a consciência com que Deus os tinha inseminado. Eles existiam em Deus, quer dizer, agiam e pensavam segundo o pensamento de Deus, eram como que uma extensão do próprio Deus. O autor diz-nos ainda que, esta existência em Deus é de uma necessidade absoluta, pois que é ela que constitui a imensidão da potência divina. Deus não seria o pai e senhor de todas as coisas se não tivesse inata em si uma fonte inesgotável de seres que emana da sua pura vontade e quando lhe apraz. Serão pois, estes seres criados antes do tempo, puras emanações divinas, extensões do próprio Deus – em nosso entender: os «operários» da Criação.&lt;br /&gt;Em relação ao tempo restam-nos ainda duas questões importantes: a primeira tem a ver com a doutrina da reencarnação; a segunda, com a existência dos chamados “arquivos acásicos”.&lt;br /&gt;De forma explícita ou implícita a todo o ensinamento esotérico e a algumas religiões, a nossa evolução faz-se através de um sem número de reencarnações sucessivas, espaçadas, segundo alguns, por uma centena e pouco de anos, dizem outros, de uma forma aleatória. O objectivo das sucessivas reencarnações é o de nos irmos aperfeiçoando até atingirmos um tal grau de perfeição que já não precisemos de voltar à Terra. A evolução, atingido este estágio de perfeição, continua em outro plano, até que possamos de novo nos reintegrar na fonte de onde partimos, no Pai. Se o tempo não existe, ou não passa de uma ilusão criada pelos nossos estados de consciência, se o passado não existe e é apenas uma das partes da duração eterna (a outra é o futuro), como entender essas vidas anteriores que, segundo parece, todos nós tivemos?&lt;br /&gt;Seguindo a mesma linha de raciocínio, existirão porventura os “arquivos acásicos” onde todas as existências e todos os acontecimentos ficam registados, e aos quais alguns de nós têm o dom de os poder consultar, de os acessar?&lt;br /&gt;Estas parecem ser questões de resposta impossível, mas não são, se nos lembrarmos do que se disse atrás sobre a Tela, que é a duração eterna e é constituída por átomos que se contraem e expandem, registando sobre essa Tela todas as mudanças operadas em todas as coisas criadas. Ou seja, não é diferente o que se passa numa única vida ou em várias vidas – é tudo mudança. Não se trata de vidas paralelas, nem de mundos paralelos, como à primeira vista pode parecer. Trata-se de vidas sucessivas diferenciadas no tempo pelos nossos contínuos e sucessivos estados de consciência. A matriz, que é a Tela, não conhece o tempo – ela é a eternidade, o Eterno Presente, nós é que imprimimos a noção de tempo às nossas vidas através da nossa consciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-3188164739132882759?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/3188164739132882759/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=3188164739132882759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3188164739132882759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3188164739132882759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_14.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-4148615592848568300</id><published>2009-08-11T22:46:00.001-03:00</published><updated>2009-08-11T22:48:39.161-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>4 – A Luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As Trevas irradiam a Luz, e a Luz emite um Raio solitário sobre as Águas e dentro das Entranhas da Mãe” (Da Estância III do Livro de Dzyan – Cosmogénese – A Doutrina Secreta de Helena Blavatsky)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta frase que transcrevemos de uma das estrofes do Livro de Dzyan incluído no volume que trata da Cosmogénese (geração do Cosmos) da Doutrina Secreta, faz-nos lembrar, com um pouco de imaginação, a gestação de um ser humano. A luz aqui é o princípio masculino que fecunda as águas que estão dentro da mãe, princípio feminino. Portanto, a Criação dá-se pela união destes dois princípios.&lt;br /&gt;A Luz aparece depois do Verbo se manifestar, é assim uma emanação do Verbo, e encontramo-la em todas as descrições sobre o início da Criação:&lt;br /&gt;·         Para S. João, a Luz resplandeceu nas trevas, e estas não a compreenderam. Esta não compreensão diz-nos que a luz não foi irradiada pelas trevas, mas sim nas trevas, dando a ideia de que a luz era algo de estranho que surgiu no seu interior.&lt;br /&gt;·         No Génesis temos o conhecido “Fiat Lux” que Deus ordenou.&lt;br /&gt;·         Enoch diz que Adoil se partiu em dois e uma grande luz saiu dele.&lt;br /&gt;·         Na tradição hebraica é Elohim que diz para a luz ser feita.&lt;br /&gt;·         O Livro de Dzyan fala num arco luminoso e descreve a luz irradiando das trevas e emitindo um raio solitário nas águas para dentro do Abismo da Mãe.&lt;br /&gt;·         Na Cabala, é um raio que desce do En Sof, atravessa as Sefiras até se fixar em Malkhut, e presumimos que este raio é luminoso.&lt;br /&gt;·         Mesmo no caso do “Big Bang”, pelo que podemos imaginar, deve ter sido seguido por uma luz fulgurante pois, pelo que nós sabemos, existe sempre uma emissão de luz em qualquer tipo de explosão.&lt;br /&gt;A Luz não é, objectivamente, o que nós percebemos através da nossa visão, como as trevas também o não são. O que nós percebemos com os nossos sentidos objectivos é o que os antigos chamavam de “Maya” (Ilusão), e sob este ponto de vista, a luz só existe como contraponto da sombra, porque sem esta não a podíamos perceber. Na tradição rosacruz a luz e as trevas são uma e a mesma coisa, são idênticas entre si, separadas apenas pela nossa mente. O ocultismo oriental ensina que as trevas são a única realidade verdadeira, a base e a raiz da luz, porque sem as trevas a luz não poderia manifestar-se. Diz ainda esta tradição oriental que as trevas são a luz subjectiva e absoluta.&lt;br /&gt;Embora não partilhando inteiramente destes conceitos, compreendemos que a luz e as trevas podem ser uma e a mesma coisa porque ambas estão contidas na unidade que é Deus, e que uma e outra são manifestações de carácter diferente da Vontade Divina, a luz sendo o gerador positivo de todo o movimento que deu origem à Criação, e as trevas a quietude absoluta, a não existência. A Igreja Católica figura as trevas como a residência e origem do mal, por isso chama Trevas ao Diabo (Lúcifer), o qual, no Livro de Job, é chamado de “Filho de Deus”, a estrela resplandecente da manhã. Ele foi o primeiro Arcanjo que emergiu das profundezas do caos e foi chamado de Lux (Lúcifer), o “Filho Luminoso da Manhã”, significando que era a luz da aurora da Criação. A Igreja sacrificou-o ao novo dogma, transformando-o em Satã, porque era mais antigo e de mais elevada categoria que Jeovah e portanto, para entronizar este como o Deus criador, teve que enviar Lúcifer para as profundezas das trevas (inferno). Claro que isto é muito complicado de resolver, até para os teólogos, pois pressupõe a existência de uma hierarquia na qual Jeovah não ocuparia o lugar mais elevado, como o faz supor toda a doutrina católica.&lt;br /&gt;Nas estâncias do livro de Dzyan, a Luz é representada como a Essência Radiante, o Luminoso Ovo, o Radiante Filho do Dois, o OEAOHOO que brilha como o Sol, o Germe que é Aquele, e Aquele é a Luz, a Chama Fria. São tudo formas herméticas de contar uma coisa que, de outro modo, talvez fosse bem difícil de explicar, embora estas também não sejam nada fáceis. Como todos os livros antigos, este também está escrito em forma de metáforas, para que possa ser lido e compreendido por quem possua as “chaves” para o seu entendimento.&lt;br /&gt;Procurando seguir as ideias transmitidas nestas estrofes herméticas, a Criação forma-se a partir do Verbo, vibração primordial no oceano de trevas, que é o não manifestado, o que não se move, mas onde a vida permanece num estado latente e, como diz S. João, a vida manifesta-se pela Luz. A Luz é o Raio omnipresente e espiritual que fecunda o Ovo Divino e convoca a matéria cósmica (coágulos) para que comece a sua série de diferenciações. Os coágulos são a primeira diferenciação, são a matéria a partir da qual tudo se veio a formar, são a origem da Via Láctea e de todas as galáxias. Isto é o que diz o Livro de Dzyan, e aqui aparece um termo importante: diferenciações.&lt;br /&gt;Para podermos compreender como este termo é importante, basta-nos pensar que a Criação se fez a partir do Um, da Unidade, onde tudo estava contido. Só começa a verdadeira obra criadora no momento em que algo se diferencia dessa unidade. A Criação é assim a multiplicidade das coisas, é a diferenciação exponencial. Esta diferenciação é tão perfeita que nada, rigorosamente nada no Universo é igual, não existem cópias.&lt;br /&gt;A Via Láctea, a nossa galáxia, onde o nosso planeta Terra está inserido, possui ainda vastas regiões preenchidas por aqueles coágulos, aquela matéria primordial fecundada pela Luz e de onde se formam as estrelas, os planetas e todos os outros astros. Isto quer dizer que a Criação só terá sido um acto instantâneo no seu início, quando o Ovo Luminoso foi fecundado pelo Raio emitido pela Luz, e que depois disso é um processo contínuo, isto é, que a Criação se faz permanentemente. Planetas, estrelas, asteróides, estão sempre a ser criados, num movimento incessante. E quando uma estrela atinge o seu ocaso e morre, isto também é um acto criador, pois a sua matéria irá ser usada no nascimento de um outro astro.&lt;br /&gt;O nascimento, o crescimento (desenvolvimento), a plenitude, a decadência e o ocaso (morte), é um padrão universal, tudo o que é criado está sujeito a esta lei imutável. Quer dizer, tudo o que é criado e formado, porque a essência da matéria, os átomos, esses não sofrem qualquer espécie de mudança, limitam-se a mudar de composição. Em todo este processo, a luz está sempre presente, porque só através dela é que o movimento se origina. No caso da Terra, é a luz solar que mantém este planeta como um viveiro exuberante de vida.&lt;br /&gt;Um outro aspecto sempre presente na obra da Criação é a dualidade, a existência dos opostos. O Livro de Dzyan diz que “o Pai e a Mãe geram Oeaohoo, o Radiante Filho dos Dois, que passa a ser o imenso Espaço Luminoso e que brilha como o Sol”. O Espaço Luminoso é o Raio que, à primeira vibração da nova Aurora, incidiu sobre as profundezas cósmicas, de onde surgiu diferenciado como Oeaohoo, “o mais jovem” (a nova vida), para se converter no germe de todas as coisas. É o “Homem incorpóreo que traz em si mesmo a Ideia Divina”, é o gerador da Luz e da Vida; é o Resplandecente Dragão da Sabedoria para os orientais; é o Logos, o Verbo do Pensamento Divino para os filósofos gregos; é o Resplandecente “Filho do Sol” a síntese da Sabedoria Universal, que contém em si mesmo os “Sete Exércitos Criadores (Sefiras), sendo assim a essência da Sabedoria manifestada. Mais adiante veremos o significado destes “Sete Exércitos Criadores” que, em termos de Cabala poderão ser as sete Sefiras logo abaixo do primeiro triângulo da Árvore Sefirótica, mas que pode também ter outro sentido.&lt;br /&gt;A Luz não é o início, mas a consequência da primeira vibração. Imaginemos como se terá dado esse início. Tudo está quieto, não existe o menor movimento, não existe tempo nem espaço, tudo está mergulhado em trevas, nada existe. Deus está recolhido em Si mesmo. Ele é o Um. De repente, um sopro, uma pulsação, sacode a quietude – é o Pensamento Divino, é o Verbo. O resultado deste sopro é uma Luz Radiante que fecunda o Ovo virginal (as profundezas cósmicas), o princípio feminino, a base de toda a existência material. Eles são o Dois, o Pai e a Mãe, que geram o Três, o Filho, ou seja, o início da Criação.&lt;br /&gt;A Luz em si é fria, mas produz o Fogo, o qual produz o Calor. A Tela Universal, que é o material primordial da formação dos mundos, a matéria cósmica, é constituída por átomos os quais contém em si calor interno e calor externo. Assim a vida nasce desse calor, que resulta da existência das duas polaridades pois, como sabemos, os átomos contêm essas duas polaridades, além de uma terceira, que é neutra. Veja-se o caso da electricidade, ela própria tem calor porque é energia originada dos átomos, mas para que se manifeste tem de ter as duas polaridades, a positiva e a negativa. Sem estes dois pólos opostos não poderia haver electricidade.&lt;br /&gt;A Luz é assim o Pai, o princípio masculino, o pólo positivo, o raio que vai fecundar o ovo primordial, que é a Mãe, o princípio feminino, o pólo negativo. Os números, o Um, o Dois, o Três, etc., encontramo-los na Árvore Sefirótica da Cabala, que é constituída por dez Sefiras. Aqui temos também o princípio das duas polaridades, a positiva e a negativa, que são equilibradas pela coluna central, entre as duas outras colunas de sentido oposto.&lt;br /&gt;Para Z’ev ben Shimon Halevi, no seu livro “O Caminho da Kabbalah”, a palavra Sefirotes ou Sefiras significa safiras ou luzes cintilantes. Diz ele que da Infinidade sai a vontade do En Sof – temos aqui a primeira vibração. Esta (a vontade) contrai-se, ou, como dizem alguns, concentra-se ou até mesmo irradia, para permitir que o Mundo Manifesto possa emergir do Não Manifesto. A vontade do En Sof, saindo do ocultamento (trevas), é chamada de En Sof Aur, sendo que a Luz – Aur em hebraico – é o símbolo da Vontade. Temos assim que a Vontade Divina é expressa em Luz, ou seja, o Verbo, o som primordial expressou a sua vontade através da Luz.&lt;br /&gt;A primeira Sefira chama-se Kether ou Coroa, é a expressão do Uno, a Unidade Manifesta Perfeita. A luz passa então ao estágio seguinte de manifestação activa, Hokhmah, que é compensada pelo terceiro estágio como manifestação passiva, Binah. Chegamos assim ao número três. Por muitos séculos, estas duas Sefiras depois da Coroa foram chamadas de “O Grande Pai” e “A Grande Mãe”.&lt;br /&gt;Contudo, nada mais poderia suceder se a luz ou o raio vindo do En Sof e depois de cruzar as três primeiras Sefiras, não fosse capaz de ultrapassar o vão, ou intervalo ocupado pela Não-Sefira chamada Daat. Este vão ou intervalo é conhecido como “O Abismo” e é um ponto crucial, que pode reter a luz e evitar que ela continue a sua descida na construção da Árvore (vida), ou seja, na criação da matéria. Este “Abismo” é um dos pontos mais complexos da Cabala e os cabalistas têm muita dificuldade em o definir. Ele é o ponto de cruzamento ou sobreposição entre os diversos mundos. Por exemplo, na construção do homem usando os símbolos da Árvore Sefirótica, a face superior da Asiyyah (feitura) é ao mesmo tempo a face inferior de Yezirah (formação), ou seja, o Daat de Asiyyah é o Yesod de Yezirah, o primeiro é o conhecimento do corpo, o segundo a fundação da psique. Juntos, representam a imagem que o homem faz do seu corpo. O foco Daat-Yesod assim sobrepostos representa o órgão psicobiológico da percepção do homem.&lt;br /&gt;O raio continua a sua descida, ultrapassa Daat e passa por Hesed e Gevurah, mais uma vez a manifestação positiva e negativa, para se firmar em Tiferet, também conhecida por Beleza e que é “A Coisa Chamada, Criada, Formada e Feita”. Mas ainda não há existência como nós a percebemos, continua apenas no Pensamento Divino já totalmente formada e criada. A existência só se verifica bastante mais abaixo, em Malkhut, o Reino, depois do raio passar por mais dois pólos, Nezah e Hod e ter ultrapassado mais um intervalo, neste caso uma Sefira, que é Yesod, também conhecida como Fundação ou Fundamento.&lt;br /&gt;É em Yesod que a imagem começa a existir e dá forma, vida e vontade à materialidade de Malkhut, que é a Sefira que absorve na sua composição de Força, Forma e Consciência a mais densa e a mais rica de todas as combinações da substância Divina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-4148615592848568300?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/4148615592848568300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=4148615592848568300' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4148615592848568300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4148615592848568300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_11.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-6989229123358244812</id><published>2009-08-08T01:38:00.000-03:00</published><updated>2009-08-08T01:40:06.326-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>3 – O Verbo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... a última Vibração da Sétima Eternidade palpita através do Infinito. A Mãe entumece e se expande de dentro para fora, como o Botão de Lótus.” (Da Estância III do Livro de Dzyan – Cosmogénese – “A Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Evangelho de S. João diz-nos que no princípio era o Verbo, que o Verbo estava com Deus, e que o Verbo era Deus. Nesta única frase que, aparentemente se refere a três coisas distintas, mas que não o são – trata-se apenas de três formas diferentes do mesmo princípio – encontramos três conceitos acerca da mesma e única verdade. Por um lado, que no princípio nada mais existia senão o Verbo, pois se no princípio era o Verbo, quer dizer que nada mais havia para além dele; por outro lado, o Verbo estava com Deus, portanto, o Verbo era algo que pertencia a Deus ou que era parte de Deus; por fim, o Verbo é o próprio Deus, ou seja, Deus manifesta-se através do Verbo, que é uma emanação de Si e que é, ao mesmo tempo, Ele próprio.&lt;br /&gt;Nós temos a tendência de associar o termo Verbo a uma emissão de som, à palavra proferida. Talvez não estejamos muito errados, embora uma emissão de som possa ter várias cambiantes, pode ser um som musical, uma palavra ou até um som inaudível aos nossos ouvidos humanos. Para a tradição oculta, cujo conhecimento nos chega através das estrofes do Livro de Dzyan, a emissão de um som ou de uma palavra é algo de muito responsável. A palavra não existe por si, não é independente, ela é formada primeiro no pensamento e só depois é que é proferida. Portanto, a palavra está intimamente associada ao pensamento que a criou.&lt;br /&gt;Pronunciar uma palavra é dar forma sensorial a algo que já existe no plano do pensamento, é evocar esse pensamento e fazê-lo presente. Se a palavra que proferimos é um nome, neste caso estamos a definir um Ser (uma entidade), e o expomos e condenamos, por meio da emissão da palavra (ou Verbo) à influência de potências ocultas.&lt;br /&gt;Nós somos criadores, no verdadeiro sentido do termo, quando pensamos, pois cada pensamento é uma criação não só da nossa mente, como também de tudo aquilo que sentimos e que leva à sua elaboração. Quando o transformamos em palavra passa a ser, para cada um de nós, aquilo que Ele, o Verbo, o converte quando a pronunciamos.&lt;br /&gt;A palavra é a arma mais poderosa que o homem tem tido, desde sempre, à sua disposição, pois só através dela se conseguem mover multidões. Nenhuma guerra, nenhuma revolução é possível, se não houver a palavra a motivar as pessoas e a uni-las num objectivo comum. Nenhuma transformação da humanidade em termos políticos, económicos ou mesmo de educação, foi feita senão pelo uso apropriado da palavra. Por exemplo, há quem diga que o nazismo teve origem na profunda recessão económica que grassava na Alemanha na altura. Isto é em parte verdade, essa recessão económica não fez mais do que colocar o povo alemão em condições receptivas para a propaganda do regime que o levou a cometer as maiores atrocidades, ou seja, as condições económicas tiveram um efeito de amplificação sobre a força das palavras usadas na propaganda.&lt;br /&gt;Assim, a palavra de cada homem é em si uma potência de energia e pode tornar-se, inconscientemente para ele, em bênção ou maldição, dependendo do uso que dela faça. A nossa ignorância acerca das propriedades da ideia e da matéria causa-nos frequentemente problemas sérios, e pode tornar-se fatal para nós. As agências de publicidade sabem isto, talvez de forma inconsciente ou empírica, mas sabem-no, e não há ninguém hoje em dia, nesta sociedade de mercados, que não seja, de alguma maneira, condicionado pelas ideias lançadas por elas. Veja-se o caso do azeite, produto apreciado desde a mais remota antiguidade, que nos anos recentes foi lançado ao ostracismo como prejudicial para a saúde porque era preciso lançar no grande consumo os produtos seus sucedâneos. Isto feito, toda a gente consumindo óleos e margarinas das mais variadas origens, ressuscitaram-se as qualidades do azeite, que afinal até é bom para o colesterol.&lt;br /&gt;Através da palavra nós temos o poder de dispensar saúde ou malefícios de acordo com as influências ocultas, unidas pela Sabedoria Suprema aos seus elementos, isto é, as letras que os compõem e os números correspondentes a essas letras. Isto leva-nos à Cabala que, além da Árvore Sefirótica também possui um alfabeto constituído por 3 letras mães ou matrizes, 7 letras duplas e 12 letras simples. Cada uma das letras possui um significado oculto, é uma potência de energia e, conforme a sua associação, assim podemos retirar os efeitos que desejarmos – a sua combinação produz efeitos mágicos. Isto acontece da mesma forma com o sânscrito, que é também um alfabeto muito antigo, acontecia com o alfabeto egípcio e acontece com todos os alfabetos, mesmo com o que usamos hoje no mundo ocidental.&lt;br /&gt;Nós habituámo-nos, nesta sociedade de hoje transformada no reino da quantidade, a não dar o devido valor às palavras que pronunciamos. Corrompemos o seu sentido, especulamos com elas, para atingirmos objectivos nem sempre os mais correctos. A palavra tornou-se uma mercadoria de uso corrente e a sua aplicação tem-se multiplicado até à infinidade. Os efeitos deste uso indiscriminado e irresponsável não podem deixar de se fazer sentir, e talvez muitos males que afligem a humanidade tenham origem, precisamente, no mau uso que fazemos do seu poder. Cabe aqui lembrar uma das profecias do Papa João XXIII:&lt;br /&gt;“Babilónia tem demasiadas línguas. Quebraste a cadeia, tu o sabes. Sabê-lo-ás até à morte. Línguas diferentes para o sacramento, línguas diferentes para a palavra.&lt;br /&gt;Hoje ela desapareceu.&lt;br /&gt;Retiraste o exorcismo ao sacramento (pela palavra) e viste o rosto de Satanás.&lt;br /&gt;Não basta falar.”&lt;br /&gt;As vogais, por exemplo, são potências ocultas formidáveis. Todos conhecemos ou ouvimos falar que os “mantras” cantados pelos brâmanes e, no geral, pelas religiões orientais, são usados para produzirem determinados efeitos.&lt;br /&gt;O Livro de Dzyan chama ao poder da palavra “a Legião da Voz”, uma referência às entidades ocultas por detrás desse poder. Diz que esta Legião é o protótipo da “Hoste do Logos” ou “Verbo”, o Princípio da Unidade Eterna. Isto é, por outras palavras, a mesma coisa que nos diz o Evangelho de S. João, pois o Verbo é o “UM” manifestado, não eterno na sua presença (porque é uma manifestação de Deus), mas eterno na sua essência (porque é Deus). Diz ainda o Livro de Dzyan que a “Legião da Voz” está relacionada com o som e a linguagem, como efeito e corolário da Causa – o Pensamento Divino. Quando a mente cria e evoca um pensamento, o signo representativo deste existe gravado por si mesmo no campo astral, que é o receptáculo de todas as manifestações da existência. O signo expressa a coisa, quer dizer, a coisa já existe gravada na tela astral e o pensamento apenas a coloca em actividade; a coisa é a virtude oculta do signo, ou seja, o efeito que o pensamento provoca ao despertar a força oculta.&lt;br /&gt;Falando ainda do Evangelho de S. João que, por algum motivo é considerado o mais hermético, podemos afirmar que o Verbo é o Pensamento Divino, a Causa de todas as coisas criadas. Podemos imaginar esse Verbo, emanado do Pensamento Divino, como uma vibração primordial, uma vez que tudo quanto existe é vibração, tudo está em constante movimento, a própria matéria é vibração, pois os átomos que a constituem e lhe dão forma vibram permanentemente. Quando se diz que a matéria é vibração, evidentemente que não estamos a falar de como ela se apresenta aos nossos olhos físicos, porque aí não conseguimos observar nenhuma espécie de movimento, estamos a falar da sua constituição interna que é feita de átomos e outras partículas.&lt;br /&gt;É notável que a ciência ainda não tenha chegado a nenhuma definição concreta sobre o comportamento dos átomos. A Física Quântica também não o conseguiu fazer, diz apenas que o comportamento é uma coisa como nunca se viu, querendo com isto dizer que transcende todas as leis da física conhecidas e testadas. Quanto ao sistema de um átomo, formado por um núcleo e rodeado de electrões, como se fosse um sistema planetário, os electrões não giram à volta do núcleo como os planetas à volta do Sol. Parecem antes movimentar-se em ondas e não é possível saber-se a posição de um electrão num determinado e exacto momento. Por outro lado, a matéria vista em termos atómicos é um imenso vazio, pois os componentes dos seus átomos encontram-se a enormes distâncias entre si. Se fosse possível aumentar o tamanho do núcleo de um átomo para 1 milímetro de diâmetro, os seus electrões estariam a 100 metros de distância. Por isso, o mundo atómico é um imenso e escuro vazio. Um átomo é tão pequeno que uma simples gota de água contém milhões de milhões de milhões de átomos.&lt;br /&gt;Apesar deste imenso vazio, uma força extremamente poderosa os mantém unidos e permite formar todas as coisas a que chamamos matéria. Os electrões estão em permanente movimento, seja sob a forma de ondas ou de outra qualquer, originando o que chamamos de vibração, que abrange todo o Universo.&lt;br /&gt;O Livro de Dzyan diz-nos, acerca do “Despertar do Cosmos”, que uma vibração freme através do infinito, tocando o Universo inteiro e o germe latente nas trevas. Estas, as trevas, ao serem tocadas por essa vibração primordial, irradiam luz, e esta luz vai originar o nascimento do Cosmos.&lt;br /&gt;Dito de outra maneira, isto é o mesmo que encontramos no Evangelho de S. João, no Génesis, na tradição hindu e na tradição hebraica dos ensinamentos da Cabala, cuja Árvore Sefirótica nos mostra a Criação como o resultado das emanações divinas. Um raio (supomos de luz), vindo de cima, do En Sof (o mundo não manifestado), atravessa todas as Sefiras até se condensar na matéria (Malkhut), que é a Sefira mais inferior e corresponde ao mundo plenamente manifestado, ou seja, à existência da matéria. É interessante verificar que o outro nome de Malkhut é Reino, e isto pode muito bem querer dizer que, apesar de colocado no último grau da escala descendente, ele é o cume atingido por todo o processo da Criação – a obra final de Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-6989229123358244812?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/6989229123358244812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=6989229123358244812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/6989229123358244812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/6989229123358244812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_08.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-7439943793126635884</id><published>2009-08-06T02:11:00.000-03:00</published><updated>2009-08-06T02:12:26.034-03:00</updated><title type='text'>O Cosmos, o Homem e a Evolução</title><content type='html'>2 – As Fontes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ (...) Onde estava o silêncio? Onde os ouvidos para percebê-lo? Não; não havia Silêncio nem Som: nada, a não ser o Incessante Alento Eterno, para si mesmo ignoto.” (Da Estância II do Livro de Dzyan sobre Evolução Cósmica. In “A Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que mais tem preocupado o homem de quase todos os tempos, é saber qual a sua origem, como foi criado, de onde vem, para onde vai, saber afinal qual o sentido da vida. Por acréscimo, e porque o homem tem a noção de que uma coisa não poderia existir sem a outra, também deseja saber o que é o Universo, qual a sua origem e como se deu, no seu conjunto, a Criação. Como veremos mais adiante, o homem nem sempre se terá preocupado com estas questões porque, nas suas primeiras existências sobre a Terra tinha esse conhecimento, estava em contacto com os «deuses», participava da Criação de uma forma integral. Terá perdido esta condição de comunhão íntima com os «deuses» quando se deu aquilo a que se convencionou chamar “A Queda”. Veremos também o que nos parece o que terá sido essa “Queda”, como terá acontecido e porquê.&lt;br /&gt;Para a abordagem de um assunto desta natureza, a ciência actual, apesar das suas formidáveis conquistas no campo das experiências materiais, não nos diz quase nada, limita-se a desenvolver algumas poucas teorias que se vão desmentindo a si mesmas à medida em que novas descobertas vão sendo feitas ou novas teorias aparecem, pondo em causa as anteriores. Na verdade, a ciência anda um pouco perdida, porque há lacunas que não consegue cobrir e há coisas que não consegue demonstrar nem explicar. É um caso paradigmático aquele em que os astrónomos modernos atribuíram, «definitivamente», determinada antiguidade ao Universo contada em biliões de anos. Pouco depois, outros cientistas chegaram à conclusão de que alguns fósseis encontrados na Terra, depois de analisados ao carbono 14, mostravam ser mais antigos em idade do que o próprio Universo, o que, naturalmente, constituía uma impossibilidade, porque a Terra não podia existir sem o Universo. Ou o teste do carbono 14 estava errado ou os astrónomos tinham-se enganado no cálculo que haviam feito.&lt;br /&gt;O homem não é um ser puramente material, o homem é bem mais do que o corpo que lhe serve de invólucro na sua vida na Terra. Neste pressuposto, também todo o Universo não deve ser encarado e analisado apenas pelo ponto de vista material. A ciência oficial não nos oferece nada de conclusivo acerca da Criação, nem o poderia fazer pois limita-se aos aspectos materiais e não considera que possa haver outros. Assim, preferimos recorrer às fontes antigas, textos e tradições que nos chegaram até hoje e cuja linguagem cifrada continua a constituir um verdadeiro quebra-cabeças, um teste à nossa capacidade e habilidade de os entender.&lt;br /&gt;Ao recorrermos às fontes antigas, estamos bem cientes de que elas podem ter sido voluntária ou involuntariamente adulteradas ao longo do tempo. Voluntariamente para se adaptarem à vontade dos poderes terrenos e de certas religiões, involuntariamente porque sabemos que “quem conta um conto acrescenta um ponto”, isto é, que dificilmente alguém consegue transmitir algo que recebeu na sua pureza original. Apesar dos eventuais erros que elas contenham, são elas, basicamente, que nos vão servir de guia neste trabalho. Vamos também recorrer à tradição esotérica, que não se encontra em nenhum manual, mas se acha espalhada por um grande número de obras escritas.&lt;br /&gt;A primeira fonte de que dispomos é a Bíblia. Ela é composta por dois grandes livros, o Antigo e o Novo Testamento. Isto significa, em nosso entender, que este último, o Novo Testamento, veio para substituir o Antigo, mas parece que não foi assim, pelo menos dentro do cristianismo, que continua a considerar os dois.&lt;br /&gt;No Evangelho de S. João, um dos quatro Evangelhos que faz parte do Novo Testamento, diz-nos logo no início que no princípio era o Verbo, que este estava com Deus e que Deus era o Verbo. Algumas edições actuais da Bíblia substituíram o Verbo por “Palavra”, o que é um erro grave pois o Verbo não é a Palavra, é bem mais do que isso.&lt;br /&gt;O primeiro conjunto de livros do Antigo Testamento, é chamado de Pentateuco, porque eles são cinco e foram, hipoteticamente, escritos por Moisés. Mas Moisés, se é que existiu, não deve ter escrito coisa nenhuma, pois para alguns pesquisadores a sua história foi decalcada da história de Sargão I, rei da Acádia, na Baixa Mesopotâmia, que terá vivido uns duzentos a trezentos anos antes da presumida existência de Moisés.&lt;br /&gt;O primeiro livro, o Génesis, diz que Deus criou o mundo em seis dias, e ao sétimo descansou: “No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas estavam sobre a face do abismo e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. Deus disse: «faça-se luz», e fez-se luz. Deus viu que a luz era boa. Deus separou a luz das trevas: à luz chamou «dia» e às trevas chamou «noite». Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia.” O dia aqui não significa o dia terreno de vinte e quatro horas. O dia refere-se a um período mais ou menos longo, de alguns milhões de anos, senão mais.&lt;br /&gt;Um dos personagens mais misteriosos da Bíblia chama-se Enoch, pois não se sabe exactamente quem foi. A confusão é estabelecida no Génesis: nos versículos 4-17-18, ele é filho de Caim e pai de Irad; nos versículos 5-18-21, ele é filho de Jared e pai de Matusalém; no versículo 5-24 diz que ele andava com Deus e desapareceu, porque Deus o arrebatou. Este último repete-se no Novo Testamento, na carta de S. Paulo aos Hebreus, 11-5. Ou se trata de duas figuras diferentes ou é a mesma, e então a própria Bíblia se contradiz. Presume-se que ele tenha escrito um livro, chamado precisamente "O Livro de Enoch”, considerado apócrifo, o que quer dizer que foi rejeitado de fazer parte da Bíblia. Parece que a sua versão mais antiga é em língua semita etíope, mas há outras versões em aramaico e hebreu que se diz serem as verdadeiras, parte das quais foram encontradas nas ruínas de Qumrã e portanto, terão pertencido aos essénios. Ora estas últimas terão sido escritas entre o século 1º e 2º antes de Cristo e não se sabe quem as escreveu, não foi de certeza o Enoch referido no Génesis.&lt;br /&gt;Seja como for, este livro de autoria misteriosa é dividido em sete partes e inclui muito do que diz o Génesis, numa forma diferente, sendo uma das partes o que podemos chamar de apocalíptica, um prenúncio do que mais tarde viria a ser o Apocalipse de S. João. Enoch descreve-nos como Deus lhe conta como fez a Criação: “Nas partes mais baixas, ordenei que as coisas visíveis descessem do invisível, e Adoil desceu muito grande, olhei-o e ele tinha um ventre de grande luz. E eu disse-lhe: parte-te, Adoil, e deixa que o visível saia de ti. E ele partiu-se e uma grande luz saiu dele. E eu estava em meio à grande luz; e como a luz se faz da luz, nasceu uma grande era, e mostrou toda a criação, que eu havia pensado em criar. E eu vi que era bom.”&lt;br /&gt;Existe um livro muito antigo, considerado o mais antigo dos livros, do qual teria sido transcrito o mais antigo documento hebreu referente à sabedoria oculta, o Siphrah Dzeniouta. Esse livro, de que parece existir apenas um único exemplar, não se sabe onde, chama-se “O Livro de Dzyan”, está escrito em forma de estâncias e contém algumas vinhetas. Numa dessas vinhetas, mostra a “Essência Divina emanando de Adão (Anthropos), à maneira de um arco luminoso que passa a formar um círculo e, depois de chegar ao ponto superior da sua circunferência, a “Glória Inefável” retrocede e volta à Terra, levando no seu vórtice um tipo de humanidade superior. À medida em que mais se aproxima do nosso planeta, a emanação faz-se mais densa e escura até que, ao tocar a Terra, é negra como a noite.&lt;br /&gt;O “Rig Veda” hindu, o livro mais sagrado da Índia, fala-nos assim de como terá sido o início de todas as coisas:&lt;br /&gt;“Não existe nada: nem o claro céu,&lt;br /&gt;Nem ao alto a imensa abóbada celeste.&lt;br /&gt;O que tudo encerrava, tudo abrigava,&lt;br /&gt;E tudo encobria, que era? Era das águas&lt;br /&gt;O abismo insondável? Não existia a morte,&lt;br /&gt;Mas nada havia imortal. E separação&lt;br /&gt;Também não existia entre a noite e o dia.&lt;br /&gt;Só o UNO respirava em SI mesmo e sem ar:&lt;br /&gt;Não existia nada, senão ELE. E ali&lt;br /&gt;Reinavam as trevas, tudo se escondia&lt;br /&gt;Na escuridão profunda: oceano sem luz.&lt;br /&gt;O germe, que dormitava em seu casulo,&lt;br /&gt;Desperta ao influxo do ardente calor&lt;br /&gt;E faz então brotar a Natureza una.”&lt;br /&gt;O Siphrah Dzeniouta que, como dissemos acima talvez seja o documento hebreu mais antigo, chama o Criador de Elohim: “No começo (Bereschit), Elohim criou o céu e a terra. E Elohim disse: que a luz seja feita, e a luz foi feita. E Elohim viu que a luz era boa.”&lt;br /&gt;A Cabala (ou Kabbalah) mostra-nos a Criação através da Árvore Sefirótica, também conhecida como Árvore da Vida, explicando que o mundo manifesto emerge do mundo não manifesto. Para a Cabala, a Criação é o resultado da emanação divina através das várias Sefiras, vindo do En Sof, o mundo não manifesto, descendo até se fixar em Malkhut, o mundo manifestado na matéria. No dizer dos cabalistas, Deus não existe. Deus é! Deus está para além da existência. Deus está para além de qualquer ideia que possamos formar na nossa mente e, desta forma, evita-se a tentação de representar Deus como algo semelhante a nós, ou que nos seja familiar. Deus é “Ayin”, que quer dizer “Coisa Alguma”. A Criação acontece quando “Alguma Coisa” surge no meio da infinitude do En Sof para uma realidade não manifesta, oculta em total imobilidade e silêncio absoluto. Para alguns cabalistas, este é o “Lugar Sem Fim”. Desse lugar sai a vontade do En Sof, que se contrai, concentra ou irradia, para permitir que o mundo manifesto emirja do não manifesto.&lt;br /&gt;Poderíamos continuar a consulta de fontes antigas, como por exemplo as cosmogonias caldeias e chinesas, ou as lendas incas, ou ainda as lendas celtas. Todas elas nos diriam mais ou menos a mesma coisa, ainda que por outras palavras e com outros nomes. Mas isso poderia tornar-se fastidioso. Resta-nos a posição da ciência oficial dos nossos dias. Para esta, tudo teria tido início num chamado “Big Bang”, isto é, toda a matéria contida no Universo estaria contraída num ponto minúsculo, ponto este que teria o peso incomensurável de toda a matéria existente no Universo, que em determinada altura, não se sabe bem porquê, teria explodido e iniciado um movimento de expansão, formando gradualmente todas as galáxias com o seu incontável número de estrelas, planetas e outros astros.&lt;br /&gt;Por incrível que pareça, esta teoria do “Big Bang” baseada apenas em pressupostos de natureza material, confirma no essencial o que toda a tradição antiga nos diz sobre o momento primeiro da Criação – que tudo terá começado em determinada altura, num determinado ponto. No entanto, ninguém explica onde estaria contido esse ponto minúsculo que explodiu, porque esse ponto, considerando que o fenómeno teve apenas uma origem material, com um peso e submetido a uma pressão que não podemos sequer imaginar, teria que estar em algum lugar. A matéria já existia, concentrada nesse ponto. A não ser que a explicação seja outra, que não havia matéria, que não havia nenhum ponto minúsculo, que não havia nada “nesta dimensão” e, simplesmente, a Criação se deu através dessa famosa explosão, que aconteceu de forma repentina, num ponto qualquer do espaço, ponto esse que não existia antes e num espaço que também não existia, pois só passou a existir depois da explosão.&lt;br /&gt;Confuso? Talvez, mas é precisamente isto que os textos mais antigos nos dizem, aos quais a teoria do “Big Bang” não veio acrescentar nada, pretende apenas explicar as coisas sob o ponto de vista exclusivamente material.&lt;br /&gt;Hoje fala-se muito de “buracos negros” no espaço, com uma tão grande capacidade de atracção que podem atrair tudo a si, até a própria luz. Mas esta questão dos “buracos negros”, ao contrário do que toda a ciência reivindica, começou por ser apenas uma teoria antes de ser demonstrada na prática, ou seja, que a ciência lançou a teoria sem a poder demonstrar experimentalmente ou por registos fidedignos. Esta teoria baseia-se na teoria da relatividade de Einstein e foi desenvolvida em 1916 por dois astrónomos alemães. Somente em 1994, através de um telescópio lançado para o espaço, o Hubble, os astrónomos puderam suspeitar, apenas suspeitar, a primeira evidência de um “buraco negro”. Sendo assim, e se eles existem, porque não pensarmos que a Criação se tenha dado através de um “buraco negro invertido? Quero dizer, em vez de atrair toda a matéria, luz, radiação, de cá para lá, o teria feito de lá para cá. Penso que seja uma hipótese muito fraca, porque não vejo bem como um “buraco negro”, se é que existe mesmo, pudesse criar outros “”buracos negros” em sentido contrário como aqueles que, aparentemente, existem no Cosmos. No entanto... a hipótese do “buraco negro” faz lembrar as trevas de onde se terá dado a ignição inicial, de onde se fez luz.&lt;br /&gt;A existência das trevas antes do primeiro momento de tudo coloca para mim uma outra questão. Todos os rosacruzes conhecem uma frase que diz mais ou menos isto: “...a luz não veio das trevas, porque as trevas não podem dar origem a coisa alguma.”&lt;br /&gt;Esta frase encerra um ensinamento muito profundo, pois as trevas correspondem ao “não-ser”, à não existência, ao nada. As trevas não podem conter a luz, porque elas não contêm nada e portanto, também não podem originar nada. A luz ter-se-á originado nas trevas e não das trevas. Isto faz-nos lembrar de novo a Árvore Sefirótica da Cabala e a região acima da primeira Sefira, a Kether, chamada de En Sof, a “Coisa Alguma” de onde terá saído a vontade para as emanações. Seja em que ponto for que nos coloquemos nessa Árvore Sefirótica, nós só podemos ter consciência do que é manifestado, portanto, das emanações. O que se passa para além dessas emanações é para nós completamente desconhecido, são as trevas no sentido em que não conseguimos conceber na nossa mente nenhuma espécie de fenómeno. É o absoluto desconhecido, por isso, para nós, são as trevas, o que não quer dizer que sejam de facto trevas.&lt;br /&gt;Embora confirmando, de certo modo, o que a tradição antiga nos diz sobre como se terá dado a Criação, a ciência de hoje não nos esclarece de forma convincente sobre o assunto, limitando-se a estabelecer algumas teorias e deixando no ar algumas lacunas muito difíceis de preencher. No que se refere ao homem, naturalmente que descartamos completamente a teoria de Darwin da evolução das espécies porque, como veremos adiante, o homem não é uma das muitas espécies criadas, mas sim, um ser totalmente diferente, constituindo ele próprio um reino à parte entre os reinos da natureza.&lt;br /&gt;Independentemente de certos erros cometidos no passado por motivos de ordem religiosa, em que princípios do conhecimento fundamental foram completamente adulterados para transformar o homem no centro de toda a Criação, que de facto o é, mas não no sentido que deu origem a essas aberrações, à completa deturpação das leis e princípios universais, a ciência tem vindo a confirmar ao longo do tempo tudo o que os antigos sabiam. Exemplificando, os gregos conheciam e desenvolveram teorias acerca do átomo e da energia electromagnética. Como sabemos, isto só veio a ser comprovado nos últimos dois séculos. Os signos do Zodíaco eram do conhecimento dos egípcios, dos caldeus, dos hebreus e dos hindus, o que demonstra que eles conheciam as leis de gravitação e o movimento dos astros.&lt;br /&gt;Socorrendo-nos dos textos antigos, da tradição oculta, podemos talvez aí encontrar certas “chaves” que nos forneçam alguma luz sobre como se terá formado a Criação e saber quem é o homem e como ele apareceu e tem evoluído ao longo das eras, desde o princípio, e esperar, que um dia destes, a ciência venha confirmar alguns dos conceitos que, à partida, nos podem parecer inverosímeis.&lt;br /&gt;Esta compreensão, se alguma vez a chegarmos a atingir, talvez nunca a consigamos exprimir inteiramente pois, como todo o conhecimento verdadeiro, ela reside no entendimento interior de cada um. Mais do que um processo intelectual, trata-se de conseguirmos integrar dentro de nós o significado e a simbologia que nos chega desde os tempos mais remotos.&lt;br /&gt;Isto faz com que cada um crie dentro de si uma concepção individual acerca da Criação e de como tudo se formou, e nenhuma destas concepções individuais é menos verdadeira que as outras, pode ser apenas que alguns consigam ir um pouco mais longe que outros, mas a essência é a mesma. Como tudo o que existe sobre a Terra, nenhum homem é igual a outro homem, em todos os aspectos um homem é um universo único, e por isso, as suas concepções acerca seja do que for, são também concepções únicas. Existe uma verdade única que está para além da nossa capacidade de entendimento, essa verdade é aquilo que cada homem procura dentro da sua verdade, que não é igual a nenhuma outra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-7439943793126635884?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/7439943793126635884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=7439943793126635884' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/7439943793126635884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/7439943793126635884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao_06.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. 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Mas nesse momento, aconteceu uma coisa mais misteriosa ainda: a de que o homem tinha tomado consciência de que havia coisas que não era capaz de compreender. Este foi um passo gigantesco na evolução do ser chamado homem. A partir dessa altura passou a considerar “mistério” todo o acontecimento que sucedia fora do seu controle, ultrapassava o seu entendimento e cuja origem lhe era totalmente desconhecida.&lt;br /&gt;Creio que nos primeiros tempos, quando o homem começou a caminhar sobre a Terra, esses “mistérios” que hoje têm explicações bem simples seriam o vento, que o enchia de frio e o enregelava, ou o refrescava nos dias de calor, ou ainda lhe destruía os abrigos e arrancava as árvores quando soprava forte demais; seria a chuva que caía dos céus e o encharcava, lhe inundava a caverna; seria o trovão que ribombava com grande estrondo, assustando-o, fazendo-o encolher-se de medo; seria o fogo que acompanhava o trovão, atravessava as nuvens num relâmpago ofuscante e caía na terra, às vezes queimando árvores e outra vegetação próxima, às vezes matando gente e animais.&lt;br /&gt;Estes seriam os “mistérios” daquele tempo com que o homem, ainda mal consciente de si e do meio ambiente que o rodeava, tinha que se defrontar no dia a dia difícil da sobrevivência. Mas havia mais, eles foram crescendo em número e variedade à medida que o homem foi ganhando cada vez mais consciência. Havia a sucessão dos dias e das noites; o despontar da luz na aurora que o enchia de coragem e contentamento; o percurso poderoso do Sol na abóbada celeste, que lhe reflectia a sombra, a qual também era para ele um “mistério”; o crepúsculo que o atemorizava e lhe anunciava os terrores que o acompanhavam durante as noites; havia ainda a alternância das estações, o calor do Verão e o frio e as neves do Inverno.&lt;br /&gt;Tudo isto e talvez mais algumas coisas, como por exemplo as fases da Lua, devia ocupar uma parcela importante das preocupações do homem daqueles tempos remotos. De capacidades mentais ainda reduzidas, este ser nascente para a tomada de consciência das coisas não conseguia encontrar uma explicação satisfatória que o sossegasse, mas também não podia ocupar muito tempo com isso, que as árduas condições de vida na altura lhe exigiam todo o seu esforço e atenção. Então, começou a atribuir a todos estes fenómenos uma origem mágica, ainda não uma origem divina, porque nessa época, ainda não tinha concebido o conceito de divindade. Para ele, todos estes fenómenos eram criados pela magia dos seres que ele não via, forças que ele desconhecia e temia.&lt;br /&gt;Quando aprendeu a fazer o fogo incendiando pequenas hastes secas pela fricção de duas lascas de sílex, verificou que podia, a partir dali, dispor dele sempre que quisesse, não tinha mais necessidade de o aproveitar quando caía do céu e fazia arder uma árvore próxima, descobrindo desta maneira o seu enorme poder de destruição mas também que podia ser uma protecção eficaz contra os animais ferozes, além do seu calor o poder aquecer nas noites frias. O fogo passou então a constituir a sua primeira divindade, o seu primeiro objecto de adoração. Apesar de o poder produzir pelas suas próprias mãos, o fogo era algo de muito misterioso que o homem não conseguia compreender (ainda hoje existe uma certa dificuldade...) e assim, esta primeira divindade alojou-se por longo tempo no seu íntimo como um grande “mistério”.&lt;br /&gt;À medida em que o homem foi crescendo em consciência e capacidade de entendimento das coisas, todos estes mistérios iniciais, ou quase todos, foram sendo resolvidos. Encontrou algumas explicações para a maioria deles, que passaram a ser menos temidos. Contudo, um certo temor manteve-se no seu íntimo pois, apesar de compreendidos não deixaram de continuar a ser uma ameaça constante à segurança de pessoas e bens, e no fundo, o “mistério” permanecia. Este temor interior do qual a razão se envergonha, sobreviveu até aos dias de hoje, pois todos sabemos que, no início deste milénio e no auge desta poderosa e científica civilização, o homem continua a temer as forças da natureza, manifestem-se elas por tempestades ou convulsões telúricas. Sabe como e porque elas se desencadeiam, mas não se podem controlar.&lt;br /&gt;Entretanto, o homem foi crescendo, foi tomando cada vez mais conhecimento das coisas, outros “mistérios” vieram ocupar o lugar dos antigos, sobrepondo-se às simples questões do meio envolvente e abrangendo um mais vasto e profundo equacionar de preocupações que o homem actual passou a considerar essenciais e que são, afinal, os “mistérios” de hoje. O homem tem passado o tempo a tentar eliminar os mistérios que encobrem a sua existência mas, de cada vez que consegue reduzir um deles a uma equação matemática ou a uma teoria filosófica, outros surgem, desafiando as suas capacidades, como no mito grego da hidra de nove cabeças, em que cada vez que se cortava um delas, duas outras nasciam no seu lugar.&lt;br /&gt;Estes mistérios são tão importantes para o homem que são a origem e a razão de ser de todas as religiões que existiram e que existem, escondem-se por detrás de todas as filosofias e sustentam todas as organizações místicas, secretas ou iniciáticas. São o alimento de toda a busca do homem, mesmo que não o saiba ou disso não tenha consciência, ao encontro de si mesmo. E quando alguém afirma que o seu objectivo pessoal é atingir o conhecimento (leia-se iluminação), esse objectivo não é outro senão a tentativa de desvendar esses “mistérios”, presumindo-se que aquele que atinge o estado de iluminado passa a dispor de todo o conhecimento e tudo deixa de constituir mistério para ele. Não duvidamos que isto seja verdade mas, desafortunadamente para o homem, quer pelo seu estado evolutivo ainda embrionário, quer pelos apegos que o dominam, são muito raros os seres que, na história da humanidade terão atingido esse estado.&lt;br /&gt;Os “mistérios” que o homem tanto tem procurado desvendar e tanto tem ocultado de outros homens, isto é, ao mesmo tempo que busca esses segredos os oculta dos outros, quando se acha possuidor de certas “chaves” que poderiam abrir as portas da revelação, são todas aquelas questões que o homem coloca a si mesmo, as perguntas que residem no seu íntimo e para as quais tem procurado sempre as respostas. Estas perguntas podem ser assim resumidas:&lt;br /&gt;O que é a vida?&lt;br /&gt;O que é e como surgiu a Criação?&lt;br /&gt;Qual a origem do homem e qual a razão de ser da sua existência?&lt;br /&gt;Deus existe?&lt;br /&gt;O que fazemos aqui na Terra?&lt;br /&gt;Naturalmente que estas perguntas podem ser colocadas de outra maneira ou abranger outros aspectos, mas seja como for que se coloquem, o fundo das questões é sempre o mesmo, que é o de saber o que é que, na verdade, nós, seres humanos, somos e o que fazemos aqui; o que é o universo e como foi criado. À falta de melhor, guiando-se literalmente por palavras de textos antigos que dizem que o homem foi criado à semelhança de Deus, o homem tem-se entretido a antropomorfizar Deus na assunção de que os textos dizem a verdade e, invertendo o seu sentido, então Deus é semelhante ao homem, só que divino e perfeito.&lt;br /&gt;Desde os tempos mais remotos que há notícia de que certos homens, ou certas escolas, ou certos colégios, supostamente, eram detentores destes e de muitos mais segredos, os quais eram severamente ocultados e o seu acesso absolutamente restrito àqueles que mostrassem ter o mérito de os conhecer e oferecessem garantias de os guardar apenas para si e de só os transmitir da mesma forma que os recebiam, escolhendo criteriosamente entre os candidatos ao conhecimento dos “mistérios” de que eram guardiães. O motivo aparente porque isto assim acontecia, era o de que a maioria do género humano não estavam preparada para os receber nem tinha condições de os entender. Mas o verdadeiro motivo, era o de que os ensinamentos destes segredos continham em si determinado poder, e este, nas mãos de pessoas incapazes de o entender na sua verdadeira essência, podia tornar-se muito perigoso. Por outro lado, também era muito perigoso para aqueles que o possuíam, e a história está cheia de exemplos de gente que foi perseguida, encerrada em prisões, assassinada, queimada em fogueiras, apenas porque mostravam saber coisas que contrariavam as normas, o poder e a moral vigentes na época.&lt;br /&gt;Mas o melhor processo de ocultar eficazmente alguma coisa, é mostrá-la aos olhos de todos, numa forma diferente da sua verdadeira forma ou numa linguagem propositadamente hermética tornando-a ilegível no seu verdadeiro significado para aqueles que não possuírem as “chaves” para a sua decifração. Assim, nem tudo foi ocultado, muita coisa ganhou a luz do dia sob a forma de parábolas, de símbolos, de lendas, de textos contando histórias, por vezes quase infantis, tornando-se por esta via insondáveis ao “profano” que se limitava a fazer deles uma leitura literal. O caso mais exemplar será o da Bíblia, que ninguém com um mínimo de senso poderá achar que ela deverá ser entendida na sua forma literal, e é por esta razão que ela tem sido objecto de inumeráveis interpretações. Muitas das personagens e dos acontecimentos ali relatados não correspondem a nenhuma realidade histórica, são apenas símbolos, metáforas de algo mais profundo que se pretende transmitir. É interessante verificar que as figuras mais proeminentes da Bíblia parecem rodeadas de uma auréola de mistério acerca dos dados concretos sobre a sua existência ou a sua acção. Por exemplo, não se sabe, rigorosamente, quando é que Moisés deixou o Egipto à frente do povo hebreu, se foi no tempo do faraó Akhenaton, se no do faraó Mernepthah ou Ramsés II; não existe nenhuma referência histórica sobre a existência do rei Salomão, apenas a Bíblia o refere; a missão cumprida por Jesus, o Cristo, não aparece referida em nenhum registo histórico.&lt;br /&gt;O que proponho neste trabalho não é a resposta às questões que afligem o homem nem tão pouco a decifração dos mistérios que se abrigam no íntimo de todos os que buscam saber, que querem saber, pois isso estará sempre de maneira inviolável no coração de cada um, e cada um encontrará, porventura, como corolário dessa busca, a sua própria resposta, a qual não será igual a nenhuma outra, mas será de certeza a sua verdade.&lt;br /&gt;O que proponho, é um voo de ave, uma vista de cima sobre questões como o Cosmos, a Criação, o Homem, a Humanidade. Uma meditação ou um sonho em conjunto, convicto de que cada um tem a sua própria visão destas coisas, na certeza de que ninguém pode ensinar nada a ninguém, e de que o homem não tem nada a aprender, mas sim a relembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembremos então...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-4383460441459449477?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/4383460441459449477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=4383460441459449477' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4383460441459449477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/4383460441459449477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/08/o-cosmos-o-homem-e-evolucao.html' title='O Cosmos, o Homem e a Evolução'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-3454829379012689027</id><published>2009-07-26T23:26:00.001-03:00</published><updated>2009-07-26T23:27:50.785-03:00</updated><title type='text'>A Era dos Deuses - X - Os Exilados de Capela - 2ª Parte</title><content type='html'>Começo esta segunda parte por uma questão que me foi levantada por um leitor. Ele diz que a vinda de seres de Capela não é estranha à tradição pois há registos antigos que falam da vinda dessas almas para o planeta Terra.&lt;br /&gt;É verdade que existem registos antigos sobre a vinda de seres de outros planetas para povoarem a Terra, mas esses registos não falam nem de Capela nem de nenhum planeta em particular. Por exemplo, no “Lemurian Scrolls” (rolos lemurianos) da autoria, julgo, de Satguru Boditinatha Veylanwami, podemos ler o seguinte em tradução livre da versão inglesa: “Os seres humanos migraram para este planeta no corpo da sua divina alma durante o Sat Yuga, a idade da iluminação. Eles tinham atingido um estágio final de evolução no seu planeta. O risco de migrar para um planeta de fogo era grande, mas também gratificante. Eles estavam, contudo, numa fase de evolução precisando de um planeta de fogo para se catalizarem através de novas experiências completando o seu desenvolvimento para a realização final do Self, porque não o tinham feito previamente e estavam apenas boiando na sua felicidade, ou eram grandes seres que já tinham realizado o Self e vieram para ajudar os outros.”&lt;br /&gt;            De facto este livro, ou tradução de rolos da Lemúria, fala na vinda de seres de outros planetas, não apenas de um, mas não menciona quais. A identificação de Capela como origem da humanidade não concorda com outras tradições. Exemplificando: entre os essénios havia a noção de que a sua origem estava no planeta azul, Vénus, e figuravam-no como uma estrela de cinco pontas; no Egipto Antigo acreditava-se que tinham vindo de Sírius ou de Orion, atribuíam a Ísis a sua origem em Sírius, e a Osíris a constelação de Orion. Portanto, a ideia da vinda de Capela é absolutamente nova, não encontra confirmação na tradição antiga.&lt;br /&gt;Quanto à Lemúria, parece que efectivamente a humanidade começou ali, ainda que de uma forma muito primária, pois inicialmente parece que a atmosfera era muito densa e os corpos eram translúcidos, ainda não completamente formados fisicamente. Ali teriam existido as chamadas 1ª, 2ª e 3ª raças, mas nisto o livro “Os Exilados de Capela” segue a par e passo as descrições algo confusas da “Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky, embora as datas não sejam coincidentes. Assim, e também de acordo com a “Doutrina Secreta”, A Lemúria acabou por desaparecer em prováveis convulsões que assolaram a Terra, salvando-se apenas uma minoria de seres, uma “casta” de eleitos que foram depois iniciar o povoamento da Atlântida. Este cataclismo teria sido originado pela degeneração da raça humana, que teria caído em grandes depravações, nas quais se incluíam também muitos dos seres superiores, que se tinham deixado seduzir pelos prazeres físicos, relacionando-se inclusive com as filhas dos homens.&lt;br /&gt;Nisto parece estar quase tudo de acordo: A Bíblia diz que os filhos de Deus (deuses) se apaixonaram pelas filhas dos homens; a “Doutrina Secreta”, baseada nas estrofes de um livro tido como o mais antigo de todos, O “Livro de Dzyan”, refere que a Lemúria teria sido destruída pelos deuses porque a raça teria caído em grandes depravações; até Martinés de Pasqually fala em prevaricação no seu “Tratado de Reintegração dos Seres”. Naturalmente que o livro “Os Exilados de Capela” atribui o cataclismo que terá destruído a Lemúria a um castigo divino.&lt;br /&gt;Com base apenas nestas descrições, a Terra no tempo da presumível existência da Lemúria não estava ainda numa situação relativamente estável, como acontece há uns bons milhares de anos. A atmosfera era muito densa, provavelmente o ar ainda não era aquela composição química que tem hoje (78% de nitrogénio, 21% de oxigénio e o resto constituído por outros gases, inclusive o dióxido de carbono). A atmosfera densa podia ser devida a convulsões sísmicas e vulcânicas. Portanto, estando a Terra nessa situação, é natural que mais dia, menos dia um grande cataclismo tenha feito desaparecer grande parte da sua massa, que as águas se tenham elevado, que montanhas tenham sido submergidas e outras montanhas se elevado. Obviamente que não se tratou de qualquer castigo divino, apenas consequências trágicas de um planeta ainda jovem e em formação.&lt;br /&gt;Voltando aos “Lemurian Scrolls”, podemos ler o seguinte: “As almas mais evoluídas que primeiro chegaram à Terra durante o Sat Yuga continuaram a trazer para a forma física mais seres divinos de outros planetas. Isso era parte da sua missão. Lord Skanda veio para a Terra durante o Sat Yuga. Ele era uma das almas mais altamente desenvolvidas. Ele veio como o líder do primeiro grupo para os guiar até ao próximo Sat Yuga. Ele era o rei celestial da Lemúria. Foi por esta razão e através da antiga prática de oferecer essências de frutos e perfumadas ambrósias aos corpos etéricos das almas para estes as absorverem e tornarem-se densos que este planeta se tornou habitado no Sat Yuga. À medida em que o planeta se movia no tempo e espaço, raças diferentes vieram de vários planetas e se instalaram em diversas áreas.” Isto é algo muito diferente do que lemos no livro “Os Exilados de Capela”, e algo que nada tem a ver com culpa ou castigo divino.&lt;br /&gt;O sentimento de culpa resultante do castigo divino foi herdado, principalmente, pelas religiões do “Livro”, as que se reportam ao Antigo Testamento, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Nas religiões orientais, como no hinduísmo, esse sentimento não existe. Daí a necessidade da vinda de um “salvador”. Como o espiritismo tem a sua raiz no cristianismo, naturalmente que “Os Exilados de Capela” não podia deixar de reforçar essa componente de culpa.&lt;br /&gt;Para além de seguir a par e passo as descrições teosóficas de Helena Blavatsky na “Doutrina Secreta”, o livro também recorre ao que a Antropologia nos pode dizer sobre a ancestralidade dos vários tipos humanos, sobre a qual, como sabemos, existem bastantes divergências entre os pesquisadores que se dedicam ao assunto. Para uns o homem actual (homo sapiens sapiens) não tem mais de 30.000 a 60.000 anos, para outros apareceu na África Oriental há cerca de 200.000 anos. Isto para lá de outras controvérsias. No entanto, o livro “Os Exilados de Capela” tenta fundamentar a sua teoria com base nos diferentes espécimes fósseis de esqueletos humanos encontrados em diversos pontos do planeta, ou seja, que esses diferentes seres são o resultado da intervenção dos “veladores” no sentido de melhorar a espécie humana.&lt;br /&gt;Procura também fundamentar-se na Bíblia, em Moisés, como um dos seres superiores que vieram de Capela para ajudar a espécie humana, refere os profetas e especialmente Jesus, governante do nosso sistema planetário, que terá incentivado as almas vindas de Capela a regenerarem-se e a poderem voltar para o seu planeta de origem. Isto terá acontecido com grande parte dos egípcios, os quais, segundo o autor, seriam de uma “casta” mais elevada e portanto, não tiveram que passar por muitas experiências para poderem voltar.&lt;br /&gt;Resumindo e para não me alongar mais nesta crónica, o ser humano veio para a Terra como castigo divino (ou dos seres superiores), e tem reencarnado sucessivamente no seu longo caminho de reabilitação. As catástrofes naturais foram decretadas para castigo e destruição dos humanos que se afastaram do objectivo para que tinham vindo e caíram no vício, na depravação e na luxúria. Assim foi destruída a Lemúria, a Grande Atlântida e a Pequena Atlântida.&lt;br /&gt;Transcrevo algumas passagens do livro que considero significativas:&lt;br /&gt;“Com a chegada dos remanescentes da Atlântida, os povos Hiperbóreos ganharam forte impulso civilizador e, após várias transformações operadas no seu tipo fundamental biológico, por efeito do clima, dos costumes e dos cruzamentos com os tipos-base, já previamente selecionados pelos auxiliares do Cristo, conseguiram estabelecer os elementos etnográficos essenciais e definitivos do homem branco, de estatura elegante e magnífica, cabelos ruivos, olhos azuis, rosto de feições delicadas.”&lt;br /&gt;“Como se vê, a Quinta Raça foi a última, no tempo, e a mais aperfeiçoada, que apareceu na Terra, como fruto natural de um longo processo evolutivo, superiormente orientado pelos Dirigentes Espirituais do planeta. Ao se estabelecerem no centro da Europa os Hiperbóreos, logo a seguir e antes que pudessem definitivamente se fixar, foram defrontados pelos negros que subiam da África, sob a chefia de conquistadores violentos e aguerridos, que abrigavam suas hordas sob o estandarte do Touro, símbolo da força bruta e da violência.”&lt;br /&gt;“Assim, sobrepondo-se, mesmo, às sacerdotisas que exerciam completo predomínio religioso, Rama assumiu a direção efetiva do povo, levantou o estandarte do Cordeiro - símbolo da paz e da renúncia - e, no momento julgado oportuno, conduziu-o para os lados do Oriente, atravessando a Pérsia e invadindo a Índia, desalojando os rutas primitivos e aí estabelecendo, sob o nome de Árias, os homens da gloriosa Quinta Raça.”&lt;br /&gt;“Esses mesmos homens que, tempos mais tarde, se espalharam dominadoramente em várias direções, mas, notadamente para o Ocidente, conquistando novamente a Europa até as bordas do Mediterrâneo, nessas regiões plantaram os fundamentos de uma civilização mais avançada que todas as precedentes e da qual somos todos os homens brancos, os atuais descendentes e herdeiros. Após essas impressionantes depurações, os remanescentes humanos agrupados, cruzados e selecionados aqui e ali, por vários processos, e em cujas veias já corria, dominadoramente, o sangue espiritual dos Exilados da Capela, passaram a formar quatro povos principais, a saber: os Árias, na Europa; os Hindus, na Ásia; os Egípcios, na África e os Israelitas, na Palestina.”&lt;br /&gt;Deixo estas transcrições para que cada um interprete como entender. No resto, esta obra, como todas as obras espíritas, não pode ser confrontada como nenhumas provas documentais. Trata-se apenas de acreditar, ou não acreditar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133362385240273623-3454829379012689027?l=cravulsas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cravulsas.blogspot.com/feeds/3454829379012689027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133362385240273623&amp;postID=3454829379012689027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3454829379012689027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133362385240273623/posts/default/3454829379012689027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cravulsas.blogspot.com/2009/07/era-dos-deuses-x-os-exilados-de-capela_26.html' title='A Era dos Deuses - X - Os Exilados de Capela - 2ª Parte'/><author><name>Manuel O. Pina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15506350706786419898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_AHQa1LF9mMQ/R7o6R1odgPI/AAAAAAAAAAM/X7_0sVMUDDg/S220/Eu+em+Novembro+de+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133362385240273623.post-117951977308083791</id><published>2009-07-20T01:18:00.001-03:00</published><updated>2009-07-20T01:20:04.459-03:00</updated><title type='text'>A Era dos Deuses - X - Os Exilados de Capela - 1ª Parte</title><content type='html'>Alguém um dia disse ou escreveu que o ser humano é o único ser que não está adaptado às condições de vida na Terra. De facto parece ser verdade, pois não existe outro ser que mais sofra com as condições climáticas e regionais. As adaptações que parecem existir são apenas aparentes. Daqui há quem conclua facilmente que o ser humano é um estrangeiro na Terra, que veio para cá de algures, de um outro planeta, de uma outra galáxia.&lt;br /&gt;Os criacionistas dizem que não, que isso é pura imaginação, que o homem e a mulher foram criados pelo próprio Deus em pessoa, como diz a Bíblia, e, se tem dificuldades de adaptação é porque foi criado à parte do resto da criação, justamente para poder dominar toda a natureza criada.&lt;br /&gt;Os evolucionistas acham que se trata de delírios e que o ser humano é apenas fruto da evolução ao longo de milhões de anos.&lt;br /&gt;Julgo existir alguma verdade em todas estas posições. &lt;br /&gt;A dificuldade de adaptação do ser humano aos diferentes climas e diferentes regiões do globo parece indicar que não é daqui, que veio de fora. &lt;br /&gt;Se foi criado por Deus pessoalmente, a Bíblia original ou Tora hebraica, no seu livro “Bereshit/Génesis”, usa o termo “Elohim” para designar o Criador. Ora “Elohim” é plural de “Eloha” (Deus), o que literalmente quer dizer deuses ou divindades. Neste caso, a teoria desenvolvida por Zecharia Sitchin nas suas “Crónicas da Terra” e de acordo com a sua interpretação das tábuas de argila sumérias, está de acordo em absoluto – o homem teria sido criado pelos deuses através de manipulações genéticas, para os servir.&lt;br /&gt;É verdade que o ser humano é o resultado da evolução ao longo de milhões de anos mas, resta saber qual a origem desse ser humano a partir da qual a evolução se processou. Ou seja, houve seres semelhante
